google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Há uns 20 anos (sim, ficando velho), li uma coluna daquele outro Egan (Peter, colunista da Road&Track) em que ele falava como adorava seu Furgão Ford. Usava de vestiário em corridas, carregava motos velhas etc.

Lembro-me que pensei que ele estava louco. Pensei que, no lugar dele, rebocaria o Lotus Seven de competição com um Esprit! Furgão, nem morto!

Mas confesso que, com a idade (sim, qual o problema de ser adulto?) passei a entender perfeitamente o sujeito. Na verdade, me vejo hoje desejando uma Kombi Furgão, com aquela porta de correr lateral. Ou melhor ainda: um Fiorino.

Imagino usando elas no dia a dia, incógnito, mas ainda me divertindo (Kombis e Fiorinos são ótimos para dirigir). Imagino-me fazendo “caças ao tesouro” com amigos (esporte que pratico regularmente com William A. Egan III, a.k.a Bill Egan).

Imagino-me comprando velhas motos para reformar e carregando-as nela, me vejo comprando motores de Chevette e levando-os à oficinas para “aprimorá-los” mesmo antes de ter um Chevette...Eu realmente quero um furgão para mim! E quero um furgão de verdade, um treco velhinho, para ser usado sem dó, e ficar todo riscado e com amassadinhos de uso. Nada de hot-rods ou carrinhos de brinquedo como o HHR panel van. Quero algo como o Dodge usadinho aí em cima. Não é linda em sua simplicidade e utilidade?

Perto de casa tem uns à venda, vários Doblòs 2007, amarelos (acho que é sobra dos Correios) com “DH e AR” pintados no pára-brisa... Dá uma vontade...

Será falta de medicação?

MAO

Um de vocês certamente pensará "por que esse título?". Pensei um bocado sobre isso, depois de uma discussão onde eu defendia que um carro deve sempre ser visto pela ótica de seus criadores e ter lembrado de que, segundo Setright em sua grande obra, os navios mataram o automóvel.

O racional por trás de tão controversa frase é algo muito bem conhecido por antigomobilistas do mundo todo: carros eram criados cada qual ao seu jeito, pesadamente influenciados pela cultura de sua região de origem, coisa cada vez menos comum nesses dias de "engenharia globalizada" e de "carros mundiais" etc.

Não, não será esse texto um choro de saudades "dos velhos e bons tempos", mas apenas uma constatação dos motivos que nos levaram ao estado atual, triste até, da indústria automobilística.
Carros são desenhados por engenheiros, que, apesar de um pouco estranhos, são seres humanos. Extremamente racionais, mas humanos do mesmo jeito. Cheios de defeitos, com um olho no seu próprio umbigo e tudo o mais, como todo ser humano.

Antes dos navios matarem os carros, automóveis eram criados a partir de algumas regras simples, criadas por uma única cabeça pensante, ou, no máximo, meia dúzia delas. Regras SIMPLES, vamos registrar isso. Deve atingir tal velocidade, transportar tantas pessoas, ser belo, ser pequeno, dar prazer ou só cumprir a função básica de transportar uma família.

E nesse momento, devemos olhar para o primeiro dos problemas, esse ingrown, como um câncer. Não bastava um bom produto, era necessário dominar o mercado. E não só o seu mercado, todos eles. Sem problema para um bom produto, certo? Mas um bom produto para nós não é um bom produto para os norte-americanos, ou para os japoneses. Os requerimentos são muito diferentes. As condições são diferentes. E isso é cultural, no denying it.

Temos então nossa primeira verdade, carros são produtos culturais e não só industriais. Mostram muito da personalidade de seus criadores, sejam eles um homem só ou um grupo deles (mesmo em coisas simples, por exemplo: nenhum Lotus antigo comporta um homem de mais de 1,70 m - Colin Chapman tinha por volta de 1,65 m de altura apenas). Mostram muito daquilo em que as pessoas envolvidas acreditavam, muito daquilo que se passava à época do projeto, as condições econômicas do período e tudo mais.

O segundo problema é mais profundo e enraizado. Sem entrar em méritos políticos, legisladores, de um modo mais do que geral, não entendem lhufas dos assuntos sobre os quais escrevem leis. Agem "em nome do povo" - ok, mas quem disse que o povo sabe o que quer? Ou o que é o melhor para ele? O problema não nasceu tão tarde, mas podemos traçar um início nominal, ou um crescimento significativo, a partir da segunda metade da década de 60, quando surgiram as primeiras preocupações com segurança veicular.

O problema não é a segurança veicular em si, mas sim o modo que isso foi imposto. Pergunto a você, leitor, se dado a opção de bater um carro bastante "seguro", com cintos de segurança e inúmeros airbags, ou a opção de simplesmente não bater, conseguindo evitar o acidente através de um comportamento dinâmico perfeitamente controlável, qual opção tomaria?

