google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)



Uma das grandes injustiças que vejo no mundo é o modo que é tratada a indústria automobilística japonesa. Praticamente todo mundo costuma considerá-los meros copiadores, mesmo hoje, quando está mais que provada a sua superioridade técnica em praticamente todos os campos industriais conhecidos.

Talvez o motivo disso seja o pragmatismo com que tratam qualquer tarefa técnica: primeiro pesquisam tudo que já foi feito, e analisam seus predecessores minuciosamente, antes de tentar desenhar qualquer coisa. Assim, evitam o enorme trabalho que alguns realizam, só para descobrir depois que outra pessoa já tinha feito a mesma coisa melhor.

Para mim tal tipo de comportamento parece apenas lógico e inteligente, e calculo que venha da humildade característica da cultura daquele país, e do seu desprezo pelo pessoal em detrimento da sociedade como um todo. Aqui no ocidente, todos queremos ser “originais”, enquanto lá o esperado é apenas que você faça a sua parte no todo. Apesar de ser uma cultura quase alienígena aos nossos olhos, devemos respeitar um povo com essa determinação de evoluir todo mundo junto, ao invés de todos ficarem tentando ‘se dar bem’ e o resto... bem, cada um que se vire. Os resultados estão aí para quem quiser ver: o progresso criado pelas gerações passadas é desfrutado pelas atuais. Meus filhos não terão tanta sorte, infelizmente.

Já no início dos anos 60, cientes de sua capacidade e certos de seu futuro brilhante, os japoneses começaram a buscar aquilo que é intangível de forma prática, mas é o verdadeiro motor da humanidade: o reconhecimento. Não, não é o dinheiro; este é só um meio de atingi-lo. O que todos queremos, bem lá no fundinho de nossa alma, é o reconhecimento público e claro de nosso semelhante, pelo que somos, pelo que fazemos, ou, melhor ainda, por ambos.

A Toyota, certa do curso que a levaria a ser o maior produtor de automóveis do planeta, queria exatamente isto em 1964. Com caixa transbordando de dinheiro já naquele tempo, estava pronta para gastar um pouco dele polindo sua imagem pública. Inspirados pela volta da Mercedes em 1954 com o 300SL, pensaram os japoneses: que maneira melhor se pode ser levado a sério, senão criando um carro especial, um GT de altíssima performance, qualidade, e preço? Ah, época boa...Hoje, para fazer o mesmo, criou aquele beco sem saída tecnológico que é o Prius, e infelizmente, teve muito mais sucesso que nos anos 60.

Mas enfim, decisão tomada, foi criado então um pequeno time debaixo do diretor Jiro Kawano(até ali encarregado de competições), escolhidos a dedo para o projeto. Apenas cinco pessoas, uma para cada área específica, a saber: chassi e suspensão, motor e transmissão, design, carroceria, e testes. Comprova uma regra que tenho para mim que quanto menos pessoas mais bem pagas envolvidas, melhor é um projeto de automóvel. O incrível McLaren F1 foi criado da mesma forma, como já contei aqui.

Em outro paralelo com o McLaren F1, que na verdade neste ponto copiou os japoneses, a primeira coisa a fazer foi arrumar carros esportes e GTs reconhecidos como ótimos, e destrinchar suas entranhas para descobrir seus segredos, medindo tudo no processo, de esforço nos comandos a desempenho final. Assim, saber-se-ia exatamente onde se queria chegar, conhecendo o que já existe.

O mais interessante é notar que em ambos os casos, nos dois projetos semelhantes (o objetivo dos dois era simples: ser o melhor carro para dirigir nas ruas), separados por 30 anos de desenvolvimento da indústria, determinaram exatamente o mesmo benchmark (o melhor existente até então, que deveria ser superado): o Lotus Elan. Apesar disto, os japoneses ficaram muito impressionados com o hoje clássico, então contemporâneo, Jaguar XK-E. A influência dos dois é clara no carro, como veremos adiante.

Lançado no Salão de Tóquio de 1965 como Toyota 2000GT, o carro resultante é uma daquelas jóias raras do mundo automobilístico, que apesar de serem quase perfeitos em projeto e execução, se resignaram a apenas um rodapé na história. Ninguém entendeu o carro, e até hoje é conhecido como “aquela cópia de Jaguar que a Toyota fez”.


