google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Fui autuado. Excesso de velocidade. Em estrada. Sou um mau motorista.
Este é o pensamento sem inteligência que alguém poderia ter ao receber uma notificação de infração como a que eu recebi hoje. Eu afirmo que é uma bobagem se achar um mau motorista por ter sido autuado. Isso porque as leis são burras. Estupidamente burras e desprovidas de lógica, fabricadas e fiscalizadas por órgãos de mesmo naipe que as leis.
Uma autuação a 105 km/h em local onde o limite é de 90 km/h, às 11h06 de um dia claro, seco, com visibilidade perfeita, estrada ótima e quase vazia, motorista descansado, carro em ordem, apesar de não ser novo.
Com 3 adultos a bordo, e duas crianças de 5 e 6 anos. Um deles meu filho.
Não é necessário dizer que minha atenção triplica quando tenho meu pequeno a bordo. De forma alguma dirijo de forma perigosa com ele no carro, por motivos mil.
Não, autoridades, o Juvenal a 105 km/h em uma estrada boa, com um carro decente, não é um infrator.
É apenas mais um trouxa que está contribuindo para enriquecer quem não precisa. É dinheiro que faz falta no orçamento lá de casa, mas que agora irá para algum uso muito menos nobre, sabe-se lá onde.
Os infratores de verdade foram sendo avistados na estrada. 
Carros velhos muito lentos. Carros novos e de altíssimo preço, sendo dirigido como se o dono estivesse desesperado correndo atrás de mais dinheiro. Turmas de motociclistas passando carros e caminhões pela esquerda e pela direita, a velocidades 60, 80, 100 km/h mais rápidos que o fluxo, numa prova de total falta de bom senso e segurança. Motoristas trocando de faixa sem ligar seta, falando ao celular.
Temos de tudo, é prato para todos os gostos. Infrações de verdade, malfeitores das ruas.
Mas eu sou o infrator, o fora da lei. Porque alguém resolveu que ali, naquele ponto da estrada, deveria ser instalado mais um caça-níqueis.
Que possam se arrepender em vida.
JJ
O recente post "À prova de..." terminou com a chamada: "Será que daria para inventar um jeito de dirigir à prova de incompetentes?"
Pois não é que já tem gente pensando nisso? E não é de hoje! O Sr. Masuyuki Narusi, um inventor japonês de 74 anos, fabrica artesanalmente um sistema especial de pedais acelerador/freio há mais de 20 anos. Ele acredita que as pessoas têm uma tendência natural de pressionar algum pedal, qualquer que seja, num momento de pânico. E com alguma chance de apertar o pedal errado. Segundo ele, os fabricantes de automóveis dizem que isso é um erro do motorista. Mas ele questiona se o sistema atual, de dois pedais, não é um projeto ruim. E eu concordo com ele que há margem para melhorias.
Em 2009, só no Japão houve 6.700 acidentes de trânsito onde se acredita que tenha havido erro dos motoristas ao pressionarem o pedal do acelerador em vez do pedal do freio. E por mais que possamos achar  que isso se trate de incompetência ou inabilidade dos motoristas, o fato é que acidentes desse tipo acontecem. E se acontecem, o sistema de pedais acelerador/freio pode ser melhorado para evitá-los. 
O Sr. Narusi, depois de passar por dois episódios onde ele mesmo se atrapalhou com os pedais, projetou um sistema conjugado à prova de erros, ou melhor, à prova da tendência natural dos motoristas. No seu sistema, o pé direito aciona o pedal do freio da maneira tradicional como conhecemos. Mas o acelerador é acionado com um movimento do pé, apoiado no calcanhar, para a lateral. O contato com o pedal é feito pela lateral externa do pé. Em caso de pânico não há como errar o pedal, o pedal do freio será sempre acionado e do acelerador, aliviado.
Fonte: The New York Times
O novo sistema, embora simples, esbarra no nosso condicionamento e costume com o sistema atual. Seria necessário que os motoristas se adaptassem a operá-lo, o que não deve ser muito fácil para todos e pode haver alguma resistência. Imagine se algum fabricante se habilitaria a ser o primeiro a correr o risco de rejeição ao lançar o novo sistema no mercado. Mas mesmo assim eu admiro o Sr. Naruse por mostrar que há outras soluções possíveis. Basta alguém comprar a briga.
Uma indicação de que o condicionamento com o sistema atual pode ser vencido é que ele mesmo não foi sempre assim. Eu nunca tive motivação para dirigir um Ford modelo T. O seu acelerador é em uma alavanca no volante, com pedais para troca de marchas, marcha à ré e freios. Confuso para todos nós que dirigimos com total automatismo. Tenho a impressão que esse automatismo me levaria a cometer um erro e não gostaria de danificar nada em um carro de coleção.
Apesar do vídeo abaixo estar em inglês - me desculpem por isso - ele mostra o acionamento do novo sistema.
Parabéns, Sr. Naruse!
PK


Especialmente nas manhãs de quarta-feira eu tento não deixar de encontrar o Ralf, dono de um quiosque da Holandesa, onde tomo café da manhã regularmente. Ele adora carros e todos os dias trocamos informações, ideias e um bom papo logo cedo. Às quartas ele compra o JT e, além do café com queijo quente feito na chapa, ele divide comigo o Jornal do Carro para olharmos as novidades.
Ontem eu me deparei com duas propagandas, muito comuns recentemente, mas que sempre me causam dúvidas sobre sua eficácia. Uma do Focus e outra do Livina. Ambos excelentes carros e com ótima relação custo-benefício. Não apresentam nenhuma percepção negativa quanto ao pós-vendas e são premiados e recomendados por várias revistas e jornais. O Focus, segundo sua propaganda, é o carro que mais vence comparativos dentro da sua categoria. E o Grand Livina é insuperável na relação custo-benefício.
Resolvi dar uma olhada nos números de vendas dos modelos dos anúncios e alguns de seus concorrentes. Encontrei o seguinte:
média mensal dos últimos 12 meses - unidades/mês
- Livina: 700
- Fit: 3.500
- Meriva: 2.500
- Idea: 2.200

