google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Nesta semana, aqui na Suécia, começou a temporada de caça ao alce. Tem muita gente nas matas tentando matar um, sem matar outra pessoa.


Um alce é um animal grande como um cavalo, ou maior ainda. Vivem selvagens na mata. Mas não pode haver muitos, pois são um perigo quando atravessam as estradas, e outros problemas. No trânsito, ele não entende nada e não tem medo de nada. Ele pode até achar que um trem não é perigoso para ele.

Onde tem bastante alces, normalmente tem esse tipo de placa:
Então, cada país tem seus perigos. Brasil tem ladrões e cobras. Suécia tem alces e lourinhas. Como esse é um blog sobre carros, vamos falar sobre esses animais, os alces.

Como um alce pode ter algo a ver com o desenvolvimento de carros? - pode-se perguntar.

Tem sim. Aqui na Suécia, com 9 milhões de habitantes e não se sabe quantos alces, acontecem uns 5.000 acidentes com alces por ano, cento e poucos com invalidez aos ocupantes dos carros, e cerca de 10 ou mais mortes.

No Canadá dever haver mais.

A primeira influência do alce no desenvolvimento dos carros é a seguinte: não há lei de regulamentação sobre esse tipo de impacto na estrutura de um carro, mas os engenheiros na Saab e Volvo sabem o que pode acontecer.

Seguindo isso, tem um teste para verificar como o carro pode resistir um impacto de 350 kg no nível do teto, andando entre 70 e 90 km/h. O impacto é imenso.

Lembro de um acidente com um Renault 5, carro pequeno e barato. Quatro pessoas dentro, todos morreram. O carro ficou totalmente sem teto. Se o carro tem pára-brisas grande e teto fraco, você pode ter um visitante dentro do carro que pode matar você só com um coice.

Até hoje a maioria dos carros importados tem problema de “sobreviver”a esse tipo de acidente. Mas as marcas nacionais normalmente tem resultados melhores, pois se faz simulações pelo método de elementos finitos (FEM) do impacto do alce, como se faz em todos os outros impactos normais.


A segunda influência do alce é o ESP (electronic stability program). Lembram do primeiro Mercedes-Benz Classe A lançado há mais de 10 anos? Uma revista aqui fez uma manobra com o carro, simulando uma mudança de faixa bem rápido, como ao desviar de um alce entrando na frente do carro de repente, como fazem com todos os carros que são avaliados pela revista, só que o Classe A capotou.

Começou uma urgência imensa em Stuttgart. Primeiro a Mercedes disse que o jornalista estava louco em dirigir assim, mas depois de pouco tempo entenderam que o carro era ruim mesmo. Rapidamente mudaram os pneus para um tipo mais baixo e rígido. E, mais importante, todos Classe-A adotaram o ESP.

Hoje em 2009, 99% dos carros novos vendidos aqui na Suécia têm ESP. E se algum modelo vem para cá sem ESP, é muito criticado nas revistas, e normalmente dentro de pouco tempo os carros deste modelo com destino Suécia vem com ESP. Claro que estradas lisas escorregadias no inverno influenciam isso, mas o alce também é importante..

Pode-se perguntar por que não há cercas ao lado de todas as estradas para evitar que os alces atravessem.


Existem cercas sim, a ilustração acima não é só brincadeira. Abaixo uma foto com pegadas dos alces.


Mas não há cercas em todos os lugares, apenas nos mais frequentados e perigosos. Mas mesmo onde tem, não é totalmente seguro. A cerca tem uns 2 metros de altura, bastante alta. Ainda assim, às vezes se encontra um alce na estrada. Um susto. Normalmente no escuro, e frio. Sai vapor da boca dele. Com sorte, você enxerga a tempo de parar.

Uma vez vi essa cena. Alce grande com chifres, querendo sair da estrada. Ele pulou, e conseguiu passar por cima da cerca. As patas traseiras amassaram a cerca bastante, o alce correu para a mata.
Tem que ter sorte e um carro com faróis e freios bons, um bom chassis e estrutura forte.

Aqui os alces desenham os carros.

HJ


Não sei se aconteceu já com vocês, mas às vezes ler sobre carros me deprime.

Ler sobre viagens exóticas em superesportivos, sobre novos Ferraris e velhos Porsches, sobre os grandes ícones do mundo automotivo, toda esta orgia de prazer, alumínio e comandos múltiplos, era uma coisa muito boa na adolescência. Nesta época, tudo é possível e o futuro é um livro com as páginas em branco que podemos escrever na maneira que quisermos. “Um Homem quando sonha é Deus, quando pondera é um mendigo”.

