google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
A foto acima foi tirada na semana passada e foi enviada pelo meu amigo Mark Lawrence Smith. Parece que é mesmo o fim dos tempos. Segue o comentário:

"Bitu

Engraçado cara, ano passado estive em Dallas, Toyota Prius pra todos os lados, com a gasolina custando US$ 3,75 o galão. Semana passada estive em Orlando, o galão custando US$ 2,30. Não vi um Prius na rua!!! Absolutamente nenhum!

Alugamos uma Chevrolet Suburban flex, mas me pergunta se tinha E85 em algum posto para abastecer. Simplesmente não havia."

A pergunta que fica é: quem leva a sério o Sr. Obama?

FB

Hoje de manhã fui arrumar a mesa da sala, que usei para fazer o post do 2000GT, e que estava cheia de livros e revistas . Achei tão legal a cena que tirei esta foto.

Quando a gente escreve, aprende sempre mais que ensina. Esta é que é a beleza do negócio.

MAO

Eu só havia andado com o Peugeot 207 Passion na apresentação em junho do ano passado, quando a fábrica resolveu mostrá-lo aproveitando o lançamento do 207 hatchback. O modelo só passaria a ser comercializado após o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, sua aparição pública oficial. A oportunidade veio quando a fábrica me convidou para acompanhar a etapa de Ribeirão Preto da Copa Peugeot de Rali, em Ribeirão Preto, 15 e 16 de agosto, ocasião em que viajei com um Passion XS manual e depois fiquei com ele uns dias rodando por São Paulo.

O Passion deixou-me logo a impressão de um sedâ compacto agradável e eficiente, na medida para tempos de trânsito denso. Comprimento de 4.235 mm, entre-eixos, 2.443 mm, largura, 1.669 mm e altura, apenas 1.447 mm -- é baixo, como gosto. O espaço no banco traseiro, se não é enorme como no Renault Logan, acomoda bem duas pessoas e, com alguma boa vontade, três. O porta-malas de 420 litros não é recordista na categoria mas é adequado, e com estepe guardando lá dentro. Os encostos dos bancos rebatem-se 1/3-2/3.

Mas o bom mesmo é conjunto mecânico, a começar pelo motor flex 1,6-litro 16-válvulas de 113 cv a 5.600 rpm (etanol), mas que vai feliz até 6.400 rpm. Um destaque, mesmo que muitos colegas de imprensa torçam o nariz pelo torque máximo de 15,5 mkgf se dar a 4.000 rpm, pois o fato é que a pegada de baixa rotação é ótima, sinal de curva de torque bem plana -- como deve ser num carro de rua. A caixa de cinco marchas está de acordo e em quinta a 120 km/h são 3.500 rpm. Podia ser umas 300 rotações menos, porém a fábrica decidiu pela quinta plena: a 195 km/h de velocidade máxima o motor está giranto exatamente à rotação de maior potência. Por pouco o Passion não entra de sócio no seleto "Clube dos 200 km/h".

Anda muito bem, vai de 0 a 100 km/h em 9,5 s e a posição de guiar não tem restrições, ajudado pelo ajuste do volante em altura (direção assistida hidráulica). Na viagem a Ribeirão Preto o computador de bordo indicava consistentemente 10~10,5 km/l com álcool a 15% de gasolina (E85) em regime de 120 km/h indicados. O comando de câmbio passou a ser a cabos no 207, eliminando as antigas deficiências do comando por varão do 206: imprecisão e oscilações longitudinais, que por isso já é praticamente história.

Estabilidade direcional e em curva perfeitas, mesmo sem apelar para "patas" exageradas, as quais condeno sempre. O Passion vem com pneus 185/60-15, o que garante flanco de 11,1 cm, suficiente para o nosso esburacado solo não obrigar a uma troca de pneus por corte na lateral. A largura da seção se mostra mais do que adequada para gerar forças laterais convincentes.

A suspensão de binômio McPherson-braço arrastado, dianteira e traseira, é outro destaque. Suspensão independente nas quatro rodas bem feita sempre é bem-vinda. A traseira usa barra de torção como meio elástico e tem barra estabilizadora também. Os freios disco-tambor não têm ABS nem como opcional (o que para mim vem a calhar), um item restrito, e de série, ao Passion XS com câmbio automático de quatro marchas, o único do segmento dos sedãs compactos a oferecê-lo, além de permitir trocas manuais sequenciais. Mas freios airbag frontal duplo, só nesta versão, e assim mesmo como opcional.

O carro traz de detalhes que cativam -- falando por mim, claro. Espelho esquerdo convexo, acendimento automático de faróis, sensor de chuva para ligar o limpador de para-brisa, computador de bordo, conta-giros à esquerda (e iluminação vermelho-alaranjada de todos os instrumentos, a melhor de todas) e, aprendi a gostar há algum tempo, velocímetro grafado com velocidades ímpares em destaque, não as pares. Há ainda faróis e luz traseira de neblina, terceira luz de freio, repetidoras dos piscas nas laterais, acionamento elétrico de todos os vidros e do espelhos externos, faróis que só ligam em facho baixo (típico da marca, exemplo a ser imitado). E o ar condicionado é automático a partir da temperatura selecionada.
Resumindo, um sedã familiar compacto que serve ao seu propósito com louvor. Custa R$ 43.800 e a a única cor sólida é a branco Banquise. As demais, todas metálicas, custam R$ 900 e são o único item opcional de fábrica. Há os opcionais de concessionária como auxílio a estacionamento traseiro, Bluetooth, comando de rádio na coluna de direção, GPS Airis T940 com Bluetooth, rádio/toca-CD com MP3, manopla de câmbio em couro e tampa do tanque tipo aviação, cujos preços são negociados no local.

Seus concorrentes são o VW Voyage e Polo sedã, Fiat Siena, Chevrolet Prisma, e Corsa sedã, Fiesta Sedã e Renault Logan. Nenhum oferece suspensão traseira independente, embora seus eixos de torção funcionem bem.

Mas será que não há nada que mereça crítica no Passion? Pouco, mas há: o tanque é pequeno, só 50 litros; a manopla do câmbio, cromada, fica impossível de ser tocada após o carro ficar algum tempo sob sol (o acessório em couro é mandatório); a moldura cromada no painel reflete no parabrisa a qualquer hora do dia ou da noite (se eu comprasse o modelo, mandaria pintá-la de preto); e faz falta a faixa degradê no parabrisa. E não gosto do "bocão" do 207, é exagerado para mim, mas não preciso ficar olhando-o sentado ao banco do motorista.

Mas são detalhes que não perturbam a paixão pelo Passion.

Há dois dias atrás, MAO nos brindou com um texto importantíssimo, e chegou à conclusão que o seu Santo Graal é um Focus 2-litros, do modelo antigo.

Encontrei esse vídeo produzido pela revista Autocar, que compara três Ford RS, e decidi, assim, que o Marco Antonio é um cara muito modesto. Para mim, o Graal são três.

Espero que gostem.

JJ




Uma das grandes injustiças que vejo no mundo é o modo que é tratada a indústria automobilística japonesa. Praticamente todo mundo costuma considerá-los meros copiadores, mesmo hoje, quando está mais que provada a sua superioridade técnica em praticamente todos os campos industriais conhecidos.

Talvez o motivo disso seja o pragmatismo com que tratam qualquer tarefa técnica: primeiro pesquisam tudo que já foi feito, e analisam seus predecessores minuciosamente, antes de tentar desenhar qualquer coisa. Assim, evitam o enorme trabalho que alguns realizam, só para descobrir depois que outra pessoa já tinha feito a mesma coisa melhor.

Para mim tal tipo de comportamento parece apenas lógico e inteligente, e calculo que venha da humildade característica da cultura daquele país, e do seu desprezo pelo pessoal em detrimento da sociedade como um todo. Aqui no ocidente, todos queremos ser “originais”, enquanto lá o esperado é apenas que você faça a sua parte no todo. Apesar de ser uma cultura quase alienígena aos nossos olhos, devemos respeitar um povo com essa determinação de evoluir todo mundo junto, ao invés de todos ficarem tentando ‘se dar bem’ e o resto... bem, cada um que se vire. Os resultados estão aí para quem quiser ver: o progresso criado pelas gerações passadas é desfrutado pelas atuais. Meus filhos não terão tanta sorte, infelizmente.

