google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Mesmo em meio a crise e a onda verde o último salão de Frankfurt foi palco de lançamentos de superesportivos impressionantes. Os três principais foram o novo McLaren MP4-12C (que já comentamos aqui), o Ferrari 458 Italia e o Mercedes Benz SLS AMG. Isso nos mostra que nem tudo está perdido para os entusiastas, mesmo que seja improvável que eu coloque minhas mãos em algum desses 3 modelos.

Mas enquanto esse dia não chega posso continuar sonhando ao falar um pouco sobre eles.

Acho que a Mercedes deve ter iniciado o projeto do SLS se perguntando como fazer um carro a altura do Mercedes McLaren SLR. Aí olharam para o passado e buscaram inspiração em um de seus maiores ícones. Apesar da semelhança acho que a Mercedes soube fazer um novo carro com personalidade própria, sem ser uma cópia modernizada do 300 SL.

300SL 1955 e SLS AMG 2010, 55 anos separam os dois animais alados



O contorno da carroceria do SLS com o longo capô, a cabine mais recuada, e a traseira bem curta o remete diretamente ao 300 SL "Gullwing". Mas são as portas "asas de gaivota" que completam a conexão com o passado. Outros detalhes como as saídas de ar nos para-lamas dianteiros e a grade frontal com o grande emblema também foram herdados. Ficou faltando os famosos sobressaltos longitudinais no capô do SLS, um detalhe marcante já usado no SLK.


Eaglewing

Fiquei pensando nessa história de Gullwing. Gaivota, por que pensaram numa gaivota e não em outro pássaro? Tá certo; gaivota é um pássaro elegante que voa com classe e adora planar com suas longas asas abertas. Mas não inspira agressividade, agilidade e excitação. Já uma águia teria mais características similares a esses Mercedes. Então, por que não chamar o SLS de Eaglewing, ou asa de águia?



A longa frente deve beirar os 2 metros de comprimento desde a ponta do capô até a base do para-brisa.



As saídas de ar no capô seguem o desenho das saída de ar nos para-lamas dianteiros.



A forma atlética do SLS, musculosa, mas sem ser anabolizada, é suportada por uma leve estrutura de alumínio. Os painéis externos também são de alumínio para manter o carro leve. Para se ter uma idéia, o SLS pesa 1620 kg enquanto o BMW M3, de porte similar, com teto em fibra de carbono e algumas partes da carroceria em alumínio, pesa 1675 kg com uma fração da performance do novo Mercedes.




A estrutura espacial de alumínio pesa apenas 241 kg que representa uma redução da ordem de 50% de uma estrutura feira em aço. A estrutura é composta por paineis, perfis e peças fundidas, além dos reforços no quadro do para-brisa serem feitos de aço para uma maior resistência.



O trem de força é composto por um motor entre-eixos dianteiro com transeixo (caixa mais diferencial) traseiro com um tubo de torque, por onde passa o cardã, ligando os dois. As suspensões são de duplo A na frente e atrás. O peso é distribuído 47% no eixo dianteiro e 53% no eixo traseiro assegurando um excelente comportamento dinâmico.



O motor é o conhecido V-8 de 6,2 litros (que a Mercedes / AMG insistem em dizer que é 6.3), aspirado e com quatro válvulas por cilindro, que gera potência máxima de 571 cv a 6.800 rpm e um torque máximo de 65 kgfm a 4.750 rpm. Essa cavalaria o leva a 317 km/h de velocidade máxima, o acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 s e consome 13,2 litros a cada 100 km (7,6 km/l) - dados preliminares.

Para conseguir extrair essa potência do V-8 AMG toda a parte de admissão foi retrabalhada, incluindo as caixas de ar, filtros e dutos.



Na foto abaixo podemos observar o recuo do motor para trás do eixo dianteiro. Repare também no reservatório de óleo à frente do motor.



O motor foi instalado o mais baixo possível para manter o centro de gravidade também o mais baixo possível. Repare na ilustração como a parte mais baixa do motor está na altura do assoalho.


Para conseguir baixar tanto o motor foi necessário a adoção de um sistema de lubrificação do motor com cárter seco, com reservatório instalado à frente do motor. Para garantir uma lubrificação apropriada em curvas de alta velocidade e alta força G existem duas bombas, uma de pressão que envia o óleo para o motor, e outra de sucção que suga o óleo que desce pelo interior do motor e o envia novamente para o reservatório.


A caixa de mudanças segue a tendência e é manual automatizada de dupla embreagem. São sete marchas acionadas apenas por borboletas no volante, ou automaticamente - não existe alavanca de mudanças. O conjunto transeixo ainda possui diferencial autobloqueante mecânico que ajuda a manter a aderência quando se despeja toda a potência nas rodas.



Um tubo de torque também de alumínio (fundido) liga o motor ao transeixo garantindo ao conjunto rigidez torcional e a flexão. Por dentro do tubo passa o eixo cardã que é feito de plástico reforçado com fibra de carbono. A peça tem 1,71 metros, pesa apenas 4 kg e transmite os 65 mkgf de torque do motor para a transmissão.



