google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Vi este carro num estacionamento, agora de manhã. Não aguentei a imbecilidade e fiz a foto: não se vê o interior através de nenhum vidro. Me pergunto: o que se passa na cabeça de um infeliz que manda fazer isso no carro? Medo de assalto? Querer parecer importante, "otoridade"? Falar ao celular sem risco de ser autuado? Ou será para ninguém "azarar" a mulher dele? Qualquer que seja o motivo, estamos diante da Grande Imbecilidade Brasileira, que parece só crescer. Até quando quem deve zelar pela segurança do trânsito fará vista grossa a essa inominável irregularidade?
BS
espartano
es.par.ta.noadj (top Esparta+ano2) 1 Relativo a Es­parta (Grécia antiga). 2 Caracterizado por simplicidade, frugalidade, abstenção de conforto e luxo, autodisciplina, severidade de maneiras, bre­vidade no falar, imperturbabilidade perante a dor ou o perigo. 3 Austero, sóbrio. sm Natural ou habi­tante de Esparta. Var: esparciata, espartíaco, espartiata.

O post de Egan a respeito da despedida de seu Jeep CJ5 me fez pensar em duas coisas.

A primeira é que a rotatividade anda alta na casa dos Egan. Compraram, usaram e venderam o Jeep sem que eu visse o bicho!

A segunda diz respeito a palavra aí em cima. Espartano é a melhor definição para o CJ5. Sério, eficiente, frugal e avesso ao supérfulo. Na verdade, o verbete acima devia ser ilustrado pela foto abaixo:


Hoje em dia se diz que um carro é espartano quando é depenado de equipamentos opcionais; para mim um uso errado da forte palavra. Os espartanos, além de viver sem luxos, eram altamente disciplinados, fortes, sérios e eficientes em batalha. Sua duríssima educação os tirava de casa aos sete anos para efetivamente viverem sozinhos, e portanto suas vidas não tinham lugar para frivolidades. A palavra não cabe a um Mille ou a um Celta, mas é perfeita para o veterano de batalhas acima. Assim limpo, ascético, sem rodas enormes e bancos modernos e santantônios e pinturas berrantes, é como todo CJ5 devia ser.

Deve-se defenestrar também aquele monte de lonas que tentam fazer passar por teto nestes carros. Afinal de contas, se os espartanos viviam pelados e sem abrigo até os 18 anos de idade, nada mais justo.

O carro, pelado dessa maneira, exibe uma aura de desprezo a frivolidades e a modismos visuais, que temos que respeitar. Um jipe CJ5 vai levar você a qualquer lugar do mundo, em qualquer terreno, a qualquer hora, sem reclamar ou lhe dar trabalho. Não é veloz, não é confortável, mas é fiel como poucos à sua missão básica.

Só de olhar para essa foto nos faz imaginar como seria bom se nossa vida fosse tão simples como este carro. É quase uma sessão de terapia instantânea, e uma lição de que a vida não precisa ser refrigerada e isolada do que se passa lá fora, como nos acostumamos a vivê-la.

MAO




Hoje recebi aqui em casa uma ferramenta muito legal que pedi a um amigo ferramenteiro para fabricar. No outro post meu, "Reminiscências", citei balanceamento de motor e a maneira que eu usei para tentar disponibilizar e popularizar aqui. Foi legal, consegui, hoje mais algumas pessoas fazem balanceamento dinâmico de eixos de motores diversos. Essa ferramenta que recebi hoje, a placa de brunimento, é outro pequeno detalhe que é corriqueiro em outros países; nos EUA, toda retífica tem essas placas para todos os motores comerciais e aqui nada, não se comenta sobre.

O que é? É uma placa de aço carbono, com 1 polegada de espessura, que deve ser aparafusada no topo do bloco, usando parafusos idênticos aos dos cabeçotes porém mais curtos, que devem ser torqueados na mesma sequência e com o mesmo torque, nas mesmas etapas de um cabeçote normal, que visa reproduzir no bloco, durante a fase de brunimento, a deformação causada no bloco pelo aperto dos parafusos de fixação do cabeçote. É importante citar que deve ser colocada entre a ferramenta e o bloco uma junta de cabeçote. Vale frisar que essa deformação é pequena, da ordem de poucos centésimos de milimetro, mas é importante o suficiente para causar perdas de compressão especialmente no período de amaciamento.
Esse detalhe é importante o suficiente para fazer que este procedimento seja padrão em retificação de motores nos EUA. Inicialmente mandei fazer 2 peças, uma para Dodge V-8 bloco pequeno, e outra para motores Ford bloco pequeno, famílias Windsor e Cleveland, que são os mais populares por aqui. Breve pedirei para motores Chevrolet V-8, pequeno e grande e mais Mopar bloco grande.

