google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Não é de hoje que nós, fabricantes de carros esportivos, utilizamos do chavão "um carro de corrida para andar na rua" como argumento de venda ou de marketing promocional para identificar o tipo de carro a que se refere, algo bruto, rápido e "a experiência mais próxima possível de um carro de corrida".


Mas nos anos 70 um caso contrariou essa regra. Ele não foi comercializado, mas, esse sim, era um carro de corrida para andar na rua. E ao melhor estilo possível.


Gregorio Rossi era um desmiolado que apreciava as corridas de endurance, o campeonato tão ou mais famoso que a Fórmula 1 naquela época. Não por acaso, fundou a Martini Racing, uma das mais famosas equipes de todos os tempos, e seu nome em Le Mans era feito pelo Porsche 917K.


O 917 de Rossi foi o chassi número 030, que ao que tudo indica, correu uma vez apenas, nos 1000 Quilômetros de Zeltweg com a famosa pintura da Martini Racing e número 28, antes de ser modificado para uso urbano pela própria Porsche. Durante esse trabalho entre carro de corrida e carro de rua, o 030 foi o carro eleito para testar o novo sistema de freios com ABS da Porsche, desenvolvido secretamente para não despertar o interesse dos concorrentes.


Para ser legalizado, o carro recebeu espelhos retrovisores, um escape com abafador e um pouco de luxos no interior, como um banco forrado, por exemplo. O motor era exatamente o mesmo do modelo de corrida, o flat-12 de 650 cv com injeção Bosch. Com a homologação na Europa feita, o 917 foi levado para os Estados Unidos, onde foi homologado também no estado do Alabama, mas era mais usado na Europa.


Esse sim, era um carro de corrida para andar na rua. E andar rápido, com estilo.
Vale a pena ler o editorial  do Fabrício Samahá, editor do Best Cars Web Site, sobre os procedimentos não éticos do importador Hyundai para o Brasil, a Caoa. O consumidor deve ficar atento para não ser enganado. O editorial foi publicado na sexta-feira 21/11.
BS
No final de semana passado fiquei montando uns motores aqui e para fazer isso de forma adequada, tive que antes de iniciar a montagem, fazer uma sessão limpeza. Me lembrei do post das ferramentas e resolvi mandar esse hoje, com uma dica bem simples de uma ferramenta não especifica, barata, facil de usar que faz seu trabalho bem até demais: escovas metalicas para limpar armas de fogo. Podem ser compradas em qualquer loja de caça e pesca, a preços módicos e sem entraves burocráticos. Estão disponíveis em vários comprimentos e com as cerdas de limpeza em alguns diâmetros, cada um adequado a um tipo de limpeza.

Para limpar os furos de lubrificação no bloco, virabrequim, cabeçotes é apenas perfeito. Use como seu bom ajudante um pouco de gasolina, querosene ou thinner e o resultado vai ser dos melhores.



Elas estão disponíveis com cerdas metalicas, de nylon, orgânicas e com feltro. Na nossa aplicação as mais adequadas são as metalicas e as de nylon. A imagem do kit de limpeza é meramente ilustrativa. O solvente para armas é muito mais que o necessário.



Era exatamente dessa cor o novo VW Fox apresentado à imprensa recentemente, em Brasília: branca., pura, sólida.
Para os mais atentos, é o começo de uma nova era, a que marca o fim do domínio absoluto da dupla preto-prata em São Paulo, centro da uma região metropolitana que, sozinha, representa 20% do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves.
Até bem pouco tempo seria inimaginável um fabricante apresentar um novo modelo na cor branca.
Prestando atenção no trânsito, vê-se também que a citada dupla já perdeu a força que tinha há algum tempo, coisa de um ano, um ano e meio para cá.
Gosto precisa ser respeitado, mas que a coisa estava exagerada, estava. Em qualquer estacionamento ou garagem de prédio de apartamentos ou de salas de escritórios o visual era um lúgubre mar preto-prata. Felizmente passou a onda.
O processo é complicado. O concessionário só pede carro preto e prata porque sabe que vende bem, não mica no estoque. O comprador sabe que se fizer questão de cor que não essas duas, vai esperar um bocado. De qualquer maneira, mesmo não levando a cor que queria, ele sabe que ficará mais fácil trocar de carro, pois a cor que teve de levar é "boa". Está formado um círculo vicioso.
Mas como nada é para sempre, as pessoas de São Paulo estão descobrindo que a vida não é preto e prata. Bom pra todo mundo, uma espécie de la vie en rose. Visual festivo ajuda a enfrentar melhor o dia a dia.
BS
O sucesso do Ford Thunderbird nos anos 50 gerou um filhote alemão. A Auto Union, que precisava aumentar suas vendas, preparou um baby Thunderbird popular DKW. Porém, no seu lançamento em 1958 foi adotada a marca Auto Union, de maior prestígio. Nasceu o 1000 Sp (Sport).