Já no início dos anos 60, cientes de sua capacidade e certos de seu futuro brilhante, os japoneses começaram a buscar aquilo que é intangível de forma prática, mas é o verdadeiro motor da humanidade: o reconhecimento. Não, não é o dinheiro; este é só um meio de atingi-lo. O que todos queremos, bem lá no fundinho de nossa alma, é o reconhecimento público e claro de nosso semelhante, pelo que somos, pelo que fazemos, ou, melhor ainda, por ambos.

A Toyota, certa do curso que a levaria a ser o maior produtor de automóveis do planeta, queria exatamente isto em 1964. Com caixa transbordando de dinheiro já naquele tempo, estava pronta para gastar um pouco dele polindo sua imagem pública. Inspirados pela volta da Mercedes em 1954 com o 300SL, pensaram os japoneses: que maneira melhor se pode ser levado a sério, senão criando um carro especial, um GT de altíssima performance, qualidade, e preço? Ah, época boa...Hoje, para fazer o mesmo, criou aquele beco sem saída tecnológico que é o Prius, e infelizmente, teve muito mais sucesso que nos anos 60.

Mas enfim, decisão tomada, foi criado então um pequeno time debaixo do diretor Jiro Kawano(até ali encarregado de competições), escolhidos a dedo para o projeto. Apenas cinco pessoas, uma para cada área específica, a saber: chassi e suspensão, motor e transmissão, design, carroceria, e testes. Comprova uma regra que tenho para mim que quanto menos pessoas mais bem pagas envolvidas, melhor é um projeto de automóvel. O incrível McLaren F1 foi criado da mesma forma, como já contei aqui.

Em outro paralelo com o McLaren F1, que na verdade neste ponto copiou os japoneses, a primeira coisa a fazer foi arrumar carros esportes e GTs reconhecidos como ótimos, e destrinchar suas entranhas para descobrir seus segredos, medindo tudo no processo, de esforço nos comandos a desempenho final. Assim, saber-se-ia exatamente onde se queria chegar, conhecendo o que já existe.

O mais interessante é notar que em ambos os casos, nos dois projetos semelhantes (o objetivo dos dois era simples: ser o melhor carro para dirigir nas ruas), separados por 30 anos de desenvolvimento da indústria, determinaram exatamente o mesmo benchmark (o melhor existente até então, que deveria ser superado): o Lotus Elan. Apesar disto, os japoneses ficaram muito impressionados com o hoje clássico, então contemporâneo, Jaguar XK-E. A influência dos dois é clara no carro, como veremos adiante.

Lançado no Salão de Tóquio de 1965 como Toyota 2000GT, o carro resultante é uma daquelas jóias raras do mundo automobilístico, que apesar de serem quase perfeitos em projeto e execução, se resignaram a apenas um rodapé na história. Ninguém entendeu o carro, e até hoje é conhecido como “aquela cópia de Jaguar que a Toyota fez”.


O carro, na realidade, tinha objetivos de projeto ambiciosos: alto desempenho, civilidade total para uso diário e viagens, alta qualidade em detrimento de alto volume de produção, e finalmente ser a base para um carro de competição. Usando um chassi tipo espinha dorsal em chapa de aço, muito similar ao da Lotus Elan (inclusive nos altos pontos de montagem de torres de suspensão na traseira), o carro tinha uma especificação técnica perfeita, mesmo se observada na perspectiva dos dias de hoje.



A suspensão era independente nos quatro cantos, por braços triangulares sobrepostos. Estes braços eram longos, e suas molas e amortecedores idem para prover um grande curso de suspensão. Infelizmente não se faz mais suspensão assim em carros esporte; os enormes pneus e a necessidade de mantê-los perto das aberturas de rodas por motivos de aparência impedem isso. Mas é a maneira correta de se fazer, e assim é o 2000GT. A caixa de direção, de pinhão e cremalheira, era colocada à frente da suspensão, de novo, a posição teórica perfeita. Montado logo atrás desta caixa, estava o motor, em posição central-dianteira.



Este motor utilizava o bloco de seis cilindros em linha, sete mancais e dois litros de deslocamento do Toyota Crown, em ferro fundido, mas utilizava cabeçote desenhado e produzido pela Yamaha, todo em alumínio e com duplo comando de válvulas, duas válvulas de diâmetro generoso por cilindro, e uma câmara de combustão hemisférica. Flanqueando o belíssimo cabeçote (com acabamento das tampas crackle-black, como um Ferrari), um maravilhoso trio de carburadores duplos horizontais Solex (fabricados no Japão sob licença pela Mikuni), e do outro lado, coletores de escape individuais dividiam as seis saídas de escape para dois tubos principais de escapamento, que seguiam por debaixo do chassi-espinha até a traseira do carro. Pelo meio deste chassi (em perfil retangular fechado) passava a árvore de transmissão (cardã) que ia do câmbio Toyota de cinco marchas totalmente sincronizado (uma raridade então, comum apenas nos Alfa Romeo) até o diferencial traseiro aparafusado ao fim do chassi, na traseira do veículo.

Este magnífico motor produzia 150 cv a 6.600 rpm e 18 mkgf a 5.000. Marcas pífias hoje em dia, mas irrelevantes: o motor era fantástico. Disse Martin Buckley na Classic & Sports Cars em 1995:

“Qualquer dúvida sobre o carro se evaporou no momento em que liguei o motor. Do ronronar da marcha-lenta ao berro perto do limite de giros, um seis em linha não tem como ficar melhor do que isso. A pegada começa realmente só às 3.500 rpm, mas dali em diante ele empurra com vontade, e de maneira incrivelmente suave, até 7.000 rpm. Com uma resposta pronta e precisa, nenhum ponto aparente de vibração em todo o espectro, e com nenhum traço de aspereza, é uma jóia de motor. É tão suave e forte quanto um motor BMW atual, na verdade, mas com um berro no escape - não, um berro não, um profundo, grosso e musical pano de fundo - que não fracassa em entusiasmar.”



O desempenho (0-100 em 10 s e 210 km/h de final) parece, de novo, ridiculamente baixo para um GT de verdade, mas ninguém que o dirigiu já reclamou. Rápido o suficiente, se quiserem a minha opinião. Como venho dizendo aqui neste blog desde sempre, é mais importante COMO um carro faz algo, não O QUÊ ele faz.

E vocês já devem saber: é rápido o suficiente para uma morte bem gloriosa. A Toyota tentou, na verdade, colocar o V-8 desenvolvido para o Toyota 7 de competição (5 litros e 400 cv) no seu GT, mas descobriu que teria que aumentar o tamanho do carro, e perder em agilidade, área frontal, eficiência, na verdade arruinando a ideia inicial de um carro realmente pequeno e leve como o Elan. O que está correto, está correto, e mais muitas vezes é menos. O papo de cópia de XK-E morre colocando-os lado a lado, pois além de serem realmente diferentes, o Jaguar é enorme perto do pequeno e atlético Toyota.


Como não poderia deixar de ser com tanto cuidado, o carro era fantástico para dirigir. Direção perfeita, suspensão suave, comportamento impecável, controles exemplares. Com apenas 2,7 voltas entre batentes, a direção já foi descrita como: “...boa como a de um Lotus, soberbamente ajustada em peso, precisão e feedback”. O carro foi o primeiro japonês com freios a disco nas quatro rodas, unidades Dunlop de pistão simples, que também só receberam elogios da crítica. Ajudado por uma visibilidade inédita em carros deste tipo, a perfeita distribuição de peso (50/50 com combustível e um ocupante), o centro de gravidade baixo e o eixo de rolagem alto, não podia ser de outra forma. Perfeito é o que perfeitamente foi concebido.



