google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Em uma limpeza de final de ano encontrei um recorte de jornal de 1999, que minha mãe (!) me deu na época.
O artigo fala sobre o lançamento do Pontiac Aztek e a aposta da GM em inovação para recuperar participação de mercado. A inovação seria a saída para a GM, que na época fazia carros sem sal.

O Aztek foi proclamado como o primeiro híbrido de minivan com SUV, o que viria ser chamando de crossover (cruzamento de modelos). Era fabricado na mesma plataforma das minivans Chevy Venture, Pontiac Trans Sport e Olds Silhouette, mas tinha uma versão com um sofisticado sistema 4x4. A proposta era aliar a versatilidade e espaço de um SUV com o conforto de rodagem de uma minivan. O texto cita que os internautas podiam participar no website do Aztek concept dando sua opinião. Eu me lembro de ter participado com uma opinião muito positiva ao carro-conceito. Mas o conceito era mais bacana que a versão de produção e eu não pensei na receptividade do mercado.


Aztek concept

O problema é que a ansiedade de fazer algo muito inovador contagiou todo mundo na GM e a empolgação fez com que se cruzasse a linha de aceitação dos clientes. O resultado, muito legal para um carro-conceito, não foi bem aceito no mundo real. Acho que não dá para sair do feijão com arroz para comida de astronauta do dia para noite. Inovação tem que ser um processo contínuo e incorporado na estratégia da empresa. A crítica caiu matando e os consumidores não se empolgaram com o desenho esquisito. Foram vendidos pouco mais que 100.000 unidades entre 2001 e 2005 e os compradores dessas unidades até que gostaram da sua feiura.

Aztek de produção
Pesquei dois comentários de consumidores feitos em uma matéria sobre o Aztek: "O Aztek é bonitinho no sentido de ser agradavelmente feio, nós amamos o nosso" e "nós amamos o nosso Aztek, é de longe o melhor veículo que já tivemos e mesmo sendo feio é gostoso de dirigir e bom para acampar."
Em 2002, pouco mais de um ano do seu lançamento a Pontiac bem que tentou melhorar o visual acabando com os apliques plásticos (típicos dos Pontiacs) que, além de feios, encareciam o produto desnecessariamente. Com toda a carroceria pintada o desenho ficou mais limpo e um pouco mais agradável. Mas não foi suficiente para impedir que o matassem em 2005.

Aztek 2002

Fico imaginando a frustração de todo o time que trabalhou no Aztek ao ver o seu projeto mais arrojado em todas as listas de carros mais feios do mundo e dos maiores fracassos da história. Tenho certeza de que isso não estava nos planos de ninguém. Também acho que, em linhas gerais, as empresas deveriam correr mais riscos e tentar sair da caixinha. Mas sem estratégia, ou somente na emoção, não dá. Entre erros e acertos, ao consideramos a situação atual da GM, podemos ver que esse tipo de ação isolada não gera resultados saudáveis. E os acertos não são suficientes para compensar os erros.
Ainda bem que a GM não teve coragem de fazer o Rageous, que seria a versão Aztek do Trans Am.
Foto g1.globo.com
A tomada aérea aí acima foi feita a  bordo de um helicóptero e mostra um cenário de trânsito congestionado típico. A cidade, nem é preciso dizer qual.
Eu já disse que o inventor do helicóptero, o russo Igor Sikorski (1889-1972) está no Céu sentado à direita do Senhor. O número de vidas salvas pela máquina voadora que ele criou garante-lhe tal lugar, e por toda a eternidade. Mas a utilidade do helicóptero, graças à sua capacidade de pousar e decolar na vertical, e logicamente pairar no ar, não está sendo bem aproveitada pelas radiotrânsitos e  autoridades de trânsito de São Paulo e outras capitais que têm problemas de tráfego .
Dois serviços conhecidos de observação do trânsito em São Paulo, o da TV Globo e o da Rádio Eldorado AM, são muito úteis no informar como estão as coisas lá embaixo -- falando das dificuldades, é claro -- mas não o que as está causando, salvo em raríssimas ocasiões.
Do lado policial, não me ocorre que haja alguma fiscalização/observação nesse sentido, tipo um real monitoramento do trânsito por helicóptero.
Seria tão fácil, por exemplo, o observador constatar uma via engarrafada e seguir até o ponto que está causando a retenção, para dali acionar quem administra a via para que empreenda uma ação que elimi.ne o  probelma. Mas, não, o que se ouve ou o que se vê é que no trecho tal há problemas e, ponto final.
A Rádio Sulamérica Trânsito presta um servico pela metade com a sua turma rodando por São Paulo. É comum o ou a jornalista a bordo dizer que se leva tantos minutos para ir de uma ponte a outra de uma marginal e, pior, em grande parte das vezes responsabilizando o "excesso de veículos" pelo congestionamento.
Veja-se o seguinte exemplo. De Santo Amaro, em São Paulo, tomando as marginais do Pinheiros e do Tietê rumo ao Rio de Janeiro, até a Lagoa Rodrigo de Freitas, nesta cidade,  não existe um semáforo sequer. Se não houver interrupção de faixa de rolamento, o tráfego simplesmente não pode parar, como tem parado cada vez mais. Se para é porque há algum tipo de problema, de traçado, de alça de acesso, alguma coisa tem. Nesse caso, nada melhor e nada mais lógico do que procurar  examiná-lo do alto.
Ou seja, se quiser, a autoridade de trânsito resolve o problema. Se não resolve -- deixo para o leitor pensar no porquê...
BS

De uns tempos para cá, os grids de largada das categorias nacionais vem sendo cada vez menores, por diversos motivos, geralmente de ordem financeira. Categorias surgem e desaparecem ano após ano.

Ontem vi um dos maiores grids dos últimos tempos, no Campeonato Paulista de Carros Antigos, a Super Classic. Nada menos que 41 carros alinhados no grid, isso mesmo, 41, fora outros que largaram dos boxes. Mesmo com umas complicações e enrolações aqui e ali no regulamento, é a categoria que mais cresce no estado, e provavelmente no país.

A Stock Car V8, que é a maior categoria do país, tem um grid de 30 carros. A Copa Vicar (antiga Stock Light) tem 31 carros, a Pick Up Racing 23 e a Stock Jr. 17 carros. A Fórmula Truck tem 23 caminhões correndo, e as demais como Copa Clio, F-3 e a GT3 em total decadência, nem chegam a 25 carros.