O modelo das fotos é um 1960, do Eduardo Pessoa de Mello. As fotos foram feitas para a Car and Driver, assim como o texto do Arnaldo Keller. Infelizmente nesse dia não tive como dirigir o Sp.
A linhas do carrinho são atraentes mas de certa forma não ficam tão bonitas num carro pequeno. É estranho ver esses rabos de peixe num modelo alemão. Um detalhe que gosto é o recorte dos para-lamas traseiros encobrindo parte das rodas.

Quem tiver interesse de saber a história completa pode dar uma olhada no link: Auto Union 1000 Sp 1960.


O T603, fabricado pela Tatra até 1975


No Salão de Los Angeles de 2007, a empresa francesa Faurecia Interiores apresentou algo inédito. A modernização de um carro de projeto antigo, o Tatra 603, um carro checo de motor V-8 traseiro refrigerado a ar, que faz a alegria de quem gosta de carros diferentes.


O V-8 refrigerado a ar.
foto: Wikimedia


O carro usado para o trabalho foi fabricado em 1973, e todas as áreas onde a Faurecia Interiores atua foram alvo de criação de novos componentes. Isto abrange painel de instrumentos e de acabamento de portas, bancos, todos os revestimentos internos conhecido popularmente como tapeçaria e as tão importantes coberturas de airbags, peças pouco notadas pelo consumidor, mas que requerem muitas horas de trabalho para serem aprovadas e consideradas seguras.


As modificações foram extensas, inclusive alterando a estrutura do carro, como podemos ver pela coluna "B" (central) removida. Além disso, as portas traseiras passaram a ser do tipo suicídio, abrindo para trás. A coluna "C" foi deslocada 100 mm para trás.

A aparência é espetacular. Um carro de design antigo, apesar de bastante moderno para a época em que foi lançado (1956), com todo um interior de moderna tecnologia, inclusive com itens ainda e serem adotados em produção, como o apoio de braço da porta regulável, tanto manualmente como por assistência elétrica. O assento do banco do motorista sobe quando se abre a porta, facilitando entrada e saída.



Apesar de não ser novidade, o assoalho móvel, tipo gaveta, do porta-malas (onde está o motor no carro original), que facilita muito a movimentação de bagagens, foi incluído nesse carro, fruto de um trabalho muito bacana de um tipo de empresa conhecido como sistemista, que tem como característica auxiliar as fábricas de automóveis com projetos completos, desafogando os departamentos de engenharia dos fabricantes.
JJ

Ao que a olhos de muitos parecia impossível, aconteceu. Ontem o Conselho da VW autorizou a integração da Porsche, que passará a ser sua décima marca. Um passo adiante do acordo selado em 23 de julho deste ano, que levou o cargo do Sr. Wendelin Wiedeking, CEO e Holger Haerter, o seu braço direito, diretor financeiro, juntos. Vejam os detalhes dessa complexa operação financeira e seu conseqüente desastre, no texto do Marco Molazzano. Maiores detalhes dos possíveis desdobramentos familiares, junto com parte histórica da empresa, virão do MAO, mais adiante.