O carro, na realidade, tinha objetivos de projeto ambiciosos: alto desempenho, civilidade total para uso diário e viagens, alta qualidade em detrimento de alto volume de produção, e finalmente ser a base para um carro de competição. Usando um chassi tipo espinha dorsal em chapa de aço, muito similar ao da Lotus Elan (inclusive nos altos pontos de montagem de torres de suspensão na traseira), o carro tinha uma especificação técnica perfeita, mesmo se observada na perspectiva dos dias de hoje.



A suspensão era independente nos quatro cantos, por braços triangulares sobrepostos. Estes braços eram longos, e suas molas e amortecedores idem para prover um grande curso de suspensão. Infelizmente não se faz mais suspensão assim em carros esporte; os enormes pneus e a necessidade de mantê-los perto das aberturas de rodas por motivos de aparência impedem isso. Mas é a maneira correta de se fazer, e assim é o 2000GT. A caixa de direção, de pinhão e cremalheira, era colocada à frente da suspensão, de novo, a posição teórica perfeita. Montado logo atrás desta caixa, estava o motor, em posição central-dianteira.



Este motor utilizava o bloco de seis cilindros em linha, sete mancais e dois litros de deslocamento do Toyota Crown, em ferro fundido, mas utilizava cabeçote desenhado e produzido pela Yamaha, todo em alumínio e com duplo comando de válvulas, duas válvulas de diâmetro generoso por cilindro, e uma câmara de combustão hemisférica. Flanqueando o belíssimo cabeçote (com acabamento das tampas crackle-black, como um Ferrari), um maravilhoso trio de carburadores duplos horizontais Solex (fabricados no Japão sob licença pela Mikuni), e do outro lado, coletores de escape individuais dividiam as seis saídas de escape para dois tubos principais de escapamento, que seguiam por debaixo do chassi-espinha até a traseira do carro. Pelo meio deste chassi (em perfil retangular fechado) passava a árvore de transmissão (cardã) que ia do câmbio Toyota de cinco marchas totalmente sincronizado (uma raridade então, comum apenas nos Alfa Romeo) até o diferencial traseiro aparafusado ao fim do chassi, na traseira do veículo.

Este magnífico motor produzia 150 cv a 6.600 rpm e 18 mkgf a 5.000. Marcas pífias hoje em dia, mas irrelevantes: o motor era fantástico. Disse Martin Buckley na Classic & Sports Cars em 1995:

“Qualquer dúvida sobre o carro se evaporou no momento em que liguei o motor. Do ronronar da marcha-lenta ao berro perto do limite de giros, um seis em linha não tem como ficar melhor do que isso. A pegada começa realmente só às 3.500 rpm, mas dali em diante ele empurra com vontade, e de maneira incrivelmente suave, até 7.000 rpm. Com uma resposta pronta e precisa, nenhum ponto aparente de vibração em todo o espectro, e com nenhum traço de aspereza, é uma jóia de motor. É tão suave e forte quanto um motor BMW atual, na verdade, mas com um berro no escape - não, um berro não, um profundo, grosso e musical pano de fundo - que não fracassa em entusiasmar.”



O desempenho (0-100 em 10 s e 210 km/h de final) parece, de novo, ridiculamente baixo para um GT de verdade, mas ninguém que o dirigiu já reclamou. Rápido o suficiente, se quiserem a minha opinião. Como venho dizendo aqui neste blog desde sempre, é mais importante COMO um carro faz algo, não O QUÊ ele faz.

E vocês já devem saber: é rápido o suficiente para uma morte bem gloriosa. A Toyota tentou, na verdade, colocar o V-8 desenvolvido para o Toyota 7 de competição (5 litros e 400 cv) no seu GT, mas descobriu que teria que aumentar o tamanho do carro, e perder em agilidade, área frontal, eficiência, na verdade arruinando a ideia inicial de um carro realmente pequeno e leve como o Elan. O que está correto, está correto, e mais muitas vezes é menos. O papo de cópia de XK-E morre colocando-os lado a lado, pois além de serem realmente diferentes, o Jaguar é enorme perto do pequeno e atlético Toyota.


Como não poderia deixar de ser com tanto cuidado, o carro era fantástico para dirigir. Direção perfeita, suspensão suave, comportamento impecável, controles exemplares. Com apenas 2,7 voltas entre batentes, a direção já foi descrita como: “...boa como a de um Lotus, soberbamente ajustada em peso, precisão e feedback”. O carro foi o primeiro japonês com freios a disco nas quatro rodas, unidades Dunlop de pistão simples, que também só receberam elogios da crítica. Ajudado por uma visibilidade inédita em carros deste tipo, a perfeita distribuição de peso (50/50 com combustível e um ocupante), o centro de gravidade baixo e o eixo de rolagem alto, não podia ser de outra forma. Perfeito é o que perfeitamente foi concebido.