- Grand Livina: 170
- Zafira: 760

- Focus Sedan: 800
- Corolla: 4.500

- Focus Hatch: 1.600
- Astra Hatch: 2.500
Pois é, os números de vendas não refletem as avaliações positivas e os prêmios ganhos. Ou seja, o consumidor não está nem aí esse tipo de anúncio. Não é isso que vende carro. É uma coisa muito estranha, pois eu recomendaria facilmente tanto o Focus quanto o Livina. Mas o que vale é a percepção geral sobre os modelos, algo um pouco tangível, relacionado à percepção dos consumidores sobre a marca e ao desejo neles despertado. E como se desperta esse desejo? Isso dá um papo bom, mas não nesse post. Há também a falta de coragem dos consumidores para se desgarrar do grande rebanho.
Além disso, algumas marcas cometem erros fatais, que podem comprometer a imagem de seus modelos por toda sua vida. No caso do Livina, acho que a Nissan fez um excelente carro, com muitos atributos, especialmente relacionados à qualidade japonesa, mas com zero de emoção e envolvimento. Ou seja, não caiu no gosto do povo.
Já no caso do Focus, a Ford insistiu em lançar esse novo modelo sem motores flex. Apostou que o consumidor desse segmento não é tão avarento a ponto de querer economizar uns trocados nos abatecimentos. Ledo engano. Pode até ser que essa classe de consumidor não seja tão avarenta, mas quando todo o rebanho está na direção do flex, não adianta querer ser diferente, independentemente do rebanho estar indo para a direção certa ou não.
Outro ponto que também não me convence é essa enxurrada de prêmios das principais revistas. Os fabricantes adoram anunciar que seus carros ganharam prêmios aqui e ali. Mas são tantas premiações diferentes, com critérios diferentes e tão parecidas nos nomes - melhor compra, melhor modelo, melhor isso, melhor aquilo - que o consumidor já nem sabe o que é relevante ou não. E se fossem realmente relevantes, os mais premiados sempre deveriam ser os campeões de vendas. O mercado não funciona assim.
Também chego a me irritar ao abrir a edição de alguma revista que esteja divulgando o seu prêmio tão especial e ver várias propagandas dos campeões de cada categoria já enfatizando o prêmio recebido naquela edição. É, mas isso funciona assim. E não é só no Brasil. Certo? Errado? Não sei. Apenas me lembrei de uma citação:
"Lá fora, além do que está certo e do que está errado, existe um campo imenso. Nos encontraremos ali."
Mevlana Jelaluddin Rumi, século XIII
De qualquer modo, esses prêmios não significam absolutamente nada para mim.
Em outros países ao menos existem entidades independentes que fazem análises criteriosas sobre satisfação dos consumidores com uma base estatística apropriada, como a JD Power, por exemplo.
Por isso, quando alguém me pergunta que carro comprar eu já rebato com a seguinte pergunta: qual carro você gosta? Então é esse que eu lhe indico. Não tenho paciência para explicar por que o Focus é melhor que seus concorrentes, uma vez que isso não faz diferença alguma para quem pergunta.

No último fim de semana de julho, houve um agradável encontro de carros antigos no parque Chico Mendes, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O parque é bem agradável e a qualidade dos carros expostos estava muito boa. Os carros que senti vontade de comentar a respeito foram:
Um dos Alfa Romeo que mais gosto, na versão Spyder: o 2600. Praticamente uma versão de seis cilindros do clássico Alfa dos anos 60/70, é raro aqui no Brasil, e este foi o primeiro que vi por aqui.
VW-Porsche 914, Peugeot 404 Conversível, e lá no fundo um raríssimo Simca Aronde Océane, marrom escuro com couro creme, resplandecente em sua carroceria Facel. Todos os três belíssimos e interessantes.
Acima, Porsche 911, velho amor impossível...
Maserati Merak, um Bora com o V-6 e o painel de instrumentos do Citroën SM. Num profundo verde, hipnotizante.
Em São Caetano, terra do Chevrolet aqui no Brasil, e num evento patrocinado pela marca, não podiam faltar os Chevys, e deles o que mais gostei foram estas duas Bel Air peruas de madeira, lindíssimas, e um Corvette pronto para percorrer a Rota 66 como no velho seriado de televisão.
Agradabilíssimo evento, parabéns aos organizadores!
MAO
Outro dia estava mexendo em papéis e documentos guardados e achei a minha primeira carteira de habilitação. Muitos leitores não têm ideia de como era o cobiçado documento, portanto aí está.
Vejam a data do exame prestado: 17 de dezembro de 1960. Isso quer dizer que daqui a quatro meses completo 50 anos de habilitado. Dificil acreditar.
Como faço 68 anos em novembro, estou me aproximando dos 70 anos, quando começarão dificuldades burrocráticas (com dois "r" mesmo), como algumas locadoras se recusarem ou fazerem cara feia para me alugar automóvel ou conseguir sem dificuldade segurar carro meu se eu for relacionado como motorista.
É, passa rápido demais tudo, mas ainda tenho muito chão pela frente. É o que eu sinto e é o que o espelho me diz todo dia....
BS

“...to boldly go where no man has gone before."
(Ir sem medo onde nenhum homem jamais esteve.)

Criar um carro fica cada dia algo mais banal em termos de engenharia. Departamentos de projeto hoje repetem o processo de desenvolvimento com precisão cirúrgica, e como o fazem incessantemente, colocam no mercado regularmente carros muito bem executados. Vemos uma incrível procissão de belíssimos e polidos carros novos passar à nossa frente, todos eles muito parecidos em sua excelência de projeto e execução.

Claro que há variações, mas hoje ao avaliar carros nos prendemos em detalhes, e cada vez menos se vê algo realmente ruim. O outro lado desta moeda é o fato de que também raramente vemos algo bom de verdade, original e inovador a ponto de mover a arte de construir carros para frente. Colabora para isso o fato de que, apesar de termos carros velozes e seguros como nunca tivemos antes, paradoxalmente há cada vez menos lugares, e incrivelmente, vontade da população, para se usar essa incrível capacidade de velocidade com segurança.

Hoje carros se tornaram acessórios de moda apenas, e a sua aparência é o principal, senão único, motivo de escolha. Um motor potente, rodas enormes e todo o resto são usados como acessórios de luxo; ninguém quer ou pode, ou ainda sabe o que significa ter mais desempenho que o oferecido por um Mille, mas ninguém admite, e todos querem ser reconhecidos como pessoas endinheiradas.


Mas existem dois carros, ambos fabricados por conglomerados gigantes, e à venda normal em seus países de origem, que saem desta norma. Se produzir carros ficou comum e fácil, ciência conhecida, é também porque os fabricantes, movidos hoje pelo valor de suas ações e o seu lucro SOMENTE (sempre foram fatores importantíssimos, mas não os únicos), têm muito medo de se aventurar ao desconhecido. Altera-se design apenas, mas mantém-se dentro de uma fórmula conhecida, que pode ter seu desempenho de vendas previsto claramente, com baixíssima margem de erro. Poucas vezes se vê alguém explorando o inexplorado, avançando o estado da arte.

