google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
...QUE TE DIREI QUE ÉS.

Tenho certeza que muitos de nós autoentusiastas gostamos de guardar revistas, textos e lembranças em papél sobre carros e assuntos que gostamos ou achamos interessante.

Pausa.

Logo no início da minha carreira como engenheiro achei que minha peregrinação para conseguir influenciar um automóvel no seu conceito seria muito longa. Para um engenheiro conseguir fazer um carro como ele idealiza ele não pode trabalhar em grandes fabricantes. Tem que ser praticamente o dono da empresa e não se preocupar muito com questões financeiras relacionadas à sua subsistência. Um bom exemplo de engenheiro de sucesso é o Gordon Murray. Mas como passo muito longe de ser um gênio como ele, logo pensei em outro jeito de conseguir influenciar a concepção de um projeto sem ter que percorrer toda a escalada até os cargos mais altos.

Acho que o caminho mais curto seria me transformar em designer, projetista. Esse realmente cria algo, é um artista. Talvez a área em que eu realmente desejasse trabalhar. Mas quando somos jovens e temos que decidir o rumo de nossas vidas, dificilmente conseguimos conciliar sonhos com necessidades mais práticas. E muitas vezes, apesar de termos algum sonho, não sabemos como concretizá-lo. Além do mais, para ser designer é necessário talento ou muita dedicação desde pequeno. Sempre desenhei bem, mas não o suficiente para ser designer. Talvez se tivesse começado cedo...

A grande maioria dos engenheiros se torna especialista em algum sistema ou componente. Ou seja, podem trabalhar em tecnologias e avanços em apenas uma parte de um carro. E assim ficam por anos, cada vez mais especialistas.

Nos tempos modernos quem define as diretrizes do projeto de um novo carro? Para os que não sabem, isso fica a critério dos departamentos de planejamento e de marketing. Ambos trabalham conjuntamente observando as tendências, fazendo pesquisas para entender a cabeça dos consumidores, observando os resultados dos modelos que já estão no mercado e definindo os requisitos para um novo modelo. De maneira geral, esses requisitos são: segmento em que o modelo vai atuar, tipo de carroceria, posicionamento de preço, versões e equipamentos e perfil dos consumidores.

A partir daí o departamento de estilo e a engenharia vão trabalhar numa proposta mais palpável. Aí entra o pessoal de marketing e de planejamento para dar pitacos e dizer o que serve e o que não serve. No meio disso tem o pessoal de finanças que cuidas dos custos e quase sempre inviabiliza muitas das ideias bacanas.

Os designers, apesar de ainda serem artistas, não têm toda a liberdade para se expressarem (pois no final o carro tem que ser usável no dia a dia) e o "packaging" os limita bastante.

Então, quem direciona o conceito? Planejamento e marketing. E não a engenharia (a engenharia pode puxar a sardinha para alguma direção específica uma vez que eles é que dizem como executar o projeto). Logo que percebi isso tratei de fazer um pós-graduação em marketing e comecei a me mexer para mudar de área de atuação. Fui buscar o meu sonho. Deu certo. Consegui influenciar muito mais os projetos em que participei em minhas passagens no marketing e planejamento de produtos, além de ganhar uma visão muito mais ampla do negócio. Tem um lado ruim, pois acabei me distanciando muito da engenharia. Qualquer dia conto isso em mais detalhes em outro post.

Essa pausa acabou saindo bem maior do que eu pretendia.

Voltando ao motivo desse post. Em uma recente arrumação nos meus papéis e recordações encontrei uma propaganda que utilizei no pós-graduação para ilustrar um dos importantes conceitos de marketing sem o qual seria quase impossíve fazer um anúncio ou publicidade de um produto. Estou falando do posicionamento.

Todo produto que chega oa mercado deve ser posicionado de acordo com a estratégia da empresa ou do produto. Segundo o papa do marketing, Philip Kotler, "posicionamento é o ato de desenvolver a oferta e a imagem da empresa (ou produto), de forma que ocupem um lugar distinto e valorizado nas mentes dos consumidores". Complementando ele ainda diz: "qualquer empresa ou marca (ou produto) pode ser diferenciada. Não há mais uma commodity. Em vez de pensar que está vendendo uma commodity, a empresa deve ver-se na tarefa de converter um produto indiferenciado em um produto diferenciado".

Mas para isso funcionar o produto, de fato, tem que entregar essa diferenciação e esse posicionamento. Acho que é o caso do Peugeot 306 GTi - 6, lançado no final da década de 1990. Veja a propaganda que saiu na época.


A Peugeot achou que valia a pena investir no seu hatch esportivo diferenciando-o dos demais concorrentes de sua categoria com o uso de uma transmissão de 6 marchas. Para posicioná-lo no mercado adotou uma comunicação, ao meu ver, muito eficiente.

A mensagem curta e direta "slowest in its class", o mais lento na sua classe/segmento, associada a imagem do 306 no meio de supercarros faz com que o leitor pare e pense a respeito, ou que ao menos se interese em ler o texto adicional. É claro que o 306 não faz parte dessa classe. Mas de alguma maneira também não faz parte da classe/segmento dos hatches (de 5 marchas).

"Posicionamento é o ato de desenvolver a oferta e a imagem da empresa (ou produto), de forma que ocupem um lugar distinto e valorizado nas mentes dos consumidores."