Esse talvez tenha sido o maior revés na história da Porsche, que é a perda da independência como companhia, a despeito dos press-releases apontarem que a autonomia permanece (a-hã...). Ironia do destino, até poucos meses antes, a empresa acumulara caixa suficiente para comprar não só a sua independência, como também para "comprar a independência" da VW de qualquer tentativa de aquisição hostil no mercado acionário alemão. Aliás, essa foi a alegação oficial, quando aportou 3,243 bilhões em ações ordinárias da VW em 25/09/2005 (astronômicos R$ 8,855 bilhões!!!). Seguiu aportando com seus lucros operacionais, mais compras de ações da VW... Obviamente havia por trás dessa ação, nada ordinária, e das que se seguiram, muito mais interesses envolvidos, como veremos mais adiante.


Ferry Porsche (centro), o Prof. Ferdinand Porsche (dir.) e o Porsche 356 nº1. Eles jamais imaginariam que sua empresa fosse depender de SUVs. À esquerda, Erwin Kommenda, o aerodinamicista.



A história da Porsche, nos seus sessenta e um anos como companhia, já tivera outros percalços. Da outrora pequena fabricante de carros esportivos, teve no modelo 911 e suas variantes o carro-chefe de vendas por quatro décadas, cedo perceberam que somente uma família de produtos não seria suficiente para assegurar um futuro estável, no longo prazo, capaz de dar-lhe saúde financeira suficiente para enfrentar as oscilações dos mercados, novos concorrentes e, ao mesmo tempo, seguir satisfazendo os seus clientes, em lhes oferecendo o topo de tecnologia em automóveis esportivos, superlativos em performance, refino técnico, capazes de servir como carros de pista e de uso diário ao mesmo tempo.





O Porsche 356/1, em cores

As lições tiradas desses percalços, fossem originados de quedas de vendas causadas por ciclos econômicos, como dos insucessos mercadológicos de outros produtos não menos memoráveis, com os 914/924, 944, 928, fizeram da empresa mais rigorosa em seu planejamento estratégico e deram-lhe a obrigação de crescer.



Da última crise, no início da década de 90, linhas de produtos adicionais foram criadas, desta vez, mais bem-sucedidas. O Boxster, lançado em 1996 e celebrado por seus dotes dinâmicos mais equilibrados que o 911, foi posicionado como o Porsche de "entrada", começando em US$ 48 mil (MSRP EUA, ou Manufacturer Suggested Retail Price), a faixa de preço menor lhe rendendo uma competição muito mais acirrada, ou seja, menos preço não trouxe maiores volumes mas, sim, margens menores. Em 2002 veio o Cayenne, que não só torceu o nariz de muitos entusiastas e admiradores da marca, como também, mais tarde, ocupou a posição de "champion mix", desbancou o 911 em volume de produção (tabela abaixo). Os novos produtos não se limitaram a buscar mais compradores de carro de corrida de rua de menor poder aquisitivo, como também com outras preferências.
Um Cayenne V-6, 293 cv para quase 2 toneladas, tem aceleração de zero a 100 km/h em quase 8 segundos, fica atrás de uma infinidade de carros não esportivos. Seu preço de US$ 45.500 (MSRP EUA) foi situado abaixo do Porsche de entrada, o Boxster, e essa configuração ficou com quase 50% do mix de produção do Cayenne. Seguramente, o direcionamento de produto deixara de ser performance Premium em segmentos Premium e volume de vendas passara a ganhar uma importância impensável para os que começaram a Porsche e insuportável para uma legião de fãs e até a funcionários graduados da casa.


Porsche Cayenne V-6 em uso menos nobre para um esportivo

No exercício fiscal 2007/08 (começa em 1º de agosto e termina em 31 de julho do ano subsequente, vejam relatório no link), a Porsche superou os 105.000 carros produzidos. Foram 48.497 Cayenne, 34.303 ex-carros chefes 911 e 22.356 Boxster/Cayman. O relatório também aponta um lucro operacional recorde e um não operacional exorbitante, aliás, a peça-chave para concluírem seus objetivos de compra da VW, que o MM explicou. Faltou um pelo para conseguirem.