A Classic parece ter a fórmula mais bem equilibrada de custo/benefício para quem participa, pois os custos não são absurdos, já que os carros são relativamente baratos, simples, com peças de reposição fáceis de conseguir, pneus radiais de rua, motores nacionais limitados na configuração quatro cilindros de duas válvulas por cilindro, carburados. E o desempenho não é de fazer feio, pois andam na casa dos dois minutos em Interlagos, um ou outro baixando dos dois minutos.


As corridas são muito interessantes de ver, o pessoal acelera mesmo, mas todos se respeitando, uma corrida (geralmente) limpa e divertida de assistir. Claro, não é um sucesso de público nas arquibancadas, como nenhuma corrida aqui é, mas para quem está no autódromo assistindo, é diversão garantida, assim como para quem está correndo.

As demais categorias deviam seguir o exemplo da Classic, com regulamento simples, custos controlados e baixos se comparados às demais categorias, e com cada vez mais inscritos.


Para o próximo ano, mais categorias vão surgir no país, outras vão desaparecer e algumas vão mesclar-se entre si para formar um grid mínimo. Espero que um dia os organizadores entendam que um monte de categoria por ai não resolve o problema de interessados e número de participantes, mas sim uma continuidade de evolução do regulamento e controle de gastos de acordo com a realidade e vontade dos participantes. Nisso, a Classic faz muito bem, pois é uma categoria relativamente barata e divertida para quem corre e quem assiste.



Muitos, a maioria, não tem ideia do que é este selo.

Quando começou o assunto do álcool, a partir do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado em 14 de novembro de 1975, só começou a haver disponibilidade do produto, mesmo assim só em alguns postos, em 1977.

A indústria ainda não produzia carros a álcool -- ainda passariam-se dois anos -- e os que carros que existiam movidos pelo combustível alternativo eram modelos a gasolina convertidos para álcool em oficinas homologadas pela Secretaria de Tecnologia Industrial (STI), do então Ministério da Indústria e Comércio, hoje Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Depois de terminada a conversão para funcionar com álcool, o proprietário recebia este selo, que devia ser colado num dos vidros do veículo. Só carros com esse selo podiam ser abastecidos com álcool -- regra que nem sempre era observada pelos frentistas. Os postos queriam é vender...
BS

Nada muito elaborado, apenas uma foto bem legal que vi esses dias. Um Porsche 911 da primeira geração, e um da última, na mesma cor.
Anos de evolução e ainda assim, qualquer um olha o novo e sabe que é um 911. A prova de que tradição pode ser sim aliada ao moderno.
Está cada dia mais difícil classificar os novos carros.

Assim que ví esse Lagonda Concept, da Aston Martin, fiquei meio irritado. Na primeira impressão me lembrou um baiacú e remete a um SUV, ou coisa parecida. Não poderia deixar de ser, uma vez que o Lagonda usa plataforma, ou base, do Mercedes GL.


De acordo com o MAO, a Aston Martin já morreu. Mas mesmo morta quer ressucitar a marca Lagonda, uma inglesa tradicional, fundada em 1906 e adquirida pela Aston em 1947. Nada a ver com SUVs.
Fiquei irritado porque sou contra essa onda de SUVs de alta performance como Cayenne, X6 e cia. Não consigo entender como e porque se deve combinar alta performance para as pistas com altura elevada e amplo espaço interno. Nesse sentido acho o Panamera ou o Aston Rapide muito mais honestos.



Mas olhando melhor as fotos do Lagonda fiquei com dificuldade de equadrá-lo em alguma categoria existente. De fato reconsiderei minha opinião inicial e achei o carro muito interessante. Único.
A frente grande, alta e plana , que deve gerar um Cx pior do que um cofre de banco, e as rodas gigantes nos fazem acreditar que o carro é um SUV. Mas o desenho da lateral e a traseira saliente quebram essa impressão. O design tem uma certa classe, de carro inglês.


Tem personalidade e talvez por isso eu tenha dificuldade de enquadrá-lo em alguma categoria.



PK

Em Copenhague está acontecendo mais um encontro de líderes mundiais para estabelecer metas de emissões de gases do efeito estufa, dando continuidade aos encontros anteriores na Rio Eco 92 e em Kyoto, em 1997..
Aquecimento global é um assunto espinhento, que ninguém gostaria de tratar. Porém ele tem marcado sua presença, e virou assunto para tratados internacionais.
Diferente do que se possa pensar, o assunto não é novo. As primeiras evidências surgiram há mais de 50 anos, tomou fôlego na década de 70 com a exploração de Vênus, que possui um efeito estufa infernal, e pela aceleração sensível de seus efeitos a partir do começo dos anos 80.
Para a comunidade científica, as discussões sobre o assunto podem ser divididas em três conjuntos distintos.
- O aquecimento global é real?
Para os cientistas não há mais controvérsias. O assunto deixou de ser uma teoria para ser uma realidade.
Entre 2007 e 2008 foi realizado um esforço mundial entre pesquisadores e especialistas em clima do mundo todo, integrando dados e pesquisas das mais variadas fontes. O objetivo era concluir de uma vez por todas sua existência. Críticos da teoria foram especialmente convidados a participar. As análises preliminares destes dados já convenceram até os mais céticos.
- A humanidade é a responsável pelo aquecimento global?
Embora a maioria dos cientistas acredite nesta hipótese, ela ainda não é um consenso pleno.
- Podemos reverter o aquecimento global?
Aqui simplesmente não há qualquer tendência de consenso. Porém, mesmo os mais otimistas assumem que não será possível revertê-lo totalmente.
A razão para estas dúvidas é que ainda não há concordância entre os modelos climatológicos e os resultados práticos medidos. A grande maioria das previsões feitas apontam as tendências corretamente, porém falham por apresentarem datas e valores mais conservadores que os verificados na prática.
Apesar das dúvidas que ainda pairam sobre o assunto, os cientistas estão unidos em pedir medidas que barrem a crescente emissão de carbono para a atmosfera.
Um oncologista opera imediatamente um tumor recém-descoberto e manda com urgência o material para biópsia, ao invés de ficar esperando pra ver se o tumor atinge a metástase para dizer se ele é um câncer.
Da mesma forma, os cientistas não querem correr o risco de perder tempo precioso discutindo o assunto.
Um relatório do Pentágono de 2004 aponta para conflitos internacionais importantes, basicamente motivados por água, comida e energia, no caso de uma mudança climática brusca.
Um evento colocado em destaque pelo relatório aponta para o rápido derretimento das geleiras do Himalaia. O derretimento destas geleiras alimenta rios importantes para vários países populosos, como a China, a Índia e o Paquistão. O derretimento acelerado tem causado enchentes e vários outros prejuízos, mas algumas destas geleiras já foram reduzidas à metade, e no atual ritmo, desaparecem completamente até 2050. Porém a falta de água e o fracasso da agricultura deverá ocorrer em até 20 anos.
Um quarto da população mundial com sede e fome, pertencendo a três países de cultura beligerante e donos cada um de seu próprio arsenal nuclear é um convite para o desastre.