Mas chega uma hora na vida de todo mundo em que se percebe que, muito provavelmente, não teremos aquela garagem de 20 Porsches diversos. Afinal de contas, não é todo mundo que nasceu para ser o Ferdinand Piëch, ou mesmo ser desonesto o suficiente para se tornar deputado ou senador no Brasil... Não, o fato é que a maioria de nós não tem condições de comprar um Porschezinho sequer. A classe média deste país, principalmente, é ocupada demais sustentando os governantes e suas cortes para gastar dinheiro consigo mesma.

E como ficamos então, nós, os sem-Porsche? Estaremos fadados a uma vida insignificante e xexelenta? Seremos privados nós de todos os prazeres automotivos e relegados à privada da mobilidade? Se não ousamos mais sonhar, seremos então mendigos?

É claro que não. Existem pessoas como o AG que podem criar coisas tão legais como um Opaloito, pelo preço de um carro pequeno zero-km. Um Opaloito 350-cid de 300 cv pode não ser algo para todo mundo, e passa longe de ser controlável como um carro esporte moderno, mas é uma coisa que dá o sabor do poder supremo para quem não é milionário. Se você, como eu, tem um lugar guardado no peito para o Opala, ainda é possível, com paciência e dedicação, fazer um carro divertidíssimo. Dou o exemplo do Morcego Negro, sobre o qual já falamos aqui: um carro de aproximadamente 180 cv e pesando 1.150 kg em ordem de marcha, e que custou apenas 18 mil reais para se fazer, com todos os parafusinhos e presilhinhas e parafusetas inclusas neste valor. E tão belo e malvado que murcha as flores a sua passagem, espanta cachorrinhos, e manda crianças correndo para a saia de suas respectivas mamães!

Para quem não pode ou não quer ter mais de um carro, e/ou prefere algo moderno, existem várias opções. Um Peugeot 206 1.6 16V é algo incrivelmente veloz, estável, e é uma delícia para dirigir. O Ford Focus de primeira geração também é ótimo, principalmente com o genial Duratec, e já o defini como o meu Santo Graal pessoal. O Arnaldo Keller já nos contou aqui como adorou o Clio 1.0. Todos estes carros são realmente ótimos para dirigir, e no mundo em que vivemos, cheio de radares e multas, são muito mais do que suficientes. E com preços baixíssimos no mercado de usados.

Mas é claro que, para ter prazer com estes carros, você tem que se desprender da vaidade pessoal, e isto é muito difícil. Mas se você gosta de carro e não tem dinheiro, vai ter que fazer alguns ajustes. Eu consegui me livrar disto faz muito tempo, e sou mais feliz assim. Lembre-se sempre que um carro deve satisfazer a você, e não seus amigos, vizinhos e cunhados. Afinal, quem pagou por ele foi você, e quem tem que viver com ele é você... Meio como sua esposa ou namorada: é melhor o pessoal não saber como ela é entre quatro paredes; pode despertar um interesse desnecessário.

Existem também os importados com mais de 10 anos. A lista é tentadora, e vai de BMW’s série 5 e Audi S6 até Lexus e Mitsubishis. Eu mesmo, acho que todos já sabem, desde ano passado ando com um velho Nissan do ano de 1995, que é muito feio (e uma banheira imensa), mas tem um delicioso V-6 de alumínio que pensa que é um Ferrari. É a primeira aparição, no primeiro ano, do V-6 “VQ” da Nissan, um motor moderno que ainda hoje é usado em vários carros da empresa, inclusive no 370Z e no GT-R. Além disso, a traquitana tem câmbio manual (raro), ar condicionado que funciona bem, bancos em couro cinza, som original bem razoável, freios a disco nas quatro rodas com ABS, e um gigantesco filtro K&N na admissão. Paguei apenas 8 mil reais nele, e no total, hoje, com um ano de uso e vários consertos, me custou coisa de 11 mil reais, preço de compra incluso. Isto para um carro que, segundo a Car and Driver americana, é capaz de fazer 0-60 mph (96,5 km/h) em 6,5 segundos.




Mas não é um caminho que aconselho. Eu preciso de um carro para andar todo dia (quem não precisa neste país?), e ando realmente com as finanças apertadas, portanto não há um dia que passe que não imagine o que pode acontecer se algo realmente sério acontecer com esse exótico motor, por exemplo. Mecânicos que sabem mexer nele são raros, e eu agora tento fazer tudo que posso eu mesmo. Achar peças é sempre estressante: nunca fiquei com ele muito tempo em oficina esperando peça, mas uma hora destas... Vai acontecer, é uma questão de tempo.

Carro velho para uso diário é possível, mas não agradável. Toda hora a jaca resolve fazer um barulho novo, e de novo minha gastrite ataca com a possibilidade de mais gastos inesperados. Tudo que apareceu até agora foi fácil de resolver, mas sempre tenho que fazer algo. Quando se resolve uma coisa, aparece outra, uma chateação. Bom mesmo é um carro novo e confiável feito o Focus de minha esposa...