Apesar do protótipo mostrado em Tóquio ter rodas raiadas, todos os 2000GT foram equipados com levíssimas rodas de magnésio com porca central única (knock-offs), de 15 polegadas, e pneus com seção de 165 mm. Medidas de Fusca...

A carroceria tinha um desenho incrivelmente futurista, atlético e belo, salvo pela mal-resolvida dianteira, com sua grade e faróis de aparência amadora. Detalhes interessantes abundam: reparem no corte das portas, feitos para impedir que estas se danifiquem ao abrir em meio-fios, num carro baixo. O JJ ia adorar! Ajudado pelo longo capô proporcionado pelo seis em linha em posição recuada (central), e os balanços reduzidos (de novo, perfeição), existem compartimentos entre as rodas e as portas, como os que escondem o estepe nos Bristols. No 2000GT, um lado guarda a bateria, e o outro, um filtro de ar reserva e o reservatório do limpador de parabrisa.


A produção do carro foi sub-contratada para a Yamaha, que fazia os carros praticamente de forma artesanal, à mão, com todo o cuidado para que fosse percebido como o artigo de luxo que efetivamente era. No interior, uma grande contribuição desta eclética empresa (instrumentos musicais, motocicletas e motores) veio de sua divisão de pianos: madeira de qualidade (mogno e pau-rosa, ambos vindos do Brasil) adorna o painel, o volante e a bola da alavanca de câmbio.

Os instrumentos principais são recuados para dentro do painel, tornando-os menos afetados por reflexos diversos, uma prática comum hoje, mas rara em 1966, época em que todos ainda apenas colocavam os instrumentos em uma chapa plana. O relógio contava com um cronômetro, havia ventilação forçada com direcionamento (ocupante, pés ou desembaçador) e o acabamento geral era de altíssima qualidade.




Tudo isso não poderia sair barato, e aí que estava o calcanhar de Aquiles do carro. Era caríssimo, mais caro que um 911. Custava um XK-E e meio, sendo o Jaguar um carro de 4,2 litros e de desempenho muito superior. Não importava quanto satisfatório fosse o pequeno japonês, se hoje em dia alguém teria dificuldade em pagar mais por um Toyota do que para um Porsche, imagine então nos anos sessenta, época em que ainda eram pouco conhecidos. O carro foi um fracasso, vendendo apenas 337 unidades de 1966 a 1970. Os últimos sete eram da versão S2, que usava o motor do Crown (SOHC e 2,3 litros) com os carburadores do 2000GT, para a mesma potência e mais torque, e opcionais transmissão automática e ar condicionado, que, para ser sincero, tiraram o foco e estragaram a pureza do original.

O designer do carro, o japonês Satoru Nozaki, escreveu uma reportagem sobre sua criação na Automobile Quarterly em 1967 (anônima, pois as japoneses creditavam tudo ao grupo e não as pessoas, como a revista menciona, a pedido da Toyota), onde explicava o objetivo de todo o exercício:

“Um grã-turismo, e como um GT, ele deve ter todo o equipamento, especificação e layout que responda para um alto grau de habilidade ao volante. Mas ao contrário de um carro esporte, que pressupõe um certo nível de desconforto e austeridade, ele deve proporcionar um ar de conforto e luxo. Orgulho, por assim dizer. A capacidade de uma máquina de competição com a qualidade e confiabilidade de um carro de primeira linha. Deve ser um carro em que o dono possa aproveitar um calmo passeio pela cidade no domingo, e uma rápida viajem por estradas sinuosas.”

Missão cumprida, Nozaki-San.

Como já tentei fazer quando falei do Carrera 2,7 e do 190E 2.3-16, o objetivo aqui é provar que você não precisa de 600 cv e rodas imensas para ser feliz. No mundo de hoje, onde, impulsionados pela internet, todos comparam dados para decidir quem é melhor ou pior, todos esquecem do principal, e pelo menos ao respeito de automóveis, perdem o melhor, que é imensurável: o prazer de dirigir. Não existe unidade de medição para isso.

E prazer não depende de preço. Nem que esse preço seja um Toyota pelo preço de um Jaguar e meio.


MAO

Uma pequena empresa com vinte funcionários, de Leicester, na Inglaterra, está prester a iniciar em novembro próximo as entregas de um novo esportivo, daqueles que fazem entusiastas babarem. A primeira aparição em evento público está ocorrendo nesse final de semana no Goodwood Revival Meeting.
O M6oo é claramente inspirado pelo Ferrari F40 (o meu preferido da marca italiana), não em aparência, mas em conceito de projeto, nas palavras de Peter Boutwood, o presidente da empresa. Nada de excessos ou acabamentos de luxo e concessões às modas. A Noble fez um carro bem montado, apesar de bastante simples, para sensações extremas.
Existe sim um controle de tração, direção hidráulica e vidros elétricos, por exemplo, mas não há borboletas atrás do volante, como em quase todo superesportivo que quer vender a aparência de piloto para qualquer um que puder pagar, nem ABS e airbags, só para citar dois itens que são quase universais em carros modernos, e que serão obrigatórios até no Brasil, em 2012.
O novo filhote do mundo dos supercarros é empurrado brutalmente a frente de forma incomparável, segundo a revista inglesa Autocar. Mesmo comparado ao Bugatti Veyron, a experiência é amedrontadora, nas palavras de Steve Sutcliffe, um testador com anos de experiência dirigindo os carros mais extremos que existem, e um ex-recordista da prova 0-100-0, um teste comparativo que a revista faz todos os anos, submetendo os carros desde a imobilidade às 100 milhas por hora, e de volta a imobilidade. Sutcliffe alcançou, em 2004, o tempo de 10,73 segundos com um Caterham R500 Evolution. No mesmo dia, um Ferrari Enzo fez a mesma coisa em 10,98 segundos.
O M600 tem motor V-8 de 4.414 cm³ com dois turbos, e controle de sobrepressão por botão no console. Com 0,6 bar acima da pressão atmosférica, são 450 cv. Com 0,8 bar, 550 cv e finalmente a 1,1 bar temos os 650 cv máximos, girando a 6.800 rpm. Com apenas 1.250 kg em ordem de marcha, a relação potência-peso fica em 520 cv por tonelada. O Bugatti Veyron apresenta 495 cv por tonelada.
Interessante notar a origem desse motor. Projetado pela Yamaha a pedido da Ford, deveria ser utilizado nos carros das marcas mais luxuosas da empresa americana, como Aston Martin, Jaguar e Volvo. Com a venda das duas primeiras para compradores diversos, o projeto foi aplicado apenas aos Volvo S80 e XC90, nas versões sem sobrealimentação, mais simples e menos potentes.
Ficou então livre para a Yamaha a aplicação das versões extremas para qualquer outro cliente que se interessasse, e a Noble diz que até 750 cv não é nada difícil de ser obtido.
Mas pela relação potência-peso mostrada, e um tempo de 0 a 100 km/h de 3 segundos, está claro que para o lançamento a potência ficará mesmo nos 650 cv, que são totalmente confiáveis. Como validação, a Noble correu 24 horas ininterruptas na pista de provas de Bruntingthorpe, além de ter percorrido 8.000 milhas (12.800 km) nos Estados Unidos, nos estados da Califórnia, Arizona e Nevada, para garantir o sistema de arrefecimento e permitir que o uso normal de cidade também fosse plenamente possível.
Espetacular, ver a chegada ao mercado de um supercarro com três pedais, tração traseira e de estilo absolutamente funcional. Me faz feliz em saber que o planeta ainda tem esperança.
Só depende do entusiasmo de quem faz.
JJ
Instalação na dianteira do Lexus LS400


Eixo dianteiro completo.


Até pouco tempo atrás, eu era um absoluto fanático por novas tecnologias automotivas.