Preciosismo meu? Não acho. É uma tecnologia simples, barata e fácil de se usar. Que pode e deve ser usada em qualquer motor em que se pretenda ter algo mais em desempenho.

Autor do post: Carlos Zilveti
Um lugar que todo autoentusiasta tem de visitar na Itália.


Sempre carrego comigo um pensamento sobre viagens que fazemos por questões profissionais: você se engana que está conhecendo algo. Conhecer tem um sentido muito mais profundo. A agenda o fará centrar foco no seu objetivo de viagem e não no lugar que está visitando. Quando o trabalho termina, o retorno o espera com pressa. Ao chegar, temos a certeza que não vimos nada. Que conflito!

Certa vez, no fim de agosto de 2007, estive em Turim, para executar um trabalho. Durou pouco menos de uma semana. Rotina de correrias, reservas, a secretária (nossa segunda mãe), me prepara vouchers, tíquetes aéreos, recomendações, enfim, partida.

Quando chego ao Hotel Meridien de Turim, deparo-me com um colosso arquitetônico impressionante. Pesquiso pouco mais sobre o que é aquilo, e-mails com amigos e tomo ciência que estava hospedado num hotel que antes fora a primeira fábrica da Fiat!


Trato de me informar com o pessoal da recepção e recebo um pequeno livreto. Insuficiente. Aqui há uma pista suspensa? Não, na verdade não é suspensa. Fica no topo do edifício. Como faço para chegar lá, então? O senhor vai até o shopping, mostra este cartão do hotel, pede para abrirem a você uma porta que o levará a pista, que hoje é... uma pista de jogging!


Praticante de jogging, eu havia deixado material de corrida no Brasil. Volto ao shopping, compro calção e tênis e me programo para a primeira hora da manhã seguinte, aproveitando que as reuniões começariam às 9h. São duas retas de em torno de 400 metros, ligadas por duas parabólicas de 100 m cada.


Essa fábrica foi construída no início do século passado e passou a operar em 1923. Baseou-se no modelo Ford de produção e a sequência de montagem era piso acima, até que os carros chegavam à pista para teste de produto acabado. Interessante. Dentre seus modelos, o Topolino, iniciado em 1936, foi o mais ilustre.

Com a decisão da Fiat de encerrar suas atividades ali em 1982, uma vez que a fábrica perdera competitividade, muito se discutiu o que fazer daquele imenso complexo, até que a decisão foi shopping center, hotéis (são dois), espaço de convenções, de arte etc. Por melhor sucedidos que sejam os empreendimentos que se seguiram, a mim fez falta um principal: um museu. Não que a Itália não os tenha em profusão, mas a cidade de Turim ainda é tida como berço da Fiat. O escritório de administração principal fica num prédio a poucos metros dali: por que não um museu, ou algo que evocasse um pouco do que a história que aquilo representa?

Enquanto clicava, notei que havia um grupo de pessoas fazendo rapel. Rapel? Bom, profissionais de limpeza ou o que seja, outra atividade impensada para o que fora uma fábrica de automóveis. Tampouco questionarei a utilidade da cúpula de vidro, obra do arquiteto que se encarregou da segunda vida do complexo.


No fim, fica sempre o gosto. Quero voltar, ficar o tempo necessário para realmente conhecer! Que seja na próxima.

Como não podia deixar de ser, Lingotto também foi palco de filmes na década de 60, como "Mafioso" (1962) e "Italian Job" (1969).

Adicionei alguns links do Youtube que explicam (um deles em italiano) maiores detalhes do passado desta fábrica.

http://www.youtube.com/watch?v=CRftNfoX7EQ

http://www.youtube.com/watch?v=adscUe0wK6U

No prédio vizinho, "il headquarters", onde "Il capo di tutti i capi" e sua equipe comandam as operações do grupo.