Apesar do protótipo mostrado em Tóquio ter rodas raiadas, todos os 2000GT foram equipados com levíssimas rodas de magnésio com porca central única (knock-offs), de 15 polegadas, e pneus com seção de 165 mm. Medidas de Fusca...

A carroceria tinha um desenho incrivelmente futurista, atlético e belo, salvo pela mal-resolvida dianteira, com sua grade e faróis de aparência amadora. Detalhes interessantes abundam: reparem no corte das portas, feitos para impedir que estas se danifiquem ao abrir em meio-fios, num carro baixo. O JJ ia adorar! Ajudado pelo longo capô proporcionado pelo seis em linha em posição recuada (central), e os balanços reduzidos (de novo, perfeição), existem compartimentos entre as rodas e as portas, como os que escondem o estepe nos Bristols. No 2000GT, um lado guarda a bateria, e o outro, um filtro de ar reserva e o reservatório do limpador de parabrisa.


A produção do carro foi sub-contratada para a Yamaha, que fazia os carros praticamente de forma artesanal, à mão, com todo o cuidado para que fosse percebido como o artigo de luxo que efetivamente era. No interior, uma grande contribuição desta eclética empresa (instrumentos musicais, motocicletas e motores) veio de sua divisão de pianos: madeira de qualidade (mogno e pau-rosa, ambos vindos do Brasil) adorna o painel, o volante e a bola da alavanca de câmbio.

Os instrumentos principais são recuados para dentro do painel, tornando-os menos afetados por reflexos diversos, uma prática comum hoje, mas rara em 1966, época em que todos ainda apenas colocavam os instrumentos em uma chapa plana. O relógio contava com um cronômetro, havia ventilação forçada com direcionamento (ocupante, pés ou desembaçador) e o acabamento geral era de altíssima qualidade.




Tudo isso não poderia sair barato, e aí que estava o calcanhar de Aquiles do carro. Era caríssimo, mais caro que um 911. Custava um XK-E e meio, sendo o Jaguar um carro de 4,2 litros e de desempenho muito superior. Não importava quanto satisfatório fosse o pequeno japonês, se hoje em dia alguém teria dificuldade em pagar mais por um Toyota do que para um Porsche, imagine então nos anos sessenta, época em que ainda eram pouco conhecidos. O carro foi um fracasso, vendendo apenas 337 unidades de 1966 a 1970. Os últimos sete eram da versão S2, que usava o motor do Crown (SOHC e 2,3 litros) com os carburadores do 2000GT, para a mesma potência e mais torque, e opcionais transmissão automática e ar condicionado, que, para ser sincero, tiraram o foco e estragaram a pureza do original.

O designer do carro, o japonês Satoru Nozaki, escreveu uma reportagem sobre sua criação na Automobile Quarterly em 1967 (anônima, pois as japoneses creditavam tudo ao grupo e não as pessoas, como a revista menciona, a pedido da Toyota), onde explicava o objetivo de todo o exercício:

“Um grã-turismo, e como um GT, ele deve ter todo o equipamento, especificação e layout que responda para um alto grau de habilidade ao volante. Mas ao contrário de um carro esporte, que pressupõe um certo nível de desconforto e austeridade, ele deve proporcionar um ar de conforto e luxo. Orgulho, por assim dizer. A capacidade de uma máquina de competição com a qualidade e confiabilidade de um carro de primeira linha. Deve ser um carro em que o dono possa aproveitar um calmo passeio pela cidade no domingo, e uma rápida viajem por estradas sinuosas.”

Missão cumprida, Nozaki-San.

Como já tentei fazer quando falei do Carrera 2,7 e do 190E 2.3-16, o objetivo aqui é provar que você não precisa de 600 cv e rodas imensas para ser feliz. No mundo de hoje, onde, impulsionados pela internet, todos comparam dados para decidir quem é melhor ou pior, todos esquecem do principal, e pelo menos ao respeito de automóveis, perdem o melhor, que é imensurável: o prazer de dirigir. Não existe unidade de medição para isso.

E prazer não depende de preço. Nem que esse preço seja um Toyota pelo preço de um Jaguar e meio.