Mas o danado do Nissan é uma delícia de acelerar. E para não acharem que sou parcial, deixo alguns amigos que já o dirigiram contarem o que acham dele, e assim dar uma perspectiva real para vocês do que é se aventurar por este caminho de pouco dinheiro, perturbações constantes, mas prazeres intensos. Divirtam-se:





Juvenal Jorge

O MAO me entregou as chaves da banheira japonesa, mais respeitosamente conhecida como Cruzador Imperial Yamato. De fato, é um carro nada bonito, realçado por uma cor azul – cinza – preto indefinível, e rodas de aço pretas de impacto visual positivo nulo. Ou seja, com essa roda ou sem nenhuma, a beleza é a mesma.

Mas aí ligamos o transversal lá na frente, 3 litros funfantes e aspirantes através de um K&N espertamente montado para melhorar o que as fábricas fazem de mal-feito, que é matar ao máximo o ruído de aspiração de ar, que é algo divino de ser ouvido. Mas fazer o que, o povão prefere ouvir o rádio, não é mesmo?

Engatamos a primeira em uma alavanca curta mas que não requer muito esforço, os engates são bons, e aceleramos. Como saio bem devagar, não impressiona, mas depois de uns minutos para ajustar minhas partes móveis ao carro, uma acelerada mais forte faz o pescoço trabalhar para segurar a cabeça sobre ele.

O japonês é disposto mesmo, apesar dos 14 anos de uso e aparentemente, nenhum excessivo zelo, apenas um pouco de cuidados, refletidos no bom estado geral do carro.

Freia bem, como acelera, o que dá um conjunto bacana, e não chacoalha muito não, tem um conforto sobre pisos ruins bem apreciável.

Como o ponto aqui não é uma avaliação completa, coloco apenas mais um detalhe que não me agrada, e que era característica desse Maxima e do Accord de mesmo ano. Ambos são muito baixos para nossas valetas e lombadas, raspando fácil. E isso me desagrada brutalmente em qualquer carro.

Só que aí o problema não é o carro, são as ruas.

JJ





Rafael Tedesco

(o RT, que deve seu codinome a um certo Charger eternamente em reforma (além suas iniciais, é claro), é um grande amigo deste Blog, mas ainda não conseguiu contribuir. Espero que, depois desta pequena “participação especial”, ele se anime!)

O motor urra furioso pela admissão, que assusta motorista, passageiros e pedestres. O K&N aspira tanto ar, mas tanto ar, que certa vez aspirou um inocente Ford Ka numa acelerada de saída de semáforo. O Ka foi cuspido pelo escapamento um pouco chamuscado, mas sem maiores danos.

Piadas a parte, o motor vale o passeio. O Maxima em geral é um velho jap-car, com suas características um tanto pobres da época: controles do ar condicionado horizontal, tamanho minúsculo dos botões do radio, posição péssima de dirigir (desenhado para japoneses de pernas curtas e braços longos, sem ajuste telescópico na coluna de direção), enfim, tem tudo o que você precisa, e nada alem disso, e nada surpreende. Exceto o motor, incompatível para o jeitão do carro, tem muito mais motor do que você espera num banheirão desses.

Marchas longas, e fortes. Esticar a segunda dentro de SP, mesmo numa avenida larga, é um tanto perigoso (120 km/h ou mais), e faz o motorista borrar o fraldão geriátrico ao engatar terceira e sentir que o carro continua acelerando como se não houvesse amanhã. Não engatei 4a ou 5a, o fraldão já estava no limite para mais abusos.

RT




Bill Egan

Poucos carros nessa vida nos fazem pensar duas vezes quando experimentados pelo assento do banco do passageiro. Ainda mais quando você, no dia de ir buscar o carro na casa de seu antigo dono, se prepara para um treasure hunt daqueles, com pás, galochas, e capacete de minerador. Pelo preço, o estado do carro prometia muito menos. Knee deep in mud, to be precise.

Andei na banheira no dia da descoberta, e entendi o porquê de certos círculos adorarem o velho VQ. Heck, até a minha mulher falou que pagaria o preço do velhinho se o MAO não fechasse na hora. Na semana seguinte, pude provar ao velho Marco o que constatei no dia da busca, que o banco do carona anda mais rápido, como se dois cronômetros ligados ao mesmo tempo, um na mão do motorista, e o outro no passageiro, depois de algumas quadras, registrassem coisa de minutos de diferença. Power corrupts, and I´m very corruptible.

Mas um motor só não faz um carro, e o velho Maxima segue a velha máxima de que nem tudo é perfeito. Anexo àquele V6 DOHC que jura que noutra encarnação esteve atrás dos bancos de um Dino 246, há uma triste imagem de um japonês velho e cansado. Sim, inteiro, saudável, limpo por dentro (anos de soja e peixe cru, sabem como é...), mas já marcado pela idade no lado de fora. E a questão nem é só a imagem, é o volante ruim, sem regulagem de profundidade, que só dá algum feedback quando é pra dizer que tá difícil de conseguir tração, a alavanca de marchas pesada, e o fato de ser um soul-less bastard. Mas acho que isso faz parte da mágica. MAO, me dê as chaves dele por um mês. Eu quero ver se encontro alguma alma ainda naquele velho corpo ligado naquele forte coração. Maxima´s a bitch, and I wanna spank her.

