google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Antigamente, antes da Segunda Guerra Mundial, era comum que os verdadeiramente ricos encomendassem carros únicos. Àquela época, os grandes provedores de luxo sobre rodas, os Rolls e os Royces, os Hispanos e os Stutz, os Bentley e os Mercedes, eram quase sempre vendidos como chassis apenas, e seus donos mais abastados frequentemente ignoravam os catálogos dos encarroçadores e partiam para algo que fosse somente seu e de mais ninguém, exatamente como encomenda-se um vestido de alta costura, ou um terno de Saville Row: sob medida.

Tal coisa é quase que completamente esquecida hoje em dia. Quase porque existem ainda pessoas como Steve Moal.

Muita gente ainda o coloca como um Hot-Rodder apenas, visto que seus temas até hoje são realmente inspirados por carros deste tipo.


Mas ele, na verdade, vai além disso, muito além. Além até de onde iam os famosos encarroçadores do pré-guerra. Se você tiver o dinheiro e a vontade, Steve Moal construirá um carro para você exatamente como você sempre quis, por mais mirabolante que for este desejo. Um carro inteiro, chassi, suspensão e carroceria, do jeitinho que você sempre sonhou. Um carro inteirinho, de cima a baixo, da rebinboca até a parafuseta, sob medida para você.

E mais: Moal usa a técnica de construção criada pela famosa Carrozeria Touring, de Milão: a superleggera. Uma fina estrutura de arames que é depois revestido por chapas de alumínio moldadas a mão, usando martelos e uma English Wheel, a roda inglesa, famosa ferramenta de moldagem de chapas de forma artesanal. E a qualidade dos carros que sai das oficinas desta empresa familiar é incrivelmente alta, daquelas que tornam automóveis em verdadeiras obras de arte sobre rodas.


Um de suas criações mais famosas e originais foi o Moal Torpedo, acima, encomendado por Eric Zausner, e seguindo uma ideia fantástica: Um hot-rod com forte influência e sotaque italianos. O desenho da frente evoca os Alfa de competição dos anos 30 e tem uma tomada de ar sobre o capô que se sentiria em casa em um Siata. O motor é o V-12 do Ferrari Maranello, e o interior....volante perfeito para o tema, instrumentos idem, acabamento de sonho, e tudo revestido em fino couro de avestruz. Só há uma palavra para isto tudo, e é no idioma inglês: Awesome!


E todas as peças são únicas e exclusivas do modelo, do chassi e suspensão ao volante e os instrumentos. Tudo criado especialmente para ele. Incrível.



Outro famoso carro de Moal, e meu preferido, é uma cruza de carro esporte inglês, Ford roadster, dirt tracker e Kurtis, com uma pitada de Cobra para temperar, que vocês podem ver acima. Fruto da imaginação do famoso comediante da Disney Tim Allen (inspirado por outro carro de Moal, o California V8 special), é chamado de Licorice Streak special, em honra de sua cor externa, um profundo e lascivo negro não metálico, aplicado em 6 ricas camadas, chamado de Licorice Black.

Não seja enganado pela suspensão dianteira de eixo rígido, tradicional em hot-rods. O carro é todo feito sob encomenda, nos mínimos detalhes. Allen, ao contrário de outros donos de carros deste tipo, usou-a muito, e adorou todos os aspectos de algo que fez ao seu gosto, sem compromisso. Baixo e com um simples mas eficaz Ford V-8 351 de 400 cv, o carro era tudo que ele sempre sonhou.

A parte que mais gosto é o interior, com magníficos bancos “de bombardeiro” e tudo revestido num magnífico e discreto couro verde bem escuro. De novo, os instrumentos, o volante, o painel, tudo é único e sob encomenda, bespoke. O volante foi feito pelo pai de Steve Moal, George, que fez um aro de madeira belíssimo, que para sua surpresa foi pintado de preto por Steve, para combinar com o tema. É um interior que dá vontade de pular dentro e sair em busca do pôr-do-sol imediatamente, só de olhá-lo. Feito para ser dirigido, é de uma beleza ascética, espartana, mas ao mesmo tempo, de óbvia qualidade.



Conhecendo a história deste carro desde que li sobre ele numa revista Street Rodder de 1999 (10 anos atrás!), vocês podem imaginar a minha surpresa quando soube, via Autoblog, que o carro está a venda no Ebay!