MAO

Uma pequena empresa com vinte funcionários, de Leicester, na Inglaterra, está prester a iniciar em novembro próximo as entregas de um novo esportivo, daqueles que fazem entusiastas babarem. A primeira aparição em evento público está ocorrendo nesse final de semana no Goodwood Revival Meeting.
O M6oo é claramente inspirado pelo Ferrari F40 (o meu preferido da marca italiana), não em aparência, mas em conceito de projeto, nas palavras de Peter Boutwood, o presidente da empresa. Nada de excessos ou acabamentos de luxo e concessões às modas. A Noble fez um carro bem montado, apesar de bastante simples, para sensações extremas.
Existe sim um controle de tração, direção hidráulica e vidros elétricos, por exemplo, mas não há borboletas atrás do volante, como em quase todo superesportivo que quer vender a aparência de piloto para qualquer um que puder pagar, nem ABS e airbags, só para citar dois itens que são quase universais em carros modernos, e que serão obrigatórios até no Brasil, em 2012.
O novo filhote do mundo dos supercarros é empurrado brutalmente a frente de forma incomparável, segundo a revista inglesa Autocar. Mesmo comparado ao Bugatti Veyron, a experiência é amedrontadora, nas palavras de Steve Sutcliffe, um testador com anos de experiência dirigindo os carros mais extremos que existem, e um ex-recordista da prova 0-100-0, um teste comparativo que a revista faz todos os anos, submetendo os carros desde a imobilidade às 100 milhas por hora, e de volta a imobilidade. Sutcliffe alcançou, em 2004, o tempo de 10,73 segundos com um Caterham R500 Evolution. No mesmo dia, um Ferrari Enzo fez a mesma coisa em 10,98 segundos.
O M600 tem motor V-8 de 4.414 cm³ com dois turbos, e controle de sobrepressão por botão no console. Com 0,6 bar acima da pressão atmosférica, são 450 cv. Com 0,8 bar, 550 cv e finalmente a 1,1 bar temos os 650 cv máximos, girando a 6.800 rpm. Com apenas 1.250 kg em ordem de marcha, a relação potência-peso fica em 520 cv por tonelada. O Bugatti Veyron apresenta 495 cv por tonelada.
Interessante notar a origem desse motor. Projetado pela Yamaha a pedido da Ford, deveria ser utilizado nos carros das marcas mais luxuosas da empresa americana, como Aston Martin, Jaguar e Volvo. Com a venda das duas primeiras para compradores diversos, o projeto foi aplicado apenas aos Volvo S80 e XC90, nas versões sem sobrealimentação, mais simples e menos potentes.
Ficou então livre para a Yamaha a aplicação das versões extremas para qualquer outro cliente que se interessasse, e a Noble diz que até 750 cv não é nada difícil de ser obtido.
Mas pela relação potência-peso mostrada, e um tempo de 0 a 100 km/h de 3 segundos, está claro que para o lançamento a potência ficará mesmo nos 650 cv, que são totalmente confiáveis. Como validação, a Noble correu 24 horas ininterruptas na pista de provas de Bruntingthorpe, além de ter percorrido 8.000 milhas (12.800 km) nos Estados Unidos, nos estados da Califórnia, Arizona e Nevada, para garantir o sistema de arrefecimento e permitir que o uso normal de cidade também fosse plenamente possível.
Espetacular, ver a chegada ao mercado de um supercarro com três pedais, tração traseira e de estilo absolutamente funcional. Me faz feliz em saber que o planeta ainda tem esperança.
Só depende do entusiasmo de quem faz.
JJ
Instalação na dianteira do Lexus LS400


Eixo dianteiro completo.


Até pouco tempo atrás, eu era um absoluto fanático por novas tecnologias automotivas.