BE




Paulo Keller

Nos bastidores do blog falamos muito sobre a falta de alma dos carros "lava-louças" feitos pelos japas. É claro que existem muitas exceções como Supra, Honda NSX, Subaru Impreza, Mitsubishi 3000GT, Nissan Z, Mazda Miata e muitos outros. Esses aí tem alguma alma, mas no geral os japas não são desejáveis pela emoção e sim pela razão. Mas como nosso entusiasmo não é racional acabamos preferindo algo mais carnal e com muitas polegadas cúbicas.

O MAO levantou um ponto muito importante sobre como podemos sobreviver nesse mundo, cheio de desejos, a maioria inatingíveis, e encontrarmos felicidade mesmo nas pequenas coisas. Nesse ponto, de certa forma, eu "invejo" o MAO e outros autoentusiastas que conseguem esse tipo de realização. Eu ainda não passei do campo dos sonhos, mas logo terei o meu Charger.

Outro dia fiz uma visita ao MAO inicialmente para avaliarmos um Opaloito a 8 mãos. Mas infelizmente acabou não dando certo. Então o MAO gentilmente me convidou para experimentar "a" Maxima (como ele gosta de chamá-la). Ele usa esse japa todos os dias e deve sentir um imenso prazer ao transitar com a "barca" com todo seu desprendimento e uma sensação de superioridade incompreendida por quem o observa de cima de seus SUVs coreanos pagos a prestação que tentam nos dizer que são bem sucedidos. É, um cara que dirige um V6 noventa e pouco, que custou 8 mil reais e se sente muito bem fazendo isso é de fato superior aos que acham que possuir um carro é uma demonstração de status. Na verdade ele queria dividir comigo esse prazer entusiasta.

É claro que aceitei de pronto! Ao entrarmos no carro ele me falou o ano, o motor, a potência, os dados de performance e mais um monte de coisas. Como eu estava relaxado e descontraído me dediquei mais a experiência de dirigir o Máxima. Esqueci quase tudo que ele me falou e registrei apenas o necessário. Motor V-6, tração dianteira, uns 15 anos de uso, bom estado, excelente performance e 8 mil reais.

Logo ao sairmos reparei no ruído do motor. Achei estranho por ser diferente, incompatível com minha expectativa, mas gostei. O MAO logo explicou que se tratava de um "Cayenne". Vocês sabem que não dá pra entender de todos os assuntos. Então fiquei na minha pensando no que a Porsche teria a ver com esse barulho. Andamos mais um pouco e na conversa entendi que se tratava do filtro de ar, daqueles utilizados pelos "tuneiros". Legal, menos restrição igual a uns cavalinhos a mais.

Pegamos um avenidão e deu para habilitar o "modo binário" de direção. Ou seja, pé direito atuando em apenas duas posições, aceleração máxima ou marcha-lenta. Com uma excelente caixa manual, as passagens de primeira para segunda e segunda para terceira e eventualmente para quarta foram muito divertidas e rápidas. O V-6 fala forte e é muito elástico. Me fez pensar em fazer um comparativo meio maluco, tipo aqueles que o Top Gear adora, desse Maxima com um BMW, ou até um 911 mais antigo. A idéia seria mostrar como um "carro lava-louças" pode ser tão divertido, ou mais, que outros carros mais desejáveis. Logo entendi o entusiasmo que o MAO transmite a falar do Maxima.

Isso prova uma outra teoria que discutimos muito em nosso grupo e que embora não chegamos a um consenso entre todos eu estou do lado daqueles que acreditam nela. Carros tem alma, mas essa alma pode ser mais ou menos entusiasta dependendo do seu dono. No caso do Maxima do MAO, além de alma, tem até personalidade.

PK


Desde o lançamento do Charger moderno, uma certa rejeição sempre foi a marca registrada desse modelo para mim. O motivo principal era ele ser tão diferente do conceito apresentado em 1999, esse bastante agressivo.