De uns quatro ou cinco anos para cá, mudei um pouco esse meu comportamento, por conviver mais com pessoas que possuem carros antigos ou quase, ou ainda carros velhos com injeção de combustível com comando eletrônico, e que serão antigos de algum valor histórico em breve.
Pois bem, a quantidade de problemas de todo tipo e gravidade que se enxerga em carros com razoável conteúdo eletrônico, ditos modernos, me fez mudar um pouco de opinião.
Sempre comentamos no AUTOentusiastas as virtudes de carros antigos, e frequentemente discutimos um pouco sobre novidades técnicas. E sempre vimos opiniões de todos os tipos, como "antigo é que é bom", "feito para durar", ou na outra ponta "carro velho não é minha praia mesmo", "falem mais de novidades", coisas desse tipo.
Como não podemos ser radicais em nada nesse mundo, estava dia desses pesquisando um pouco sobre suspensões, e encontrei material sobre uma suspensão que promete ser revolucionária em concepção e funcionamento, e da qual havia me esquecido, pois foi apresentada há cinco anos.
Suspensão eletrônica Bose.
A marca Bose dispensa qualquer apresentação para quem tem um mínimo de curiosidade sobre equipamentos de som automotivo ou residencial.
A empresa usa o nome do Dr. Amar Gopal Bose, um americano de mãe indiana, nascido em 1929, que estudou engenharia elétrica no MIT (Massachussets Institute of Technology), a mais renomada escola de engenharia do mundo, e se tornou professor por lá até o ano 2000. Essa empresa fabrica sistemas de som de alta qualidade, calcado em pesquisas acústicas, aplicando-as de forma prática.
Em 2004, a Bose apresentou um trabalho para a indústria de automóveis, fora da área acústica , uma suspensão ativa. O Dr. Bose explicou, à época, ser fascinado por suspensões, pela dualidade do que ela deve entregar ao veículo: conforto e controle das rodas. A oposição de uma função em relação a outra o fez pensar muito, desde 1957 quando comprou um Pontiac modelo 58 com suspensão a ar, e passou 10 anos com ele, estudando, fazendo a manutenção e aprendendo. Não é que o grande mestre do som é também entusiasta de carros? Logo depois do Pontiac, veio um Citroen DS com a famosa suspensão hidropneumática, que tanta dor de cabeça trouxe aos proprietários sem fácil acesso a peças de reposição e especialistas que a pudessem manter, e mais conhecimento foi acumulado.
Em 1980 o Dr. Amar formou um grupo composto por pessoas do MIT e de sua empresa, para desenvolver a suspensão ideal, utilizando algumas das especialidades da empresa, nesse caso amplificação de potência, velocidade de acionamento de contatos elétricos e eletrônica básica.
Do início do desenvolvimento até a apresentação do protótipo, vinte e quatro anos se passaram, em sigilo.
O maior problema era ter a capacidade de processamento de dados para que os componentes trabalhassem com a velocidade suficiente para poder ser considerado uma suspensão ativa de verdade. Vejam o filme ao final do texto, tenho certeza que vocês irão se surpreender.
O protótipo, batizado de BSS (Bose Suspension System) foi instalado em um Lexus LS400 ano 94, o carro mais bem isolado e silencioso na época em que foi lançado, e que foi a referência nessas características por um bom tempo. Segundo as informações divulgadas em 2004, não houve alterações na estrutura do carro, apenas na própria suspensão e eletrônica do carro.
Conceitualmente, o sistema é simples, composto de motores eletromagnéticos lineares, que trabalham mais ou menos como alto-falantes, ou seja, se movimentam em dois sentidos opostos em uma mesma direção, ao serem submetidos a um campo elétrico de uma bobina, gerado por corrente elétrica. Nessa suspensão, as torres, que são como amortecedores, se extendem ou retraem na velocidade e com o curso necessário para cada situação. Os motores elétricos de cada um dos quatro cantos do carro tem amplificadores de potência, e são regenerativos, ou seja, absorvem energia quando as forças da roda agem na torre, armazenando energia para a reação, para o motor empurrar a roda para baixo. Sensores em várias posições leem o solo à frente do carro e enviam informações para uma central eletrônica.
Nesse protótipo, o processador de controle era um Pentium III de 750 MHz, já um pouco lento para os dias atuais de nossos computadores pessoais. A suspensão dianteira tem aparência similar a uma coluna McPherson, a traseira são dois braços triangulares sobrepostos, o famoso double-wishbone. As molas são barras de torção (Dodges antigos, Fusca, S10, Pajeros grandes), e há amortecedores passivos de pequenas dimensões, como os dos carros normais, para caso de problemas nos sistema. Barras estabilizadoras são totalmente dispensáveis, assim como geometrias de direção elaboradas para compensar a inclinação do carro. Simplesmente isso não é preciso com essa invenção.
Claro que a tecnologia de alto nível tem sua contrapartida, que é o custo e a massa de todas as peças. No protótipo, esse aumento foi de 45 kg, e custos não foram divulgados.
Recentemente não houve mais nenhuma divulgação por parte da Bose, mas podemos estar certos que o trabalho não parou, e esse sistema deve aparecer novamente no cenário automotivo em breve.
Ao menos é o que desejamos. E que seja 100% confiável e muito durável, para facilitar a vida do entusiasta colecionador do futuro.
Vejam o video aqui.

JJ

Dois novos moradores na coleção do JJ, um Corvette 63 e um Nova 70, ambos gassers, da marca Hot Wheels. Esse são maiores que os "carrinhos de brinquedo", escala aproximada 1:43.

JJ
Quinta feira dia 17 de setembro seria o aniversário de 100 anos de Edward N. Cole, se estivesse ainda entre nós. Criador do V-8 small-block Chevrolet, talvez o melhor motor de todos os tempos, do incrível Chevrolet 1955, e do genial Corvair, Cole para mim foi o motor criativo que tornou a GM o mais poderoso conglomerado automotivo do mundo, numa época que hoje parece ter acontecido a séculos atrás. Mais sobre ele aqui no AE, clique aqui e aqui.

Uma prece virado para o lado de Detroit (Norte) é recomendada.



E hoje, 19 de setembro marca também o centenário de Ferdinand "Ferry" Porsche, criador da empresa que produz automóveis com seu nome, continuação lógica da consultoria de engenharia automotiva criada por seu pai, o mítico Dr. Ing. h.c. Ferdinand Porsche, em 1931.

Virem-se para Stuttgart (Nordeste) e lembrem desse grande homem também.




Que os deuses do automóvel os tenham em bom lugar!

MAO
No início dos anos 90 eu era um pré-adolescente que só pensava em duas coisas: mulheres e carros (e vice-versa). Já estava iniciado naquela rotina matinal de terminar o café da manhã antes da irmã caçula e ir para a garagem com a chave do carro na mão, com o argumento de "esquentar o motor do carro".

Era minha mãe que nos levava para a escola e, se não incentivava a prática, ao menos não proibia. Meu pai torcia o nariz, com medo de eu sumir com o carro, mas era um medo infundado. Até então, essa era a minha única prática automobilística. Nem mesmo manobrar o carro eu podia, apesar de já dominar por completo os comandos do carro. Aos 11 anos de idade eu já tinha 1m68 de altura, o que ajudava bastante.

De resto, apenas a teoria: Motor 3 (que já não era mais publicada, mas ganhei a coleção completa de um tio) e todo mês um casal de Quatro Rodas e Oficina Mecânica. Ajudava muito o fato de ter um tio e um primo jornaleiros: nem bem as revistas esfriavam na banca e as duas já estavam separadas para que eu as buscasse na volta da escola.


Como muitos já devem ter percebido, sou uma pessoa que gosta de filosofar. E tenho feito muito disso nas semanas que antecederam o dia de hoje. Não é todo dia que se completa 40 anos, uma idade que é emblemática da entrada de outra fase em nossas vidas, a da meia idade.

E tenho pensado muito sobre o significado de tudo, se valeu a pena, o que vem pela frente. E pensado muito sobre carros de uma maneira abrangente, sobre o que realmente quero deles, em que eles podem ajudar para que os próximos 70 anos sejam tão bons quanto os últimos 40.

Por coincidência, ando com aquele claro sentimento de que é hora de trocar um dos carros da garagem. Vocês conhecem este sentimento, ele vem sei lá de onde, mas como uma onda nos empurra a pensar no assunto, elucubrar, procurar anúncios na internet, e, finalmente, gastar uma quantidade enorme de dinheiro (que na maioria das vezes nem se tem) e colocar algo novo, ou diferente, na garagem.