Fico profundamente triste com isso, porque esta costumava ser a grande ambição do ser humano. Como diz o diário estelar do capitão James T. Kirk em sua primeira anotação, na frase que abre este post, até o fim dos anos 60 éramos uma espécie que queria viajar para a Lua e para o espaço sideral, que queria descobrir os limites de seu mundo, que queria uma igualdade social utópica, que queria descobrir o quão rápido poderia ser seu carro, e que queria entrar num avião que o levasse de Nova York a Paris em 3 horas..

Queria mover-se mais rápido, e o nada parecia impossível. Mas de repente os anos 70 chegaram e começamos a achar que éramos estúpidos destruidores da natureza, que carros rápidos eram perigosos e poluidores demais, e que viver muito tempo é mais importante do que viver intensamente com algum significado e propósito maior. Passamos a nos autoflagelar como uma espécie estúpida e destruidora de tudo, e até a ficção científica abandonou o explorador Kirk por 325 mil visões diferentes de um futuro sombrio e desolado. Nos tornamos todos freiras num grande convento mundial, com medo de velocidade, do inesperado, da inovação, do risco. Com medo de viver. Hoje somos uma espécie terrivelmente individualista que quer, bem... Ficar rica, e se mudar para a praia.


Interessante notar, então, onde achamos algo novo no mundo do automóvel hoje: no mais caro e no mais barato carro à venda. Lógico; os extremos são por definição os limites do possível; mudá-los é esticar este limite, afastar as fronteiras e mudar as regras vigentes.

O mais caro é muito conhecido e comentado: o Bugatti Veyron. Como não poderia deixar de ser, é um carro criado pela vontade de um homem sozinho: Ferdinand Piëch. Seu conselho de acionistas e seus diretores o chamaram de louco; seus engenheiros mais ainda com a impossibilidade completa de atingir seus objetivos; seus financistas infartaram todos. Mas Piech provou novamente que onde há uma vontade suficientemente forte, há uma maneira. O primeiro carro de rua sem modificação a atingir mais de 400 km/h prova isso de forma irrefutável.


E que coisa incrível ele é. Não é belo, nem elegante em sua engenharia, e nem podia ser. O que ele é, é um monolito em homenagem à tecnologia automobilística, um germânico monumento ao exagero e complexidade como caminho para atingir objetivos ambiciosos. Piëch é um ditador implacável, e por sua vontade seus engenheiros não apenas tiveram que fazer um carro que andasse a 400 km/h (o que seria relativamente fácil), mas um carro de luxo para duas pessoas que fosse completamente seguro, algo que se comportasse melhor a 400 km/h do que um carro normal a 200.

O resultado é incrível, extraordinário, embasbacante: mais de 1.000 cv, tração total, aerodinâmica ativa, espaço, conforto e opulência que faria inveja a um milionário dos anos 30. A quantidade de calor que deve ser processada pelo carro a 400 km/h, em um dia de verão com o ar-condicionado ligado, é algo monstruoso; exemplo simples do feito de engenharia que ele representa. Se até James May (do programa Top Gear), o notório "Capitão Lerdeza", chegou a 407 km/h num carro deste tipo com uma tranquilidade e segurança fenomenais, qualquer um pode fazê-lo. E isto, por si só, já valeu o esforço dos engenheiros.

Piëch tem reputação de chefe implacável, mas em minha opinião o mundo precisa de mais pessoas como ele, sob pena de se tornar chato demais. Se o homem chegou à lua, foi porque Kennedy prometeu isso ao povo americano quando tal coisa era impossível; temos um carro seguro a 400 km/h pelo mesmo motivo. E para os que acham que o motor de tudo é sempre o dinheiro, saibam que Ferdinand Piëch era rico antes de chegar a idade adulta, filho que é de Louise Piëch, antes Louise Porsche, filha mais velha de Herr Dr Ing h.c. Ferdinand Porsche. Teve uma carreira brilhante na empresa de sua família até 1972, quando Louise e o irmão Ferry Porsche decidiram, para acabar com batalhas internas na empresa, que nenhum membro da família deveria trabalhar nela.

Muita gente penduraria as chuteiras ali, mas Piëch entrou para a Audi, onde criou o quattro original, e acabou, muito tempo depois, a pessoa mais poderosa da VW, o chefe supremo. Ali pôde arregaçar suas mangas e mostrar do que era capaz, e o Veyron é o mais visível exemplo disso. A sanha de Piëch em deixar marcada sua passagem pelo mundo é clara no fato de que teve nove filhos...

Mas o carro sobre o qual eu queria realmente falar aqui é outro, o oposto exato do Veyron, mas que compartilha com ele objetivos de projeto que pareciam impossíveis antes dele. Queria falar sobre o Tata Nano.
Fazer um carro de menos de três mil dólares era impossível antes do Tata Nano. Como o Bugatti, o Nano não é apenas um carro barato, o que seria, de novo, fácil, mas um carro de verdade por 2.700 dólares. Para fazê-lo, Ratan Tata mandou seus engenheiros jogar o livro de regras no lixo.

Como foi criado para o seu país de origem, a Índia, onde a vasta maioria da população usa motocicletas e derivados para o seu transporte, muita gente tende a considerar o carro como apenas uma irrelevância regional. Mas eu vejo nele algo novo e profundamente ligado à realidade atual do automóvel, e com um potencial incrível. E um projeto muito bem feito, quebrando paradigmas e mostrando que é possível fazer um carro de verdade por um preço nunca antes visto. Um incrível exercício cerebral de descoberta do carro mínimo, o essencial e básico que todo carro deve ter, sem excesso algum. O carro mais magro do mundo.

E como é este "carro mínimo"? O motor, um pequeno bicilíndrico de alumínio com 600 cm³ e 35 cv, é suficiente para fazer o carrinho chegar a 100 km/h, o que é exatamente o que se considera o mínimo aceitável. É posicionado atrás, e não na posição transversal dianteira hoje quase universal, por motivos de empacotamento e simplificação das juntas das semi-árvores (sem esterçamento, são menos exigidas e menores), além de diminuir o peso e o tamanho da tubulação de escapamento. Por fora do carro, há duas tomadas de ar atrás das portas traseiras, uma de cada lado. Do lado direito é a admissão de ar para o radiador, que fica encostado na parte de dentro do para-choque traseiro, e do outro, admissão de ar fresco para o motor.


