google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Fotos: divulgação


A Volkswagen lançou a receita BlueMotion no mercado brasileiro com o Polo de mesmo nome. BlueMotion é o nome dado pelo Grupo VW a produtos mais favoráveis ao meio ambiente do ponto de vista consumo de combustível e emissões de CO2. Na Alemanha há Polo BlueMotion desde 2006, seguindo-se outros modelos como Passat, T5 (Transporter), Jetta e Touran, todos com motor Diesel TDI.

A VW do Brasil é a primeira empresa do Grupo a introduzir o conceito num modelo com motor de ciclo Otto, que por motivos óbvios é flex.

O Polo BlueMotion, de motor 1,6-litro, está na rede de concessionárias da marca por R$ 46.270 básico e R$ 55.370 completo. Mas serão apenas 300 unidades produzidas em 2009, e somente na cor prata.

Acabei de assistir (pela tevê) a prova de abertura da Copa Nextel de Stock Car, em Interlagos, e estou estupefato: nada menos que seis carros perderam o capô ou, mais precisamente, a carenagem dianteira. É o cúmulo da incompetência! Isso numa prova de apenas 50 minutos. Uma das carenagens foi vista "enchendo", pela câmera de bordo, o para-brisa do carro de Ricardo Maurício, que vinha em terceiro. Foi pura sorte nada de mais grave ter acontecido.

Também incrível foi os carros ficarem sem a carenagem e....cadê o motor V-8 de 5,7 litros? Pois foi recuado num grau inimaginável. Claro, consegue-se melhor distribuição de peso entre os eixos, mas, para quê, numa categoria multimonomarca (ou monomultimarca, o leitor escolhe...)? E no novo carro a transmissão é um transeixo traseiro, deslocando mais peso ainda para trás.

Sem contar o lugar do piloto, praticamente no que seria o banco traseiro, outra insensatez.

Pergunto: para quê um carro de corrida tão diferente dos que existem no mundo? O piloto brasileiro habituado a um carro desses não encontrará carro semelhante lá fora, o que não lhe é nada interessante. Valor como escola, zero.

Enquanto isso, o único campeonato de marcas no Brasil, de velocidade em circuito, merecedor do nome, é disputado com....cavalos-mecânicos: a Fórmula Truck.

O que está acontecendo com a cabeça dos brasileiros?
BS




Tenho seguido com atenção as notícias que acompanham o circo da Fórmula 1 este ano.

Depois de um final de temporada eletrizante, se olharmos para 2008 em retrospecto, notamos que a emoção ficou para a última prova, mas a disputa esteve entre as mesmas duas equipes que vêm duelando e alternando-se na liderança, há mais de dez anos. Para 2009, como sabemos, há mudanças importantes no regulamento, que ditaram novas dimensões e posicionamento das asas dianteiras e traseiras, a volta dos pneus slick e o polêmico KERS (opcional) e essas mudanças têm trazido consigo uma alteração na ordem das equipes.

Afinal, quem poderia esperar que do rescaldo do time Honda tivesse surgido a Brawn GP e esta alinhado seus dois carros na primeira fila na qualificação do GP da Austrália? E a pole meio segundo mais rápido que a do ano passado? E a dobradinha na chegada?

Não foi só a Brawn GP. Williams, Brawn GP, Toyota, RedBull, Brawn GP, Toyota, Williams, RedBull e Force India, nesta sequência, ficaram com dez melhores tempos da segunda sessão de treinos livres. O Ferrari de Massa ficou com o décimo primeiro melhor tempo. No grid de largada, dois Ferrari e um BMW misturaram-se a antigos 'coadjuvantes' entre os 10 primeiros.

Muito se especula sobre quais são os fatores que estão permitindo a Brawn GP andar na frente. Pode ser o polêmico difusor (será banido ou copiado?) o maior responsável, mas o que me tem feito vibrar é a oportunidade que as equipes tidas como pequenas estão aproveitando com as mudanças no regulamento. Ver o talento criativo trazer um novo time à ponta, enfim, essa emoção vinha fazendo falta. Estes sim, fizeram da mudança uma oportunidade.

