google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Essa blogsfera é algo alucinante. Navegando pra lá e pra cá, de tempos em tempos a gente bate com algo que nos desperta a atenção. É assim que está nascendo esse post. Acabei de ver um filme sobre o Fiat Mio.

Muitas coisas me vieram à cabeça. Eu adorei o Mio desde quando o vi no Salão do Automóvel. Esquecendo esse oba-oba de que o carro foi feito com ideias dos consumidores, uma excelente jogada de marketing, o conceito do carro é algo não muito difícil de se imaginar para o futuro nas grandes cidades. E o fato dele ter sido desenvolvido pela Fiat do Brasil me fez pensar em algo mais.


Após a Peugeot anunciar o sucessor do 908 HDi FAP, é a vez da Audi mostrar sua nova arma para disputar s 24 Horas de Le Mans de 2011. O novo R18, que entra no lugar do vitorioso R15 Plus, é uma grande evolução conceitual.

A grande diferença está no fato do habitáculo ser fechado, como no Peugeot e nos Lola-Aston Martin. Desde o modelo R8 a Audi opta pelo habitáculo aberto, mas desta vez mudaram. Além do novo teto, o motor perdeu alguns cilindros para chegar na nova configuração V-6 diesel de 3,7-litros turboalimentado. Mudanças no regulamento da categoria para os carros equipados com motor Diesel forçaram as equipes a rever seus motores, então era uma boa deixa para usar a nova configuração.


Há muitos anos, um grande amigo me telefonou dizendo que ia correr na Mil Milhas numa equipe da fábrica em que trabalhava. Parabenizei-o bastante pelo entusiasmo que demonstrou e disse-lhe para ficar atento ao aperto de roda, pois muitas vezes a empolgação dos mecânicos da oficina da fábrica, num ambiente novo para eles, se esquecem de apertar as rodas. "O que é isso, Bob? Claro que isso não vai acontecer, mas obrigado assim mesmo pelo conselho", comentou o amigo, que pelo tom de voz pareceu-me um tanto indignado com a recomendação.

Passados uns dias, telefonou-me.  Contou que no primeiro treino saiu do box e na Curva 2, no traçado original de Interlagos, e a roda dianteira esquerda se foi! Entrou no retão controlando o carro sem problema, pois era a roda interna, mas já na reta foi a vez da roda dianteira direita ir embora...Claro, sem maiores consequências que o feio e raspado visual sob o carro.

Chamo isso de "Síndrome da campainha do almoço", em que na oficina o mecânico coloca as rodas, encosta os parafusos, quando toca a campainha ou sirene avisando que é hora do almoço. Ele interrompe o que estava fazendo e vai almoçar. Na volta, se esquece de dar o aperto devido. Pronto, mais uma roda que irá se soltar.

Imagens: fuselage.de

O desenho automobilístico é mesmo uma arte cíclica: os automóveis nasceram funcionais, até o dia em que um fabricante resolveu adicionar uma pitada de estilo. Outros fabricantes aderiram e em pouco tempo as formas passaram a dominar a função: carro virou moda e deixou de ser uma simples máquina utilitária, um singelo caixote racionalizado sobre quatro rodas. Passou a ser também um componente indispensável a todos que apreciam a construção de sua própria imagem: o automóvel também é uma forma de expressão social.

Eis a principal dificuldade dos desenhistas: evoluir sem que o resultado final pareça uma reprise de tempos passados, eliminando aquela sensação estranha de déjà vu. E foi exatamente o que aconteceu na década de 1960: linhas limpas e retas extirpavam protuberâncias, saliências e espalhafatosos rabos-de-peixe, redimindo os excessos da década anterior. Os automóveis davam a impressão de estar cada vez maiores, mais largos e mais baixos.