Há disponível no site da empresa o relatório de junho deste ano (link jun’09), antes da fatal virada de mesa, eles tratando a VW como uma de suas marcas, a Scania também, inacreditável. Mas já apontavam a queda nos seus mercados e que tombo! Vendas em euros, -15%, Cayenne, -25,1%, 911s -18,2%, Boxster/Cayman, -46,7%! EUA e Alemanha, que respondiam por quase 50% de suas vendas, haviam caído 30,1% e 18,7% respectivamente. Números dos primeiros nove meses do exercício fiscal 2008/09, comparados com mesmo período 2007/08. Um verdadeiro chute nas suas pretensões e no pau da barraca.
Pensemos bem, como se estivéssemos trabalhando na empresa, quem em sã consciência, se veria capaz de convencer o "board" a voltar a fazer somente carros esportivos, aliás, ainda o seu core business, que está não só em seu DNA como no seu nome? Mais um pouco a divisão financeira ganharia proporções semelhantes a bancos que se especializaram em trabalhar com capitais especulativos... E que foram considerados chaves no mal econômico que afligiu o mundo a partir de setembro de 2008. A riqueza gerada por especulação de capitais de risco não pode ser considerada gerada, mas transferida, está tirando de alguém, ou milhões de alguens, mesmo assim irresistível para muitos, até para a Porsche... Muito se escreveu sobre o futuro possível da agora décima divisão da VW.
Considero a maioria do que li mera especulação verbal, há boas informações de insiders, mas desconhecemos o que ficou do lado de dentro, como farão para reverter a encrenca que se meteram e o que estão tentando. O que podemos estimar, com grande chance de acerto, é que, como típico fabricante de automóveis alemão e estes especificamente dignos da marca que carregam por seis décadas, seguirão se esmerando em fazer produtos de elevado refino técnico. A linha Cayenne será renovada; os 911 seguirão evoluindo após ultrapassarem a perfeição que faz tempo; Boxster/Cayman também. Perfeccionismo seguirá sendo sua missão e valor principal.



O Panamera começou sua produção no último semestre, as estimativas de vendas ficam na casa das 20 mil unidades anuais. O bom do Panamera é que não há nenhum V-6 ou 4-cil. para ele, por enquanto... Ou seja, aparentemente, esta nova linha de produtos está direcionada a fazer Porsches de verdade, com somente um pouco mais de espaço para pernas aos ocupantes do banco traseiro. Nada mau.

CZ

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Análise Marco Molazzano

Vinte e cinco de setembro de 2005. A Porsche começa a comprar ações da VW. O preço de mercado é cerca de € 41. Quando ultrapassa 30% de participação, em abril de 2007, é obrigada a fazer uma oferta pelas outras ações da VW. Aparentemente mera burocracia e o discurso é que a Porsche gostaria de proteger a VW de uma compra hostil (hostile takeover) por um fabricante ou fundo de investimento estrangeiro. A oferta não é aceita por ninguém e a Porsche mantém seus 30%.

A Porsche começa a levantar enormes empréstimos pra fazer essa operação e as próximas.
Rápida explicação: o Estado da Baixa Saxônia (o Estado alemão onde fica a sede da VW) possui 20% das ações da VW desde 1940. Na Alemanha, a lei diz que uma empresa assume controle total de outra quando ultrapassa 75%, através de um contrato específico. Esse contrato, denominado Contrato de Controle e Transferência de Ganhos e Perdas (Domination and Profit and Loss Transfer), dá acesso ao controle financeiro da empresa. Nesse Estado alemão, existe uma lei (chamada de Lei VW) que exige mais de 80% para que isso ocorra. Obviamente dá a proteção desejada devido aos 20% que são propriedade do Estado local.

Note, uma coisa é ter mais de 50% e ter poder pra trocar diretores e influenciar a empresa no longo prazo. Outra é acessar TUDO, inclusive o caixa da empresa. Nessa situação, os
10 bilhões do caixa da VW eram a jóia da coroa. Voltando à operação, em março de 2008 o Conselho de Administração da Porsche autoriza sua divisão financeira a aumentar a participação para mais de 50%. Começa a parte mais engenhosa da operação. A Porsche não comprou apenas ações no mercado à vista, mas fez vários contratos de opções com bancos e fundos hedge (equivalente aos nossos multimercados). Nesses contratos, ela fixava preço e data de exercício, mas ainda exigia que se votasse conforme suas intenções caso isso fosse necessário.