A suspensão, também de alumínio, é de duplo A tanto na frente quanto atrás.



Os discos de freio podem ser de carbono (cerâmica reforçada com fibra de carbono) como opcional. As pinças têm seis pistões e são pintadas em amarelo/dourado quando os discos são de carbono.



O sistema de direção de pinhão e cremalheira para melhor precisão e possui com assistência progressiva. Esse conjunto dianteiro, direção e os triângulos inferiores, é fixado ao chassi por um sub-frame que melhora o isolamento de vibrações e asperezas e consequentemente aumenta o conforto.



Para aumentar o down force e melhorar a estabilidade há um aerofólio retrátil na traseira que levanta automaticamente ao se atingir 120 km/h.



O interior é elegante e bem simples sem nenhum destaque. O painel é todo revestido de couro.



Os mostradores também são simples, mas contém o "shift-light", leds indicadores de rotação que passam da cor verde para o amarelo e finalmente para o vermelho acusando a necessidade de troca de marcha. Muito útil para tocadas fortes onde os olhos têm que ficar ligados na pista e nos oponentes. O shift-light pode ser "visto" com a visão periférica.



O console central abriga os comandos que mais nos interessam. A pequena alavanca quase não tem utilidade, serve apenas para colocar a caixa em drive ou acionar a ré. O parking é acionado por um botão. Os dois comandos que gostamos são o de modo de atuação da transmissão e o de ajuste do controle de estabilidade.

Existem 5 modos de atuação da transmissão:

C: Controlled Efficiency - otimiza o consumo e o conforto, sempre utiliza a segunda marcha para partir do repouso,

S: Sport - faz as trocas mais rápidas (20%),

S+: Sport Plus - faz as trocas mais rápidas que o Sport (20%),

M: Manual - poderia ser F, de Fun, - faz as trocas ainda mais rápidas que o Sport Plus (10%),

RS: Race Start - autometicamente utiliza aceleração máxima nas arrancadas, ou largadas.

Outro botão divertido é o do controle de estabilidade que serve para ativar, desativar ou acionar o modo Sport.

Existem ainda o botão que retrai ou eleva o aerofólio traseiro e o botão AMG, que ativa todas as regulagens pré-selecionadas dos outros botões em um único toque. Aparentemente o botão AMG não atua na suspensão, resposta do acelerador e assistência da direção (essa informação não foi divulgada). Apenas como curiosidade o botão M do BMW M3 também comanda esse outros ajustes.

O quinto botão mostrado na foto é o de partida do motor.



Termino com uma seleção de outras fotos que eu gostei muito, e gostaria de ter sido o autor.

Está meio em cima da hora mas ainda é possível se programar para comparecer ao XI Encontro de Picapes e Carros Antigos que será realizado entre os dias 9 e 12 de outubro na cidade de Águas de São Pedro, no interior de São Paulo.

Se o tempo ajudar vale muito a pena passar o dia com amigos ou familiares numa cidade bem agradável e ver muitas picapes e carros antigos. Se tiver um solzinho eu vou no domingo.

Estive lá em 2007 e tenho algumas poucas fotos do evento, que naquele ano estava muito bom.

Para a programação e maiores informações visite o site do Pick-ups Club.

A vida moderna estabelece uma rotina diária que geralmente nos faz viver como robôs: temos hora certa para acordar, para tomar banho, para tomar o café da manhã, para sair de casa.

Imersos nessa rotina, acabamos por racionar nosso tempo e até mesmo os movimentos dentro de nossa própria casa. Não que a minha casa seja grande, mas existem cômodos que só mesmo a faxineira faz questão de adentrar, uma vez por semana. É o tipo de lugar apropriado para jogar coisas velhas: um quartinho de bagunça ou mesmo um canto mais isolado da garagem.

Entrei hoje nesse cantinho isolado da minha casa e vi uma caixa em cima de um armário velho, nem me lembrava o que tinha ali em cima. Puxei a caixa e me deparei com o brinquedo acima, um pequeno tesouro que não vale muita coisa, mas tem um valor imenso para uma criança.

Fiquei entusiasmado, radiante diante da possibilidade de montar o autorama e brincar com a minha filha no final de semana. Mas infelizmente abri a caixa e constatei que o brinquedo não estava completo, faltavam os protagonistas: dois BMW M1.


Onde foram parar os carros bávaros? Não faço a mínima idéia. Há mais de 15 anos (no mínimo) que não tenho a menor notícia deles. Mas não me dei por vencido: no sábado irei até o centro de São Paulo procurá-los numa daquelas lojinhas fantásticas que têm praticamente qualquer brinquedo antigo.

Desejem-me sorte!

FB


Meu pai era mecânico, se formou no Senai nos anos 50/60, era um cara muito técnico, numa época de parcos recursos. Mas era só um reparador, não tinha nosso entusiasmo. Eu não tive tempo comum com ele em mecânica porque meu foco sempre foi outro, fizemos muito pouca coisa juntos. Eu comecei engenharia e não terminei e tinha uma visão de autos muito diferente da dele. Ele até entendia minhas coisas, mas nunca curtiu ou amou isso verdadeiramente.

