google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Quem gosta de aviões ou máquinas de uma forma geral, deve visitar o Museu da TAM, que foi reaberto há poucas semanas.
Fica em São Carlos, a 250 km da capital paulista, e impressiona pela limpeza, organização e espaço para ver e fotografar. Tudo calmo e com uma bela iluminação natural, além de um ar-condicionado que evita o desconforto.
Ficam algumas fotos para fazer salivar quem olha para cima sempre que escuta alguma máquina voadora.
Mirage III DBR, o primeiro supersônico a operar no Brasil.
F4U-1 Corsair, caça embarcado, Segunda Guerra Mundial
Taylorcraft BC-12D, como o do mestre Fernando de Almeida (MOTOR 3)
Nord Norécrin, com Constellation ao fundo
Gloster Meteor, o primeiro jato de nossa Força Aérea
Lockheed Constellation, desenvolvido a pedido de Howard Hughes, quando dono da TWA
JJ

Quatro meses atrás escrevi sobre o meu novo/velho Focus e sobre a depenação dos carros novos depois de seu lançamento. Como uma coisa leva a outra, hoje, já com 5.000 km no hodômetro do meu Focus 2009 comprado em 2010, resolvi fazer algo que nunca vi em tempos modernos na imprensa: um comparativo entre dois carros iguais, separados por 5 anos. Será que o Focus foi depenado e piorado ou permanece igual? Ou, como acontecia antigamente, melhorou com o tempo?
O que pouca gente notou foi que tudo que falei sobre o carro em meu post anterior se referia ao carro de 2005, visto que acabara de comprar o novo. Mas os dois carros são realmente muito parecidos e as diferenças entre os dois, bem sutis.
A primeira coisa a notar é que o preço continuou o mesmo: o carro custava entre 37 e 38 mil reais na versão mais básica com rodas de aço de 14", em 2005. Surpreendentemente, o preço permaneceu exatamente igual em 2010. Mas acabei pagando 40 mil em um carro com rodas de alumínio 6J x 15 e som original de fábrica.
Daí vem a primeira diferença fácil de notar. O carro novo, com pneus Firestone Firehawk 700 em medida 195/60 R15 tem um comportamento bem diferente do carro mais antigo, hoje com os excelentes (mas infelizmente descontinuados como o Focus...) Michelin XH-AS 185/70 R14 e rodas de aço estampado 5,5J x 14. Por coincidência, o 2005 também veio de fábrica equipado com Firehawk 700, como o novo, mas obviamente na medida menor.
O pneu de perfil mais alto do 2005 confere ao carro um equilíbrio perfeito de conforto e estabilidade, não devendo nada em aderência aos pneus maiores do Focus 2009. Este, em comparação, perde muito em conforto, principalmente na suspensão traseira. Nada que chegue ao inaceitável, mas perceptivelmente pior.
Em compensação, o pneu mais rígido faz da direção do Focus algo ainda mais preciso e rápido. O que era já exemplar no carro de 2005 aqui se transforma em um instrumento de prazer incrível, quase que se fazendo esquecer a perda em conforto. Mas pessoalmente, se pudesse escolher de novo, ficaria com as rodas de aço e os pneus aro 14", pois oferecem mais conforto e progressividade em seu comportamento, devido obviamente ao seu perfil mais alto e à menor massa não suspensa, mas sem perda nenhuma em aderência perceptível. O fato de que a dierença entre os dois é mais escolha pessoal do que desempenho em si pode ser parcialmente comprovado pel fato de que os dois pneus carregam o mesmo índice de carga/velocidade: 88H, significando que podem suportar 560 kg cada, numa velocidade de 210 km/h.
A outra grande diferença está no motor. Apesar de ser basicamente o mesmo quatro cilindros em linha SOHC de oito válvulas e 1,6 litro de cilindrada, o novo é flexível, por meio do aumento da taxa de compressão de 9,5:1 para 12,3:1. Com isso a potência vai dos 103 cv no 2005 para 105 com gasolina e 110 usando etanol no 2009. Parece pouco, mas não é. O motor encontrou vigor novo com o aumento de taxa, e algo que descrevi anteriormente, falando do 2005, como não estando a altura do resto do carro, passa a ser parte do passado. Seja com gasolina ou etanol, o carro é mais potente em todas as faixas de rotação, chegando a entusiasmar, e tirando completamente aquela sensação de que falta um pouco mais de força. Muito bom mesmo. E chega a ser mais econômico! Em minhas viagens com a família, o 2005 faz consistentemente algo entre 11,5 e 12 km/l, enquanto o 2009, usando gasolina, nunca faz menos de 12,4, chegando a 13 km/l esporadicamente. Taxa é realmente tudo num motor.
O novo motor trouxe mais duas diferenças debaixo do capô: o tanquinho de gasolina para partida a frio e a tomada de ar de admissão, que no mais novo é uma tomada de ar frio bem atrás da grade. Esta última alteração faz o ronco do motor em aceleração ficar um pouco mais gostoso e entusiasmante, e com certeza é um dos fatores que conribuiu para o aumento de potência.
Outra melhoria pode ser observada na tampa do porta-malas: dois novos batentes extras ajudam na contenção de movimentos da tampa. O meu 2005 é meio barulhento lá atrás, já o 2009 é um túmulo.
No painel de instrumentos, a tradicional mudança de grafismo. Não vi vantagem ou desvantagem nela, e este é o tipo de coisa que os fabricantes fazem apenas porque é muito barato; troca-se apenas a serigrafia, sem mudança alguma nos instrumentos em si. Pelo menos, não piorou a visualização, como acontece freqüentemente por aí...