Geleira Gangotri, que alimenta o rio Ganges, e seus limites em mais de 200 anos.
E este é só um entre vários outros problemas previstos.
Não são só os cientistas e militares que estão pressionando. Quem paga as contas do aquecimento global também.
Pressiona o agricultor que perdeu safras em secas prolongadas regulares que antes não aconteciam, e pressiona a companhia de seguros que assegurou as safras do agricultor.
Pressiona o empresário que tem prejuízos regulares com enchentes cada vez maiores.
Pressiona a cidade turística baseada no esqui, e que vê as temporadas de neve cada vez mais curtas e a camada de neve cada vez mais fina.
Pressionam os cidadãos que tiveram perdas de bens e de familiares em catástrofes climáticas que vem se tornando mais fortes ano após ano.
Por fim, os próprios governos se mobilizam, forçados a destinar uma parcela cada vez maior dos seus orçamentos para reparar estragos que o aquecimento global trás agora e que não aconteciam há 20 anos.
Foi assim que o aquecimento global virou assunto de gabinete presidencial.
O assunto é indigesto, pois afeta diretamente nosso modo de vida.
Tecnologias precisam ser trocadas por outras mais “verdes”, o consumo deixa de ser desenfreado e passa a ser mais responsável, aumento da reciclagem de materiais, reduzindo o descarte de lixo para a natureza e posterior exploração de alguma jazida para fornecer material novo etc.
Não só é difícil de implementar todas estas transformações de uma hora para outra, como isso esbarra em muitos interesses há muito estabelecidos.
Assumir uma cota de emissões hoje é o mesmo que impor um limite ao crescimento econômico do país.
Copenhague, assim como outras reuniões anteriores, se tornou uma praça de guerra onde deveria ser um local de concórdia. Cada grupo de países defende uma menor obrigação para si e joga o resto da responsabilidade para os outros.
E o evento já caminha para terminar sem um tratado técnico de obrigações, mas sim para um documento de intenções meramente político. Um escandaloso desastre político internacional.
Ao lado do fórum principal, dentre os fóruns paralelos, um dos que mais chama a atenção é o referente aos automóveis. E lá há um consenso mais amplo e profundo que no fórum principal.
Por mais que os automóveis recebam dispositivos anti-poluentes, a emissão de carbono está associada à geração de energia nos motores a combustão, e não há forma de eliminá-la. No máximo, onde há um motor a combustão o que se pode fazer é otimizar seu funcionamento e seu perfil de uso.
Como isto está aquém das expectativas, há várias discussões sobre mudanças da plataforma tecnológica e fontes alternativas e renováveis de energia, como os biocombustíveis.
Na Europa, as emissões de muitos poluentes vem caindo substancialmente desde o começo dos anos 90, melhorando a qualidade do ar na região.
No entanto, desde 1997, os índices de poluentes particulados em suspensão e ozônio não tem mostrado melhoras, apesar da redução das emissões. Uma parcela significativa da população urbana européia vive exposta a níveis que ultrapassam os permitidos pela Comunidade Européia para proteção da saúde pública.
Estes poluentes estão em grande parte associados ao uso do automóvel, e geram discussões sobre que novas medidas restritivas deverão ser impostas a eles.
Como as intervenções técnicas nos automóveis não vem surtindo efeito, medidas restritivas de outra ordem deverão ser tomadas a curto prazo. As medidas mais discutidas são as de restrição ao uso urbano do automóvel.
Ao dificultar a circulação de veículos particulares em determinadas áreas das cidades, não só se alcança a redução dos índices de poluentes locais altamente nocivos, como reduz as emissões de gases do aquecimento global.
Pode-se esperar daí mais medidas como rodízios e pedágios urbanos em troca de mais transportes públicos pelas principais cidades do velho mundo.
Só nos Estados Unidos, os automóveis e veículos comerciais leves emitem 333 milhões de toneladas de CO2 ao ano, a quinta parte das emissões totais do país.
Comparado ao resto do mundo, as emissões de carros americanos são desproporcionalmente altas. Num país que tem 5% da população e 30% da frota mundiais, as emissões automotivas americanas representam 48% das emissões globais do setor.
Vários esforços vem sendo feitos nos Estados Unidos para lutar contra o aquecimento global, incluindo o corte de emissões dos automóveis.
Entre as medidas tomadas estão:
- Criar uma pressão de opinião pública sobre os fabricantes de automóveis para aderirem a uma política nacional contra o aquecimento global;
- Educar proprietários e motoristas sobre o que eles podem fazer para reduzir as emissões de seus carros;
- Explorar todos os meios para que todos alcancem uma maior eficiência do combustível, cortando a emissão de gases do efeito estufa.
Tal esforço já mostra resultados.
O presidente Obama prometeu no começo deste ano “colocar um milhão de carros híbridos com recarga de tomada até 2015”. Ele pressiona a indústria para produzir uma frota que ofereça um consumo de pelo menos 35,5 milhas por galão (15, 1 km/l) em 2016.
Dando continuidade a esta política, ele deve anunciar um acordo recente de cooperação com a China para o desenvolvimento de pesquisas e padrões para a produção de carros elétricos e híbridos.
A China pretende atingir o estado-da-arte nesta tecnologia, e o acordo com os Estados Unidos garantiria vantagens técnicas e comerciais neste caminho.
A indústria, sentindo a pressão pública e política, já conta com elétricos e híbridos como parte de seu futuro.
Em uma apresentação recente, o presidente executivo da Renault, Carlos Ghosn, disse esperar que os carros elétricos representem 10% do mercado mundial em 2020.
Mas o elétrico de autonomia estendida por motogerador Volt, da GM, e o elétrico Leaf, da Nissan, deverão estar nas concessionárias americanas entre 2010 e 2011, enquanto a Renault investe na construção de uma linha de montagem para oferecer dois modelos elétricos já em 2012.