A carroceria é praticamente uma cobertura mínima para os 4 ocupantes adultos e as 4 portas de acesso. Minúsculo, mede 3.099 mm de comprimento, com um entre-eixos de 2.230 mm. Por dentro, espaço suficiente para o conforto dos quatro adultos, mesmo se todos eles tiverem mais de 1,90 m de altura. Os bancos dianteiros têm uma inteligente estrutura comum que engloba inclusive a alavanca de freio de estacionamento, e tudo entra no carro junto na linha de montagem.

O painel de instrumentos é simples, de plástico, sem porta-luvas, mas com amplas bandejas para que se possam carregar coisas em cima dele. As portas são levíssimas, e os vidros descem completamente dentro delas. Não há limitador nas portas, o que significa que só permanecem abertas se você segurá-las, mas elas são tão leves que isso nunca será um problema. Os painéis de porta são parecidos com os do Uno de 1984, ou seja, suficientes. Existem porta-mapas nas portas, ainda que carreguem somente mapas.

O carro resultante é extremamente leve, pesando apenas 600 kg, e isto determinou que seria possível eliminar o servofreio; que as pequenas rodas de 12" teivessem apenas 3 parafusos; que quatro pequenos tambores de freio seriam suficientes. A suspensão é independente nos quatro cantos, por braço arrastado atrás, torre McPherson na frente. Motor de alumínio e suspensões independentes no mais barato carro do mundo? O pequeno Tata realmente faz a gente repensar uma série de conceitos.


Interessante notar que não é um hatchback, sendo a "porta" traseira removível por meio de parafusos por dentro do carro, para alguma manutenção no motor. Existem até versões mais bem equipadas, sendo que a mais completa (com ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, e até servofreio) custa ainda bem razoáveis 3.700 dólares.

O carro é muito bem projetado, mas segundo informações de pessoas que já o viram ao vivo, ainda não está no nível de execução de empresas do primeiro mundo. Folgas grandes e irregulares demais, interferências entre chicote elétrico e partes móveis como as portas, Comprar um parece que não é boa ideia, pois mostra todos os indícios de que dores de cabeça serão inevitáveis. A Tata pode não ser a VW, mas basta observar a Hyundai para ver que fazer carro com qualidade dimensional e durabilidade pode ser aprendido rapidamente, depois que o primeiro passo foi dado. E fazer corretamente algo não custa um centavo a mais.

Fato curioso é que em ambos os carros o espaço para bagagem é ridiculamente pequeno (apesar de no Tata ser possível rebater o banco traseiro para resolver isso). Parece que hoje, se você é pobre ou exepcionalmente rico, bagagem não é problema.

No caso do Tata, há também a questão da segurança passiva, hoje a única que interessa a todas as freirinhas do mundo afora. É verdade que o Nano é leve e simples assim também por não atender legislações europeias e americanas de segurança dos ocupantes. Mas tem cintos de segurança de verdade, pelo menos. O seu desempenho em acidentes é desconhecida para mim, mas não deve ser lá grande coisa. Mas e daí? Com certeza é mais segura que uma dessas motocicletas de 125 cm³ de motoboy. E, diferenças de preço regionais à parte, um Nano custa menos de cinco mil reais na Índia, e uma Honda CG 125 nova custa aqui seis mil reais.

Acho também que com velocidade baixa e consumo idem, seria o meio de transporte ideal para o dia a dia desta São Paulo tão povoada de radares que ninguém mais se arrisca a passar de 60 km/h, mesmo que ainda assim tome multas de vez em quando, em lugares onde o limite é 50 ou 40 (!!!). E sinceramente, acho genial que ele aproveite a falta de legislação para fazer algo tão eficiente; mostra o que perdemos com esse medo tolo de morrer em uma bola de fogo com essas traiçoeiras máquinas assassinas chamadas de automóvel.

Na verdade o que me incomoda com estas legislações é o fato de que não tenha escolha. A legislação é para minha segurança apenas, mas não posso dizer "não, obrigado", para ter um carro mais eficiente. Pelo mesmo motivo que não se pode fumar nem debaixo de toldos mais, ou fazer sexo sem camisinha, ou comer um bifão gorduroso e suculento, ou andar mais rápido que a mortalmente perigosa velocidade de 60 km/h. A intrusão do poder público no que costumava ser particular é incrível hoje em dia. Deve ser porque todos os outros problemas da humanidade estão resolvidos, porque não acredito que eles façam isso porque é muito fácil, e dá impressão de preocupação com o bem-estar da população.

Desse jeito, vamos todos viver para sempre, nem que sejamos presos para garantir isso! Me sinto uma criança novamente, com pais severos demais, que me obrigam a fazer o proibido de qualquer forma, mas bem escondidinho para ninguém ver.

Mas voltando ao Nano, hoje acredito que Gordon Murray perde seu tempo; o novo Mini já existe, e vem, por incrível que pareça, da Índia.

Quem diria.

MAO
Jerry Flint, um dos mais tradicionais e conhecidos jornalistas automobilísticos americanos, faleceu hoje aos 79 anos, informam os sites Jalopnik e Inside Line. Natural de Detroit, sua carreira de mais 50 anos, com seu estilo crítico e ácido, dividiu-se entre os jornais Detroit News, The New York Times, The Wall Street Journal, a revista Forbes e o site The Car Connection. À família, seus amigos e admiradores, as condolências do AUTOentusiastas.

A origem desse motor está ligada ao desenvolvimento de motores aeronáuticos a diesel, e é notável pela sua construção, em formato de triângulo.
Hugo Junkers (1859-1935) investigava o diesel para aviões desde antes da Primeira Guerra Mundial, na empresa que fundara em em 1913.
Como era de se esperar, durante a guerra o foco foi a produção para combate, e Junkers só retomou as pesquisas em 1926. O motor que surgiu foi o Fo3, vindo a seguir os Jumo 204 e 205, de configuracao vertical e dois tempos, com cilindros contra-opostos e dois virabrequins, o que trazia muita massa.
Foi utilizado em aviões militares e em hidroaviões civis da Lufthansa, mesmo sendo bastante pesado, pois traziam autonomia adequada aos botes voadores que eram os únicos tipos de aviões a fazer longas viagens sobre oceano.
Até 1944, a história do Deltic era pouco divulgada. O Admiralty Engineering Laboratory (Laboratório de Engenharia do Almirantado Britânico) conduzia estudos de opções de motores para lanchas torpedeiras em 1943, e um dos membros, N. Penwarden. propôs uma versao de 3 bancos de 2 cilindros contrapostos para um motor dois-tempos. A ideia era bastante inspirada pelos motores de Hugo Junkers, mas com a meta de reduzir peso, Penwarden teve a ideia de fechar o motor em forma de triângulo, para ter dois cilindros acionados por uma mesma árvore de manivelas.
Mas no caso do motor britânico, a solução foi mais simples que a alemã para acabar com o problema de faseamento de admissão e escapamento. Penwarden foi o dono de uma ideia daquelas que só surgem na cabeça de pessoas abençoadas pelos deuses da mecânica e da termodinâmica: ele percebeu que se um dos virabrequins girasse ao contrário, tudo funcionaria de forma mais homogênea.
Nasceu então o Deltic, de delta, a letra grega em forma de triângulo.

