google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Lendo o post do MAO sobre Nürburgring, lembrei-me de um fato. Sempre se disse que Niki Lauda era o Rei de Nürburgring e há uma historieta que comprova isso.

Houve um tempo, lá pelos anos 1970, em que os pilotos, na Europa, faziam a seguinte brincadeira. Sentados em uma cadeira e imaginando-se ao volante de um carro de corrida conhecido, fechavam os olhos e se transpunham para uma pista qualquer, também conhecida. Um sinal com a cabeça e alguém abria um cronômetro no momento em que cruzavam, lançados — na imaginação — a linha de partida/chegada.

Assim, sentados, imóveis na cadeira, imaginavam-se dando a volta na pista baseando-se apenas na memória -- aproximação de curva, frenagem, eventual troca de marcha, fazer a curva, acelerar, empilhar marchas. Completada a volta, outro sinal com a cabeça e o cronômetro era fechado.



A dica de livro de hoje veio as minhas mãos pelo meu bom amigo RT (apelido relacionado a um certo Charger eternamente inacabado), que recentemente voltou de um ano nos EUA com um presente para mim:

http://www.amazon.com/Complete-Book-Corvette-Every-Model/dp/0760326738/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1232494878&sr=1-1

Este livro nunca iria parar na lista de melhores livros já publicados. Na verdade, não conta muito de novo, e tem mais fotos que texto. Tudo para ser mais uma irrelevante ode ao Corvette, como tantos outros, não é mesmo?

Pois este livro é simplesmente a melhor surpresa que tive em pelo menos um ano. E olha que este último ano foi ótimo em livros para este colunista, com coisas como a lendária enciclopédia Porschística de Ludvigsen entrando finalmente na bibliotecazinha do MAO.

E por quê? O livro é simplesmente sensacional. Texto leve e econômico, mas um livro grande em tamanho e recheado de fotos simplesmente incríveis. O autor consegue ensinar o iniciante e divertir (apesar de acrescentar pouco) o especialista no tema. As informações são precisas, e o livro é de qualidade, com papel grosso e obviamente caro.

E o melhor: todo modelo é coberto. Ano a ano, lista-se uma ficha técnica básica com todas as opções de motor e transmissão, um bocado de fotos e um resuminho do tipo “tudo que vc precisa saber”. Todo Corvette é coberto, mesmo os experimentais, de competição, básicos e completos. Uma fonte de referência inesgotável.

Na verdade, acho que se você puder ter somente um livro sobre o Corvette (Deus nos livre de tal sina), melhor então que seja este.

Todo mundo sabe que um livro é realmente bom quando não conseguimos largá-lo; este é um caso clássico. Peguei ele e ontem e ia só dar uma olhadinha, mas acabou que coloquei dois outros de lado e já estou em 1963, com o lançamento do belíssimo cupê Stingray. Só parei porque gostei tanto que resolvi repartir a descoberta com vocês!

E o melhor: apesar de no meu caso ter sido um presente, o livro tem um preço totalmente honesto. Até o JJ, que para quem não sabe é o mais “econômico” membro desta equipe bloguística, aprovaria!

MAO
A Road & Track de fevereiro está recheada com 13 páginas sobre o templo Nürburgring.

Um pouco da história do lugar e da pista, os carros mais rápidos que por lá já andaram (claro, essa seção é nomeada "Lords of the Ring"), os detalhes das curvas com as marchas, velocidades, diferenças de altitude e o tempo em vários pontos a bordo de um Corvette ZR-1 (tempo total 7 min 26 seg 4 centésimos). Um vídeo desta volta está em roadandtrack.com/zr1lap.

Em seguida, uma passada pelos carros esportivos que estão sendo testados por lá, com as indefectíveis camuflagens, mais uma matéria sobre o AMG Driving Academy, que tem como carros-escola os SL63 (que vontade de castigar um desses!) e, para terminar, a 75Experience, uma escola de pilotagem com Alfa Romeo 75, aquele quadradinho, raro no Brasil, uma beleza. O proprietário, Ron Simons, já girou na enorme pista mais de 20.000 vezes!