A sétima e última diferença que achei foi também a única “depenação” que encontrei no carro: foi-se a alça de apoio do motorista, o popular “PQP”. Sei que muita gente acha inútil na posição do motorista, mas eu uso ela e não gostei de terem tirado...
Bom, para falar a verdade, existe mais uma "depenação", uma oitava diferença neste jogo dos sete erros, que não consegui deixar de comentar. Vejam a foto abaixo:
O manual do 2005 era em papel de qualidade, pesado, liso e de fundo branquinho, e vinha dentro de uma capa com zíper, imitando couro. O novo vem no maldito papel reciclado, dito "ecológico". E a capa é de um plástico ridiculamente vagabundo. Economizaram quanto aqui, meio real por carro? Um absurdo, me sinto roubado.
Só posso pedir que a Ford e todas as outras que parem com esse comportamento horrendo de tentar retirar conteúdo do carro ao calar da noite. No Focus a depenação foi pouca, e muito foi dado em troca. Mas mesmo assim é imperdoável. Dá a sensação de ser enganado, e nós, clientes, não somos burros.
Mas no geral o saldo é totalmente positivo. O carro é mais econômico e potente, pode ser abastecido com etanol também, e mostra indícios de um esforço de melhoria contínua louvável. E tudo pelo mesmo preço de 2005. O motor mais potente é a melhor novidade: o que em 2005 era aceitável hoje se tornou positivamente entusiasmante.
O único senão é que o carro já foi três vezes para a concessionária para resolver problemas variados, e em uma delas trocou a caixa de direção. Todos os problemas parecem resolvidos agora, mas já me parece claro que não será tão indestrutível e confiável como o 2005. Que, por sinal, mesmo com 80 mil km rodados, continua gozando de ótima saúde, como sempre.
Não se pode ganhar todas...
MAO

Uns cinco anos atrás coincidiu de na mesma semana eu ter guiado dois carros bem fortes e com praticamente a mesma relação peso-potência.
Um era um Cobra QSH – excelente réplica, a melhor que já guiei, com suspensão traseira independente de duplo A – que estava com um motor Ford 302 preparado que rendia ao redor de 380 cv. O outro carro era um Mustang 1995, preparado pelo Malanga, da Brabus. O Mustang tinha dois turbos e a potência variava de acordo com o que o Malanga comandava pelo laptop que carregava no colo, enquanto ele ia literalmente de co-piloto ao meu lado. Ele ali, segundo ele, podia colocar de 700 cv a 1.400 cv à minha disposição. Como é que fazia isso? Sei lá. Só sei que apareciam montes de gráficos na tela do laptop e aquilo estava mais pra coisa da Nasa. Ele subia a lenta, baixava a lenta, enriquecia a mistura, empobrecia, aumentava a pressão do turbo, etc e tal.
Como estávamos na cidade, ele achou que 700 cv pra mim tava bom. Pra mim também, já que nem isso dava pra jogar no chão em 1a, 2a e 3a marchas.
Acontece que o Mustang era blindado, e uma blindagem antiga, pesadona, então ele pesava coisa de 1.900 kg – e, segundo a ficha técnica, com 46% dele na traseira. Já o Cobra pesava 1.050 kg (eu mesmo o pesara), com 52% no eixo traseiro.
Então, grosso modo, o Mustang e o Cobra estavam com a mesma relação peso-potência, 2,7 kg:cv – e me liguei nisso.
A primeira coisa que se imagina é que ambos arrancariam juntos, já que a aceleração basicamente depende dessa relação, mas não foi isso que aconteceu. Não coloquei os dois juntos, mas os guiei com as sensações frescas e isso bastou para compará-los.
O Cobra pulava na frente. Tracionava mais por dois motivos: tinha maior porcentagem da massa sobre os pneus tracionantes e era mais leve. Sendo mais leve, os pneus eram menos exigidos e assim patinavam menos. Semanas atrás mostrei um filminho desse Cobra fazendo 5,4 seg no 0 a 100 km/h.
Bom, até aí tudo bem, caso resolvido.
E aí toquei a imaginar mais coisas, pois eu havia acelerado aquele Cobra a até uns 220 km/h e senti que ele não iria a muito mais que isso, não por causa do câmbio mal escalonado, não, porque a caixa Tremec de 5 marchas, apesar das duas primeiras marchas estarem muito curtas para o conjunto, as marchas longas caíam bem. O fator limitante era o motor que não dava conta de levar o ar no peito, já que o Cobra é ruizão de penetração aerodinâmica – é um design do final dos anos 40 e sem muita preocupação com isso, mesmo para os padrões da época. Talvez, então, ele fosse a uns 240 ou 250 km/h, não mais.
Aceitemos aí 250 km/h para o Cobra. Tendo o câmbio bem escalonado, conclui-se que o Cobra precisa de 380 cv para atingir essa velocidade.
O Mustang 1994 também não me parece um primor nesse quesito, mesmo assim na certa seu arrasto aerodinâmico é inferior ao do Cobra, mas, por favor, suponha comigo que os dois tenham o mesmo arrasto. O.K.? Sendo assim, conclui-se que o Mustang também usaria 380 cv para atingir os mesmos 250 km/h. Isso mesmo, tá certo. Mas acontece que ele ainda teria 320 cv sobrando no motor, o que é potência bastante para o levar aos 306 km/h.
Como calculei isso? Simples, aprendendo com o Bob Sharp. Ele me passou a formulinha mágica:
V2 = V1 x raiz cúbica de P2/P1
Onde:
V2 é a velocidade com a potência maior (P2)
V1 é com a potência menor (P1)
Conferindo:
V2 = 250 x raiz cúbica de 700/380
V2 = 250 x 1,226
V2 = 306,5 km/h
Essa fórmula não tem erro, desde que a relação da transmissão esteja correta para o caso, ou seja, que não esteja nem curta nem longa.
Então, imaginando uma filmagem do racha desses dois – filmagem que eu quis fazer, mas quem mandava na grana achou isso desinteressante, achando mais interessante comentários acerca de mais ou menos faixas esportivas em carros débeis – voltando a imaginar, o Cobra pularia na frente e assim se manteria até mais ou menos os 200 km/h, quando então o Mustang iria encostando, até que o Cobra, ao atingir os 250 km/h, não mais ganharia velocidade. Mas Mustang continuaria acelerando, acelerando e acelerando, mesmo sendo pesadão como é, e lhe botaria 56 km/h a mais, distanciando-se cerca de 1 km a cada minuto.
Então, aceleração é peso-potência, e velocidade final é potência-arrasto. O peso não importa muito na velocidade final, mas sim a aerodinâmica e a potência bruta.
Era só isso o que eu queria mostrar com a filmagem, eu queria enfatizar, deixar isso claro. Pena que ainda não deu. Quem sabe em breve a gente começa a fazer essas coisas?
E sobre a formulinha mágica do Bob, ela serve pra tudo quanto é carro.
Por exemplo, o autoentusiasta leitor tem um Chevettinho Júnior que comprou de uma velhinha – Chevettinho Júnior com rendinhas no vidro traseiro e cachorrinho de pelúcia com pescoço de mola que balança a cabeça –, carrinho de 50 cv que a véia usava pra ir ao bingo e tomar umas biritas com as amigas.
Aí o autoentusiasta, uma figura sempre cheia de ideias e sôfrega por emoções fortes, uma figura compulsiva que já acorda pensando besteira, gama no coitado do Chevettinho Júnior que nunca usou a 4a marcha, muito menos a 5a – que é uma marcha muito perigosa segundo a véia – e o autoentusiasta bom de lábia convence a véia a trocar o Chevettinho Júnior por um carro muito mais moderno, um Monza Classic, por exemplo. “Minha senhora, carro com tração traseira já era. É muito inseguro, vai contra as reações naturais do motorista mediano, ou seja, do motorista medíocre, tapado. Não que a senhora o seja, mas sabe como é, sei que a senhora toma umas e outras e seus reflexos podem retardar. Aí já viu... Um Monzão é da hora! Pu... carro macio!”
E aí o autoentusiasta já tem tudo armado e na certa tem um ogro maluco que nem a nossa turma aqui tem o AG, o Ogro do Planalto, que é o carrasco suado em pessoa, um cara que basta lhe darem marreta, machado e arame que ele bota “V-alguma coisa” em qualquer carro que vai parar na oficina dele. E o autoentusiasta procura o ogro maluco dele lá e mete um V-6 de Blazer no Chevettinho Júnior. Bota um diferencial mais longo e.... e.... com os 170 cv do V-6 – 120 cv a mais – o autoentusiasta fica encanado tentando calcular a quanto chegaria o Chevettinho Júnior ex-da-véia.
Vamos lá (a máxima do carro da véia é de 141 km/h, segundo a revista Oficina Mecânica da época):
V2 = 141 x raiz cúbica de 170/50
V2 = 141 x 1,5
V2 = 212 km/h
Pronto!
Agora o leitor autoentusiasta pode pensar em coisas mais úteis. Já leu o besteirol do dia, porque eu tô aqui pra isso.
Foto: auto123.com
 