GM Volt

Nissan Leaf

Há uma abundância de carros elétricos e híbridos sendo demonstrados em Copenhague.
Os ônibus convencionais que levam o público para a área da conferência são todos elétricos.

Ônibus público elétrico que serve o local da conferência.
Os delegados da conferência tem à disposição 60 Citroën C1 elétricos.
Estes carros são montados pela empresa inglesa ECC (Electric Car Corporation), e espera-se que 1.000 deles sejam vendidos na Dinamarca em 2010.

Citröen C1 Elétrico
A Honda também disponibilizou uma frota do modelo Insight para atender delegados, VIP's e jornalistas . O FCX Clarity com célula a combustível também está disponível.

Honda Insight


Honda FCX Clarity

A Renault também disponibilizou três modelos elétricos que os participantes poderão experimentar ao volante e avaliar o procedimento de recarga num posto especialmente construído.
Há também outros carros, elétricos e híbridos em demonstração da Peugeot, Mercedes-Benz, BMW, Volvo e Think.
Um comboio de carros elétricos de várias marcas e modelos partiu de Londres em direção a Copenhague para demonstrar publicamente a viabilidade da tecnologia atual.
Todos os fabricantes enfatizam a ideia de que o futuro não muito distante do automóvel está apoiado cada vez menos no petróleo e mais na eletricidade. E estão apostando alto nessa opção.
A conferência principal de Copenhague, ao que tudo indica, fracassará.
Mas lá governos e fabricantes demonstraram forte compromisso em modificar políticas e tecnologias para a redução da emissão de gases que causem o aquecimento global e que afetará os automóveis a curto, médio e longo prazos.


A dúvida acima foi motivo de acaloradas discussões esta semana entre alguns integrantes deste blog. Tudo porque Peter Egan, venerando ativo fixo da revista Road & Track, escreveu um artigo sobre o tema, onde acabava por deixar a decisão de fazer ou não a eutanásia nas mãos de sua esposa.

O carro em questão é (era?) um Jeep Grand Cherokee verde escuro, comprado novo pelo casal em 1995, com o V-8 de 5,2 litros. Aqui no magnífico país em que vivemos, uma rápida pesquisa indica que algo assim vale vinte e um mil reais, mas nos EUA... Numa amostra clara de como vivem os americanos, o carro valia praticamente nada.

Egan conta em sua coluna que em 2006, pensaram em vender, mas ninguém apareceu para pagar 2.500 dólares; desistiram. Ano seguinte, tentaram de novo por 1.500, sem sucesso. Em 2008, foram a uma concessionária Subaru interessados em um Forrester, ofereceram 500 dólares na troca.

Aí, este ano, apareceu o tal programa Cash for Clunkers, oferecendo 4.500 dólares para qualquer carro na troca por um novo. Exatamente NOVE vezes o que valia a Cherokee dos Egan, mas com um porém: o carro seria assassinado, e com requintes de crueldade. Drena-se o óleo e a água e acelera-se o motor até ele parar; o resto do carro é picado em pedacinhos. Morte violenta e dolorosa, sem volta. Egan achou isso um absurdo, e pensou muito no assunto, mas acabou lavando as mãos e deixando a decisão para a esposa, que afinal de contas, era a dona do carro.

Alguns companheiros de blog acharam que ele é um frouxo; outros um fraco, vendido e sem princípios. Outros poucos entenderam. Eu vejo da seguinte forma:

Se um carro meu, de uma hora para outra, valesse 9 vezes mais, sem negociação na loja, sem ter que ficar aturando idiotas achando amassadinhos, sem ter que anunciar, barganhar, conversar, explicar nada... Ah, eu matava ele bem matadinho.

Possivelmente matava até eu mesmo, se fosse tal coisa parte do programa (possivelmente para o poluidor expurgar o mal num ato de imolação automotiva, sei lá a lógica destes programas...), sem problema algum. Só o faria de forma mais gloriosa, colocando ele em primeira com um tijolo no acelerador, e ateando fogo no treco. O carro morreria, mas numa enorme bola de fogo visível da mesosfera, inesquecível. Eu sempre fui a favor de partir com um estrondo, sabem como é...

E não só carro de uso diário, coisa reles e irrelevante, mas qualquer carro. Para mim, basta pagarem nove vezes o seu valor, eu estou dentro. Se tivesse pago cem mil dólares em um 911 antigo, e ele de repente, por decreto governamental temporário, valesse 900 mil assassinado, eu seria o primeiro da fila do matadouro.

A gente gosta muito de carro, e por causa disso tende a esquecer um fato básico: carro é uma coisa, um objeto inanimado, algo que se pode comprar. É só um carro, pelamordedeus. Como diz o velho ditado popular, é como ônibus circular: perdeu esse, logo vem outro.

Sei que tem gente aqui que ainda tem o seu primeiro carro (o AG), gente que tem o carro do avô, que tem carro que foi reformado pelas suas próprias mãos, ou mesmo carros do qual existam apenas um exemplar vivo, coisas que não tem preço, e para estas pessoas tal coisa soa como um crime. Mas não é o meu caso.

E você? Na pele de Egan, o que faria?

Eu não tenho dúvidas: se o governo assim quiser, terei o maior prazer de trocar meu Maxima poluente, barulhento e grande demais por um reluzente carro novo e ecologicamente correto, reduzindo sobremaneira minhas pegadas carbônicas (seja lá o que signifique isso). Imagino assim, um Ford Focus novo, por exemplo... E pela módica quantia de 72 mil reais!

O tijolo, a lata de gasolina e o fósforo estão na mão...