Considero o Charger americano, em sua segunda carroceria, de 1968 a 1970, um dos desenhos mais bonitos de todos os tempos. Logo, esse quatro portas lançado nos EUA em 2006 era algo totalmente sem sentido, apenas um sedã familiar que aproveita o nome famoso, coisa de empresa em dificuldades que parecem ser eternas.
Aproveitamos as férias da família para ir a um dos maiores paraísos de turismo, a região de Orlando, na Flórida, o estado-pântano. Ao vasculhar o estacionamento da locadora com as opções disponíveis pelo mesmo preço, fui logo procurando o que seria interessante para dirigir e que tivesse porta-malas grande e aproveitável.
Ao me lembrar que aquele carro azulão com o emblema do cabrito montês tinha tração traseira, parei de escolher e abri o porta-malas, com aquele frio na barriga me dizendo que ele seria grande e caberiam as malas da família. E deu certo, baixando um dos lados do encosto do banco traseiro, tudo ficou bem acomodado.
Ficaram para trás, para outros turistas, Camry, Accord, Maxima, Impala, G6, HHR e Galant. O HHR seria melhor no quesito espaço para malas, mas minha diversão seria menor, e férias são para se divertir.
Na partida do motor já uma agradável surpresa. Apesar de ser na versão SXT V-6, o borbulhar da lenta é agradável, mesmo não chegando perto de um V-8. Nada daqueles carros com 4 cilindros onde mal se escuta o motor. Por sorte, o modelo era equipado com a maquinária de melhor performance, trazendo a inscrição "High Output" nos pára-lamas dianteiros, logo abaixo da inscrição 3.5L, um pouco fora do padrão de polegadas cúbicas ao que os americanos estão acostumados. De notar o litro abreviado por "L" maiúsculo, quando o correto seria minúsculo. Esse motor significa 250 hp a 6400 rpm e 340 Nm a 3800 rpm. Com coletor de admissão variável, e quatro válvulas por cilindro, o funcionamento é muito regular e com potência bem distribuída, não demonstrando falta de força em nenhuma rotação de uso em rua. Nada mau para passear em três pessoas.

A ficha técnica mostra aceleração da imobilidade até 60 mph em 8,9 s. Parece mais rápido na realidade, auxiliado pelo empurrão da tração traseira.

Saímos do aeroporto naquele piso impecável que caracteriza a região de Orlando, um carinho para com o estrangeiro, com os vidros abertos para escutar o motor e respirar um ar melhor, depois de tantas horas de ar condicionado de avião.
Depois de alguma distância percorrida, percebi que a transmissão trocava de marcha sem que se notasse, a não ser que estivéssemos prestando atenção no momento da troca. O balanço de carroceria, e a interrupção de entrega da potência para as rodas é mínimo e suave. Com ar condicionado ligado, o comportamento é o mesmo, sem falhas. Acelerando bem forte, porém, as trocas são mais bruscas.
No dia seguinte, com um pouco mais de tempo, descobrimos o botão do prazer: ESP, o controle de estabilidade que trabalha em conjunto com o ABS, e é equipamento básico de todas as versões de Charger. Esse item é desligável, e até a luz espia é divertida, com o desenho do carrinho derrapando.
A partir desse momento, toda alça de acesso a viadutos e algumas curvas de esquina eram encaradas de uma forma mais a contento de quem gosta de dirigir. Mesmo a baixas velocidades, algumas balançadas no carro e acelerações ilógicas eram aplicadas, para se conhecer melhor o que tinhamos em mãos. E o que constatamos foi bom. Pesadão em ordem de marcha, com 1725 kg, o Charger tem uma agilidade muito boa, e ficamos imaginando como seria melhor se a transmissão fosse manual, ao invés de automática de 4 marchas . Mas isso é coisa inexistente em carro de locadora, exceto se formos especificamente procurar os esportivos de aluguel.

Com distribuição de massas de 53% na frente e 47% traseira, ocorre substerço (saída de frente) em curvas muito quentes, em baixa velocidade e com giro rápido do volante. Os pneus arrastam para valer, e uma boa acelerada escorrega de leve a traseira, minimizando a saída de frente. Em uso normal, nada no comportamento dinâmico preocupa. Nem mesmo as inclinações de carroceria (rolling) são exageradas ou desagradáveis. A bateria fica no porta-malas, auxiliando um pouco no equilíbrio.