Eu comecei a mexer em carros relativamente cedo. Manutenção normal me parecia muito enfadonho, algo que eu fazia com muita facilidade, e chegava a ser sem graça. Mas eu precisava vivenciar se quisesse ir em frente; e eu queria, e muito. Por limitações financeiras sabia bem que só teria meu tão sonhado carro se o mantivesse e se arrumasse dinheiro mantendo carros de terceiros.

O primeiro carro comprado, em 1982, foi um Dart 76 coupe 4 marchas. Eu queria mesmo um Opala 250S branco, coupe 75, mas não tinha dinheiro para tanto. Pensava em um Maverick V-8, mas quando achava um pagável, era lixo. Sobrou o Dodge, o primeiro que fomos ver, meu pai comigo, compramos e reformamos rápido. Ficou muito legal e está aqui comigo até hoje, 27 anos depois. Fiz tudo o que tinha sonhado com ele, eixo Dana 44 com blocante, cambio wide ratio, subframe connectors, 360 (não queria bigblock nele) e tudo mais. E o melhor: eu fiz esse carro todo, só não o pintei sozinho com o passar do tempo.

Depois veio um RT 75 bem destruído que eu acabei vendendo. Depois outro 75, quase tão ruim quanto o primeiro, mas que eu refiz todo também e tenho até hoje. Ele tem um 318, tudo forjado, eixo curto com blocante, bem legal.

Depois a Caravan. Era do meu pai. Um dia sai com ela e me acidentei, destruí o carro. Ele já estava doente e disse para eu jogar no ferro velho. Comprei os cacos e consertei. Era 4 cilindros, virou 6 cilindros, meti um 283, depois troquei por um 307, bloco rachado, troquei de novo por um 350, e depois por outro, que está lá até hoje, feito em 1996. Um carro legal, malicioso, rápido e bacana, a “Cadeira Elétrica”. Esse carro foi feito em 1991, um ano bom para mim e minhas maluquices. Talvez minha obra mais legal, meter SBC em Opala.

Tive um Maverick V-8, que num momento de bobeira vendi. Tive também um Impala 63 coupe, que por nunca conseguir um 348/409 desisti e também e vendi.

Pela minha garagem também passou um Galaxie americano 1967 coupe, 390, C6 e 9", acabei vendendo também.

Um dia encontrei uma Belvedere 4 portas 68 num ferro velho, comprei-o em 1989, tenho até hoje, era 6, virou 318 e aetá virando 383, mecânica toda pronta e na mão, só falta tempo para instalar. O Belvedere ainda precisava de muitos detalhes para terminar de montar sendo muita coisa igual ao Dart.

Adquiri um Gran Sedan 78 e ia matá-lo. Mas o carro era tão bom de dirigir e estava em tão bom estado e eu tinha um 383 sobrando. Desisti de matá-lo, comprei um monte de peças avulsas, consertei o Belvedere todo e ainda consertei esse Dart também incluindo a instalação do 383.

Hoje isso é mole, mas em 1991, sem internet, sem Schumacker Creative industries e sem o www.bigblockdart.com, foi uma bela dor de cabeça. Mas eu venci. E o carro ficou o cão, especialmente depois de toda a adaptação feita e eu acertando o motor como deveria ter feito logo de primeira. “Acho que me empolguei um pouco, comando 296° sólido, 5,25” de levante, 11,5/1 de taxa, válvulas enormes, pistões forjados e carburador Holley 930 cfm. Não podia mesmo ser muito bom de andar na rua. Mas foi a segunda boa idéia que tive em 1991. Bigblock Dart rules, man!

Depois teve mais um Valiant 68, também cão sem dono de ferro velho, reformei todo, deixei tudo zerado, 318 4 marchas, etc.

Tenho a Dodge D100, minha primeira picape, uma lata de lixo ambulante que fui ajeitando aos poucos, e ficou bacaninha. Um dia pintou a Ram e veio a aposentadoria da D100 em garagem coberta, sem sol, sem chuva com carregador de bateria e compressor para manter os pneus sempre cheinhos.

Como pagamento de dívidas, recebi um Opala coupe, e o sonho do 250 se realizou. Mas é um coupe 73, 4100, comando Crane 280/290 sólido, válvulas 2.02 e 1.60, headders, clifford intake e holley 390 cfm de Nascar. Um bom conjunto.

Tenho um Camaro 68 com 400 e um Chevelle 67 coupe com 454, em eterno processo de montagem, e um outro Dart. Esse era 4 portas, eu queria um sedan 2 portas, troquei as laterais, as portas e as colunas. Algum dia ele ficará pronto. Aí vai ganhar um 426 wedge com tudo amecanico e já pronto e aguardando.

E pelo arrependimento de ter vendido o Maveco, dia desses montei um Opaloito para um amigo, e ele me deu outro Maveco como parte de pagamento. Eu nem tentei resistir. Apesar de 6 cilindros, estou amarradão nele!