Passada a fase avançada de conceituação, o governo selecionou a English Electric para construir as unidades destinadas às torpedeiras. A Napier, famosa por projetar e construir motores de altíssima qualidade pertencia ao grupo, e o trabalho foi passado a ela. O motivo da escolha foi bastante técnico, como sempre devem ser as decisões inteligentes quando se fala de máquinas. A Napier tinha os direitos de construção do Jumo 204 desde antes da guerra, e detinha o conhecimento de motores de pistões contrapostos pela cabeça. Nesse período, a Segunda Guerra Mundial acabou, mas o contrato foi mantido, e em 1950 ficou pronto para produção o Deltic.
Conceitualmente, o motor é bastante inteligente. Dois tempos não requerem válvulas e nem todo o trem para comandá-las, já que as janelas de admissão e de escapamento são abertas e fechadas pelo movimento dos pistões. Cilindros contrapostos não precisam de cabeçote, pois a câmara é entre as duas cabeças de pistões. Assim, não existe cabeçote também.
Um problema de motores dois tempos é a lavagem do escapamento, que deve ser muito eficiente para limpar o melhor possível a câmara, permitindo que a mistura a ser queimada entre facilmente, e que o pistão não seja excessivamente aquecido.
Essa alta temperatura acontecia no Deltic, mesmo com o arranjo encontrado para as bielas, que fazia com que o pistão do lado do escapamento estivesse à frente do lado de admissão em 20 graus no giro do virabrequim, fazendo com que a passagem para o escapamento abrisse antes da janela de admissão, permitindo um bom fluxo.
Para melhorar a temperatura no pistão do escapamento, foi adicionada refrigeração por óleo, fazendo-o em duas peças, de forma a existir uma região anular para guiar óleo que refrigerava a coroa ou cabeça.
O ar para combustão era pressurizado por um compressor centrifugo tocado por dois dos três virabrequins.
A potência variava de acordo com o uso ferroviário ou marítimo, mas números acima de 1.600 cv a 1.500 rpm eram normais para as unidades de 12 cilindros e 24 pistões.
No uso ferroviário, levava locomotivas de 99 toneladas, batizadas de Deltic também, a cerca de 160 km/h.
Como há pouco tempo a Husqvarna noticiou o lançamento de novos motores de 2 tempos para motos, nossas ideias já derivam para outras possibilidades e começamos a pensar em o que seria um Deltic pequeno em um carro.
Enquanto isso não acontece, fica para a história o mérito da Napier, que desenvolveu e colocou em produção uma ideia que parecia um pouco maluca mas que deu certo comercialmente, tornando-se um dos bons momentos da engenharia.
  JJ
Dia desses eu estive em Campo Grande-MS. Um amigo do trabalho que está morando por lá estava com um navegador Garmin. O que me chamou a atenção é que o navegador dava indicações dos vários radares espalhados pela cidade. Eu também tenho um Garmin que raramente uso, mesmo já sabendo que ele indica os radares, inclusive em São Paulo. Esse meu amigo havia acabado de atualizar o seu mapa. Chagando em casa fiz o mesmo na expectativa de usar o navegador para evitar multas, não por imprudência, mas por falta de atenção ou deslizes mínimos.
Meu pai mora no Guarujá, e sua casa fica a pouco mais que 100 km de porta a porta da minha. Toda vez que eu vou visitá-lo fico com a impressão de ter tomado ao menos umas duas multas. São muitos os radares tanto na ida quanto na volta.
Hoje eu resolvi fazer a viagem com o navegador ligado para contar os radares. Na ida até perdemos a conta e na minha estimativa foram 25 indicações no navegador. Na volta, prestamos mais atenção e pasmem; foram 29 indicações! Fora os três que contei e não foram indicados. Vale notar que tanto na ida quanto na volta houve muitas indicações de radares onde de fato não há nenhum (talvez houvesse no passado) e vária indicações de possibilidade de radar móvel, isso na Rodovia dos Imigrantes.
Desses 29, nove estão no Guarujá, todos desativados. Todos com limite de 60 km/h ou menos. Mas no Guarujá, devido a péssima qualidade das vias, é praticamente impossível, ou totalmente indesejável andar a mais de 60 km/h. Mas meu pai já me alertou que a prefeitura já avisou que vai reinstalar todos os radares. Só espero que com a arrecadação as vias sejam melhoradas, tanto na rodagem quanto na sinalização.
Muitos dos radares, principalmente na Imigrantes, estão bem sinalizados. Mas esse não é o padrão onde a iniciativa privada não é o responsável, como no Guarujá e em São Paulo. Em alguns trechos onde a via é boa é fácil exceder um pouco o limite, sem que isso represente uma imprudência fatal. E com tantos radares espalhados, tomar uma multa, mesmo sendo comportado, é apenas uma questão de tempo. É muito difícil descer a nova Imigrantes a 80 km/h. Qualquer bobeada e esse limite é transposto. Sem contar que ao se acostumar com tamanha monotonia, toda vez que chego próximo dos 120 km/h minha mulher já reclama. Essa situação beira o insuportável! Pergunto-me se realmente precisamos de carros com motores mais potentes se nunca mais poderemos utilizá-los.
No final das contas o consolo é que a viagem fica muito mais segura. Mas sinto muito que em um trecho de 200 km sejam necessários 50 radares para impor um bom comportamento das pessoas. Num país onde o nível de educação para o coletivo, até dos mais letrados, seja tão baixo, e o interesse dos políticos num programa efetivo de educação e cidadania que perdure por vários governos seja praticamente nulo, não vejo outro jeito. Isso é nivelar por baixo.
PK


Uma das grandes experiências do final de minha adolescência e início da fase adulta foi ter uma Vespa. A história desse veículo merece ser lida por quem tem um mínimo de interesse em assuntos de mobilidade.