MAO
Não dá mesmo mais para aguentar o bombardeio da propaganda enganosa da Caoa de que a Hyundai é a melhor do mundo. Uma chegada ao site da JD Power mostra que em Qualidade Geral a classificação mais alta está com Cadillac, Lexus e Porsche. A Hyundai está junto com a Honda, uma posição atrás. Veja:

Quality Ratings by Brand
Overall Quality

1. Lexus

2. Porsche

3. Cadillac

4. Hyundai

5. Honda


Não existe isso de "a melhor do mundo", está para quem quiser ver no link acima. Mesmo porque o estudo é restrito ao mercado americano e feito por uma consultoria de qualidade. Mesmo que abrangesse todos os mercados, a firma não é órgão mundial oficial.
Fale com seus amigos, dê-lhes o url (endereço na internet) do nosso blog.
Nada contra a marca sul-coreana, pelo contrário, são produtos agradáveis, eficientes e de qualidade, desejo-lhes todo o êxito. Mas é extremamente irritante ficar vendo essa mentira se repetir sem cessar, como se fôssemos todos uns bobos.
BS






Rageous: gíria para outrageous, muito ofensivo, imoral, chocante, inconvencional.
Poucas vezes um nome de carro foi tão forte. E poucas vezes um carro conceito ficou tão perfeito ao traduzir o seu nome em linhas de estilo, por dentro e por fora.
O carro assusta. Coisa de tirar Hummer da frente só de aparecer no retrovisor.
Essa criação do SVE da General Motors (Special Vehicle Engineering), departamento devidamente extinto pelas crises da outrora maior empresa do mundo, foi finalizado em 1997, e surpreendeu positivamente aqueles que viam a Pontiac como a marca de maior ousadia da GM.
A mecânica era convencional, e já provada pela organização. Motor V-8 de 350 polegadas cúbicas (5,7 litros), o LT1, com 315 cv a 5.400 rpm, câmbio manual de 6 marchas, suspensão dianteira do Firebird e  traseira do Corvette, freios a disco nas 4 rodas também do Corvette.
Esse pacote mecânico foi vestido por uma das mais belas carrocerias já vistas em carros que não chegaram ao estágio de produção, com a interessante versatilidade da traseira se abrindo como uma tampa de caçamba de pick-up, fechada por uma porta como de um carro hatch. O alvo seria os jovens ou nem tanto, praticantes de esportes que necessitam de equipamentos grandes, ou até mesmo pessoas que gostam do estilo esportivo mas precisam de um carro com espaço para bagagem de fácil acesso. Acima das saídas dos escapamentos, duas luzes para auxiliar na carga e descarga no escuro.

Idéia ótima, estilo ousado, mecânica pronta.
O que fez a Pontiac não o aprovar como carro a ser desenvolvido e vendido?
Difícil imaginar melhor oportunidade para chacoalhar o mercado, mostrar que a marca estava viva, forte e criativa. Vender e faturar.
Mas não deu certo, e o resultado 12 anos depois, foi o fim da divisão de performance da General Motors.
Uma pena.
JJ


Lendo o primeiro parágrafo do último post do MAO, não pude deixar de lembrar do filme "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange), de Stanley Kubrick, talvez um dos primeiros filmes a relatar com maestria um futuro pessimista, já no longínquo ano de 1971.

Ambientado numa futura Inglaterra sombria e decadente, o filme é protagonizado pelo jovem Alexander DeLarge (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de arruaceiros, fanático por Beethoven e ultraviolência. Após uma cena memorável, Alex e sua gangue fogem da polícia a bordo do Durango 95, uma espécie de superesportivo futurista capaz de chamar a atenção de qualquer entusiasta.

Pesquisando sobre o carro, descobri que trata-se do Probe 16, obra dos irmãos Dennis e Peter Adams, antigos empregados do fabricante inglês Marcos. O Saloma falou sobre ele uma vez, de modo que há pouco a acrescentar sobre a história do carro: apenas três unidades foram construídas, das quais apenas o segundo exemplar apresenta condições de rodar (o do colecionador canadense Phillip Karam).

Tudo indica que o primeiro exemplar (que supostamente havia sido destruído num incêndio) foi encontrado pelo blog Jalopnik e o terceiro apareceu no programa Top Gear há cerca de 5 anos, mas ninguém mais teve notícias desses carros. Realmente uma pena, considerando a importância histórica de um carro que causou frisson suficiente para conquistar o prêmio de melhor exercício de estilo no Salão de Londres de 1969.



Para quem aprecia a obra de Kubrick, vale a pena curtir o relato do delinquente Alex:

"O Durango 95 ronronava bem horrorshow, mandando uma vibração gostosa pras nossas entranhas. Logo havia só árvores e escuridão, irmãos, a escuridão do campo. Nós nos divertimos com outros viajantes noturnos, brincando de donos da estrada. Aí fomos para o oeste. O que queríamos, agora, era fazer a velha visita-surpresa. Era muito legal, bom pra rir e liberar a velha ultraviolência."

FB

Foi em 2003. A última noite do ano. Em uma praia em Vitória, Espírito Santo, para comemorar o ano novo. Lá na praia tinha um palco para artistas. Chegou um grupo ”cover” e tocaram a música ”Poeira”, de Yvete Sangalo, bem famosa naquela época. Só que esse grupo fez a música mais ”rock”, assim eu gostei bastante.

Alguns dias depois, dirigindo um Palio alugado até Salvador na BR-101, como em um videogame para não entrar nos buracos, escutei a música original no rádio algumas vezes. Pensei que “Poeira” parecia um pouco como Chimaera (quimera), um carro da TVR. Legal.

Em março de 2004 chegou um e-mail de um amigo na Inglaterra. Ele sabe bem que sou meio louco por bons sons de motores de carros e motos, e perguntou se eu não poderia ir à TVR em Blackpool para visitá-lo e também gravar alguns barulhos bons. Pensei que sim, por que não, e fui até lá, tomar cerveja estranha e gravar barulhos bacanas.

Mas pensei que um disco com só som dos TVR iria ser barulho demais. E lembrei da música "Poeira". Como não sei tocar nenhum instrumento, já que barulho de ferramentas não vale, como eu poderia fazer uma música assim? E como se pode ter permissão de fazer uma versão nova de uma música que já existe? Não é só roubar a música de alguém e colocar no CD, pelo menos não se faz assim nesta parte do mundo. Pensando mas um pouco sobre isso, já tinha muitas perguntas.