A maioria das pessoas procura justificativas lógicas para este sentimento totalmente emocional e irracional. Me divirto muito com isso. Engraçado como a maioria das pessoas reclama de custo de manutenção, consumo, depreciação, e um monte de outros argumentos que na verdade escondem a realidade: desejo. Incontrolável, irrefutável, lascivo desejo.

Desejo de mudar algo, de experimentar algo novo, de mostrar ao mundo seu sucesso profissional, de provar a si mesmo que você pode, de mover algo na vida adiante. Não importa qual o desejo que se tem por um automóvel, todos são válidos, e é o que move uma indústria multimilionária para adiante.

E há também a questão da imagem. Um carro, quer você queira quer não, passa uma imagem de você para o mundo. E, querendo ou não, você se preocupa com isso. Nem que seja para passar a imagem de que você não se preocupa com imagem.

Tem gente que quer fazer parte de uma turma, um grupo, e para isso deve ter um carro de certa marca ou tipo. Tem gente que quer passar a imagem de conhecedor, escolhendo algo raro e exótico aos olhos treinados. Tem gente que quer simplesmente chamar a atenção para si. Tem gente que quer apenas parecer rico. Tem gente que apenas gosta de juntar coisas, e estende esse tipo de comportamento aos automóveis, colecionando-os compulsivamente. Tem gente que quer ser o mais veloz de todos, sendo reconhecido como um ás do volante que não tem medo de nada.

Eu já fiz disso tudo. Já tive hot rods espalhafatosos para aparecer, já tive caros carros zero que, pelo menos onde vivia, me fizeram parecer rico (tudo é relativo). O mesmo hot rod me fez parte de clubes, e já tive também carros diferentes entendidos apenas por um pequeno grupo de amigos que aprovavam-no como algo fino e exótico. E sempre dirigi meus carros competitivamente, gozando da fama de pé pesado. Já comecei uma coleção de Chevrolets nacionais, que apesar de modesta, prometia muito.

Mas, tirando todos este fatos externos à real experiência de ter e dirigir um automóvel, o que realmente importa? Essa é uma dúvida que começou a me assolar há algumas semanas, sabe-se lá saída de onde. O que me move, o que é que faz a experiência de propriedade de um automóvel realmente importante e memorável? Essa dúvida se tornou quase uma obsessão para mim. Se eu pretendo ser feliz com os automóveis no resto de minha vida, já é hora de saber a resposta.

Como sempre faço, procurei a resposta no passado. Dos carros que já tive, entre os realmente lembrados, os memoráveis, o que tem eles de comum? Qual é a linha que os liga, o padrão sagrado da felicidade automotiva que os une? Será que existe algum ou é algo que vem apenas da emoção, um daqueles sentimentos do fundo da alma que ninguém explica ou entende, e que portanto seriam impossíveis de repetir senão por um acaso do destino?

Felizmente tal padrão existe, incrivelmente claro, no meu gosto por carros. Antes de dividir estes gostos com vocês, no sentido de evitar revoltas e inundação de hate-mail, tenham em mente que é o que é importante PARA MIM. Como já disse, isso é apenas uma jornada de auto-conhecimento, e não uma busca de certos ou errados definitivos. O que seriam dos Camaros se todos quisessem Mustangs?

Em primeiro lugar, descobri que gosto de ter apenas um carro, que sirva para tudo. Claro que ter um ou outro brinquedo na garagem é bom e melhora a saúde, mas são irrelevantes para minha felicidade. Não, em primeiro lugar o meu carro precisa ser o que sempre uso. Aquele que reconhecem estacionado na porta de qualquer lugar, aquele que é quase indissociável de você mesmo. Aquele com o qual eu viajo, faço compras, vou à praia, ao sítio de meu pai, e ainda assim ele arruma tempo para me divertir sempre que pode. Um companheiro, um amigo, uma alma gêmea, algo que seja uma alegria sempre que nos preparemos para ir para casa juntos. Aquele carro que nos provoca aquele sorrisinho tímido mas revelador no canto da boca quando vamos nos aproximando dele, naquela viela escura onde ele ficou nos esperando o dia todo, pacientemente. Uma extensão de quatro rodas de seu próprio corpo.

Depois, noto como padrão que aparência não importa para gostar de um carro. Meio que como consequência disso, vejo aqui não como algo intencional, mas meio como um acidente, que todos os carros que realmente gostei de ter eram a negação do automóvel como símbolo de sucesso pessoal do dono. São carros largamente ignorados como transporte apenas por quase todo mundo, coisa barata, reles, xinfrim mesmo. De qualquer forma, voltando à aparência, acho qualquer carro bonito se é bom (realmente bom) para dirigir. Admiro a beleza de um Jaguar XK-E de primeira série, por exemplo, mas da mesma forma que fiquei embasbacado vendo a Vênus de Milo ao vivo. Não preciso dirigir a Vênus de Milo por aí para gostar dela. E acho que também, passada a longa adolescência que tive, tenho gostado cada vez mais de não chamar a atenção para mim através do de meu carro.

O terceiro padrão é a confiabilidade absoluta. Existe algo em carros que aceitam qualquer punição, por anos a fio, e não pedem nada em troca. Eu simplesmente adoro carros em que o capô praticamente nunca precisa ser aberto. Esta é uma confissão difícil para alguém que adora a simplicidade dos carros mais antigos e espartanos, alguém que vive apregoando que carros têm que ter personalidade e história, alguém que despreza a ignorância mecânica da população. Mas tal coisa é inevitável quando se propõe a conhecer mais de si mesmo; e o fato é que este é mais um padrão. Eu gosto de usar sem dó e nunca fazer nada pelo pobre do meu carro, e provavelmente quando selarem o capô finalmente (como é o futuro inevitável), vou chiar aqui no blog, mas na realidade nem perceber a diferença.

Finalmente, algo que é indispensável para mim é o comportamento. Um carro deve se mover com agilidade, fazer curvas apontando a frente para dentro delas com vontade. Tem que ter direção precisa, com o peso correto, e comunicativa. Tem que ser um parceiro entusiasmado para se dirigi-lo como se tivéssemos acabado de roubá-lo. Tem que ter um acelerador comunicativo, e seu comportamento em curva tem que depender deste pedal também. Tem que ser um carro fácil de andar rápido, um carro melhor que seu dono, que não é lá nenhum Senna (nem Fisichella, by the way) mas que adora viagens a velocidades realmente altas. Eu gosto de andar rápido, e preciso de um carro que goste disso também.

O mais estranho é que o motor é irrelevante para mim. Antes de começar este incrível exercício, se alguém me dissesse tal coisa, ia achar um absurdo, pois adoro ler, saber, e já gostei muito de mexer em motores. Se é potente ou não, se é econômico ou não, se vibra ou não... é totalmente irrelevante. Precisa apenas ser um companheiro fiel, alguém disposto a despejar toda sua potência sempre que se vire a chave, não importando se esta potencia for 40 ou 400 cv. Amazing...

Descobri isso com meu atual carro, um Nissan Maxima 95. Ele deve fazer o 0-100 km/h em 6,5 segundos, de acordo com a C&D americana, e parece ser até mais rápido que isso. O motor é uma delícia, um V-6 DOHC de alumínio suave, liso, mas violento e girador, que quando berra parece o grito de acasalamento de um Ferrari macho adulto. Mas o carro atende a poucos dos critérios acima, e então...descobri o porquê de minha relativa infelicidade ao andar com ele.

Para quem ficou curioso sobre os carros que realmente foram memoráveis para mim: Chevette, Pampa e Ford Focus.

Sobre o Chevette, é interessante lembrar que, três anos atrás, já mostrando traços de uma busca ao Santo Graal automotivo, resolvi comprar um Chevette. Tinha tido quatro deles anteriormente, mas todos comprados zero-km ou semi-novos, nos anos 80/90. Foi uma experiência fracassada, pelo simples fato de que o carro nem chegava perto da confiabilidade que me lembrava. Idade faz diferença.