Ou seja, ela não aparecia como virtual controladora para quem olhasse de fora, mas em um certo momento as ações seriam dela, a um preço já fixado.
Em outubro de 2008 (quando estourou a atual crise global), a Porsche declarou que tinha ações ou opções de ações que somavam 74% da VW. O preço das ações da VW ultrapassa € 1.005 (note, era € 41 no começo desta operação). Por 1 dia, a VW foi a empresa mais valiosa do mundo (é a 14ª em condições normais), posto normalmente ocupado por uma das gigantescas empresas petrolíferas Exxon ou Shell. A Porsche divulga um balanço anual digno de um banco de investimento. Lucro de 1 bilhão do negócio de vendas de carros e 6 bilhões de lucros financeiros.

Muito se discute que os contratos que a Porsche fez com vários bancos e fundos do mercado levou-os a comprar ações na Bolsa alemã, para se proteger em caso de aumento de preços. Oras, 20% nunca são negociados (do Estado), A Porsche possui algo entre 30% e 49% (ela só precisa divulgar ao ultrapassar 50%), pouco sobrou no mercado, principalmente porque a ação continuava a subir sem motivo real pra isso, com a crise global já detonada! Acusações de manipulação de mercado começam, principalmente porque muitos apostavam que a ação da VW deveria cair, como TUDO estava caindo no mundo àquela época.


Em janeiro de 2009 a Porsche declara que possui 50,8% das ações da VW e começam a divulgar que ela é a nova controladora da empresa. Ela já havia entrado com uma ação em um tribunal europeu contra a tal Lei VW já imaginando alcançar 75% em breve (a lei, de fato, caiu pouco depois, pois um Estado não tem poder de fazer uma lei que conflite com uma lei federal, neste caso, as leis da comunidade européia). Nesse momento, o nível de empréstimos seria brutal e os 10 bilhões de caixa da VW seriam cruciais para desmontar toda essa operação. Um mega investidor do Qatar é envolvido pra garantir o empréstimo que falta para concluir a operação. Chegam a divulgar, em março de 2009, que possuem mais
10 bilhões em empréstimos garantidos para comprar mais ações da VW.

Mas a história não era bem essa. Os bancos começaram a exigir o pagamento dos empréstimos dados à Porsche devido à crise e falta de liquidez global. A Porsche inicia conversas com a VW para uma fusão, ao invés de compra. Mas reuniões entre executivos da Porsche e VW não evoluem. A postura dos executivos da Porsche é de quem já ganhou a guerra e chegam a causar revolta no pessoal da VW.
Finalmente as conversas cessam e até o investidor do Qatar agora está alinhado com a VW de Piëch e faz uma oferta pelas ações da VW que a Porsche possui.

Em 23 de julho, o CEO e o CFO (presidente executivo e diretor financeiro) da Porsche caem. A Porsche anuncia um balanço igualmente ínédito, com perdas financeiras de
6,6 bilhões (vem fácil, vai fácil). Hoje a VW controla a Porsche, já divulga planos de mudanças em várias linhas de carros para o futuro... E as ações voltaram a valer razoáveis € 95. Mas no mínimo é interessante notar que que Piëch, neto de Ferdinand Porsche, fez carreira na VW, pois nenhum membro desse lado da família trabalha mais na empresa do avô (apesar de manter ações da Porsche). E agora Piëch controla ambas...