De uns quatro ou cinco anos para cá, mudei um pouco esse meu comportamento, por conviver mais com pessoas que possuem carros antigos ou quase, ou ainda carros velhos com injeção de combustível com comando eletrônico, e que serão antigos de algum valor histórico em breve.
Pois bem, a quantidade de problemas de todo tipo e gravidade que se enxerga em carros com razoável conteúdo eletrônico, ditos modernos, me fez mudar um pouco de opinião.
Sempre comentamos no AUTOentusiastas as virtudes de carros antigos, e frequentemente discutimos um pouco sobre novidades técnicas. E sempre vimos opiniões de todos os tipos, como "antigo é que é bom", "feito para durar", ou na outra ponta "carro velho não é minha praia mesmo", "falem mais de novidades", coisas desse tipo.
Como não podemos ser radicais em nada nesse mundo, estava dia desses pesquisando um pouco sobre suspensões, e encontrei material sobre uma suspensão que promete ser revolucionária em concepção e funcionamento, e da qual havia me esquecido, pois foi apresentada há cinco anos.
Suspensão eletrônica Bose.
A marca Bose dispensa qualquer apresentação para quem tem um mínimo de curiosidade sobre equipamentos de som automotivo ou residencial.
A empresa usa o nome do Dr. Amar Gopal Bose, um americano de mãe indiana, nascido em 1929, que estudou engenharia elétrica no MIT (Massachussets Institute of Technology), a mais renomada escola de engenharia do mundo, e se tornou professor por lá até o ano 2000. Essa empresa fabrica sistemas de som de alta qualidade, calcado em pesquisas acústicas, aplicando-as de forma prática.
Em 2004, a Bose apresentou um trabalho para a indústria de automóveis, fora da área acústica , uma suspensão ativa. O Dr. Bose explicou, à época, ser fascinado por suspensões, pela dualidade do que ela deve entregar ao veículo: conforto e controle das rodas. A oposição de uma função em relação a outra o fez pensar muito, desde 1957 quando comprou um Pontiac modelo 58 com suspensão a ar, e passou 10 anos com ele, estudando, fazendo a manutenção e aprendendo. Não é que o grande mestre do som é também entusiasta de carros? Logo depois do Pontiac, veio um Citroen DS com a famosa suspensão hidropneumática, que tanta dor de cabeça trouxe aos proprietários sem fácil acesso a peças de reposição e especialistas que a pudessem manter, e mais conhecimento foi acumulado.
Em 1980 o Dr. Amar formou um grupo composto por pessoas do MIT e de sua empresa, para desenvolver a suspensão ideal, utilizando algumas das especialidades da empresa, nesse caso amplificação de potência, velocidade de acionamento de contatos elétricos e eletrônica básica.
Do início do desenvolvimento até a apresentação do protótipo, vinte e quatro anos se passaram, em sigilo.
O maior problema era ter a capacidade de processamento de dados para que os componentes trabalhassem com a velocidade suficiente para poder ser considerado uma suspensão ativa de verdade. Vejam o filme ao final do texto, tenho certeza que vocês irão se surpreender.
O protótipo, batizado de BSS (Bose Suspension System) foi instalado em um Lexus LS400 ano 94, o carro mais bem isolado e silencioso na época em que foi lançado, e que foi a referência nessas características por um bom tempo. Segundo as informações divulgadas em 2004, não houve alterações na estrutura do carro, apenas na própria suspensão e eletrônica do carro.
Conceitualmente, o sistema é simples, composto de motores eletromagnéticos lineares, que trabalham mais ou menos como alto-falantes, ou seja, se movimentam em dois sentidos opostos em uma mesma direção, ao serem submetidos a um campo elétrico de uma bobina, gerado por corrente elétrica. Nessa suspensão, as torres, que são como amortecedores, se extendem ou retraem na velocidade e com o curso necessário para cada situação. Os motores elétricos de cada um dos quatro cantos do carro tem amplificadores de potência, e são regenerativos, ou seja, absorvem energia quando as forças da roda agem na torre, armazenando energia para a reação, para o motor empurrar a roda para baixo. Sensores em várias posições leem o solo à frente do carro e enviam informações para uma central eletrônica.
Nesse protótipo, o processador de controle era um Pentium III de 750 MHz, já um pouco lento para os dias atuais de nossos computadores pessoais. A suspensão dianteira tem aparência similar a uma coluna McPherson, a traseira são dois braços triangulares sobrepostos, o famoso double-wishbone. As molas são barras de torção (Dodges antigos, Fusca, S10, Pajeros grandes), e há amortecedores passivos de pequenas dimensões, como os dos carros normais, para caso de problemas nos sistema. Barras estabilizadoras são totalmente dispensáveis, assim como geometrias de direção elaboradas para compensar a inclinação do carro. Simplesmente isso não é preciso com essa invenção.
Claro que a tecnologia de alto nível tem sua contrapartida, que é o custo e a massa de todas as peças. No protótipo, esse aumento foi de 45 kg, e custos não foram divulgados.
Recentemente não houve mais nenhuma divulgação por parte da Bose, mas podemos estar certos que o trabalho não parou, e esse sistema deve aparecer novamente no cenário automotivo em breve.
Ao menos é o que desejamos. E que seja 100% confiável e muito durável, para facilitar a vida do entusiasta colecionador do futuro.
Vejam o video aqui.

JJ

Dois novos moradores na coleção do JJ, um Corvette 63 e um Nova 70, ambos gassers, da marca Hot Wheels. Esse são maiores que os "carrinhos de brinquedo", escala aproximada 1:43.

JJ