Freios a disco nas quatro posições trabalham bem, e seguram o monstrão com autoridade, ainda que atrapalhados pela transmissão automática que demora bastante a reduzir de marcha. Como outros amigos de nosso blog, prefiro eu mesmo colocar a marcha que tenho vontade, e não ser substituído nessa função.
A direção é leve, como tipicamente acontece em carros americanos, mas não tão leve a ponto de incomodar ou gerar preocupação com um simples espirro ou tosse repentinos (do motorista). Também a quantidade de voltas é reduzida, ou seja, um bom sistema, sem maiores críticas.
O motor com 3,5 litros atende bem ao que o carro se propõe, ainda que não seja o modelo SRT ou melhor ainda, o R/T Daytona com o V-8. O nosso seis - em - vê dava conta do recado, largando fácil dos semáforos junto com carros bem mais leves, e deixando a massa trafegante longe, um bom fator de segurança.
Lógico que não foi brincadeira todo tempo, lembrem-se que se tratava de uma viagem de férias com a família, mas mesmo assim, a diversão foi feita com certa frequência.
Para quem dirige, os bancos são um pouco mais macios do que o aceitável, cansando um pouco depois de algumas horas. O ajuste lombar compensa bem, permitindo uma reconfiguração da coluna vertebral e um certo relaxamento com a mudança de posição. Esse ajuste é manual na lateral do encosto e existe também para o passageiro, mas o ajuste de distância , de altura e de reclinamento são elétricos, com as teclas localizadas no assento. O ajuste de altura funciona na parte dianteira e traseira do assento, tornando-o mais plano ou mais inclinado, favorecendo a melhor acomodação independente de pernas longas ou curtas. Os pedais também são ajustáveis em distância, e o volante é ajustável em altura e distância, com bom diâmetro e pega, e o visual é decente, sem componentes muito flexíveis que poderiam passar a sensação de carro barato.
Apesar de ser bem plástico, tanto painel de instrumentos quanto os painéis de porta não passam a impressão de serem ruins, naquele nível de carro popular brasileiro.
Se pensarmos que esse carro custa entre 27000 e 30000 dólares, está num nível razoável, mas não é o melhor dessa categoria, longe disso.
Tive um gerente canadense certa vez que me disse algo simples e importante. Os Mopar nunca foram excepcionais de carroceria nem de acabamento, mas sim em mecânica. Isso permanece até hoje, nessa moderna geração.
Para coroar as boas características do carro, o consumo de gasolina. Rodar 998 km e descobrir que você gastou 80 dólares (uns 145 reais), o que traduzido na nossa unidade cotidiana, dá cerca de 8,9 km/l é ótimo. Muito bom mesmo, apesar de toda a massa de uns 1900 kg com 2 adultos e uma criança, mais alguns poucos bagulhos como carrinho de bebê e mochila, e as acelerações fortes induzidas em várias oportunidades, com mais de 90% do tempo com o ar-condicionado ligado.
A conclusão é que 14 centavos de real por quilômetro rodado para tamanho conforto é muito barato. Barato não. Justo e civilizado, ao contrário dos nossos custos brasileiros para se andar de carro. Sem contar que pouco se danifica suspensão, e assim o carro dura muito tempo sem começar a parecer um carroção barulhento. E os americanos ainda acham que a gasolina está cara por lá....

Após doze dias sendo bem tratado pelo carro, por uma sinalização perfeita, rodando por um asfalto e concreto muito bons, e encontrando alguns trechos com pequenos remendos e alguns buracos rasos que não se cobriam mais de 500 metros no total, devolvemos o cavalo de batalha com muito pesar.
A vontade de apresentá-lo no check-in do aeroporto e tentar trazê-lo como excesso de bagagem foi grande.
JJ
Pelos comentários do post desta semana sobre Henry Ford, me parece que muita coisa da história do homem é desconhecida para a maioria das pessoas.

Resolvi então indicar alguns livros para preencher essa lacuna, e ao mesmo tempo ajudar aos amigos leitores a entender mais sobre o mundo de hoje e, principalmente a indústria de automóveis e como ela evoluiu.

O principal para entender TUDO sobre o homem e suas criações, é o excelente trabalho do biógrafo americano Steve Watts: "Henry Ford: The People's Tycoon". Watts fez com Ford o que já havia feito com Walt Disney: não deixou nenhuma pedra sem revirar, e nenhuma faceta do "mago de Highland park" sem ser explorada. Até seu infame anti-semitismo, e o triste relacionamento com seu único filho, Edsel. Mas nem por isso deixa de dar a dimensão imensa deste incrível sujeito, e dá uma noção ótima do tamanho imenso de sua contribuição para a humanidade. Imperdível para todos, mesmo quem não se interessa por carros.

Já mais próximo do entusiasta, existe um livro antigo mas extremamente carinhoso com Ford e sua história, focando no que interessa para o amante do automóvel, que eu adoro: "The cars that Henry Ford built" (foto acima), da historiadora automotiva Beverly Rae Kimes, publicado pela Automobile Quarterly .Sobre ele, existe uma história interessantíssima:

Quando o livro foi publicado pela primeira vez, em 1978, O editor da AQ, L. Scott Bailey, mandou uma cópia para Henry Ford II revisar, visto que ele é mencionado ao final da obra. A resposta veio do setor de relações com a imprensa da empresa, totalmente impessoal:

“O Sr Ford não comenta sobre livros a respeito de membros de sua família.”

Mas, algumas semanas depois, veio um pedido especial para 20 cópias encapadas de couro branco, em caixas especiais. O pedido veio de Henry Ford II, junto com uma carta dizendo que “meu avô teria adorado este livro”. As cópias eram para uma viagem de Ford ao Japão, onde é costume dar presentes que honrem os antepassados; o livro era o que Henry II levou para seus anfitriões.