Sendo assim, só me resta uma coisa a fazer. Encontrar um belo Focus Ghia hatch de primeira geração. De bônus, além das coisas que me importam explanadas aqui, ainda levo um motor genial, potente o suficiente para me proporcionar uma grande morte gloriosa em uma bola de fogo inesquecível, e a melhor ergonomia, e o melhor volante, que já experimentei.

Achei meu Santo Graal. Não podia estar mais feliz e tranquilo.

“Buscar o amor é bom, melhor é achá-lo.”
(Olívia, em “Noite de Reis” – W. Shakespeare, 1599)

MAO


Honda Civic Si


Muito eu já lera e ouvira falar do Civic Si, só elogios, mas ainda não o havia guiado. A curiosidade ficou latente, até que certo dia um deles passou por mim esticando uma segunda com uma saúde de arrepiar. Falei, Êpa! Péraí! Esse tróço é forte. Preciso guiá-lo.

Dali a poucos dias a Honda deixou um em casa para um teste de uma semana.

As molas são mais fortes, os amortecedores têm 40% mais de atuação e as barras estabilizadoras são mais grossas, então, como era de se esperar ele é bem mais firminho que o Civic normal. Como ele é um esportivo, tudo bem, e creio que ele está no limite do conforto para se andar em uma cidade bombardeada como São Paulo; mas que dá um pouco de dó, dá. Até os pequeninos olhos de gato sentimos no volante. Pneus Michelin R17 com 33 libras nos quatro.

Porém o preço dessa maior dureza é amplamente recompensado quando pegamos uma boa estrada.

Hoje acordei cedinho, 5 da matina, acordei minha mulher e viemos pra fazenda, aqui em Pirassununga, a 220 km de SP. Em vez da Bandeirantes, saí pela Anhanguera, pois suas curvas são mais gostosas. Sempre que faço isso, com os horizontes se abrindo e o lindo e límpido céu se descortinando, tenho a sensação do final do filme Blade Runner, quando o camarada pega a morena robô linda pra burro e se manda numa nave daquela cidade soturna.

E... bah! Como anda esse Si! Como faz curvas! Nesse acerto de suspensão foi tirada grande parte da tendência de sair de frente que o Civic normal tem. Este é quase neutro. Neutro e rápido, imediato, agarradinho. Sua distribuição de peso sobre os eixos, quando só com o motorista, é de 62% na dianteira, o que é o usual para carros com essa configuração, mas o seu acerto, principalmente de barras, creio, o deixa quase neutro – uma tiradinha de pé já traz sua traseira pra fora. Pesei-o e ele pesou 1.250 kg com meio tanque de gasolina (só usa gasosa).

O motor, então, é empolgante. Quando atinge 5.800 rpm – que é quando os já bons motores comuns começam a abrir o bico – é que ele estilinga de verdade. Parece que mais outro motor entra, pois a 5.800 é quando o comando de válvulas variável varia para o seu lado bravo e o coletor de admissão encurta. E daí ele passa fácil das 8.000 rpm. Potência máxima: 193 cv a 7.800 rpm. Corte de ignição a 8.400 rpm.

E não pensem que em baixa ele é xoxo. Ao contrário, em baixa ele é um monstrinho também, tanto que na cidade passei a pular uma marcha nas cambiadas. De 1a ia pra 3a e depois para 5a, e assim por diante, de tanto torque disponível. Na verdade, é tanto torque, e o funcionamento tão suave e liso, que esse é daqueles carros em que, se estivemos meio desligados, nem sabemos direito em que marcha estamos, já que ele anda bem e responde de qualquer jeito. E são 6 marchas + ré.

Fiz uns filminhos que ficaram meio marretas, já que o primo Paulo não estava lá pra fazer a parte dele e me virei sozinho.


Cinquenta anos! Em agosto de 1959 o primeiro Volvo, um PV 544, era vendido com o primeiro cinto de segurança de três pontos como conhecemos agora. Havia cintos de segurança antes, mas nada que pudesse proteger os pasageiros como o novo cinto de três pontos de Volvo. O engenheiro Nils Bohlin tinha trabalhado com bancos ejetáveis de aviões antes de trabalhar para a Volvo e conhecia muito bem as forças que acontecem em um acidente, e como se poderia proteger o corpo. E até agora todos cintos são do mesmo sistema, mas com mais sofisticação, como carretel de enrolamento e pré-tensionadores para manter o corpo bem seguro junto ao banco antes do impacto.

Isso é interesante porque até hoje tem muita gente que ainda não quer entender a importância do cinto. Em eventos aqui na Suécia há um equipamento de teste no qual qualquer pessoa pode se sentar, colocar o cinto, mover-se a até 7 km/h e o banco parar repentinamente. A força é grande e dá um bom susto. Se você não tem acesso a esse teste faça o seguinte: fique em pé, normalmente, solte o corpo como se fosse cair para a frente sem movimento dos pés ou joelhos. E quando a cabeça chegar perto do chão, se salve com os mãos... nesse teste, a cabeça se aproxima do chão a uns 10 km/h. Fácil, não?

Sabendo de tudo isso, fui à praia no litoral ao sul de Natal, Rio Grande do Norte. Com esposa, criança e bagagem e um Chevrolet Celta. Na locadora perguntara se havia banco para criança de 2 anos. Não havia. Como tinha muita bagagem, reclinei o encosto do banco de trás para colocar as malas, e na frente minha esposa com a menina no colo segurando-a bem e eu dirigindo com muito cuidado, pensando que não era tão longe do apartamento onde íamos ficar. Depois iria levar tudo para dentro do quarto e colocaria a família no jeito mais normal e seguro, pelo menos com a menina por cima de um colchão lá atrás usando o cinto normal (na Suécia, todas as crianças, todas, ficam no carro viradas para trás, em um banco especial, tudo bem preso e seguro.)

Saí dirigindo e, numa rua, cheguei a um controle policial!
- Bom dia.
- Bom dia, senhor.
- Posso ver a carteira?
- Aqui, favor, é tudo em sueco mas lá atrás pode ver que classe B é carro normal e a data de validade está ok.
- Ok, muito bom. Mas por que a criança está na frente? Não pode, não.
- Sei que não é bom, mas com muita bagagem pensei que seria melhor deitar o banco e colocar tudo lá atrás.
- Mas não pode, não, isso dá multa de...cento e trinta e sete reais.

Que sorte que não é mais caro, mas mostrando uma cara bem infeliz.


- A menina na frente, é esse é o problema?
- Certo, criança tem que ficar no banco de trás.
- Com cadeira apropriada, com cintos e tudo?
- Não, não, só lá atrás.
- Solta?
- Sem problema.

O solução foi eu colocar bastante bagagem na frente, no banco direito, deixando a esposa com a menina, ainda no colo, atrás. E, para minha grande surpresa, o policial falou que tudo bem, que eu não seria multado. "Não queremos estragar as férias de vocês."

Momentos antes pensei em educar o policial sobre segurança de passageiros de carro, mas, pesando melhor, achei que devia ser melhor só falar "sim, sim" e explicar que não sou daqui...

Talvez seja o fato de que finalmente estou ficando mais lento que o tempo, e ele estar inexoravelmente me alcançando, reduzindo minha velocidade como uma bola acorrentada aos meus pés, mas a realidade é que ando extremamente cínico e desinteressado pelo estado atual de todas as coisas automotivas.

Vejam por exemplo a contínua e inexorável fixação da indústria por peruas off-road altas, que hoje atendem pelo pomposo e ridiculamente incompreensível nome de Sport Utility Vehicles, ou SUVs. Hoje em dia esta moda se expandiu a tal ponto que se pode comprar uma dúzia dessas peruas com motores de mais de 400 cv, e que prometem ser excelentes também em asfalto. Existem até algumas delas misturadas com cupês e hatches, em uma aberração genética que seria repelida como grotesca demais até pelo famoso Dr. Moreau.