Duas coisas que não entendo: porque Allen ia vender algo tão pessoal? E pior, quem vai comprar algo assim? O carro sempre será “o carro de Tim Allen”, não importa o que aconteça. Mas sabemos que para alguns, ter algo que já foi de uma celebridade, sabe-se lá por que, já é suficiente.

Eu usaria este dinheiro para encomendar algo saído de minha cabeça. Vocês não?

MAO

Como esperava, um leitor finalmente veio me fazer uma pergunta a respeito do 2000GT: não era desenho de Albert Goertz?

Esta é uma história deveras interessante. Em muitas fontes pode se encontrar o nome do famoso conde alemão, discípulo de Raymond Loewy e a pessoa que desenhou o belíssimo BMW 507 V8, como o desenhista do Toyota.

É inegável que Goertz teve influência no desenho do carro. Mas influência é uma coisa, ser o desenhista é outra. Se fosse assim, existiriam pouquíssimos desenhistas realmente, visto que o desenho industrial é um amálgama de influências culturais e históricas, e autofágico por natureza.

Se fosse assim, todos os porta-malas atuais seriam desenhados por Chris Bangle.


A história é a seguinte: Goertz desenhou o Nissan A550X, acima. Este carro era para ser feito pela Yamaha, como o 2000GT, mas acabou sendo cancelado pela Nissan, em estágio avançado de projeto. A Toyota, que tinha a idéia do seu GT na cabeça, resolveu contratar a Yamaha, que tinha o esquema pronto, para ajudá-la no 2000GT. Por causa disso que muita gente diz que o 2000GT era um Nissan desenhado por Goertz, que a Toyota pegou e produziu. O que existe de fato, de comprovado, é isto. O resto é especulação e intriga, de várias pessoas que clamam para si a glória de ter desenhado o 2000GT e/ou o Nissan 240Z original (abaixo), que apareceu em 1970.


É obvio, como já disse, que o carro de Goertz influenciou ambos, principalmente o Nissan. Mas eram carros diferentes, como podemos ver. A proporção básica é a mesma, longo capô e traseira hatchback, provocado principalmente pelo seis em linha recuado de todos os três carros, mas é só. Dizer que o alemão desenhou o carro é um exagero, em minha opinião. Os japoneses criaram esboços novos, escolheram o melhor, fizeram modelos em escala, modelo em argila em tamanho natural, aprovaram o carro e o produziram. Não há uma superfície do carro de ambos que é exatamente a mesma daquele A550X. Isto para mim é desenhar um carro.

Alguém podia dizer, como já fizeram, que todos eles foram influenciados pelo Ferrari 250 GTO. Eu acho tudo isso uma bobagem. O 2000GT foi feito pelos japoneses da Toyota, e quem inflenciou eles não interessa senão a um estudante de desenho industrial que queira fazer uma tese sobre o assunto.

Mas é muito mais interessante colocar o mérito em um conde alemão do que em pobres trabalhadores anônimos japoneses. Até a Nissan North America espalhou a lenda em propagandas, no caso do 240Z, causando revolta em alguns velhinhos japoneses, mas nada mais que isso.

Como disse Giugiaro sobre a polêmica a respeito desenho do Miura, o importante não é quem desenhou, mas que o carro existe.

Amén!
MAO


Robert A. Lutz, o Bob Lutz, é o vice-presidente de Marketing e Comunicações da nova GM. Na antiga GM, ele ocupava desde setembro de 2001 o cargo de maior autoridade no desenvolvimento dos carros da empresa, e trabalhava como um guru, dando diretrizes básicas e acompanhando os desenvolvimentos ao redor de todas as divisões mundias que realizavam projetos.
Havia sido anunciado que Lutz se aposentaria no final de 2009, mas a GM voltou atrás, e o manteve em cargo de liderança, já que seus pensamentos são necessários para manter um tipo de contraponto ao que um comitê decide como sendo mais racional. Não que ele seja ilógico, apenas exprime-se de forma direta e sem meias palavras, e com uma grande dose de entusiasmo por automóveis, algo que ele assumidamente é.
Para deixar claro o que pensa, de forma direta, cunhou suas leis, que veremos a seguir.
Esse suíço nascido em 1932 tem uma história vasta na indústria automobilística, tendo antes atuado como fuzileiro naval (marine) de 1954 a 1965, onde pilotava aviões de ataque a jato, tendo obtido o posto de capitão. Há um bom tempo coleciona carros, motos e também tem alguns poucos aviões, inclusive a jato (um Aero L-39 de treinamento e ataque) , que ele mesmo pilota. Filho de diretor de banco suíço, podemos imaginar que dinheiro nunca foi uma de suas preocupações primordiais, e se com essa idade (77 anos) permanece ativo em um cargo de responsabilidade enorme em uma empresa tão complexa como a GM, é de se louvar a vontade de produzir e deixar uma marca positiva na sua história.
Iniciou sua carreira civil em 1963 na GM, e trabalhou na Opel, Ford Europa, e BMW. Após cruzar o Atlântico, ingressou na Chrysler, e depois de participar ativamente da segunda grande recuperação da empresa, foi trabalhar em fornecedores de autopeças, e retornou à GM em 2001.
Nesse tempo todo, alguns carros em que Lutz trabalhou e tomou importantes decisões definidoras de características foram:
Ford Sierra
BMW serie 3
Plymouth Prowler
Dodge Viper
Pontiac GTO, versão americana do Holden Monaro
Saturn Sky
Chevrolets Camaro e Malibu
Cadillac CTS
Buick Enclave e Lacrosse
Antes de retornar à General Motors em 2001, participou do projeto do Cunningham C7, um supercarro americano que não chegou a ser construído.