O livro é leve, informativo, e, vindo da saudosa Beverly, feminino em seu tratamento carinhoso com os Ford. Adoro ele, e tem um lugar de honra em minha estante.


O engraçado é que existem literalmente milhares de livros escritos sobre Ford, mas infelizmente não conheço nenhum realmente bom escrito em português. Por que será? A história de Henry é de interesse universal, e não somente para os entusiastas da máquina que ele tornou popular...

MAO
Terça-feira, 27 de outubro, estive presente no Seminário sobre Emissão de Veículos a Diesel, promovido pela Anfavea e organizado pela Automotive Business, que se realizou em salão de convenções do Hotel Holiday Inn, no Anhembi, em São Paulo.
 Os palestrantes representavam "a nata" da engenharia automotiva de Powertrain, entre eles, ex-diretores de engenharia da Mercedes-Benz Caminhões, ex-presidente da VW Nutzfahrzeug, vice-presidente de engenharia da Iveco, diretor de engenharia da Daimler, gerente executivo de engenharia da Volkswagen, gerente de soluções comerciais da Petrobrás, enfim todos eles apresentaram seus pontos de vista com relação ao futuro de emissões de veículos a diesel no país.

O assunto não é novo, já foi falado em post aqui, em dezembro último, quando havia certa repercussão na mídia, quanto ao adiamento do P6, ou Euro4, previsto para início de janeiro deste ano, por conta da não disponibilidade de óleo diesel de teor de enxofre de 50 ppm (50 partes por milhão).

Mesmo parecendo contraditório falar de emissões no blog de autoentusiastas, procuro acompanhar com bastante atenção todas as novas tecnologias, etc. e convivo sem culpa nenhuma com meus prazeres de acelerar, planejar meu segundo track-day, vibrar com todos esportes automotores, mover meu sonho adiante de um dia ter um Seven tupiniquim, alimentado por injeção nas cornetas, cuspindo combustível não queimado pelo cano de escape, sem catalisador, óbvio. Analogamente, é como se um sujeito, que vive em dieta permanente, passa a semana toda se segurando, para controlar peso, triglicérides, ou colesterol, ou todos eles juntos, se permite comer uma feijoada completa, com caipirinhas e cervejas no sábado e pizza no domingo. Ninguém é de ferro e não é hipocrisia nenhuma viver com equilíbrio entre prazeres e limitações. Até a maior parte dos endocrinologistas, que conheço, recomendam flexibilidade nas receitas...

Também, perto do tamanho da frota nacional e a quantidade de óleo diesel que se consome aqui, o que todos os esportes de automotor emitem de poluentes, é tão insignificante, que para calar um ecochato, basta juntar três copinhos de café de papel reciclável (plástico nãããão), com algodão embebido em água, mais três feijões, um em cada copinho e esperar uma semana para nascerem as plantas e pronto, neutralizaram-se as emissões de CO2 relativas de uma corrida...

Foi um evento técnico e específico, então achei pertinente trazer aos leitores a síntese da síntese do que se falou, nas apresentações e debates, divididos na seguinte sequência:

• Onde estamos e o que aconteceu mais recentemente?
• Para onde vamos?
• O que já foi feito, quanto aos produtos motores e veículos e combustível e o que falta fazer;
• Há novas idéias para melhorar o panorama futuro?
• E o mundo, para onde vai?


O Brasil consome hoje cerca de 45 bilhões de litros de diesel por ano, sendo 32 bilhões de litros para uso rodoviário e os restantes 13 bilhões de litros, para outros fins, como ferroviário, marítimo, agrícola, termoelétricas, etc.

Enquanto se regulam com rigor as emissões na produção de todos os veículos comercializados aqui, o consumo da "frota" de tratores e estacionários, proporcionalmente menor, porém ainda gigantesco, queima 29% do diesel que sai das refinarias e fica sem absolutamente nenhum tipo de controle de emissão de gases nem de material particulado... Vai entender.


Nossa frota está configurada como apresentado na figura acima, ou seja, temos cerca de 3,33 milhões de veículos diesel rodando por nossas vias.
Qualificando esta frota por suas respectivas classes de emissões gasosas, numa foto atual, 40% dela tem emissões anteriores ou equivalentes a Euro Zer0 (ou 1,33 milhões de veículos produzidos até 1995), 15% Euro1 (ou 500 mil fabricados entre 96 e 99), 24% Euro2 (ou 800 mil, 2000 até 2004) e 21% Euro3 (ou 700 mil veículos, produzidos de 2005 até os dias de hoje). Essa foto foi tirada com base num estudo da Anfavea de todos os licenciamentos de veículos comerciais no Brasil, junto aos respectivos Detrans.


As figura acima mostra a diferença relativa entre os limites de emissões, até o atual Euro3. O progresso na redução desses poluentes é visível.
Notem que CO e HC mudam pouco para o próximo nível e os fabricantes vem atendendo com sobras há anos.