MM

Relatório financial performance link 07/08


Celso Pitta (1946-2009)
Foi ele. Deve ter ficado de olho grande com o rodízio ambiental  imposto pela Cetesb em 1996/1997/1998 na região da Grande São Paulo, de maio a setembro, das 7h00 às 20h00, e resolveu fazer o dele, o do município. Mandou o projeto de lei para a Câmara Municipal, onde os vereadores lambe-sacos aprovaram-no sem pestanejar. Estava dada a autorização para o Executivo implementar  a "Operação Horário de Pico", nome que sugere suprema gozação. Quando mais se precisa do carro, não se pode usá-lo. A "Operação" objetivou reduzir congestionamentos...Na época o presidente da CET, Nelson Maluf El-Hage, disse que o rodízio não traria problemas para a população. Era só as pessoas mudarem seus horários! Essa eu ouvi no rádio.
Se existe Comissão de Constituição e Justiça na Câmara de Vereadores, o livro das regras nem aberto foi. Aos municípios compete restringir a circulação somente quando se tratar de reduzr a emissão global de poluentes. Está no Código de Trânsito Brasileiro, lei federal n° 9.503 de 23/9/97, no art. 24 inciso XVI. Antes de o rodízio ser criado não houve nenhum alerta ambiental que requeresse redução de tráfego (tampouco no rodízio da Cetesb, totalmente desnecessário também; tanto que acabou em 1998).
Quando o vivaldino do Celso Pitta inventou o rodízio, a frota paulistana era de 3,5 milhões de veículos. Hoje é de 6,5 milhões -- e o esquema do rodizío permance intocado com apenas 20% de vias a mais, se tanto. Algo não bate, evidentemente.
O que bate, isso sim, são as moedas caindo aos borbotões nos cofres da prefeitura de São Paulo. É o maior faturamento com multas no município. Não admira que Marta "Martaxa" Suplicy o tenha mantido, o mesmo fazendo a locupletada dupla José "Fujão" (para o Chile) Serra/Gilberto "Taxab" Kassab. São 12 anos de vergonha para os paulistanos. Como devem rir de nós, os bobos do Brasil, nas outras cidades.
Entre no site WebMotors e veja os anúncios de carros. O final da placa é sempre informado. Este dígito pode atrapalhar um negócio, pois o "rodiziomóvel" é um fato consolidado entre nós. Não existe nada mais ridículo.
A inconveniência do rodízio fala por si só. Imagine o cidadão que viajou e deixou o carro no aeroporto. Na viagem de volta o voo atrasou e chegou no horário proibido do carro. Solução: deixar o carro e buscá-lo mais tarde. Se o aeroporto for o de Cumbica e o cara morar em Santo Amaro...
Ou então o sujeito atravessou a cidade para chegar ao trabalho, uma hora mais cedo por causa do rodízio, e em seguida a mulher liga para ele vir para casa correndo porque o filho se machucou. Ou o chefe manda ele fazer alguma coisa de caráter profissional após as 17 horas e o carro está no dia proibido.
Não dá. Isso é espelho da insegurança jurídico-legislativa por que estamos passando e que pelo andar da carruagem só tende a piorar.
Por tudo isso, o inventor do rodízio já vai tarde. Pode ser um pensamento desumano, mas ninguém tem o direito de prejudicar a vida de milhões de pessoas e ficar por isso mesmo.
BS

Um marronzinho, fiscal de São Paulo, brincando de polícia

Esta semana o Superior Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais determinou que a BHTRANS, congênere da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da capital paulista, não pode multar. O motivo está bem explicado pelo advogado Sérgio Jacob Braga: "A BHTRANS, empresa responsável pela fiscalização do trânsito em Belo Horizonte/MG, é uma sociedade de economia mista, instituída sob a forma de Sociedade por Ações, cuja função social é a persecução do lucro, sendo equiparada por força constitucional a uma empresa privada, não podendo, portanto, exercer o poder de polícia, próprio da administração pública direta, por meio dos órgãos e das entidades de direito público interno."
É tudo bastante claro, só não vê quem não quer. Pode ser indício de que a farra de fiscal multar, inclusive tais "companhias" saírem instalando detetor de velocidade com leitor de placas (para faturar com o rodízio, no caso de São Paulo) por aí alucinadamente, pode estar terminando. A decisão da justiça mineira cria uma importante e inequívoca jurisprudência.
Agora, o porquê de toda essa confusão é digno da série televisiva "Acredite se quiser", apresentada pelo grande ator Jack Palance (1919-2006). Os "brilhantes" constituintes de 1988 acertadamente municipalizaram o trânsito, mas proibiram a polícia municipal. Nesse nível de administração só vale guarda civil, assim mesmo com a única missão de proteger o patrimônio público.
Um Departamento de Polícia de São Paulo, à semelhança do que se vê nos filmes, como NYPD, LAPD (New York, Los Angeles -- Police Department) pintado nas portas dos Crown Victorias, foi barrado pelas nossas incapazes mentes lá na Ilha da Fantasia.
Enquanto não for aprovado um Projeto de Emenda Constitucional criando a figura da polícia municipal, o jeito é as polícias militar e civil se encarregarem do trânsito. Garanto que será muito melhor do que esses fiscais bancando polícia, um poder que não têm.
BS