Mas o produto onde exerceu maior influência, ao menos como guardião do projeto, foi o Dodge Viper. Lutz arriscou o pescoço ao manter uma equipe trabalhando de forma extra-oficial, para aprontar os protótipos visando a aprovação para produção. Isso após a direção da empresa deixar claro que o Viper não era desejável, devido ao custo de desenvolvimento e aos pequenos números de vendas previstas.
Como ele é um executivo entusiasta, apoiou o time criador, até chegar a um ponto em que não era vantagem cancelar o projeto. O que se viu foi o Viper como carro de sonho de meio mundo, fazendo a imagem da Chrysler melhorar muito, após períodos de baixa e falta de confiança quase que totais dos compradores.
Lutz é tido como um executivo de fibra. Mesmo que erre às vezes, tem sempre opiniões firmes, não ficando em cima do muro. Como ele mesmo diz, "frequentemente errado, mas raramente em dúvida".
No seu livro "Guts", listou as sete leis que sempre governaram sua atuação profissional, e deixa muito claro ser um entusiasta do automóvel, que sabe que a maioria dos consumidores não o são mas pagam as contas das empresas. Essas leis foram acrescidas de mais uma na reedição de seu livro, que pode ser facilmente encontrado à venda em diversos sites.
As leis de Lutz são espetaculares, e concordamos plenamente, já que ele conhece o negócio automóvel como um todo: o carro, a indústria, os governos e as pessoas.
Uma de suas frases ótimas se refere aos profissionais que desenvolvem automóveis: "If you pay peanuts, you got monkeys". Numa tradução livre, "Se você paga pouco, terá profissionais sem opinião".

As Imutáveis Leis de Negócio de Lutz:
1- O consumidor não está sempre certo.
2 - O objetivo primário do negócio não é fazer dinheiro.
3 - Quando todo mundo está fazendo alguma coisa, não faça!
4 - Excesso de qualidade pode arruinar você.
5 - Controles financeiros são um mal.
6 - Pessoas que causam problemas por quererem sair do usual são um bem.
7 - Trabalho em equipe nem sempre é bom.
8 - Quando você herda um ninho de ratos realmente grandes, não tente atraí-los para fora com comida. Use um lança-chamas.

No original inglês,
Lutz's Immutable Laws of Business:
LAW #1: The Customer Isn't Always Right
LAW #2: The Primary Purpose of Business Is Not to Make Money
LAW #3: When Everybody Else Is Doing It, Don't!
LAW #4: Too Much Quality Can Ruin You
LAW #5: Financial Controls Are Bad!
LAW #6: Disruptive People Are an Asset
LAW #7: Teamwork Isn't Always Good
LAW #8: When You Inherit a Really Big Rat's Nest, Don't Try to Lure Them Out With Food. Use a Flamethrower

Temos certeza que Bob Lutz irá fazer um trabalho diferenciado nessa sua nova fase.
JJ
Já falei duas vezes neste blog sobre o VW Polo I-Motion (1 e 2), mas volto ao assunto para falar de algumas conclusões importantes.

Muitos que me conhecem sabem que sou defensor emérito da caixa manual. Até brinco que o carro que me levar à última morada terá de ser manual... Mas depois de usar mais o Polo I-Motion no dia a dia, meu conceito mudou. Vamos ver porquê.