O MAO e eu somos suspeitos para falar dessa revista, e não ganho nem uma assinatura grátis por isso, mais vai aí: é a revista americana mais bacana, com uma combinação ótima de carros novos e antigos, e tudo que gira entre eles.

Normalmente gosto de uma mesa de trabalho limpa e vazia.
Há algo de reconfortante, que dá sensação de higiene mental, numa mesa de trabalho onde só se vê um computador, o telefone e um bloco de anotações com uma caneta em cima. Dá paz de espírito e uma sensação de leveza que considero fundamental para trabalhar. E hoje em dia, onde a maioria das informações utilizadas para qualquer trabalho está nos computadores, nada mais fácil.

Este ano comecei a fazer a mesma arrumação em minha biblioteca; estou prestes a finalmente catalogar tudo, e está tudo bem organizadinho em dois enormes armários, ao lado da lareira. Very Cool stuff, me alegra sobremaneira ver que finalmente tenho lugar apropriado, e que tudo está limpinho e em lugar conhecido.

Uma coisa diferente aconteceu durante esta faxina. Depois de 30 anos acumulando, senti a necessidade de simplificar a vida (como sempre apregoa o JJ), e me livrar de coisas menos interessantes. Fiz a felicidade do JJ e do Egan, que com prazer me ajudaram a arrumar destino para todo meu lixo. Como dizem os americanos, "one man's garbage is another man's treasure".

No meio da arrumação, descobri dois pôsteres, ambos antigos brindes da excelente revista Classic & Sportscar, que agora adornam as paredes da minha baia. Essas paredes antes eram totalmente vazias, clean, mas tive que compensar um pouco, pois ninguém deve viver sem um pouquinho de caos visual, sob pena de se tornar um chato de galochas.

Para quem não conhece a revista, recomendo assiná-la imediatamente. É cara, mas vale cada centavo. Tenho mais edições dela guardadas do que um homem adulto e pai de família devia, confessar ter...Mas voltando ao assunto em questão, os dois pôsteres são absolutamente hipnotizantes, me pego parado catatônico ao olhá-los regularmente. Um deles é do concurso "Car of the Century", que mostra pequenas fotos dos 100 concorrentes. O outro, lista 40 supercarros, do Ford GT40 de 1964 até o Pagani Zonda de 1999. Abaixo das fotos dos supercarros, breves dados de performance, preço, configuração e, mais importante, quantidade de carros fabricados.

Estou agora olhando para a caixinha de um carro sobre o qual já falei aqui: O último Aston Martin verdadeiro, o magnífico V8 Vantage, corrente de 1977 a 1989. Lembram-se o que falei sobre a personalidade da Aston estar intimamente ligada ao carinho com o qual cada carro era produzido? Que a qualidade é o que determinava a quantidade de carros a venda? Pois bem, para quem tem dificuldade de acreditar nisso, basta uma olhadela no pôster em questão: de 1977 a 1989, apenas 310 V8 Vantages saíram daquela fabriqueta inglesa que não existe mais. Para se ter uma idéia de quão pouco é isso, basta saber que o A-M é mais raro que o Cobra 427 (316 carros em 3 anos). Mais raro que Iso Grifo (414 em 9 anos). Um F40 é 4 vezes mais comum, com 1.315 veículos produzidos. A lista é imensa, mas acho que deu para entender meu ponto...

E para quem acha que é impossível sobreviver vendendo tão pouco, que a morte daquele Aston Martin era inevitável, ofereço pelo menos um exemplo de que tal coisa não é impossível:

http://www.morgan-motor.co.uk/

Empresa familiar, completando 100 anos em 2009, que nunca pensou em crescer, diversificar e outras coisas "indispensáveis" numa instituição capitalista moderna.
E que manteve o bem-estar de três gerações da família Morgan, com uma lista de espera para um novo carro que nunca é menor que três anos.

MAO