Mas antes de falar dessa motoneta – sua definição oficial segundo o Código de Trânsito Brasileiro, veículo de duas rodas em que o condutor dirige sentado – ou patinete a motor, a estranha tradução de powered scooter, quero compartilhar com o leitor um fato dos mais incríveis.

Estava procurando uma imagem de Vespa para ilustrar este post quando recebo um e-mail de um grande amigo, o Júlio Carone, com fotos de auto-rádios antigos, da década de 1960. Como eu não estava encontrando a Vespa que queria, pensei em perguntar  ao amigo se ele tinha alguma coisa nesse sentido. O Júlio é o próprio "Homem do Túnel do Tempo", ele acha as coisas mais incríveis na fabulosa rede mundial de computadores.

Um detalhe útil e de simples execução em praticamente qualquer carro atual.
A luz do porta malas do Focus, modelo antigo, é visível de dentro do habitáculo.
Isso ajuda quando se sabe que ao destravar o porta-malas, mesmo com a tampa ainda fechada, a luz se acende. Evita que se esqueça a tampa destravada, deixando-se o carro acessível para amigos do alheio, além de eliminar a possibilidade de se perder a carga da bateria.
A luz passa pela fresta do cinto de segurança traseiro, do lado esquerdo, e é facilmente visível em qualquer condição exceto sob sol forte. Ao se virar para sair do carro, o motorista percebe a luz vindo de trás, e pode verificar que a tampa está destravada.
Cinto de segurança no banco traseiro, lado esquerdo.
A luz passa pela abertura onde corre o cinto de segurança. Visto da posição do motorista, ao se girar o corpo para sair.
Mais um detalhe genial de um carro genial.
Para ver mais textos sobre o Focus no AUTOentusiastas, entre pelos links abaixo.
JJ
...para terminar a série de posts sobre os Duesenberg J e SJ. Visitando hoje a garagem virtual de Jay Leno, topei com a foto abaixo, de Jay e um cabeçote de um de seus Dueseberg J:
A foto dá a exata noção do tamanho do motor e, por consequência, o resto do carro. Uma imagem realmente vale mais que mil palavras...
MAO
Finalmente, termino aqui o catálogo do Duesenberg J que andei postando por aqui. As partes iniciais dele podem ser acessadas clicando nas letrinhas de cor diferente aqui e aqui. Divirtam-se!
Chassi:

O chassi é construído com liga de aço de espessura 5,5 mm (7/32 pol), tem uma profundidade de 216 mm (8,5 pol) e as flanges tem largura de 70 mm (2,75 pol). Seis travessas tubulares ligam as longarinas, a maior tendo seção quadrada de 101,6 mm (4 pol), e a menor 63,5 mm (2,5 pol) em diâmetro. Contando a partir da frente, a primeira travessa é um tubo de seção circular, a segunda outro tubo, mas de seção quadrada de 63,5 mm (2,5 pol) de lado, curvado para baixo para dar espaço ao radiador. Não apenas é bem fixado nas longarinas por meio de rebites, mas conta também com suportes diagonais fundidos dos dois lados, suportes estes que distribuem melhor a carga na longarina, e tem 50,8 mm (2 pol) de diâmetro e 610 mm (24 pol) de comprimento. Essa travessa em A resultante tem a resistência de uma travessa de 610 mm de diâmetro, e é uma característica que contribui fortemente para o bom comportamento do veículo mantendo a frente do chassi rígida. A frente do motor é suportada no centro destes suportes fundidos. A terceira travessa é o suporte traseiro do motor, e é especialmente efetiva. A quarta travessa também é especialmente reforçada, e consiste em um tubo quadrado de 101,6 mm (4 pol), rebitado e soldado à longarina em abas especialmente largas. As travessas subsequentes (quinta, sexta e sétima) são tubos de seção circular, os dois últimos localizados antes e depois do tanque de combustível. Na frente e atrás, rebaixos nas longarinas permitem um chassi baixo, e grande flexibilidade para os construtores de carroceria no que tange posicionamento e altura dos bancos traseiros.
Jumelo:


O famoso caso dos pedais de acelerador da Toyota que deram problema, causando aceleração involuntária nos veículos tanto pelos problemas eletrônicos quanto pelo pedal enroscando no tapete, fez uma pessoa feliz.
Koua Fond Lee, preso em 2006 acusado de matar três pessoas em um acidente com seu Camry, foi libertado da prisão após o caso ser revisto e o argumento do pedal falho ser apresentado. Na época, não se falava neste defeito, e mesmo o acusado afirmando que estava com o pé no freio o tempo todo, o juiz o condenou, alegando que ele teria confundido o freio com o acelerador.
Este caso mostra como uma pessoa pode ser julgada erroneamente, por uma falha que ainda não foi descoberta ou categorizada como erro de projeto, produção ou algo assim. Outros podem não ter a mesma sorte de Lee, mas com a mesma situação.
Fonte: Autoblog
Ao passar os olhos no Estado de S. Paulo de hoje, uma notícia surpreendente: Montadora chinesa terá fábrica de US$ 700 milhões em Jacareí. Diz a nota: "SÃO PAULO - A fabricante de automóveis Chery escolheu Jacareí, a 82 quilômetros de São Paulo, para instalar sua fábrica no País, um investimento de US$ 700 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão). Será a primeira montadora chinesa no Brasil. No fim do mês, executivos da matriz virão ao País para assinar o protocolo de entendimento com a prefeitura da cidade."
Nota-se uma clara tentativa das jornalistas que assinam a matéria -- uma delas, conheço, a Cleide Silva, que reputo a melhor do Brasil -- mas persiste o velho hábito.
O engraçado foi dia desses notícia sobre a Embraer, que lucrou menos em 2009, se referir à fabricante de aviões. Ou seja, tudo é fábrica -- fogão, geladeira, locomotiva, calçados, tecidos -- menos quando o produto é veículo automotor terrestre. Aí é montadora.
Montadora chinesa terá fábrica é demais!
BS


Uma Kombi um pouco diferente da maioria, feita para altas velocidades, com tudo não utilizável para isso, retirado. O local é Bonneville, templo máximo da velocidade popular americana, onde qualquer um pode levar qualquer tipo de veículo e acelerá-lo o quanto quiser, com os dois pés se for necessário.

Só acho um pouco estranho não ter nem mesmo o para-brisa. Tudo bem que vidro é pesado, mas será que a turbulência dentro do carro não prejudica mais do que o peso?