Outra história não menos interessante é quanto ao fabricante do KERS que debutou na Renault já no primeiro GP do ano, sendo que a maior parte das equipes não estão ainda prontas. Lembremos que somente sete carros trouxeram KERS consigo para a primeira prova: dois Ferrari, dois McLaren, dois Renault e um BMW.

Jon Hilton era engenheiro de trem de força da equipe Renault F1, em 2007, quando a FIA confirmou que o KERS estrearia este ano. Doug Cross era o gerente de projeto do mesmo time. Ambos já trabalhavam na pesquisa de energia regenerativa quando foram demitidos da equipe, uma vez que o desenvolvimento dos motores estava congelado e não seria necessário manter mesmo tamanho de efetivo técnico. Decidiram montar a Flybrid, uma empresa de KERS, enquanto discutiam seu futuro num bar.

Seu projeto pode não ser o mais potente, por enquanto 80 cv, para serem despejados adicionalmente às rodas, por menos de 7 segundos, enquanto dizem haver "no forno" equipamentos que trarão quase 280 cv adicionais. A história deste desenvolvimento merece capítulo à parte. Argumenta-se que a quantidade de energia acumulada num carro, em uma volta, cerca 840 quilojoules (kJ), representa energia equivalente a 20 ml de combustível. Pouco, por enquanto. Mas o pacote técnico é leve e confiável e já trouxe performance interessante em disputas com carros desprovidos desse equipamento. Quem estiver interessado, pode acessar os links:

http://www.racecar-engineering.com/articles/f1/182014/f1-kers-flybrid.html

http://www.f1fanatic.co.uk/2007/09/26/kers-technology-revealed/

http://www.flybridsystems.com/F1System.html

Mas onde vou também é que essa empresa nasceu de dois engenheiros recém-demitidos da equipe Renault F1, que hoje fornecem a ela seu sistema. Outra tremenda oportunidade, tirada das mudanças. Que venham mais.



Você acreditaria se lhe dissesse que a Renault, famosa por seus carros de personalidade eminentemente francesa, já produziu um legítimo Muscle Car?

Tal coisa só podia ter acontecido na América Latina, terra dos mais absurdos, e por isso mesmo mais interessantes, híbridos do planeta. Vejam o caso do carro em questão, o Torino.

Esta história começa em 1956 com a fundação da IKA (Indústrias Kaiser Argentina), produtora de automóveis sediada em Santa Isabel, na distante província de Córdoba. Após produzir Jeeps diversos, entra em acordo comercial, em 1959, com a estatal francesa de Paris, que se transforma em IKA-Renault para adicionar inicialmente o Renault 4 a sua gama.

Em 1962, outro acordo, com a então infante AMC americana, é o pavio para o desenvolvimento de um carro para combater o popularíssimo Ford Falcon, usando como base o Rambler American de 1964 (abaixo).



O engenheiro-chefe da empresa, George Harbert, não se contentou em apenas transplantar o Rambler para solo portenho. Não, queria mais, queria um carro especial que fosse entendido por seus compatriotas como algo de seu país, e não apenas mais um flácido americano nascido lá por azar (ou provavelmente sorte, pensariam os argentinos).

O carro é então levemente restilizado pela casa Pininfarina, ganhando também um painel de instrumentos de personalidade decididamente italiana. Além da dessa argentinização da aparência, toda a estrutura e suspensões do carro foram reprojetadas para a maneira de dirigir do povo de seu país, decididamente mais forte que a dos americanos, e em estradas infinitamente piores. O fato do Torino ter grande sucesso em "carreteras"e ralis posteriormente deve muito a este cuidado dos seus criadores.



Um belo logotipo, com um touro dos pampas estilizado, ajudou a completar a mudança de personalidade do carro, de um carro pequeno para senhoras americanas irem as compras para um luxuoso e esportivo sedã para aristocratas portenhos.