Esqueçam um pouco dos carros berrantes e vermelhos de Maranello, com a habitual e enjoativa ópera dramática que os propagandistas criaram, afirmando que o 458 Italia é o supra sumo da tecnologia, beleza e esportividade. Mesmo que seja verdade para muitos.
Vejam o carro criado na Ilha dos Entusiastas, a Inglaterra, o lugar onde há mais malucos por metro quadrado de todo planeta. Muitos deles trabalham nessa empresa, e explicam um pouco sobre o resultado de muito entusiasmo por carros.
Eu gostei bastante.
JJ

A divisão Oldsmobile foi, junto com a Cadillac, a primeira a selar a configuração do hoje clássico V-8 americano: câmara de combustão triangular em seção (wedge), válvulas no cabeçote acionadas por varetas  e balancins a partir de comando único no vale do "V", e a alta taxa de compressão tornada possível pela melhoria da gasolina no pós-segunda guerra.

Corria o ano de 1949, e o Oldsmobile Rocket 88 se tornava uma das fábulas americanas de velocidade. Naquela época, cada divisão da GM tinha seus próprios motores e engenharia, e a diversidade imperava. O primeiro motor de série turbocomprimido foi um Olds, o Jetfire V-8 de 1962 (duas semanas antes do Corvair), cujo motor básico era o V-8 de alumínio de 3,5 litros da Buick. Para diminuir a detonação, este motor precisava que uma mistura de álcool e água (que ficava armazenada num tanquinho) fosse injetada na admissão. O fluido era vendido nas concessionárias Oldsmobile com o genial nome de “Turbo-Rocket fuel”.


Mas o mundo mudou, e hoje a GM tem apenas motores GM, que são usados indiscriminadamente por todas as divisões. Na verdade, a divisão Oldsmobile inteira tomou o caminho do Dodô, e está extinta desde 2004.

O último motor que levou seu nome, porém, foi um longevo quatro em linha que até hoje permanece vivo, se não na produção seriada, pelo menos nas mãos hábeis dos hot rodders americanos.

O Quad4 foi lançado em 1987, com a promessa de ser uma nova era moderna nos motores "pequenos" da General Motors; finalmente um concorrente à altura dos japoneses, cheios de comandos, válvulas e eletrônica embarcada. Deslocando 2,3 litros a partir de um diâmetro de 92 mm e um curso de 85 mm, com bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio, contava com duplo comando de válvulas no cabeçote, quatro válvulas por cilindro, e vela de ignição central. Inicialmente tinha versões em 150 e 180 cv, e estava planejada uma versão Quad OHC, de comando único e duas válvulas por cilindro, para substituir o venerando Tech 4 (que derivou do Opala 4 cilindros). O Quad OHC chegou a ser produzido entre 1992 e 1994, mas teve pouco sucesso.


Para lançar o motor, e demonstrar todo seu potencial, a Oldsmobile preparou algo sensacional: o Olds Aerotech (acima). Essencialmente um chassi de Fórmula Indy (March) vestido com uma incrivelmente aerodinâmica carroceria de plástico reforçado com fibra de carbono (CRP) desenvolvida pelos estúdios de design da GM, o Aerotech contava com um Quad4 turbocomprimido como propulsor, e visava bater vários recordes de velocidade.