Nunca tive a vida "ativa" apregoada pelos marketeiros que tentam vender estes carros. Nunca pulei de paraquedas de um penhasco, nunca fiz bungee jump, não ando em trilhas de bicicleta desde que saí da adolescência, e também parei de ir a praia com pranchas e/ou equipamento de mergulho quando fiz 18 anos. Mas já fui fazendeiro, tipo de pessoa que supostamente originou o gênero quando pediu à Willys americana uma perua baseada no Jeep que conhecemos como Rural, no pós-guerra americano. E desta bucólica aventura rural do MAO vem uma história automotiva bem interessante e reveladora, que gostaria de dividir com vocês.

Minha família produziu leite com vacas holandesas "breeded" lá mesmo em nossa fazenda perto de Juiz de Fora, por 15 anos. Meu pai na realidade ainda mora lá, mas a fazenda não produz mais e foi arrendada, já faz alguns anos, restando apenas os troféus de produção de leite expostos com orgulho pelo velho na sala. Durante o tempo que ela estava ativa, utilizávamos para trabalhos gerais uma Pampa 1,8-litro a álcool, produzida em 1992 e comprada zero-km para este fim. A Pampa foi na realidade meu único carro por alguns anos, quando estava às voltas com aquele empreendimento.

Em todo esse tempo, mesmo estando então a fazenda a 40 km do asfalto mais próximo, e em uma região montanhosa e molhada, nunca precisei de nada mais do que aquela picape de tração dianteira e radiais Pirelli M+S. Carregando de tudo em estradas frequentemente enlameadas, ou com grossa camada de areia, subindo morros sem estrada, atravessando córregos e subindo terrenos pedregosos de algumas propriedades próximas, aquela Pampa nunca me deixou parado. É impressionante a capacidade de tração de um motor bem em cima das rodas motrizes, sejam elas dianteiras como a Pampa, ou traseiras nos leves Fuscas que dominavam a região. Picapes de tração traseira como F-1000 e D-20 atoladas eram cena comum e corriqueira, e por vezes ajudei-as a sair de seus imbróglios. Nelas, tração total devia ser item de série...

Uma vez, no Natal, fui até um chiqueiro no fundo de um morro enlameado para buscar nossa ceia (dois leitões e um porco adulto de mais de 100 kg), em que pensei não fosse possível sair novamente, mas consegui. Meu primo, homem de cidade, ficou impressionado com a valentia da picape e com o fato de que não foi necessária tração total para entrar e sair dali. Uma coisa me deixava tranquilo ao ir naquele chiqueiro: o dono dele tinha um Fusca, com o qual fazia entregas de porcos na região. Not a pretty sight...

Houve situações em que sabia que a Pampa não poderia se safar. Eram raras, mas existiram. Nessas situações, em que de qualquer forma nenhuma pessoa normal entraria com um automóvel, apelava para aquele acessório indispensável em toda propriedade rural: nosso velho trator Massey-Ferguson. Mas só para coisa braba, como ajudar vaca atolada a sair da lama ou coisa assim.


Como posso eu então levar a sério toda esta horda de aventureiros do asfalto, de adoradores de falsos ídolos, que rodam por aí aboletados em suas peruas sobre o asfalto liso? Para mim simplesmente não existe utilidade alguma para um SUV moderno. Meu pai neste tempo morava no Rio e ia todo fim de semana para o sítio. No início usou uma Blazer, mas estupefato com o desconforto dela nas estradas ruins (principalmente se comparada à minha genial Pampinha) acabou por trocá-la por uma Scénic, e ficar infinitamente mais satisfeito. A Scénic era mais confortável, econômica, veloz, espaçosa, durável...

Estas grandes peruas são apenas promessa. São a venda de uma ideia de mobilidade e liberdade que na realidade tem muito pouca utilidade, se não nula. Talvez se você quiser atravessar o Saara, ou as florestas da Papua-Nova Guiné com sua mulher e seus filhos, elas sejam úteis. Como se isso fosse acontecer de verdade... De novo, acho que é a idade, mas as coisas costumavam ser deliciosamente mais simples, e as pessoas não costumavam a sentir a necessidade repentina de andar por aí carregando 4 toneladas de perua preparada para situações que nunca irá enfrentar.

Existe gente para quem tração 4x4 tem utilidade, mas por necessidade profissional, coisa como busca e salvamento, militares, mineradores. E existe gente que, por esporte e diversão, se embrenha em caminhos impossíveis com seus jipes, e então precisam de sua extrema capacidade para tal coisa. São como meus amigos que participam de track-days: esportistas, gente com um hobby movido a motor. Nada contra eles, mas seus carros são como track-weapons: muito bons para a função que se destinam, mas quase sempre tem seu uso reservado aos tais eventos de fim de semana.

A Pampa, ainda por cima, se comportava muito bem no asfalto. O AP 1,8 a álcool era forte, e ela era extremamente rápida para a sua época, me dando alegria por ter escolhido esta versão porque, como já expliquei, nunca precisei do 4x4 (que era oferecido como opcional na época, com motor CHT 1,6-litro). Os excepcionais pneus Pirelli M+S eram realmente de uso misto, e faziam o máximo para dar aderência suficiente no asfalto, algo surpreendente mesmo. Certa vez, descendo para o Rio pela BR 040, tive um embate memorável com um XR3, seu piloto incrédulo que aquela picape toda suja de barro pudesse acompanhá-lo. Dentro da Pampa o jovem MAO, faca entre os dentes, se divertia horrores apesar da horrível posição de dirigir, muito próxima do volante.

E hoje penso, lembrando disso: quem precisa de um Cayenne? O enorme Porsche é infinitamente melhor no asfalto, mas duvido que mais divertido que aquela Pampinha. E não seria a melhor escolha para carregar enormes porcos abatidos para fora de chiqueiros de difícil acesso...

MAO

Como pode alguém preferir um Porsche?


Desculpem a falta de especificações e informações adicionais. Logo falamos mais da 458.

Lord Vader, your car is ready.

Deveria ser o slogan de propaganda do novo Brabus E V-12 Black Baron. Novamente, a preparadora alemã Brabus partiu para a ignorância em um modelo Mercedes, agora no novo Classe E reestilizado.


Com um upgrade no motor V-12 de 6,3-litros sobrealimentado que a Brabus vem utilizando nos seus modelos topo de linha, o feliz proprietário de uma das dez unidades que serão fabricadas poderá tentar virar o mundo ao contrário com 810 cv e nada menos que 110 m.kgf de torque. Para que tudo isso? Para acelerar de zero a 100 km/h em 3,7 segundos e a 300 km/h em 24 segundos. Se isso ainda for pouco, a máxima é de 350 km/h. Limitados eletronicamente. Sem o limitador, a Brabus afirma ser possível atingir mais de 370 km/h.


Sempre fui um grande fã dessa preparadora, pois grandes sedãs de alta performance sempre me atraíram. O Black Baron pode ter saído um pouco exagerado no visual, com a cobertura de fibra de carbono nas rodas traseiras, semelhantes às tampas usadas em muitos carros dos ano 30 a 50, mas não chega a ser um pênalti. Faz parte do visual (exagerado) que a Brabus adotou para o Barão. O preço começa em US$ 875.000,00.

No dia do Juízo Final, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse não estarão montados em cavalos negros com olhos de fogo, mas em sedãs pretos com um B estampado na grade dianteira e fogo saindo pelos escapes.
Dia desses, após ler matéria sobre comparativo de picapes médias, num jornal de domingo, notara que a Chevrolet S10 2010 2.4 Flexpower foi comparada com a Ford Ranger 2010 2.3 a gasolina. Até aí, nada demais, além da Ford ainda relutar a lançar motorizações flex em vários de seus modelos, seja por carência de recursos, prioridades ou até por discussões internas.
Mas, o que pulou na minha frente é que o comparativo colocou as versões topo de linha de cada fabricante com seus respectivos modelos de motor mais fracos, o 2.4-L flexível em combustível da Chevrolet, versus o 2.3-L a gasolina da Ford.