Óbvio, não? Pois os legisladores escolheram, como sempre, a escolha paliativa. E a têm feito desde sempre, para todos as absurdas (e desnecessárias, em muitos casos) legislações propostas em diversos países e regiões. Legislações trazem novos requisitos, absurdos que sejam, guiando os novos projetos. Sejam de "segurança veicular", sejam de "proteção ao meio ambiente", sejam o que for.

Agora temos então dois problemas, matando nossos carros: atender necessidades de pessoas completamente díspares e com necessidades incompatíveis, e tudo isso atendendo inúmeros requisitos criados por pessoas que realmente não têm muito o que fazer nem fazem a mínima idéia de com o que estão mexendo, e dos impactos disso tudo. Como piorar tudo isso? Que tal tornar o automóvel o bode expiatório dos problemas do mundo? Parafraseando Lennon, Cars are the nigger of the world, é o que tentam mostrar.

Setright (sim, de novo ele -- isso significa que quem não o conhece, precisa conhecer) dizia que não sabia o que era o pior caso de egocentrismo do Homem: acreditar ser responsável pelas mudanças climáticas globais, ou acreditar ser capaz de fazer algo sobre o assunto. O so called aquecimento global, creditado à poluição e à ação do homem nesse planeta, nada mais é do que uma simples alteração das condições climáticas desse planetinha em que vivemos. O Homem está aqui há menos de 100 mil anos, registrou bem menos de 10.000 desses anos (e a maioria deles, talvez um único registro de o ano ter se passado...), e registrou a temperatura dos últimos 100 ou 150 anos. E alguém tem a pachorra de dizer que o automóvel, usado em larga escala há pouco mais de 100 anos é o responsável pela mudança climática? Bullshit! Por um acaso a última era glacial terminou por que os ratos e lagartos soltavam muitos gases? O clima da Terra varia, e nossa influência nessa variação é ínfima.

Mas o automóvel é visto como grande culpado por isso e será crucificado como tal, apesar de todo o seu significado libertador e pelo fato de ser responsável por uma porcentagem ínfima de toda a poluição global. Um Hummer por acaso polui mais do que um simples vulcão? Ok, ok, para cada vulcão há milhares de Hummers. Mas cada erupção vulcânica joga na atmosfera mais gases tóxicos e "gases efeito-estufa" do que todos os carros (incluindo aí todos os tipos de esporte-motor) nos EUA num período de tempo infinitamente superior à duração da erupção! Vamos propor uma legislação para que todos vulcões então sejam redesenhados com catalisadores etc.! Deixem a democracia agir e colocar catalisadores nos fiofós das vacas!

Não entremos tanto nesse assunto, afinal o tema aqui é outro. Ponto é que o automóvel, como conhecemos, está morto. Vive em nossas lembranças, mas está fadado a ser enterrado pela nossa ignorância em reconhecê-lo como instrumento cultural e libertador, em todas as esferas, que realmente é.

Triste realidade: O mundo vai acabar, a gente não pode fazer nada sobre isso, e não nos deixarão dirigir até lá!
aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Essa semana liguei para o meu amigo que mantém minha Vespa refém de sua oficina, aguardando na fila interminável a pintura de algumas peças. A vontade de andar de moto de novo cresce a cada dia, e com ela, novas e criativas maneiras de gastar um dinheiro que não tenho, enquanto a Vespa não fica pronta.

Já falei aqui dos pensamentos impuros cruzando minha mente com Harleys pequenas, Buells e outras, mas, sendo realista, são idéias um pouco longe das possibilidades hoje. Em alguns meses, talvez melhore, mas hoje, idéias irreais.

Eis que um amigo surge do nada me oferecendo a Vespa PX de um outro amigo, abandonada há tempos, precisando de um Tender Love and Care, e o melhor, ainda com placa amarela. Preço bom, no limite do "gastável" nesse final de ano.

Me vejo em um curto período de tempo pegando a estrada com o MAO para ir vê-la e trazendo mais um monte de escombros (mentira, diz a lenda que a scooter está montada, mas vai saber...) para a garagem, para mais um projeto. Me engano, dizendo que ela está a poucos passos de ser usada e, enquanto o diheiro para uma moto grande não aparece, ela já quebraria o galho dessa vontade toda.

Claro, me engano desse jeito, tentando me convencer de que realmente o que eu preciso é de mais uma Vespa pela metade. E pensando "afinal, o que eu faria com uma Vespa PX a não ser andar sem me preocupar muito?"

Conhecem o ditado inglês "idle hands are the devil´s playground"? Então, uma mente ociosa também. Passeando por aí na internet, ainda sonhando com uma 883R original, ou com cara de dirt-track-racer, cruzei com essa imagem aí, que fez minha cabeça pirar num belo projeto de final de semana.

Como nunca pensei nisso antes? Por quê?

Não consigo deixar de pensar no porquê de tudo isso. Por que minha cabeça gira assim? Por quê?