google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


O mercado automobilístico brasileiro é muito bagunçado. Aqui, ao contrário do que acontece nos EUA e na Europa, não há uma classificação clara dos carros. Sendo assim, os fabricantes deitam e rolam, algumas vezes vendendo carros de categoria inferior a preço de categoria superior.

E o público, que muitas vezes compra o design e o status, morde a isca do marketing e acaba levando gato por lebre, ou seja, leva menos carro por mais preço, justamente por faltar esse tipo de classificação.

Por exemplo, a classe de entrada do nosso mercado tem integrantes como Celta, Gol, Uno, Palio, Clio e Ka. Todos eles têm portes semelhantes e espaços internos semelhantes, portanto, devem custar preços semelhantes. Se aparecer algum muito mais caro, estão querendo cobrar mais pelo mesmo tipo de carro.

Nosso mercado é muito mais alinhado com o europeu do que com o americano, com algumas exceções. Por isso, tentarei encaixar os veículos vendidos no Brasil nas classificações européias, para tentar colocar uma ordem na bagunça que aqui se fez.

Foto: Ana Sharp


Mas, o que tem o título deste post e a foto a ver com automóvel e autoentusiasmo? Muito, vamos ver isso adiante.

Muitos de vocês devem assistido ao vídeo do discurso de Steve Jobs na cerimônia de colação de grau dos estudantes da Universidade de Stanford, turma de 2005. Se alguém não assistiu. basta entrar no Google com "Discurso Steve Jobs Stanford". O vídeo teve destaque maior depois da morte do empresário dia 5 último, aos 56 anos, em conseqüência de tumor maligno no pâncreas contra o qual vinha lutando há mais de cinco anos.

Na ocasião, Steve discorreu sobre sua vida, as dificuldade iniciais, inclusive ter sido expulso, pelos seus sócios, da empresa que fundara, a Apple, numa repetição fiel do que aconteceu com August Horch na Alemanha no final da primeira década do século 20 - em seguida o alemão fundou outra empresa fabricante de veículos e a ela deu seu sobrenome traduzido para o latim: Audi.



Aí em cima está o sedã inglês dono do conjunto mecânico que mostrei aqui: o Triumph 1300. Achei que seria difícil alguém descobrir, mas quem lê o AE realmente conhece do riscado, e em poucos minutos o leitor BK já tinha matado a charada. Estou devidamente impressionado, parabéns a ele que foi o primeiro, e a todos os outros que acertaram!

O 1300 (e seu sucessor 1500) foi o único carro de tração dianteira da Triumph (descontando, é claro, o Honda com logotipo Triumph chamado Acclaim), mas, numa estranha evolução, acabou por se transformar e acabar sua vida como um carro de tração traseira! Na verdade, a convoluta história deste esquecido carro é emblemática do tempo e lugar onde foi criado: depois da segunda metade dos anos 60, toda indústria inglesa de automóveis entraria num processo de fusões, greves e tensão social, que culminaria em seu triste fim que vemos hoje. Mas mesmo em meio a este imbroglio, coisas muito interessantes continuavam a aparecer, mostrando a grande vocação daquele país na criação de carros fantásticos.



Li esse texto quando trabalhava na GM. Alguém me deu para lê-lo, li, achei muito interessante, tirei uma cópia e guardei. Foi publicado na revista americana AutoWeek em agosto de 1998. Seu autor, Leon Mandel, foi editor-chefe e publisher da revista e escreveu sobre automóveis durante quatro décadas. Faleceu em 5 de março de 2002 aos 73 anos.

Procurando determinado papel nos meus guardados, encontrei a cópia - é sempre assim, procura-se uma coisa e se acha outra. Achei que o texto merecia ser compartilhado com os leitores do AE por ter muito a ver com o que acontece nos nossos dias.

BS


O QUE MARCA SIGNIFICA REALMENTE

Por Leon Mandel

Fala-se muito nas escolas que a lealdade à marca teve o mesmo fim do aperto de mãos quando se fechava um negócio. Pois estão todos redondamente enganados.

Algumas edições atrás eu escrevi um artigo exaltado sobre como a GM poderia definir melhor suas marcas - vender Chevrolets na Kmart, oferecer Buicks com revestimentos interiores exóticos, escrevi; vender Saturns de micro em micro pela internet ou nas livrarias das universidades, acrescentei...já deu para vocês saberem do que estou falando. É o fim do mundo.