 Hoje, no Grande Prêmio da Inglaterra, em Silverstone, eram incontáveis as faixas e painéis da gasolina Shell V-Power e me ocorreu informar ao leitor do AUTOentusiastas que a gasolina vendida com esse nome aqui é diferente  da de lá, e da Argentina, quanto ao número de octanas. A octana, ou iso-octana, é um hidrocarboneto de alto poder antidetonante.
A V-Power "resto do mundo" é de 99 octanas RON, 1 octana mais do que a gasolina Super Plus europeia, enquanto a do Brasil é apenas gasolina comum aditivada, de 95 octanas RON.
Quem quiser gasolina de 98 octanas da bandeira da concha pode pedir a V-Power Racing, que  há quase dois anos substituiu a Fórmula Shell Premium. A octanagem não se alterou.
BS
Foto: do autor, ao volante
Se há coisa que não sou é ecochato. Desses que vive falando em sustentabilidade ou contabilizando quanto de carbono foi emitido num evento e quantas árvores deveriam ter sido plantadas para compensar o "ataque" ao meio ambiente. Que acham que emissões de dióxido de carbono, o "temível" CO2, significa poluição, ou seja, o ar que exalamos polui. E o que o automóvel é o grande vilão do século passado e deste.
Mas sou contra a sujeira, até em banheiro público. Sempre me pergunto por que muitos não dão descarga após usar a privada ou o mictório ou por que não acertam o cesto de papel de enxugar mãos. Uma das causas é educação, ou melhor, falta dela.
Outro dia meu neto que mal fala estava com um pedaço de papel na mão balbuciando "lixo, lixo", procurando o cesto. Caso de herança genética? Pode ser.
Mas o foco deste post é a foto aí em cima. Dirigia-me dias atrás ao Autódromo Municipal José Carlos Pace, em Interlagos, zona sul de São Paulo, quando alcancei uma picape Nissan Frontier que soltava enorme quantidade de fumaça preta pelo escapamento. Para isso sou crítico e chato muito antes de existir ecochato, de se falar tanto em meio ambiente, de se banalizar algo que é tão importante.
Ninguém tem direito de sujar o local ou ambiente onde vive, pois não está sozinho. Quem roda com um veículo emporcalhando a rua ou o ar tem que ser punido de alguma forma, para aprender na marra a viver numa coletividade.
A inspeção ambiental que existe no Rio de Janeiro há dez anos e em São Paulo há três pode ser uma chateação, perda de tempo, exagera ao inspecionar carros com menos de três anos, mas a Frontier da foto tinha jeito de ter no máximo um ano de uso. Por isso, se há pessoas que desrespeitam seus semelhantses, tem que haver inspeção, sim.
Só que só inspeção não basta. Suponhamos que em vez de eu no meu carro fosse um agente de trânsito num carro policial. Ele pararia a picape fumacenta, autuaria o motorista e providenciaria junto ao órgão responsável uma inspeção de funcionamento do motor. Reprovado, teria prazo para corrigir o problema. Repetindo-se a reprovação, o veículo seria deslicenciado e circularia somente com autorização especial,  em papel, segundo uma sistemática a ser criada, até emitir dentro do padrão.
Alguns desvios de comportamento exigem punição severa, ou eles  se perpetuarão. Defendo, por exemplo, que trafegar no acostamento passe da infração gravíssima que é hoje a infração hedionda: primeira vez, um ano sem dirigir. Segunda vez, perda definitiva da habilitação. Quero ver se continuaria a haver "ispertos" nos congestionamentos rodoviários trafegando tranquilamente pelo acostamento.
Do mesmo modo, ante a possibilidade de ter o carro deslicenciado, não poder trafegar em rodovias e nem no período noturno, duvido que alguém descuidasse do funcionamento correto do motor.
Corrigir e coçar, é só começar.
BS