O ponto que sempre me bato em favor do câmbio manual é poder usar o motor da maneira que me aprouver, sem o "patrulhamento" do câmbio automático no sentido de promover mudanças que não pedi. Quero poder levar o motor tanto à rotação de potência máxima ou mais um pouco, como quero usá-lo em giro bem baixo ou retomar velocidade na mesma marcha. Eu é que escolho.

Fora os manuais, isso é possível também com os câmbios de duplo acoplamento, ou dupla embreagem, como o Passat CC que já vimos aqui. Mas a coisa não para aí. Os câmbios manuais robotizados como o do Polo I-Motion permitem essa autoridade também, só que a um preço bem conveniente.

Como definição - minha - esse tipo de câmbio é manual com uma única embreagem automática, mais o recurso de shift-by-wire (troca de marcha por meio elétrico mas associado a um atuador hidráulico), conjugado com uma unidade de processamento que pode levar as trocas de marchas a serem efetuadas de modo totalmente automático. Ou seja, um câmbio manual robotizado e automatizado. Poderia até ser robotizado sem ser automatizado, mas para a caixa manual ser automatizada precisa necessariamente ser robotizada. Soa meio confuso, eu sei, mas é importante estabelecer claramente o conceito para que se entenda todo o sistema em profundidade.

Esse é o tipo de câmbio do Polo I-Motion, do Chevrolet Meriva Easytronic e dos Fiats Linea, Stilo Sporting, Palio ELX, e Idea Adventure Locker, com o sufixo Dualogic no nome do modelo.

A grande vantagem
Nesses câmbios, com toda a certeza a maior vantagem de todas é acabar com o pedal de embreagem. A embreagem a pedal é mesmo um comando arcaico. No tráfego anda e para, onde se costuma passar boa parte do tempo hoje, é totalmente inconveniente por ser repetitivo e, dependendo da carga de pedal, bastante cansativo.

Já tivemos aqui alguns carros com embreagem automática, portanto sem tal pedal, mas a alavanca de câmbio precisava ser usada normalmente, seguindo suas posições em um "H". Tiveram esse item, como opcional, o DKW-Vemag no começo dos anos 60 e, já bem para cá, anos 1990/2000, o Mercedes-Benz A 160/190, o Corsa Auto Clutch e o Palio Citymatic. Mas nenhum vingou. Aparentemente a ideia não atraiu os compradores como se esperava. Alguns diziam se tratar de câmbio semi-automático, um engano. Era embreagem automática apenas. Com o advento do câmbio robotizado a embreagem automática teve de voltar à cena.

Além do aspecto de conforto, a embreagem automática nunca será mal-utilizada, fator que leva à sua maior durabilidade, incontestavelmente. Seu controle eletro-hidráulico via computador garante. Por outro lado, manter o carro imóvel numa subida usando o motor, como se faz normalmente com os câmbios automáticos tradicionais, destroi a embreagem, especialmente o disco. Para alertar o motorista sobre esse uso irregular aparece no mostrador no centro do painel o aviso de que a embreagem está superaquecida. Quem fizer isso e tiver a embreagem danificada não terá direito a garantia, pois estará configurado mau uso.

Função automática
Esse tipo de câmbio possui função automática, as marchas vão sendo passadas em sucessão sozinhas, como em qualquer outro automático do tipo tradicional. Mas no Polo I-Motion e em todos os outros robotizados essas trocas são um tanto incômodas por existir uma hesitação entre uma marcha e outra, o que se convencionou chamar de "cabeçada", resultado da aceleração interrompida por breve instante. Dá para rodar assim numa boa, mas é um tanto desagradável, se não esquisito.

Por esse motivo, o ideal nesses câmbios é usar o modo Manual (M), efetuando as trocas manualmente, o que é feito sem esforço algum: tudo se resume a dar leves toques na alavanca, sem precisar movê-la verdadeiramente e tampouco selecionar o canal (1a-2a, 3a-4a e 5a). É uma operação do motorista que não custa nada, tão fácil que é.

No I-Motion e no Easytronic do Meriva, sobe-se marchas com toques para frente (+) e reduz-se, para trás (-). No Dualogic é ao contrário, do que não gosto absolutamente - este é um tema de grandes discussões. Em qualquer caso, as trocas são mais rápidas e precisas quando o câmbio está no modo Sport (S), sem serem abruptas ou desconfortáveis.

