google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Flashback. No tempo do LSD, o ácido lisérgico, essa expressão da língua inglesa servia para definir quando o barato voltava dias (ou até semanas) depois da "grande viagem".  Hoje se aplica a situações mais saudáveis: encontrou uma antiga namorada e... rolou? Flashback! Tirou o toca-discos do armário e tascou o seu vinil favorito nele? Flashback!

Pois o meu mais recente "flashback" começou de modo imprevisto ao volante do Toyota Etios, dos mais simplesinhos aliás, um hatch 1,3 XS vermelho, que vestido com todos os opcionais possíveis pulou de algo mais de 29 mil reais para algo menos do que 37 mil.

Ali, no pátio da Toyota em São Bernardo do Campo, o flashback deu as caras. Olhava para o painel e... seria ele? Acelerava, talvez fosse o barulho do motor? Também não! Metros viraram quilômetros, segundos fizeram minutos. Antes de fechar uma hora ao volante do Etios o flashback se materializou: Uno.

Fotos: autor


O Golf, quer se queira quer não, é desses carros emblemáticos. Coube-lhe a árdua missão de suceder o Fusca em 1974, não demorou a ser nº 1 em vendas da Vokswagen, há décadas é o carro mais vendido na Europa, mercado de concorrência feroz, e nesses 39 anos mais de 30 milhões deles, incluindo as variantes conversível e perua, ganharam as ruas. Deu as caras no Brasil em 1994, ainda 3ª geração, importado do México em versão GTI. No ano seguinte foi a vez do GL, alemão, mais o GLX, trazido do México também. O de 4ª geração chegou em 1998 e foi esse que começou a ser fabricado em julho de 1999, dividindo a linha de produção da nova fábrica do grupo Volkswagen em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, com seu clone Audi A3. Fez sucesso, como o A3, mas este acabou deixando de ser fabricado em 2006.

Aqui, já partiu da 3ª geração alemã. Só viria a ser retocado em 2007, quando foi reestilizado ganhando o desenho frontal da 5ª geração, razão para ter ficado conhecido por aqui como "geração 4-e-meio". E por aí parou. Foi ficando para trás em relação a Wolfsburg, que já havia lançado a 5ª geração em 2003 e a 6ª em 2008. A sensação era de que o Golf fora esquecido pela Volkswagen brasileira, como que se desinteressando do segmento dos hatchbacks médio-compactos. Mas agora parece que a VW acordou. Resolveu "partir para a ignorância", no linguajar popular, trazendo da Alemanha o recente Golf de 7ª geração, lançado no Salão de Paris em setembro do ano passado, com início de comercialização em novembro, mais a versão GTI, que começou a ser vendida há apenas dois meses na Europa.
 
Parece que mudou pouco, mas é só impressão: é outro carro

O choque de tecnologias

Na primeira parte deste artigo, vimos como eu e um pequeno grupo de colegas de curso técnico transformamos, por pura diversão e puro entusiasmo, o brinquedo do autorama num campo de provas para desenvolvimentos de tecnologia.

Fizemos o máximo que podíamos dentro de quatro paredes, e agora era a hora de respirar os ares do maravilhoso, porém perigoso, mundo exterior.

Do laboratório para o mundo e o choque entre duas realidades

Muitos desses colegas eram moradores da zona sul de São Paulo, e por lá abriram uma pista numa loja da Avenida Santo Amaro. A pista permanente era realmente grande para os padrões da época, quase sempre limitados à pista original da Estrela, e seria um bom lugar para testar as melhorias feitas no nosso carrinho. Foi aí que tomamos contato com o mundo do autorama lá fora.

Para entender o que ocorreu quando aparecemos para o mundo, tanto o nosso choque com esse mundo, assim como o choque que o universo do autorama da época sofreu conosco, é preciso entender antes algumas peculiaridades da época.


Autorama: diversão e alta tecnologia

Na minha vida como estudante e como profissional, já passei por muitas experiências, e boa parte delas são extraordinárias perto de muitos colegas que vivem da tecnologia.

Duas destas experiências importantes vieram de um brinquedo. Mas não é um brinquedo qualquer. É um brinquedo que muitos classificariam até como simples, mas é de uma riqueza e de uma beleza  de ordem técnica enormes. Refiro-me ao bom e velho autorama (o slot car para os americanos).

De todos os tipos de carros elétricos de brinquedo, é o mais acessível para ser entendido, mexido, reparado, modificado e preparado, mesmo pelos menos experientes, tanto na parte mecânica como na parte elétrica. É essa facilidade que engana a maior parte daqueles que lidaram com ele. É um brinquedo extremamente sofisticado, se o objetivo for levar o desempenho ao limite.

Nunca fui muito bom como piloto, mas mexer para fazer funcionar melhor, estender limites, alcançar o que poucos antes alcançaram, e para isso ter de entender os problemas e as barreiras, estudar ciência e a tecnologia relacionadas, pensar e encontrar soluções, esse é o meu tipo de entusiasmo.

E este é o ponto de partida para minhas duas grandes aventuras no mundo desses carros elétricos em miniatura.