JJ
Ingredientes:
- Óleo ou azeite
- 3 ovos grandes
- 1 pitada de sal
- 1 colher de chá de vinagre ou sumo de limão
Modo de preparo:
- Coloque todos os ingredientes, exceto o óleo ou azeite, no liquidificador e coloque para bater.
- Quando a mistura estiver homogênea, enquanto bate, vá adiconando o óleo ou o azeite em fio até atingir uma consistência firme.
- Não ultrapasse o ponto para não desandar.
- Utilize em seguida, pois não possui conservantes.
Gostaram da receita de maionese caseira? Não? Por que?
Já sei. Aqui é o blog dos autoentusiastas e não um programa de culinária...
Ok. Então vou mudar um pouco a receita, pra ver se fica um pouco mais intressante.
Ingredientes:
- 30 ml de óleo vegetal
- Toner de impressora laser
- Imã de terras raras (com forte campo magnético)
Modo de preparo:
- Coloque um pouco de toner no fundo de um recipiente de vidro, adicione o óleo e misture bem.
- Por fora do recipente, aproxime o imã.
- Observe os resultados.
Não entendeu nada? Então, acompanhe o vídeo a seguir:
Vamos entender o que estamos vendo.
As duas receitas anteriores produzem colóides. Colóides não são misturas simples de duas ou mais substâncias, mas a manutenção de substâncias fracionadas em partículas, gotas ou bolhas pequenas, de dimensões micrométricas (milésimo de milímetro) ou nanométricas (milionésimo de milímetro), suspensas em outra substância que lhes oferece suporte. Forças de ordem molecular evitam que estas partículas se reagrupem e as mantém em suspensão, tornando o colóide estável.
Além da maionese, que é um meio líquido suspenso em outro líquido, podemos dar o exemplo da neblina, que é uma substância líquida suspensa em um meio gasoso, e a fuligem, que é um meio sólido suspenso em um meio gasoso.
Colóides apresentam importantes aplicações tecnológicas porque oferecem propriedades físicas e químicas completamente diferentes das substâncias puras que as originam. É o caso da maionese, com seu comportamento de pasta firme contra o comportamento líquido do óleo e da clara de ovo que lhe deram origem.
Enumerar as aplicações dos colóides num automóvel é uma tarefa complexa. Eles estão por todos os lados.
O óleo do motor possui, por exemplo, um componente detergente que mantém a borra fragmentada e suspensa na forma coloidal no meio líquido. Se este agente detergente saturar ou degradar, as micropartículas de borra têm sua suspensão instabilizada, se agregam e se depositam por todos os cantos no motor. Se o prazo de troca do óleo do motor for obedecido, a borra é eliminada junto com o óleo velho, mantendo o motor limpo.
Porém, a segunda receita mostra um tipo muito especial de colóide, cujas aplicações tecnológicas só vem sendo exploradas na prática nas últimas duas décadas.Trata-se do chamado “fluido magnético”.
Há dois tipos de líquidos magnéticos: os ferrofluidos e os fluidos magnetoreológicos. Estruturalmente, a diferença entre eles é que, enquanto os fluidos magnetoreológicos possuem partículas magnetizáveis (geralmente algum tipo de óxido de ferro, como a ferrita) com tamanho de ordem micrométrica, os ferrofluidos possuem partículas nanométricas do mesmo material, mil vezes menores daquelas dos fluidos magnetoreológicos. Esta diferença aparentemente simples cria propriedades diferentes para estes fluidos.
Os fluidos magnetoreológicos são uma criação dos laboratórios militares da década de 40, e por muitos anos não passaram de mera curiosidade de laboratório.
Os ferrofluidos surgiram nos anos 60, quando a Nasa investigava formas de manter combustíveis líquidos de foguete aderidos às paredes dos tanques. Em microgravidade, os líquidos formam gotas que ficam soltas no meio gasoso dentro do tanque, e bombear um combustível como o hidrogênio para os motores afeta seu funcionamento se alternadamente for fornecido na forma gasosa seguida de uma fase líquida.
O que eles obtiveram não foi exatamente o que queriam. Limitações tecnológicas importantes como a de geração de campos magnéticos intensos, as propriedades elétricas e magnéticas do ferro em suspensão e as propriedades coloidais inesperadas criaram um fluido de características únicas.
O resultado podemos observar no belo espetáculo a seguir:
O que não conseguimos ver é que por baixo destes cones temos eletroímãs poderosos, que oferecem apenas um pólo magnético para magnetizá-los.
Com a criação de um campo magnético fraco, a primeira coisa que percebemos é um amontoamento do fluido em torno dos cones. Conforme a intensidade deste campo magnético aumenta, percebemos que o ferrofluido sobre pelo cone, preferencialmente pelo canal helicoidal lavrado na peça.
O canal helicoidal é o primeiro lugar por onde o ferrofluido sobe porque ele é uma descontinuidade da superfície do cone, concentrando campo magnético ali, e exercendo maior atração magnética a ele.
Temos aqui nossa primeira aplicação tecnológica do ferrofluido. Podemos bombear o ferrofluido, mesmo contra a gravidade, sem termos de invadir o meio em que ele se encontra.  E mais. Controlando o design dos componentes, conseguimos criar caminhos preferenciais para este bombeamento.
Além das aplicações no setor de mecânica, as aplicações medicinais e biológicas desta tecnologia são enormes.
E a “coroa de espinhos”, o que seria?
Vamos voltar nas nossas velhas experiências ginasiais.
Uma das primeiras experiências que fazemos com magnetismo é colocar uma folha de papel por cima de um imã e derramamos limalha de ferro sobre a folha. O resultado é a formação dos desenhos de linhas de campo muito bem demarcadas.
Somos ensinados a reconhecer aquelas linhas como sendo a impressão visível do campo magnético. Mas isto não é bem verdade.
Para começar, massas concentradas de ferro facilitam a concentração de campos magnéticos, curvando-os até que passem por elas.
O “ferrão” na cauda do avião de patrulha naval P-3 Orion contém na ponta uma sonda de anomalia magnética, que constantemente lê a intensidade e a direção do campo magnético terrestre. O “ferrão” é extensível para afastar a sonda da fuselagem e dos equipamentos elétricos do avião que poderiam interferir em suas leituras.
Quando o avião passa próximo a um submarino, feito de ferro, a sonda capta uma distorção do campo magnético terrestre que indica a direção e a distância em que se encontra a massa de ferro que causa a anomalia. Massas de ferro flutuando no meio da lâmina d´água não são naturais, e certamente indicam um submarino.