A Fiat apresentou ontem em Turim a mais nova versão do seu exitoso Cinquecento lançado há três anos:  motor TwinAir é um dois-cilindros turbo 4-válvulas de 875 cm³, diâmetro dos cilindros 80,5 mm e curso dos pistões 86 mm (quase as medidas do E.torQ 1,8 16V, 80,5 x 85,8 mm). O pequeno motor desenvolve 85 cv a 5.500 rpm e 14,8 mkgf a 1.900 rpm, com taxa de compressão de 10:1. O motor incorpora a tecnolgia MultiAir de levantamento de válvulas de admissão total e continuamente variável já utilizado no Alfa Romeo MiTo 1,4-litro.
O resultado é aceleração 0-100 km/h em 11 segundos e velocidade máxima de 173 km/h com consumo de 20,4 km/l na cidade, 27 km/l na estrada e 24,4 km/l, combinado, isso com sistema desliga/liga. Com este, mais câmbio Dualogic, o consumo cai para 21,7, 27,7 e 25 km/l, respectivamente.
O sistema de gerenciamento do motor possui uma função ECO que limita potência e torque e leva a uma redução de 30% no consumo. A emissão de CO2 nesse caso fica em 96 g/km com câmbio manual e desliga/liga e 92 g/km se dotado de caixa Dualogic.

O motor TwinAir em duas vistas. Note à esquerda, parte inferior, a contra-árvore de balanceamento.
O motor conta com árvore contra-rotativa de balanceamento e provavelmente tem vibração bem contida. Mas é um ponto a verificar.
As vendas da versão começam em setembro e a FPT, empresa do Grupo Fiat que fabrica o motor clama ser este o motor a gasolina mais eco-favorável do mundo.
BS
(Atualizado em 9/07/10 às 22h05, fotos do motor)
Que Gordon Murray é um gênio pouca gente duvida. O amigo Belli já falou dele aqui, chamando-o de “Gênio da camisa florida”, e eu mesmo já escrevi algumas páginas sobre ele aqui, quando falei de sua maior criação, o fantástico McLaren F1 (abaixo).
A vida depois do Mclaren F1 deve ter sido difícil para Murray. Afinal de contas, o que fazer depois daquilo? Depois do mais incrível carro de entusiasta já criado, o mais veloz e sensacional bólido que já andou pelas ruas, e ainda por cima vencedor em Le Mans, o que poderia vir?

Mesmo Ron Dennis, o empregador de Murray, ficou meio sem rumo, mesmo porque além de superlativo o F1 não tinha sido o sucesso esperado. A Mclaren e seu engenheiro-chefe acabaram fazendo o Mercedes SLR, um carro magnífico, é claro, mas sem o impacto que teve o F1. Na verdade, a experiência com a Daimler-Benz foi provavelmente a primeira vez em que Murray teve que fazer um projeto para alguém, tendo que respeitar as regras e ditames deste “patrão” e não responder apenas a seus altos padrões próprios. Como já falei de Lefebvre, um gênio só é um gênio se trabalha em liberdade...

Murray estava demasiadamente acostumado a ser livre, e depois do SLR resolveu que permaneceria assim; abandonou Dennis e a McLaren e abriu uma empresa de consultoria própria, a Gordon Murray Design. Logo anunciou que apresentaria um novo carro pequeno, que seria uma revolução tão grande como foi o Mini original em 1959. Modesto sabemos que nosso amigo não é... Mas todo entusiasta que se preza ficou interessado e curioso para saber o que tramava Murray.

A ideia de um Mini moderno é realmente atraente. Esqueçam o carrinho fashion que a BMW vende hoje como MINI, o que o carro de 1959 fez foi, de uma vez só, revolucionar o jeito de se construir carros e o modo como utilizar eficientemente o espaço interno. Se hoje todos andamos com carros de motor transversal dianteiro e tração idem, em carros que dedicam a vasta maioria do seu espaço para ocupantes e bagagem, temos o Mini e seu criador, Sir Alec Issigonis, a agradecer. Um novo Mini de verdade teria que fazer isto novamente, mudar tudo.