Então, com câmbio em M e em S têm-se, na íntegra, a operação de uma caixa manual normal, só que sem o pedal de embreagem. Não existe nada melhor, garanto. E com duas vantagens correlatas. Uma, à medida que o carro vai desacelerando diante de uma parada em semáforo, vão ocorrendo reduções em sucessão até à primeira. Quando o sinal abrir, é só acelerar. Outra é que a qualquer momento que se desejar aceleração forte, basta calcar o acelerador até o fim - chamado de kickdwon em inglês - para comandar redução instantânea, pulando até três marchas, o que sempre ajuda numa tentativa de ultrapassagem, por exemplo. Isso mesmo com o câmbio em Manual. Na continuação, sobe-se as marchas manualmente, como já dito.

E tem mais: se nessa ultrapassagem o motor chegar a 6.000 rpm, é passada automaticamente a marcha superior, não havendo o tradicional corte de rotação que muitos apreciam (até eu), mas que de prático, num carro de rua, não tem nada.

Nas reduções há a aceleração interina automática, igualando rotação do motor e velocidade do carro na marcha prestes a ser engatada, eliminando todo e qualquer tranco e, melhor, evitando travameno parcial das rodas motrizes, importante especialmente com piso molhado. Outra característica própria dos câmbios robotizados é não aceitar redução que provoque excesso de rotação do motor (e do disco de embreagem, que pode se destruir por centrifugação).

Portanto, esse tipo de câmbio se encaixa à perfeição ao motorista-entusiasta também.

Quando se quiser dirigir em automático por qualquer motivo, como ao falar ao celular (permitido com viva-voz ou o próprio alto-falante do aparelho), basta um toque lateral na alavanca para o modo automático passar a valer. Mas a função Manual pode ser usada a qualquer momento, bastando usar a alavanca para escolher uma marcha. O modo continua até que a função deixe de ser usada durante 5 segundos, quando o câmbio retorna ao modo Automático (D).

Há, de quebra, uma vantagem sobre o câmbio automático tradicional: se necessário por qualquer motivo, o carro pega empurrado (o "tranco"). Basta ligar a ignição, mandar empurrar (ou deixar o carro correr, se numa descida) e deslocar a alavanca para a posição D. A marcha mais apropriada engata-se automaticamente e a embreagem acopla-se. Com um automático comum essa maneira de fazer o motor funcionar é impossível.

Sem avanço lento
No Polo não existe o avanço lento quando o câmbio está engatado e o motor em marcha-lenta, ou seja, não é necessário pisar no freio para que o carro fique parado. Nos Fiats é igual, mas no Meriva há o avanço que, além de exigir frear com o carro imóvel, sempre faz aumentar o consumo de combustível, pois o motor está realizando um trabalho e há uma resistência - o freio - em oposição a ele. Fora que a embreagem fica patinando enquanto o carro estiver parado, o que não é bom para ela.

Por outro lado, é preciso atenção do motorista ao parar o carro no plano, estando o câmbio em D com motor ligado: uma pisada inadvertida no acelerador e o carro anda. Pode ser perigoso. Por isso, parou o carro e saiu do volante, a alavanca seletora deve ser posta em N. Por sinal, uma boa medida nos Dualogic da Fiat é com qualquer porta aberta o carro não se mover se for acelerado.

Arrancadas vigorosas também podem ser feitas. Acelera-se em Neutro (N) e depois move-se a alavanca para D. A primeira é engatada e a embreagem é acoplada abrutamente, deixando a "assinatura" da arrancada no asfalto.

No Polo I-Motion todas as funções e marchas em uso são indicadas no mostrador entre o conta-giros e o velocímetro (da esq. para a dir.), qualquer que seja o modo utilizado, D ou M, com e sem S.

O melhor é todo esse elenco de virtudes custar só R$ 2.500, 40% a 50% menos que uma caixa automática tradicional, com a vantagem de consumir menos combustível. Para todos os fins de desempenho e consumo o câmbio robotizado é um câmbio manual normal.

E para quem quer se sentir um piloto de F-1, é possível comprar o Polo I-Motion com alavancas-borboleta atrás do volante para as trocas de marchas, mas precisa-se pagar um preço meio alto: R$ 470 do volante e R$ 800 do rádio com MP3 e tomanda USB, que formam um conjunto. No carro assim equipado troca-se de marcha tanto pelas borboletas quanto pela alavanca, é indiferente.

O câmbio do Polo I-Motion, assim como os outros do tipo, requer um pouco de adaptação, e seguindo o que foi dito neste post, revela-se em poucos quilômetros um verdadeiro câmbio de autoentusiasta.