O texto pequeno diz: "No passado, se você quisesse um supercarro de 6 marchas, você precisaria ter uma salário de 6 dígitos. Mas agora não mais. O novo Peougeot 306 GTi-6 com seu motor 2-litros de 167 cv custa apenas 18.670 libras. O que lhe faz estar entre os primeiros, só perdendo para os mais rápidos" (no caso um Ferrari F550, um Aston Martin Vantage e um 911).

Comparando o 306 com esses carros, mas dizendo que ele é o mais lento entre eles, a Peugeot o posiciona acima de seus concorrentes diretos - o diferenciando - sem parecer arrogante. E isso fica marcado na cabeça dos consumidores.

Tudo isso só pra dizer que gostei desse anúncio, que fala bastante com os entusiastas.

Agora imaginem a dificuldade do pessoal de marketing da Kia para posicionar o Soul. Como o carro não pode nem se enquadrar em um segmento (tipo de carroceria) específico, a Kia o chamou de "carro design". Muito vago e sem identidade. Mas isso também fica pra outra ocasião.

PK


Algumas fotos da corrida deste fim de semana em Interlagos, que teve a vitória da dupla Daniel Serra e Chico Longo com o F430 GT3 de número 1.


Protótipo HEVE - Divisão 4 dos anos 70

Ford GT - GT3

Ford GT - GT3

Ferrari F430 GT3 - vencedor da prova

Porsche 911 RSR

BMW M3 V8

Porsche 911 RSR

Protótipo Moro - pole position

Ferrari F360 GT2

Astra Stock Car V8 e Ferrari F430 Challenge


Mais informações em breve!
Aqui vai uma para o meu amigo Juvenal, com quem cruzo por aí às vezes no dia-a-dia, e ele nunca deixa de me cobrar um post, mesmo nesses tempos menos inspirados.
Enjoy!


Ferraris sempre são veículos curiosos. Despertam o falso entusiasta, aquele que pouco conhece, mas que dispara a falar de carros como se fossem parte da vida dele, empolgam pessoas que só usam carros para ir ao trabalho ou supermercado, geram frases descabidas, como dizer que Ferrari é o melhor carro do mundo, e mais uma porção de reações interessantes.

Eu sempre tenho minhas restrições com Ferraris de motor central, cheios de eletrônica de bordo e, digamos, "de entrada". A mim parecem mais carros comprados pelos tais falsos entusiastas, pois Ferrari todo mundo conhece e eles não precisam ficar explicando o poder que estão incorporando às suas personalidades ao possuir um carro dessa marca. Mesmo porque a maioria dos compradores não conseguiria explicar nada mesmo, se fosse uma outra marca de supercarro não-popular. Já imaginaram alguém tentando explicar a origem, ou o propósito de um Ultimate Aero, ou de um Porsche Ruf para quem não se liga em carros?

Sei, a maioria não concordará com isso, e despejarão vários contra-argumentos, como os dados técnicos excepcionais, os números de desempenho, a equipe de Fórmula 1, a vida do Comendador Enzo. Mas não me emociona, não me deixa louco para ganhar na Mega-Sena e sair correndo para a loja, não está na minha wish-list, não são prodígios de engenharia automotiva no nível que deveriam, pela celebridade que a marca possui e, pior, pelo preço cobrado.

Desde os 348, depois os 355, 360, 430 e agora esse 458, sempre estiveram em planos inferiores no mundo dos supercarros de minha preferência. São por demais enfeitados e complicados para me atraírem, por demais comuns aqui no Brasil para terem uma imagem de raridade. Antes desses a situação era um pouco melhor, como o 328 do Magnum, aquele investigador que usava bermudinha com cinto. Era um carro mais honesto.

Muda completamente de ótica quando falamos de Ferraris cruas, F40 o maior exemplo. Feito com UM propósito: ser o mais veloz carro de produção do mundo, proporcionando ao piloto sensações de carro de corrida. Este é o maior expoente moderno da marca italiana mais famosa. Um monstro. Sem frescuras, como eu gosto. Bob Sharp dirigiu um, o único que veio ao Brasil, e pode explicar bem o que é conversar com essa máquina histórica.

Os de motor dianteiro, V-12, são ícones reais. Maior de todos: 250 GTO.

Vejam, são carros diversos dos Ferraris comerciais. Esses que são feitos para sustentar a marca, a equipe de Fórmula 1, atendendo os admiradores incondicionais de gadgets eletrônicos, de botõezinhos coloridos no volante, de escapamentos barulhentos para virar cabeças nas ruas da moda (argh !!!), mesmo andando devagar.

Não chegarei a extremos de críticas, nem direi que a marca morreu, longe disso. Mas que a maior parte do que a Ferrari fabrica hoje é passável, disso não tenho dúvida.

E esse novo Italia....bonitinho, deve ser uma bela arma. Vai mostrar acelerações dignas da Enterprise do Capitão Kirk, fará curvas de estirar músculos de pescoço dos mais enferrujados, freiará de maneira e extrair o almoço dos passageiros (e de alguns motoristas), e causará lentidões em ruas pelo mundo todo, que pararão para ficar apreciando-a.

Mas continuará sendo, para mim, apenas um esportivo com sobrepreço.

Vai melhor um Carrera básico e mais algum outro carro com o troco. Ou melhor ainda, Carrera e uma bela viagem.

JJ