Por uma incrível sorte, o Torino acaba por ganhar em seu nascimento um propulsor interessantíssimo. Desenvolvido para ser usado em Jeeps pela Kaiser no início dos anos 60, o Tornado six de seis cilindros em linha teve vida curta nesses carros: era muito complexo, caro e comprido para os Jeeps. Quando a Buick americana desistiu de usar seus V-6 em meados da década de sessenta, a AMC habilmente, sentindo que o simples, ótimo e barato V-6 era perfeito para o CJ5 e seus derivados, comprou o ferramental e o projeto, e mandou o seis-em-linha para a Argentina.

A história desse V-6 Buick ainda precisa ser contada, porque é cheia de idas e vindas e drama e suspense como uma boa novela policial. Basta saber que a Buick acabou por comprá-lo de volta e fazer coisas absolutamente inesquecíveis com ele, como o Buick GNX e o primeiro Omega "australiano"que tivemos aqui no Brasil!

Mas estou divagando...De volta ao interior da Argentina no meio dos anos 60, e nosso amigo Harbert, que agora tinha em mãos um novo motor para seu novo carro. Como vocês podem imaginar, um motor que era complexo e caro para um Jeep só podia ser perfeito para o Torino. Seis cilindros em linha, sete mancais, e inusitadamente para um propulsor americano da época, comando de válvulas no cabeçote (OHC) e câmara de combustão hemisférica. Era oferecido em 3 versões: 300 (3,0 litros e carburador duplo Carter) , 380 (3,8 litros e carburador duplo Holley) e finalmente, o mítico 380 W com três gloriosos Weber horizontais duplos e 220 cv.



Lançado em 1966, o Torino era oferecido em várias versões de duas e quatro portas, e logo se tornou um símbolo de status em seu país. Infelizmente, Harbert não chega ver seu filho pronto, pois morre tragicamente em acidente automobilístico perto do lançamento.

O carro logo é adotado pelos corredores argentinos como seu melhor puro-sangue para las carreteras, e tem uma longa e gloriosa carreira em competições, invariavelmente com enormes pneus saindo de seus para-lamas cortados. Em 1975, a IKA era comprada pela Renault e o Torino ganha um logotipo da empresa e vira um RENAULT Torino, e assim permanece produzido até que os efeitos da segunda crise do petróleo o mata em 1982.



Logo na primeira semana que cheguei na Argentina, me deparei com um cupê saindo de um prédio. A primeira coisa que me chamou atenção foi como é pequeno; mesma sensação que tive após ver um Falcon depois de décadas. Tinha na cabeça que eram enormes carros americanos, mas na verdade são ridiculamente pequenos para os padrões americanos, e de tamanho apenas médio hoje em dia.

A outra foi o som do motor. Eu gostaria qu vocês pudessem ouvir a melodia exótica e embriagante daquele motor ao sair calmamente da garagem e depois ser acelerado com vontade. Mas na verdade, graças ao milagre do Youtube, vocês podem ouvir algo parecido sim:

http://www.youtube.com/watch?v=NbuvJMVGxHU&feature=related

Vejam também uma propaganda de época e um filme em que um Torino de corrida é protagonista:



O Torino, especialmente se equipado com o motor 380 W, é um carro especial; um muscle car portenho com comportamento decente, e a alma fincada em corridas de velocidade na terra, tal qual EVOs e WRX hoje.

É um Renault muito, mas muito diferente mesmo...

MAO


Nota adicional de Bob Sharp:

Nas 84 Horas de Nürburgring, em 1969, o Torino 380 W foi o carro que mais voltas deu, mas foi penalizado por perder parte do escapamento e ter de fazer o reparo. Ainda chegou em quarto, atrás de um Triumph TR6, BMW 2002 e Lancia Fulvia HF. Na época foi muito comentado. Nos, boxes, o chefe era ninguém menos que Juan Manuel Fangio. As duas fotos do fim do post, logo aí acima, são desta corrida, e o sujeito de boina na primeira foto é Fangio himself.