Na verdade, eram dois carros diferentes. Um, de "rabo curto" (ST, short tail) era equipado com um Quad4 com apenas um turbocompressor, e algo em torno de 900 cv. A versão LT ("rabo longo"), tinha dois turbocompressores e mais de 1.000 cv. Três carros foram produzidos, dois ST e um LT. Em agosto de 1987, em Fort Stockton, no Texas, A.J. Foyt bateu o recorde de velocidade em pista à velocidade de 413,8 km/h. No mesmo dia foi batido o recorde da milha lançada, a 431 km/h, e AJ conseguiu chegar a velocidades acima de 470 km/h nas retas!


Logo depois do lançamento, o motor foi julgado como extremamente vibrador pela imprensa automobilística, mas potente e econômico. Apesar disso, foi produzido em grandes quantidades e equipou vários carros da GM, dentre eles o Chevrolet Beretta LTZ, Olds Calais, Pontiac Grand Am e Grand Prix etc.


Entre 1991 e 1993, uma versão ainda mais potente, de 190 cv, chamada de W41, equipou uma nova versão do Oldsmobile 442, e o Achieva SCX. Este motor permanece o mais potente quatro-cilindros  de aspiração normal da GM. Em 1996, recebe árvores contra-rotativas para resolver os problemas de vibração, e o motor finalmente recebe aprovação geral. O fato de tal solução ter demorado praticamente 10 anos para aparecer coloca em perspectivas os problemas do General naquele tempo. O nome muda para Twincam, no caminho de se tornar um motor genérico da GM, e não mais um Oldsmobile, e assim permanece até 2001, quando é substituido pelos novos Ecotec, derivados de desenhos Opel.

Alguns apontam o V-8 Aurora como sendo o último Oldsmobile, mas este na verdade não passa de uma versão do Cadillac Northstar, engendrado por marketeiros que queriam transformar a Oldsmobile numa nova marca chamada Aurora. Ainda bem que a divisão faleceu logo depois, sem sofrer tal sacrilégio.

Assim acabaria a história deste motor, se não fossem os hot rodders, que descobriram que um Quad4, que é abundante e barato em ferro-velhos americanos, pode ficar, com um pouco de carinho e cuidado, muito parecido visualmente a um clássico Offenhauser, motor derivado de um Miller de 1920 que dominou as competições de Indianápolis até quase a década de 80. Uma pequena mais fiel subcultura começou a adaptá-los em Fords do pré-guerra, e hoje existem inclusive empresas como a Quad 4 Rods que produz tudo que você precisa para adaptar um motor desses em aplicações longitudinais (que nunca houveram originalmente). E tem gente que aproveitou a facilidade para montá-lo até em MGB's!


Eu adoro que isto tenha acontecido; Hot Rods com um Rocket V8 são raros, mas não por causa disso as gerações futuras esquecerão a saudosa Oldsmobile.

MAO
Relendo o penúltimo post do CZ, lembrei dessa antiga propaganda da Caterpillar (acho que de 1962), que discorria sobre os problemas logísticos do país e o custo por km rodado em uma estrada de terra e em uma estrada asfaltada (respectivamente, Cr$ 4,50 e Cr$ 2,60).

Hoje o foco não está apenas no consumo, mas também nas emissões de poluentes: de nada adiantarão os pesados investimentos em novas tecnologias se a estrutura viária brasileira não for atualizada.

FB



Em um Corvette C4?


Em um Cadillac Eldorado Brougham 57?



Na frente de um Blue Thunder Mustang (réplica 3/4 do P-51), tal qual um Rolls-Royce Merlin em escala?


Ryan Falconer pôs um em sua Suburban. O Belli queria pôr em um Ford Highboy. A gente pode imaginar uma dúzia de utilidades para um motor que pesa quase o mesmo que um Chevrolet V-8 de ferro fundido,e é  apenas um pouco maior. Até os pontos de montagem são os mesmos do Chevy small block. Mas eu sei onde eu colocaria um. Vejam a foto abaixo, do carro de um amigo:



Opala. Pois é, se o V-8 cabe tão bem, e o seis em linha original também cabe, o V-12 caberia perfeitamente também. Já sei o que EU faria...Na verdade, quem faria para mim é um certo Ogro do cerrado, mas isto é um mero detalhe.

E você, o que faria?

MAO