Comecei a tentar resolver isso, e a primeira pergunta, quem tem os direitos da música? Pesquisei bastante em vários sites e com vários telefonemas até para a EMI e BMG, ficou claro. Então, como eu poderia ter o direito de mudar as letras e gravar uma outra versão da música aqui (na Suécia)?

A resposta foi que eu precisava mostrar: a nova letra, nome do artista ou grupo, que tipo de CD vai ser, nome da empresa, quantos CDs que seriam fabricados. Simples. Para eles, não para mim.

Hmmm… o problema principal foi que eu não conhecia nenhum grupo de rock. Acabei telefonando para uma pessoa que eu escutei no rádio achando que ele fazia boa música. Com  grande surpresa, ele falou que sim, claro que ele poderia me ajudar. Verdade? Sim muito bom. Ok. Vou fazer a letra, e se tudo der certo ligo de novo.

Mandei todas informações para a empresa com o direito da música, demorou uns meses. A resposta foi, sim, você pode fazer isso. Hurray!

Liguei para o artista. Ele disse que ele não tinha tempo… puxa, o que eu vou fazer agora? Pesquisei outros. Perguntei para alguns que não eram profissionais. Um grupo tentou fazer algo mas ficou ruim, nada para colocar em um CD. Entrei em contato com outros cantores semi-famosos mas não deu certo. Sempre tinham uma desculpa ou problema. Demorou meses mas, no fim, encontrei alguns caras que se interessaram. Podemos chamar eles de “Back Seat Boys”. Pelo menos o cantor é meio famoso aqui na Suécia.

E o resultado? Abaixo a letra da música original e a minha versão do TVR na linha seguinte. E umas partes da música um pouco cortada (editada). Foi rock mesmo.

Como pensei aquela noite na praia ai no Brasil, alguns anos atrás.

Vou contar mais uma outra vez.

Sorte grande (Poeira)
Good Luck (Chimaera)
A minha sorte grande
It was a stroke good luck
Foi você cair do céu
Found outside my garage
Minha paixão verdadeira
That someone left a blue, Chimera
Viver a emoção
As no one was around then
Ganhar teu coração
Not a single fellow
Pra ser feliz a vida inteira
Nothing much to really fear, ah?
É lindo teu sorriso
Had to get inside it
O brilho dos teus olhos
Smelling all that leather
Meu anjo querubim
And a little gasoline
O doce do meu beijo
Firing up that vee-eight
Calor dos meus braços
Rumblin loud at idle
Perfume de jasmim
What a marvelous machine
Chegou no meu espaço
I took of feeling happy
Mandando no pedaço
Revving up the gears
Com amor que não é brincadeira
Good I didn't take that beer – ah
Pegou, me deu um laço
With a grin in my face
Dançou bem no compasso
Building up a good pace, in this
De prazer levantou poeira
Star mist blue, Chimera
Poeira, poeira, poeira
Chimera, Chimera, Chimera
Levantou poeira
Star mist blue Chimera
Uma parte da música está aqui.
HJ

A foto abaixo está na capa do jornal O Globo de hoje. Taipei, em Taiwan, tem 8,8 milhões de motos nas ruas.

E eu reclamo dos motoboys de São Paulo...
Desculpem-me, pois acho que a grande maioria por aqui gostaria que o assunto fosse relacionado ao Plymouth Duster. Mas não é!
É que hoje foram divulgadas fotos do novo Dacia Duster a ser produzido na Romênia e vendido em vários países do Leste Europeu, Oriente Médio e África em 2010. O "jipinho" é muito simpático e será lançado por aqui com a marca Renault em 2011.
Trata-se do sexto modelo da plataforma de baixo custo da Renault, a X90, que tem o Logan como principal modelo. Além do Logan sedã existem o Logan MCV, o Logan van, o Logan picape, e o Sandero que juntos venderam pouco mais que 500.000 unidades em vários países em 2008 e devem fechar 2009 com um volume bem próximo disso.



Mas por que eu estou aqui falando desse carrinho? Porque eu gostei dele, por várias razões.

Primeiro, gosto da estratégia da Renault com essa plataforma. São carros de baixo custo (não confundam com baixo preço), de construção moderna e mais simples facilitando a manutenção e os gastos com reparações. Vários modelos derivados (embora não tenhamos todos aqui no Brasil) com uso comum de grande parte dos componentes. Enfim, carros duráveis para atender as necessidades mais básicas de transporte e segurança de alguns grupos de clientes.



Também gostei do Duster por ser o primeiro concorrente direto do EcoSport. Como pode demorarem tanto para seguir a trilha de sucesso de um carrinho bem "mais ou menos" como o Eco!? E o bom é que aparentemente a Renault fez um carro melhor, ao menos em espaço, pois o carro é maior que o Ecosport e tem um porta-malas também maior.



Outra razão é que acho esse formato de "jipinho" e carroceria exclusiva muito mais honesto que esses aventureiros adaptados como CrossFox, Linha Adventure, o próprio Sandero Stepway etc, que cobram muito por apliques e penduricalhos.



E por fim, gostei muito do desenho do Duster. À exceção da grade dianteira, a qual acredito que a Renault mudará para a versão brasileira, o desenho é bem equilibrado e lembar um pouco a Pathfinder, da Nissan, do mesmo grupo, especialmente a traseira e as barras no teto. Apesar da altura mais elevada, o desenho da carroceria dá a impressão de um carro mais baixo e com o centro de gravidade melhor localizado, mais baixo que o do EcoSport. As rodas e pneus de grande diâmetro também melhoram muito o visual.

Bem, em termos de mercado acho que será um sucesso. Dizem que o mercado é soberano e ele que dita as ações dos fabricantes. Mentira! Caso contrário outros fabricantes já teriam feito seus EcoSport fighters há muito tempo considerando a adoração que mulheres e jovens tem por jipinhos. Isso ocorre desde a época do Daihatsu Terios. Por isso acredito que o Duster seja um grande sucesso de vendas e fará a Ford melhorar muito o EcoSport.

O Duster romeno tem uma versão 4x4. No entanto, aqui nas nossas bandas não precisamos dessa versão. O "mercado" gosta de altura elevada dos bancos (o famoso commanding view), altura elevada do solo (para superar enchentes, como diz a dondoca na propaganda do Tucson), e o formato mais descolado da carroceria tipo "jipinho". Basta ver o total fracasso do EcoSport 4WD. Os jipinhos são interessantes para os fabricantes, que conseguem cobrar bem (o tal do premium) pela visão de comando, altura extra do solo e design descolado. O povo paga bem mais por isso, e fica feliz! Apesar de eu gostar do Duster, não estou disposto a pagar mais do que ele custa.