Aos poucos, Murray foi soltando detalhes de sua ideia de futuro, usando interessantíssimos dioramas e miniaturas. Vejam abaixo:
O Mini de Murray será realmente pequeno. A foto acima mostra seu tamanho em relação a alguns carros pequenos atuais.
Baixo peso também é um ponto básico do projeto. O novo Mini do outro lado da balança não é acaso...
Novamente, o Mini atual perde do de Murray; desta vez na complexidade e número de peças.
Obviamente, um carro moderno tem que ser capaz de enfrentar uma barreira imóvel com poucos danos a seus ocupantes. O diorama acima mostra que o novo carro é equivalente neste quesito a um carro médio normal (um Focus 1!!!).
Acima, três carros na vaga de um. Lembranças das Isettas nos anos 50... Abaixo, uma das ideias mais controversas de Murray: numa faixa onde cabe apenas um carro normal, dois de seus estreitos carros podem rodar. Quase como uma moto.
Finalmente, no final do mês passado, o carro foi finalmente revelado. Chamado de T.25, basicamente o carro parte do mesmo princípio que Murray criou para o Mclaren F1, chamado aqui de iCentre: três ocupantes, com o motorista um pouco à frente dos dois passageiros, bem no meio do carro. É uma ideia realmente boa, como o F1 provou, aproximando os três ocupantes e permitindo um ocupante a mais numa largura de carro normal (1.800 mm no F1, pouquíssimo num carro daquele tipo). No seu novo carro, Murray levou este esquema a seu extremo: o carro mede apenas 1.300 mm de largura.
Some-se isto ao comprimento de 2.400 mm (a distância entre eixos do Fusca) e se tem um carro realmente pequeno, mas que pode levar três pessoas e 160 litros de bagagem, ou um passageiro e 720 litros, como se pode ver no esquema abaixo.
Outros detalhes são: suspensão independente nas quatro rodas, baixo CG e um pequeno tricilíndrico de 660 cm³ de cilindrada e 52 cv, montado baixo em posição central-traseira, acoplado a um transeixo de cinco marchas semi-automático. A direção é de pinhão e cremalheira sem assistência, e o carro pesa apenas 575 kg. Os números de desempenho são: 0-100 km/h em 16,5 segundos e uma velocidade final limitada a 145 km/h. O tanque de combustível comporta 30 litros, e a média de consumo em uso misto declarada é de 26 km/l.

Murray diz que a estrutura do carro e seu método construtivo serão revolucionários, permitindo fábricas menores e investimento em ferramental reduzido, mas dá poucos detalhes deste sistema que está em processo de patenteamento. O que pode se concluir com as informações existentes é que é uma estrutura tubular em aço, e grandes peças plásticas, muito provavelmente em termofixo reforçado com alguma fibra.
O acesso ao interior do carro é feito basculando-se para frente a frente inteira. O carro é realmente diferente e estranho à primeira vista, mas realmente interessante. Para os fãs de Murray como eu um detalhe salta aos olhos: o primeiro protótipo é designado XP1, como era o primeiro McLaren F1!
Mas será que será uma revolução como foi a do Mini original?

Pessoalmente acho que Murray foi um pouco longe demais. O Mini foi revolucionário, mas ainda era um carro como qualquer outro. Tinha duas portas, uma de cada lado, e carregava seus cinco passageiros nas posições tradicionais. Não sei se o povo está pronto para uma nave espacial como o carrinho de Murray. E será que este esquema de dois carros por faixa dará certo?

Outra coisa que aconteceu com o Mini foi que, por ser um carrinho normal em miniatura, e bonitinho, acabou por se tornar um acessório de moda, a se tornar um ícone fashion da Londres dos anos 60. E por ser baixo e ultraestável, se transformou também num ícone entre os amantes do automóvel. Issigonis não previu nenhum desses efeitos ao projetar o carro; mas eles com certeza foram importantíssimos para seu sucesso. O Mini da BMW, atual, se baseia apenas nessas duas características, e é um tremendo sucesso, mesmo sem ser revolução alguma.

Não sei se dará certo, mas tenho que aplaudir a tentativa. Como já disse aqui, chega de olhar ao passado e vamos tentar achar o futuro do automóvel. Pessoalmente não acredito muito no sucesso desta tentativa de Murray, nem muito menos na versão elétrica que ele promete em seguida. Mas tenho que dar os parabéns à coragem e iniciativa dele, e torcer para que eu realmente esteja errado. O futuro é o que fazemos dele, e eu não quero para nós um futuro que seja uma caricatura do passado.

Pelo menos, ele está tentando algo. Já é mais do que faz todo o resto da indústria.