Cada partícula imersa em campo magnético passa a se comportar como um imã, e gira para alinhar sua maior extensão com este campo, tal qual a agulha de uma bússola.
Conforme a limalha é lançada sobre o papel, as partículas se magnetizam. Cada partícula se vê atraída pelas outras que estão sobre a mesma linha de campo, já que oferecem a ela pólos magnéticos opostos aos dela.
Já as partículas que se encontram ao seu lado possuem pólos semelhantes, causando repulsão entre elas.
Ocorrem então,dois fenômenos opostos e simultâneos:
- a atração das partículas causa sua concentração, bem como a do fluxo magnético que as atravessa e
- a partir de certa concentração, a força de repulsão lateral entre partúculas vizinhas aumenta, instabilizando a concentração.
A oposição de forças conduz a uma condição de equilíbrio, onde a concentração é fragmentada em várias linhas paralelas, filamentares. Se as condições do campo magnético ou da concentração de limalha são alteradas, o conjunto se reconfigura até atingir novo equilíbrio.
Em sistemas onde estas condições são dinâmicas, a configuração da limalha é dinâmica.
Este comportamento sob campos magnéticos não é exclusivo da limalha.
Os cinturões de radiação de Van Allen são formados pelo vento solar, que colide com o campo magnético terrestre. Sem a proteção do campo magnético, a Terra seria um planeta estéril.
Um dos maiores segredos do nosso Sol ainda é motivo de controvérsia entre cientistas. A superfície do Sol é relativamente fria, de 6.000 graus Celsius, porém as plumas atingem até 2 milhões de graus Celsius. Como tanta energia é transferida para as plumas ainda é um completo mistério.
O que se sabe é que as plumas são feitas de plasma, partículas eletricamente carregadas a alta temperatura, que se desprendem da superfície do Sol, presas a laços de campos magnéticos poderosos. Estes campos magnéticos armazenam enormes quantidades de energia, que de algum modo são transferidas a grande distância para o plasma. A formação filamentar das plumas concentra ainda mais a energia sobre porções menores e concentradas de plasma, elevando a temperatura.
Na foto a seguir, vemos uma imagem de uma destas plumas. O círculo azul no canto superior direito dá uma referência de escala da Terra para os demais componentes da foto.
As partículas do ferrofluido apresentam o mesmo comportamento de autoorganização, que é dinâmico em função das modificações sofridas pelo campo magnético. Na ausência de campo magnético, o ferrofluido é um colóide amorfo, com as partículas distribuídas aleatória e uniformemente. Sob campo magnético, as partículas se juntam em filamentos, assim como a limalha.
Esta modificação estrutural do fluido é que cria suas características tão particulares.
A principal diferença entre a limalha livre e o ferrofluido é que este último mantém suas partículas em suspensão líquida, sem atrito estático, mas viscoso. Embora as concentrações de partículas no ferrofluido sejam geometricamente melhor definidas que os da limalha livre, a total reorganização das partículas demora um certo tempo pelo efeito amortecedor do fluido de suporte.
A autoorganização dinâmica do ferrofluido, tanto na concentração de partículas, como na concentração dos feixes do campo magnético, é capaz de fundir ou separar estes espinhos e, internamente, separar ou fundir os filamentos de partículas.
Os “espinhos” são chamadas de “picos de Rosensweig”, em homenagem ao cientista que estudou estes comportamentos complexos. São conformações que surgem do equilíbrio das propriedades do ferrofluido contra a capacidade dos fluxos magnéticos concentrados em conseguirem sustentar a massa dos picos contra a gravidade. Eles surgem onde o campo magnético possui intensidade suficiente e configuração para se dispersar para além do ferrofluido.
Uma aplicação tecnológica desta propriedade ocorre quando juntamos as propriedades do ferrofluido com outros comumente utilizados em partículas nanométricas. Existem nanopartículas com propriedades de adesão à membrana de proteína que reveste células, bactérias ou vírus. Outras podem se ligar substâncias químicas específicas ou a resíduos sólidos.
O uso da propriedade de concentração das partículas sob forte campo magnético criaria então um filtro biomagnético, ou quimiomagnético mais eficiente que os filtros mecânicos convencionais. O potencial de um filtro altamente seletivo nos mais diversos campos da engenharia e da medicina é enorme.
O mesmo efeito de concentração cria outra propriedade única do ferrofluido. Sob forte campo magnético, o fluido é atraído e se concentra, criando uma tensão no interior da bolha formada. Ao colocarmos sobre a bolha um corpo não magnético qualquer, o ferrofluido equilibra a força de esmagamento da bolha pela tensão interna criada. A peça não magnética flutua sobre o ferrofluido tenso.
Vejam o que ocorre com a moeda de cobre neste vídeo:
Ela desliza sem atrito sobre a bolha de ferrofluido induzida pelo imã.
Podemos então construir mancais de propriedades hidrostáticas semelhantes às que sustentam o virabrequim de um motor, porém sem a necessidade de bomba. Um simples imã de terras raras é capaz de fazê-lo funcionar.
Nos automóveis, os líquidos magnetoreológicos tem apresentado maior aplicação prática que os ferrofluidos. A principal propriedade que torna o líquido magnetoreológico importante é que, sob campo magnético, este fluido varia sua viscosidade até o ponto de se tornar sólido.
A GM foi pioneira no desenvolvimento de amortecedores e embreagens utilizando fluido magnetoreológico.
No final da década de 80 e início da de 90, a McLaren pesquisou este tipo de amortecedor, mas que se tornou obsoleto quando a Williams apareceu com sua suspensão ativa. Hoje, ambos os dispositivos estão banidos pelo regulamento da Fórmula 1. Mas apesar de proibido na Fórmula 1 e em outras categorias, os amortecedores de regulagem magnética já são usados em carros de rua de alto padrão.
Vejam este vídeo da Audi, demonstrando os princípios desta tecnologia:
Já este, do Corvette, mostra a diferença de comportamento dinâmico de dois Corvettes, um com e outro sem os amortecedores magnetoreológicos.
Os Corvettes são vendidos com estes amortecedores desde 2005.
Fluidos magnéticos são apenas a ponta do iceberg da tecnologia de materiais que está em vias de fazer parte do nosso dia a dia. Eles são considerados uma aplicação até elementar da nanotecnologia, que junto com a biotecnologia, prometem responder pelas revoluções tecnológicas futuras como a informática e a internet tem feito nos últimos anos.
AAD