Como o povo é "Maria vai com as outras", se esse Duster fosse da Hyundai, venderia umas 5.000 unidades por mês a um preço similar ao da EcoSport. Como é Renault, talvez consiga atingir a marca de 3.000 unidades por mês dependendo do posicionamento de preços. Isso se tiver a garantia de 3 anos.
De qualquer jeito a família de entrada da Renault me parece um grande acerto.





Meu trabalho para a revista Tempo, da Sky TV, seria acompanhar um rali de carros antigos na região de Bariloche, Argentina, o 1000 Millas Sport. É um rali oficial da FIVA – Federação Internacional de Veículos Antigos – constituído de três etapas e seria realizado entre 19 e 21 de novembro deste ano. Bárbaro!
Há tempos que eu queria fazer isso e a revista topou. Eu precisaria de um carro pra seguir o rali e pedi um à Toyota, que pronta e gentilmente colocou um Corolla à nossa disposição em Buenos Aires. Fiquei contente e torci para que fosse um com câmbio manual, já que eu pegaria boas estradas e teria que mandar a lenha para acompanhar carros esporte e se possível passá-los para os fotografar. Pra isso o câmbio manual é melhor.
Voamos, minha mulher e eu, para Buenos Aires e, no dia seguinte, fomos à agência da Toyota da Calle Libertador onde a Ximena simpaticamente nos recebeu e logo nos trouxe um Corolla de câmbio... manual! Uêba! Eu estava com sorte.
Dali pegamos a Ruta 5 e lenha para Santa Rosa, a capital da Província de La Pampa, distante 605 km de Buenos Aires. Tudo plano e retas longas, pista simples, pouco movimento, sendo que a maioria era caminhões, mas todos guiando muito bem e sem aprontar burrices. E nada de buracos. Na verdade, não vi um raio de um buraco nos 5 mil km que rodamos na Argentina. Creio que eles são provocados por meteoros e esses meteoros cismam de despencar no Brasil, vai saber, ou vai ver que buraco é sinal de progresso, já que dizem que o Brasil está economicamente melhor que a Argentina, apesar de eu achar que os hermanos chiam bastante mas vivem melhor que nosostros.
Não há radares na estrada, a não ser quando ela cruza alguma pequena cidade, algum pueblo, daí que é todo mundo que tem carro novo mandando a lenha, acima de 140 ou 150 km/h, sem problemas, sem acidentes, sem drama algum. Logo percebi que ATENÇÃO: eles dão um tremendo sinal de seta errado. Veja: numa pista simples, se um caminhão mais lento à sua frente der sinal de seta à esquerda, que aqui no Basil é sinal para você ficar na sua e não ultrapassá-lo porque vem gente no sentido contrário, pra eles é sinal para você passar!!! E o inverso ocorre quando for sinal para você não passar, ou seja, se ele der sinal com a seta da direita, não o passe, porque vem vindo gente do lado de lá. CUIDADO, portanto. Talvez essa mania tenha a ver com o fato de lá, antes da 2a Guerra, a mão das vias ter sido à inglesa, vai saber...
Só sei que é assim e é melhor não discutir, assim como é melhor deixar eles falarem que o Maradona foi melhor que o Pelé. Eu deixo eles falarem isso, mas em seguida pergunto quem foi esse tal de Maradona que eu nunca tinha ouvido falar. Aí eles ficam lascados e eu saio por cima. Acho errado o jeito deles, pois os caminhões, e mesmo você, acabam não dando sinal quando vão frear para entrar num posto de gasolina, por exemplo, pois poderiam estar avisando para não o ultrapassarem e aí bagunça tudo. De qualquer jeito, fique esperto se for guiar por ali.
Lá esse lance é ao contrário e boa. O melhor é não dar bola para esses sinais e nem usar o pisca-pisca. Logo me surpreendi com a pouca sede do Corolla, pois eu rodava acima de 150 km/h o tempo todo e com ar-condicionado ligado e o consumo ia por volta de 11 km/l, quando aqui no Brasil com essa nossa gasolina batizada de álcool ele não rodaria mais que 9 km/l. Fiquei encafifado, pois se isso for a realidade, quase todo o álcool (25%) que é adicionado à nossa gasolina é jogado fora. Um crime. Um crime de lesa-pátria. Vou checar isso e isso não vai ficar assim não. E tem outra, lá a gasolina custa o equivalente a R$ 1,35 o litro, apesar de eles importarem petróleo e aqui sobra gasolina de montão e a exportamos a uns R$ 0,60 o litro.
Outro crime de lesa-pátria. Mas vai ver que brasileiro é rico pra caramba e podemos arcar com esse besteirol de nossos governantes. Parece que os nossos governantes gostam demasiadamente de álcool. Aqui, na certa o preço da gasolina não abaixa para não quebrar o álcool, e nós, trouxas, pagamos por essa asneira. Mais alguns preços: metrô a R$ 0,55 e trem suburbano também. Pedágio, pouquíssimos, variando de R$ 0,50 a R$ 2,00. Táxi a um terço dos daqui, pelo menos, daí que há muitos táxis e muitos com passageiro, já que os usam mais. Ligações telefônicas a um quinto do custo das daqui.
Me senti explorado no meu próprio país, além de mais irado ainda quando vejo o povo daqui pagando um transporte público 5 vezes mais caro, além de pior. Todos os ônibus de Buenos Aires têm câmbio automático. Isso cansa muito menos o motorista e ele acaba dirigindo melhor, além do que esse câmbio dá menos tranco para os passageiros que vão em pé, principalmente as velhinhas, que ao subirem num buzum já colocam a dentadura na bolsa com medo dela sair voando pela janela. Já falei isso pessoalmente para nosso prefeito Kassab, mas ele, muito politicamente disse que mandaria ver se há um estudo a respeito. Na certa não há estudo algum, porque essa turma não está nem aí e eles têm mais o que fazer, ou seja, têm que, entre os cafezinhos, se divertirem bolando novos jeitos de nos arrancarem o couro.