MAO
É estranho, para dizer o mínimo.
Muita gente boa, entusiasta de automóveis, não gasta um minuto de seus dias para assistir a uma corrida de carros. Nem mesmo de Fórmula 1.
Talvez arrepiados pelo "culto à celebridade", não conhecem os pilotos. Menos ainda as equipes.
Esqueçamos portanto das bobagens dos paparazzi e das notícias ao estilo do mundo de Caras, e nos concentremos no que interessa. Os carros.
Os pontos principais a se apreciar nas corridas é aquilo que nos entusiasma de uma forma mais ou menos geral quando consideramos um carro. Colorido, barulhento e rápido. Não precisaria mais nada.
Mas a Fórmula 1 tem muito mais.
Quem gosta de história da categoria sabe que este ano, a Lotus renasceu. Tem donos malaios agora, mas e daí? O dinheiro foi mesmo para o oriente, e temos que nos acostumar. E o carro, verde escuro de corrida (British racing green) com faixas amarelas, guarda a decoração visual dos antigos carros de Colin Chapman. Eu diria que é o mais agradável de todos os dos grids de 2010.
Uma das explicações dos entusiastas que não gostam de corridas é que os F-1 de hoje são carros fáceis demais de dirigir, que até um macaco treinado pode pilotá-los. Um exagero total.
Claro que, com um pouco de explicações, qualquer um dirige. Mas não rápido o suficiente. E por duas horas sem parar. Fora os treinos.
Outra é que os carros são por demais estáveis e controláveis, que nem mesmo derrapam, não desafiando o piloto. Engano, derrapam sim, e bastante. Basta assistir com atenção a uma prova.
Uma das imagens mais bonitas é um carro deixando a área de box, exatamente após troca de pneus. Alguns pilotos jogam o carro de lado já a partir da imobilidade, e quando vemos de frente pela televisão, o carro parece "saltar" para a faixa de rolamento dos boxes. Derrapagens acontecem em curvas também, e não são tão raras.
As freadas, principalmente quando o desgaste de pneus já se faz sentir, muitas vezes são acompanhadas de travamento de rodas, que chamam o piloto a evitar uma derrapagem que descontrole o carro na entrada de curva. Momentos de pura condução no limite, que os que não gostam de Fórmula 1 não têm o prazer de apreciar.
Diz-se que o povão assiste corridas pelo mesmo motivo das inexplicáveis touradas: ver o toureiro ser atingido pelo animal. No caso das pistas, assistir aos acidentes, ver o carro dominando o piloto. Pode ser.
O caso do acidente de Mark Webber, com o Red Bull, no GP da Europa nas ruas de Valência, Espanha, em 27 de junho, ilustra bem outro ponto interessante da Fórmula 1, que é a segurança. Uma batida na traseira de outro carro, causando uma decolagem e um giro no ar, para cair com violência no solo, escorregar em velocidade alta até a barreira de pneus e atingi-la ainda bem rápido, seria motivo de ferimentos razoáveis em carros de alguns anos atrás. Mas nada aconteceu ao piloto. Uma prova que os regulamentos atuais, ainda que restritivos ao extremo, estão corretos nos itens sobre segurança. Perda das rodas, asas e boa parte das suspensões, e nenhum vazamento de gasolina.
Um espetáculo, com congratulações aos engenheiros das equipes, profissionais de alto nível que são desconhecidos da maioria.
Outro bom motivo para assistir Fórmula 1 é a velocidade em curva. A imagem de uma chicane ou "S", onde vemos de frente os carros sendo atirados de um lado a outro, são arrepiantes. Só essas imagens já valem um tempo diante da televisão.
Para quem prefere carros de rua, um alento: toda vez que há um problema e o carro de segurança é solicitado a intervir, entrando na pista e mantendo um ritmo mais lento, podemos nos deleitar com um Mercedes-Benz SLS. Em Mônaco foram quatro vezes que essa máquina maravilhosa liderou o pelotão dos F-1, e pudemos ver o asa-de-gaivota moderno mergulhando nas frenagens e inclinando nas curvas, em imagens bastante próximas da ação.
Apesar também de muitos acharem que as corridas de F-1 não tem graça, que um líder dispara e nada mais acontece, lembremos da última prova do campeonato de 2008, em Interlagos.
Felipe Massa poderia ser campeão, com Ferrari, se ganhasse a corrida e se Lewis Hamilton, com McLaren, não chegasse acima de 6° lugar.
Massa foi o vencedor da prova, e após 38 segundos de comemoração do campeonato, Hamilton cruza a linha de chegada em 5 ° lugar, levando o título. Espetacular, e mais uma prova que não se deve contar com o ovo antes da galinha botá-lo.
Participar do "circo" da Fórmula 1, seja como a estrela principal vista pelo público, os pilotos, seja como mecânico, engenheiro, cozinheiro ou qualquer outra função, já é algo notório. Longe das notícias das pistas, as fábricas das equipes trabalham sem parar, introduzindo modificações em quase todas as corridas.
Isso faz com que todo carro da categoria seja na verdade um protótipo, pois dificilmente se fazem mais de 4 ou 5 iguais. Quem tem tempo de pesquisar essas modificações constantes vai encontrar mais um atrativo para a categoria mais técnicamente avançada do automobilismo.
Então, amigo entusiasta, esqueça a horrível "torcida" por pilotos que nem sabem que existimos, esqueça a curiosidade de saber o que o cara almoçou, qual marca de cueca ele usa, ou qual desodorante, e preste atenção nos carros, nas pistas.
A Fórmula 1 começará a ser mais atrativa para você.
JJ 
fotos: crash.net
Já perceberam como não existe lógica na escolha do consumidor entre modelos da mesma família? Me lembro que há anos atrás o Gol quadrado já era um campeão de vendas, mesmo com pouco espaço no banco traseiro (graças ao teto baixo) e um pífio porta-malas, atrapalhado por um estepe mal ajeitado. Já o Voyage custava quase a mesma coisa, com porta-malas muito melhor e um desenho até simpático, mas vendia uma micharia se comparado ao seu irmão.
Anos depois tivemos o Corsa, com resultado contrário. O hatchezinho simpático vendeu bem no começo, mas foi perdendo o encanto e acabou dando lugar ao Celta. Já seu irmão sedan foi ganhando a simpatia da galera e até hoje é um sucesso de vendas, tendo recebido um face-lift recentemente. Com a dupla Celta/Prisma é o oposto, o sedanzinho vende menos da metade em relação ao hatch.
Palio e Siena vendem volumes parecidos, demonstrando alguma lógica na escolha. Nem sempre foi assim, o Siena de primeira geração não agradava e vendia mal, mas bastou reformularem o visual para as vendas aumentarem. Por esse exemplo, concluiríamos que a estética define a escolha, e o fato do Sandero vender bem mais que o Logan reforçaria a hipótese.
Ainda assim, fico sem entender o enorme sucesso de Gol I e Corsa Sedan.
AC
Foto: www.chevrolet.com.br
A exemplo do EB-110, o Veyron finalmente recebe o pacote especial Super Sport, que designa o modelo mais potente e obviamente mais caro da linhagem dos Bugatti. Quando lançado no outono do Hemisfério Norte de 2005, o Veyron veio para ser coroado o melhor, mais rápido, mais potente, mais caro e mais desejado carro do mundo. Agora há uma versão nova para reanimar as vendas e os sonhos.