Fui aos meus livros, anotações e alfarrábios e também busquei uma conexão com minha memória automobilística, bem como o histórico recente desses dois fabricantes, enfim, fui checar se não havia nada destoante.

Explico. A versão Executive da Chevrolet nasceu em 1997, com a Blazer. Couro, V-6 de 195 cv, automática, airbags e vários mimos, conjunto que depois migrou para a S10, mas sem o câmbio automático, que nunca equipou a picape. Mais tarde, a mesma Blazer Executive recebeu a opção do diesel MWM Sprint 4.07, 2.8-L de 132 cv, que apesar de 63 cv a menos, tinha mais torque e praticamente mantinha o mesmo desempenho, com menor consumo de combustível, vantagem ampliada pelo menor preço por litro do diesel em relação à gasolina. Como desvantagem, menos maciez, menor faixa útil de giros e o clé-clé-clé característico dos motores com ignição por compressão, principalmente quando em marcha-lenta.

Mas daí até hoje a Executive seguiu sendo o topo de linha da Chevrolet S10, com o motor mais potente que havia, o V-6. Quatro cilindros em linha a gasolina, só para as versões de entrada.


Ranger? Iniciou sua produção na Argentina, também em 1997, sua versão topo de linha era a XLT, que oferecia o V-6 4,0-L de 162 cv gasolina e o turbodiesel 2,5-L 115 cv. Apesar da grande diferença de potência entre o V-6 e o turbodiesel, esses motores tinham torque máximo próximos e a diferença de desempenho não era tão gritante. O quatro-cilindros a gasolina 2,5-L, menos potente, equipava somente a versão "pé de boi", a XL.

Em 2001/2002 veio nova safra de motores: 2,3-L 16V a gasolina substitui a 2,5-L nas versões XL; o V-6 4,0-L de 210 cv gasolina substitui o mesmo V-6 de 162 cv e o 2,8-L PowerStroke turbodiesel TGV 136 cv substitui 2,5-L turbodiesel de 115 cv. O gap de potência entre o V-6 a gasolina e o PowerStroke diesel passou a 74 cv, mas o maior torque do diesel mais que compensava essa diferença. De lá para cá, veio a versão Limited, passando a ocupar o topo da linha com o motor diesel PowerStroke TGV como opção apenas.

Por um breve período houve duas versões de potência no motor diesel, com turbo wastegate de 132 cv nos modelos XL, XLS e XLT e com turbo TGV de 136 cv, exclusivo para a Limited . E em 2005 a Ford substituiu o motor PowerStroke 2,8-L por um 3,0L 16V de injeção comon-rail e 163 cv para todas versões de acabamento.



Em curto resumo, ao longo do tempo notamos que Ford e GM "disputavam" a supremacia de potência em suas picapes médias aqui, repetindo o que suas matrizes faziam nos Estados Unidos, nas picapes de porte grande F250 e Silverado, ou seja. havia nítida corrida de potência entre elas, a cada lançamento, a cada nova versão, uma com alguma potência a mais que sua concorrente direto.

Com o lançamento quase simultâneo das versões topo de linha menos potentes, tive a impressão que ambas inverteram o sentido da corrida. Existe "supremacia" por menor potência? Quem delas irá ganhar? Estará havendo uma inversão de lógica?

Outra impressão foi de que esses dois fabricantes passaram anos, décadas, olhando-se um ao outro, copiando os melhores movimentos, alternando as iniciativas, mudanças de produto, não deixando um escapar à frente por período demasiado longo. Exemplos, muitos. No segmento de picapes médias, objeto desta análise, tivemos o primeiro turbodiesel de 95 cv na S10, mas sem intercooler. Aí vem a Ranger com intercooler e 115 cv, cabine dupla, 4x4 com seletor no painel, airbags, 2,8-L versus 2,5-L com TGV, comon-rail...

Isso fazia muito sentido, quando eles disputavam a liderança do segmento. Hoje, com Toyota e Mitsubishi na frente em vendas, não faz absolutamente nenhum sentido seguirem olhando-se somente a si e se copiando, parecendo ignorar as demais.
Mais curioso ainda é que as líderes de vendas seguem "na lógica anterior" e também disputam a preferência do comprador de picapes mais endinheirado, com modelos mais caros e equipados, a caixa automática já chega a 60% de participação na Hilux e L200 e a GM e aFord seguem sem ela.

Essa lógica de versão topo com top power, aliás, está presente no mundo automobilístico, guardadas as devidas proporções. Uma Range Rover Sport não tem opção de motor 2,5 TDi. Não se leva para casa um Cayenne V-6, com os itens de acabamento, da suspensão adaptativa do turbo, nem que se implore com milhares de euros na mão.

Pior, se eu estiver totalmente enganado, e Ford e GM estiverem criando tendência de "downpower", o que podemos esperar de movimentos da Toyota? Dá para imaginar a Hilux SR-V com quatro cilindros a gasolina e GNV? E a Mitsubishi L200 Triton com o motor quatro cilindros flex do TR4? Nissan Frontier com quatro-cilindros flex 2,0 do Sentra?

Bom notar, não nos deixemos enganar pelos números da Chevrolet S10, engordados pelas vendas a frotistas (há inúmeros frotistas com a frota de uma só picape), governo, empresas, de versões básicas flex. Quem dá as cartas hoje no segmento são a Toyota e a Mitsubishi.

CZ

Fiquei oito dias sem postar no AUTOentusiastas, tanto por estar absorvido por um trabalho descomunalmente grande, quanto por ter viajado à Polônia quarta-feira última, chegando em casa ontem (14/9). Sem querer dar uma de TV Globo, não posso revelar o objetivo da viagem por zelo profissional, mas foi a convite de uma fábrica daqui, junto com nove jornalistas.

A cidade visitada foi Cracóvia, medieval, linda, como tantas outras espalhadas pela Europa. Mas foi minha primeira incursão no Leste europeu, para o quê tinha bastante curiosidade. Cracóvia é a cidade natal de Karol Voitila, o Papa João Paulo II (18.05.1920-02.04.2005).

Na área central da cidade a atividade turística é enorme, com dezenas de igrejas e o Rio Vístula cortando-a bucolicamente, uma área de lazer como deveria ser o Rio Tietê, de São Paulo. Há um sistema de modernos bondes de fazer inveja a quem mora em cidades cortadas por corredores de ônibus, a "brilhante" solução dos nossos burrocratas (com dois "r" de propósito) para o transporte de massa de São Paulo e outras cidades.

Como cidade voltada o turismo, há inúmeras carruagens puxadas por uma parelha de cavalos. Minha curiosidade mecânica me fez atentar para o freio de todas elas, ilustrado na foto: a disco! Com cilindros-mestres acionados cada um pelo seu pedal. Duplo-circuito dianteiro-traseiro. Surpreendente mesmo e que revela a simplicidade do freio a disco quando comparado ao freio a tambor.

Fora o trabalho, foram dois dias muito agradáveis, sem os solavancos das lombadas, com semáforos que dão amarelo antes do verde (incompreensível não haver aqui desde 1966, quando entrou em vigor com o Código Brasileiro de Trânsito, continuado pelo Código de Trânsito Brasileiro, de 1997).

Tivemos tempo de visitar o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, onde minorias, 90% composta de judeus, foram sacrificadas em nome da pureza da raça ariana. Quanta estupidez! Como isso pôde acontecer é que não dá para entender.

Foi para evitar que se repita é que a democracia alemã, após a Segunda Guerra Mundial, criou rigorosas leis de proteção das minorias.

E por falar em minorias, em Cracóvia não existe a perseguição a fumantes (uma minoria de 25%!) que se vê em outros lugares, notadamente no Estado de São Paulo desde 7 de agosto. Todos se respeitam por meio de ambientes separados. Maiorias e minorias vivendo em harmonia.

BS
Qual entusiasta não esperou ansioso pelos 10 anos de idade, para conquistar definitivamente o banco dianteiro do automóvel, vendo melhor o mundo lá fora e ficando mais perto do paizão herói?

Fotos: AutoGespot/ThljsOverdeVest/Richard Zuurveld




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