O Corolla foi é muito bem. Só não gostei da direção excessivamente leve e rápida, além do pedal de freio excessivamente abrupto, sem progressividade, daí que esses três fatores nos deixam sempre de sobreaviso e nos cansam um pouco. Falta modulação nesses comandos e não aceito virem me dizer que eu, a Porsche, a Ferrari e a Alfa Romeo é que estamos errados.
O motor de 1,8 litro é elástico e bom de giro, cortando a 6 mil rpm, e é incrivelmente silencioso e suave. Bom, bom e bom. Suspensão excelente, macia e firme, e lá ele é um pouco mais baixo que aqui, já que não há a buraqueira daqui e só uma ou outra discreta lombada (nunca no meio de uma estrada, como há aqui, ótimas para provocar acidentes). Notei certa tendência dele em sofrer rear-lift quando acima dos 160 km/h. Veja, cruzamos um deserto que não é deserto, mas sim tundra, plano feito o pensamento de uma loira, onde uma reta tinha lá bem uns 200 ou 300 km. Retão de amarrar o volante com uma corda, feito navio antigo, e tirar uma soneca. Nessa reta cruzamos com uns 20 veículos, no máximo. A polícia local coloca uns carros amarfanhados em cima de tocos pro motorista medrar e ficar alerta, além de várias placas avisando: “Olhe, fique esperto, não durma, se tiver sono encoste e cochile”, etc, porque quem tem sono ao volante, o que não é o meu caso, dorme facinho.
Essas placas, assim como todas as outras, estão cravejadas de tiros. No Havaí colocam alvos abaixo das placas, já que não tem jeito e o chumbo voa. Daí que 160 km/h é normal numa estrada dessa. Minha mulher, que é bem calminha, quando tocava ia a 140 km/h e volta e meia dava bobeira e ia para os 150 km/h, e tudo bem. Nada de loucura. A 5ª marcha do Corolla achei um pouco curta para estrada, mas ela está certa, pois ela a 6.000 rpm atinge 190 ou 200 km/h, o que está mais do que bom para um sedã familiar de 4 cilindros.
Bancos bons e confortáveis, de boa ergonomia. Chegávamos de longas viagens sem quebradeira. No dia seguinte saímos de Santa Rosa, passamos por esse deserto tundra da tal reta infinita e passamos por Neuquén, capital da Província de mesmo nome, onde almoçamos feito dois jagunços chegados da refrega e depois de barrigas estufadas tocamos até Bariloche, e isso deu 990 km. Faltou 10 km pra inteirar os mil. Resumindo, foram 600 km num dia e 1.000 km no outro. Moleza pro Corolla, mesmo com um tremendo vento lateral que pegamos em metade da segunda estirada, um vento que calculo em uns 40 ou 50 km/h, um vento frio que corria dos Andes para o deserto, devido, calculo eu, ao ar que esquentava no deserto e subia, e nessas vinha o ar frio da cordilheira pra tomar o seu lugar – e nós de Corolla no meio dessa transumância toda de ar.
E tomem cuidado também com os “dinossáurios”, em especial com o argentinossáurio, que, segundo os argentinos, foi o maior dinossáurio que já viveu na face da Terra. Lá eles têm o maior anão do mundo também, que tem 2,10 metros de altura, mas uns 300 km antes de chegarmos a Bariloche vimos lá uma placona comida por uma enorme dentada de dinossauro e, apesar dos arrepios de temor da Vera, eu estava meio esquentado e parei o carro e fui todo macho procurar o raio desse bicho. Vai aí o filme do rolo que deu. Escapamos do bicho e seguimos a Bariloche. A uns 100 km de Bariloche a estrada entra por uma garganta e se espreme ao lado de um rio maravilhoso cor verde esmeralda, de águas límpidas e transparentes a ponto de vermos pedras e tocos lá no fundo; água gelada de doer.
O Sol já ia se pondo e os contrastes entre sombra e luz foram ficando cada vez mais marcantes e as silhuetas mais definidas. Álamos eretos formam cercas-vivas protegendo pequenos sítios estabelecidos nos baixios férteis da beira-rio. Gado gordo e cavalos de sangue Crioulo grossos feito troncos e, por já estarem no verão, seus pêlos ruços de inverno já haviam caído e sua nova pelagem viçosa brilhava de saúde. Cachorros peludos de monte. Todos soltos e felizes, muitos na caçamba das caminhonetes tomando vento na cara, inseparáveis de seus donos. Molecada de rosto corado e olhar vivo, curioso, roupas sujas o bastante para encantadoramente evidenciar a sua alegria e saúde.
Em Bariloche ficamos no Hotel Casita Suiza, um pequeno hotel e restaurante a três quadras do Centro Cívico, o centrinho da cidade, e que eu já havia ficado uns trinta anos atrás e que continua o mesmo bom e aconchegante hotelzinho com ótimo restaurante. Pagamos 95 reais, o casal, por noite, e o jantar para dois saía por uns 40 reais, e notem que o restaurante era gourmet. Barato, não?
O rali foi espetacular, 138 carros antigos, desde Bugatti tipo 37 original a Ferrari Daytona, mas, infelizmente, porém, justamente, a revista Tempo, da Sky, tem a exclusividade dessa matéria e não posso adiantar o assunto. Só sei que ainda não oficialmente passei a representar aqui o rali 1000 Millas Sport e tenho dicas para que a participação tenha custos mais reduzidos e creio que ano que vem monto uma barca de brasileiros autoentusiastas pra lá e quero ver quem é que tem peito que nem eu de encarar aquele dinossáurio ali.
Ah! Não sei quantos cv tem o Corolla, mas sei que anda muito bem e quem fala que anda pouco é porque não sabe guiar. Não sei quantos kgfm de torque ele tem, nem em que faixa está, mas sei que é muito elástico. O carro viajou meio vazio, leve, daí coloquei 30 libras de pressão na frente e 28 atrás, e assim ficou porque ficou bom, já que ele curvava direitinho, quase escorregando com as quatro, com pouca tendência de sair de frente, gostoso de curva. Um ótimo carro, pois, acima de tudo nos inspirou muita confiança e nos deu muito conforto, mesmo enfrentando temperaturas com extremos de frio e calor, além de vento e poeira. E gastou pouca gasolina.

Nossos sinceros agradecimentos à Toyota.