Para que se justifique o maior preço (ainda a ser divulgado) e atributos que mereçam a sigla SS na carroceria, o motor W-16 de 8 litros e quatro turbocompressores foi revisado. Agora com 1.200 hp (1.217 cv) e monstruosos 1.500 Nm (153 mkgf) de torque, o Veyron acelera livremente até os 434 km/h, voltando a ser o carro de produção mais rápido do mundo.
Além do motor, a carroceria sofreu diversas modificações aerodinâmicas para permitir que o carro de mais de duas toneladas de puro luxo e materiais exóticos fosse ainda mais rápido. A grande modificação foi na região posterior da cabine, onde antes o motor era exposto e os dutos de captação de ar para o motor e intercoolers eram expostos. Agora, para aprimorar a aerodinâmica e reduzir o arrasto, os dutos saltados foram eliminados e tomadas de ar NACA foram utilizadas, bem como uma cobertura parcial do motor.
Na dianteira, as entradas de ar foram aumentadas para melhor refrigeração dos sistemas de troca de calor, ainda mais exigidos pela potência extra. O chassi foi revisado para elevar a rigidez torcional e adequar a estrutura à nova potência do motor.
A Bugatti deve apresentar o carro em Pebble Beach este ano, em agosto, para seu lançamento oficial. Os cinco primeiros exemplares, nomeados World Record Edition (alusão ao modelo de teste que estabeleceu o recorde de velocidade, com média de 431 km/h) serão como o carro das fotos, na combinação laranja e fibra de carbono exposta, e aparentemente já foram vendidos.
Um viva à mais nova versão de um dos grandes carros já fabricados, uma verdadeira obra de engenharia e materialização de sonhos.
MB
O Bob anda segurando a onda sozinho! Não tenho conseguido escrever mas estou levando muita coisa na bagagem. Logo apareço com as novidades.


PK
Foto: www.morimotors.com.br
Quando o post "Mau exemplo da líder" falando do comercial da Fiat do novo Uno que faz apologia dos vidros escurecidos por películas foi publicado anteontem (6/7), eu já sabia que no dia 30 último o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) havia baixado a Portaria n° 391 homologando o medidor de transmitância luminosa Translux II, produzido pela Ricci Eletrônica Ltda, do Paraná.
O colega e amigo Fernando Calmon foi quem me contou e pediu reserva, pois queria ele dar a notícia em primeira mão na sua coluna "Alta Roda", publicada em mais de 60 veículos de comunicação país afora toda terça-feira.
Com o medidor, agentes da autoridade de trânsito finalmente terão a ferramenta para proceder às autuações de quem insistir em fazer do seu carro um esconderijo sobre rodas e perturbar o trânsito como um todo, sem contar acidentes provocados por visibilidade precária.
Será possível, assim, verificar a transmitância luminosa dos vidros conforme estabelece a resolução n° 253 Contran, de 26/10/2007. Os valores de medição para efeito de autuação serão aqueles inferiores a 70% onde o limite for 75% (para-brisa), 65% onde for 70% (vidros laterais dianteiros) e 26% onde for 28% (demais vidros).
Diz ainda a resolução que a transmitância considerada para efeito de aplicação da penalidade é aquela medida pelo instrumento subtraída de três unidades percentuais. Desse modo será possível o para-brisa ter 67% de transmitância luminosa, os vidros laterais dianteiros, 62% e o resto, 23%.
De qualquer maneira, a possibilidade de ter o carro retido no meio de uma viagem e poder prosseguir somente se as películas forem retiradas já deverá fazer muitos pensarem duas vezes antes de mandar pôr ou continuar com vidros "filmados"
O Brasil, teoricamente, tem tudo para se livrar da epidemia do carro-esconderijo. Mas conhecendo a  terrinha sei que o Congresso pode a qualquer momento votar lei que altere os mínimos de transmitância luminosa (há projeto de lei nesse sentido) ou, ainda fresquinho, o STJ agir como na Lei de Ficha Limpa, derrubando-a em alguns casos.
É esperar para ver se é mesmo o fim da farra. E torcer para que seja.
BS

Amigos me informaram da mensagem no AUTOentusiastas, ilustrada por uma foto naquele maravilhoso encontro de carros antigos no Forte de Copacabana,  no Rio de Janeiro, promovido pelo Veteran Car Club do Brasil - RJ, que registrou o meu reencontro com o dileto amigo Moisés Saubel que, certamente, compartilha comigo e com os pilotos, em especial os do Rio de Janeiro, o sentimento e a dor da perda daquele colaborador inesquecível que faz parte da história do esporte a motor.
Com privilégio, carinho e muita consideração, eu e o Moisés guardaremos essa imagem do meu e do nosso querido Luigi Ciai.
Bird Clemente
Foto do autor
 
O termo é cada vez mais usado mas nem sempre o leitor sabe do que se trata, como tantos outros termos do automóvel.
Hoje eu e a família fomos à casa da minha cunhada almoçar e lá vi um velho fogão industrial que o marido comprou e pôs em uso. E o que vi no fogão? Um common rail! É o longo tubo que atravessa o fogão de um lado a outro na parte frontal e de onde saem quatro tubos de gás em direção aos queimadores.
No "Dicionário do Carro" de Quatro Rodas, de minha autoria, o verbete Common rail remete para tubo distribuidor, termo que escolhi para traduzir o original.
Mas além de tubo distribuidor pode-se dizer galeria única, tubo comum, enfim, como em todo termo técnico vale o bom senso e o sentido correto da palavra.
O princípio é muito simples. Pensando no fogão da foto, a bomba manda combustível para o tubo distribuidor sob pressão de  3 bars. Uma saída na outra extremidade  leva combustível para o tanque, que fica em circulação permanente (já há circulação em circuito menor, para não aquecer o combustível no tanque e eliminar a longa mangueira de retorno).
O tubo distribuidor chegou com as injeções multiponto do final dos anos 1980. Do tubo saem pequenos tubos para as válvulas de injeção, popularmente chamados de injetores. O gerenciameno de injeção envia o sinal elétrico no momento certo para as válvulas de injeção abrirem. As válvulas podem injetar tanto no trato de admissão, antes da válvula, quanto na câmara de combustão, neste caso tratando-se de injeção direta. Nesta a pressão na válvula de injeção precisa ser bem mais alta,  no mínimo 120 bars.
A Fiat italiana teve a grande e feliz ideia de aproveitar o esquema do tudo distribuidor para alimentar motores ciclo Diesel, que funciona exatamente da mesma maneira, só que a pressão necessária é pelo menos dez vezes maior que nos motores ciclo Otto, chegando a no mínimo 1.200 bars. Patenteou o sistema em 1997 porém precisou fazer caixa e vendeu a patente para a Bosch. Pronto, foi o que bastou para dar novo impulso aos motores Diesel, que por isso passaram a ser chamados de "eletrônicos".
E antes que o leitor estranhe no fogão as quatro saídas para três queimadores, é que o primeiro, à esquerda, é duplo, tem um anel interno e outro externo, comandados individualmente...
BS
(Atualizado em 5.07.10 às 9h20)


Volta e meia me pergunto o que se passa na cabeça dos responsáveis pelo marketing dos fabricantes de automóveis e/ou dos profissionais das agências de publicidade, ao assistir comerciais como esse do novo Uno, um produto da líder do mercado brasileiro há oito anos consecutivos, a Fiat.

O bebê, em seu banco próprio, se julga alvo das atenções, quando em verdade as pessoas estão olhando é para o carro, já que a criança está literalmente escondida atrás do vidro escuro. Isso é incitar o irregular, estimular as pessoas a desobedecer o Código de Trânsito, a levar todo mundo a achar que está certo ter os vidros com passagem insuficiente de luz, inclusive pondo em risco a própria segurança e a do trânsito como um todo.

Por falar nisso, não deve demorar muito mais a homologação, pelo Inmetro, do medidor de transmitância luminosa que agentes de trânsito utilizarão para autuar os donos dos "esconderijos móveis" que infestam ruas e estradas brasileiras em volume alarmante. Além da autuação, a película terá de ser removida no local, ou o carro ficará retido. Vai acabar com a alegria de muita gente....O fim desse absurdo, que até gera comerciais como esse do novo Uno, parece estar próximo. Já não é sem tempo.

Maus exemplos não levam a lugar nenhum.

BS
Fotos: www.autoclassic.com.br

Deixou-nos hoje, aos 88 anos, um grande nome do esporte a motor brasileiro: Luigi Ciai. Sua história completa, muito bem contada pelo ex-piloto Nélson Cintra, está no site AutoClassic.
Ciai vinha se sentindo mal nos últimos dias, conforme sua esposa e filha contaram ao amigo comum Newton Alves, também ex-piloto e para quem Ciai trabalhou vários anos na preparação de motores. Ontem caiu na sua casa e bateu forte com a cabeça, advindo complicações e sua morte.
Na foto ao lado, feita no último encontro de carros antigos no Rio de Janeiro, no Forte de Copacabana, de 4 a 7 de setembro, Ciai está entre os também ex-pilotos Moisés Saubel e Bird Clemente (com a taça), este homenageado no tradicional evento de antigomobilismo carioca.
Conheci o Ciai em 1958, quando ele mal havia chegado ao Brasil. Na época eu era "Lambrettista" e fui assistir a uma corrida desses scooters, mas um deles não era Lambretta, e sim Iso. Era pilotado por italiano que não era tão garoto, já estava nos seus 35-36 anos. Venceu fácil. E logo ficou famoso no meio. Luigi Ciai logo se tornou um grande nome.
Curiosamente, ele, meu irmão Rony e eu demos assistência de box à dupla Moisés Saubel-Antônio Paulo Serrador na Mil Milhas Brasileiras de 1961, com DKW-Vemag. O meu irmão se encarregou da cronometragem (era sua especialidade e ele foi até o cronometrista da equipe oficial Ford quando corri lá de 1974 a 1976). Ainda tenho a planilha com toda a corrida, as paradas, as trocas de pneus etc. Mas o motor quebrou na 174a. volta de 201.
Outra curiosidade eram os pegas entre o Moisés no seu Alfa Romeo Giulietta Spider 1300 e meu irmão no DKW-Vemag lá de casa, eu no lado direito do banco inteiriço, ainda sem carteira. O Moisés só tomava e não entendia, afinal o Alfa tinha 65 cv e o DKW, 44 cv. Éramos muito amigos.
Volta e meia eu via o Ciai, os papos eram ótimos, até que passei a vê-lo menos depois que vim para São Paulo em 1978.
Foi-se um grande homem, simples, porém amigo de verdade e dono de uma competência em mecânica ímpar, uma habilidade que está cada vez mais rara nos tempos atuais. Sua sensibilididade para acertar carburadores Weber é lendária.
Descanse em paz, amigo Ciai!