Da "lambança" que foi causada, pela não disponibilidade do diesel S50 a partir de janeiro deste ano, foi costurado um novo acordo, homologado em 6 de novembro de 2008, na 19ª Vara Cível da Justiça Federal, entre o Ministério Público Federal, o Ibama, a ANP, a Petrobrás, os fabricantes de veículos e motores e a Cetesb, estabelecendo obrigações compensatórias para a mitigação dos impactos ambientais decorrentes do não atendimento da L-5/P-6.

Essa compensação nada mais é do que irmos dos limites equivalentes a Euro3, direto ao Euro5, este antecipado em um ano em relação à meta original. "Pula-se" portanto o Euro4. Vejo para nós e a sociedade, a missão de acompanharmos se todos cumprem seus compromissos, nas datas acordadas, evitando assim, um novo adiamento.
Aos fabricantes de motores e de veículos, cabe desenvolver os produtos que atendam às novas normas e colocá-los no mercado, como eles sempre fizeram desde que se instituíram aqui as leis de emissões.

A Petrobrás tem de trazer e disponibilizar o diesel S10, em todo território nacional, num cronograma adequado, de forma a que este venha antes dos motores. Há de se tratar também a disponibilidade de uréia, ou Arla 32, como foi batizado, também em todas as cidades, sem exceção. O programa entra em colapso, se o diesel ou uréia não estiver disponível. Os investimentos planejados para tal são gigantescos, US$7,2 bilhões, distribuídos desde o refino até o último ponto da cadeia de abastecimento.

Entenda-se por Arla, Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo, uma solução aquosa de uréia, que segue certo padrão, fórmula e especificação, predeterminados. Grande parte dos veículos que atendam a Euro5, empregarão o uso deste agente, em seus sistemas de pós-tratamento de gases. Tanto na Europa como nos EUA, já há veículos usando Arla 32 e a solução encontrada pelos fabricantes, para que o usuário se obrigue a abastecer corretamente o sistema com este produto é simplesmente parar o motor. É como se o diesel houvesse acabado. A lógica de alerta ao usuário, para que procure abastecer seu veículo de imediato, varia conforme o fabricante.

Curioso e conhecendo bem a criatividade do brasileiro, podemos imaginar a quantidade de soluções que serão inventadas para sair de enrascadas, mas é bom saber que qualquer líquido diferente da uréia Arla 32 sacrificará o sistema de pós-tratamento, e aí é que entra a importância dos programas de inspeção de frota veicular, até agora engatinhando em eficiência e serviço na capital de São Paulo, inexistentes na maior parte do território. Quem de nós já não arrancou o catalisador de seu carro e não o repôs, justamente por que não irá passar por inspeção... a multa deve ser maior que o valor do catalisador, verdade seja dita, ninguém pensa verde, acorda verde e dorme verde de graça.
As figuras acima ilustram o conteúdo tecnológico dos motores, para atenderem a cada fase de emissões. O papel da engenharia dos fabricantes.
Notem a agenda acordada pela Petrobrás, com o diesel S1800 ainda disponível em 2013, para 30% do consumo, em plena vigência dos motores Euro5, o risco de o diesel "errado" ser distribuído para veículos existe, mas a Petrobrás garante que com política de preços adequada, isto é, preços equivalentes para S10 e S1800, dificultará fraudes no abastecimento. Será? Em rápida consulta a alguns engenheiros de fabricantes, eles confidenciaram que testam motores novos com diesel S1800 e até o momento, a catástrofe aos sistemas de pós-tratamento se confirmou.

Incrível, mas a descrença que alguém possa falhar no acordo, acarreta em ações de contenção, sempre custosas e de resultado incerto.
Panorama interessante foi apresentado quanto a ações adicionais que podem melhorar o quadro futuro de emissões. Começa que um caminhão com motor Euro Zer0, digo os ainda bem regulados, emite o equivalente a 8 caminhões Euro5, quanto a CO e NOx e 50 caminhões Euro5 quanto a Material Particulado (MP, fumaça preta). Numa projeção baseada em volumes de vendas atuais, sobre a frota atual, chegou-se a conclusão que ao final de 2015, três anos após a vigência do Euro5, a contaminação de MP na atmosfera urbana e rodoviária estaria reduzida em 5,3% e que mais de 90% da contaminação por MP no Brasil, virá da frota Euro Zer0 até Euro2. Considerando a disponibilidade de diesel S10 em todo o Brasil, em 100% dos postos a partir de 2014 (conforme agenda acima), esse número salta para 17%.

Atualmente, os Detrans estimam que 8 mil caminhões velhos são sucateados por ano, um programa de renovação de frota, sempre mal-compreendido pela sociedade, que vê interesses diretos de fabricantes de veículos e motores bem antes de benefícios de redução de emissões, poderia aumentar o sucateamento, temos vários exemplos bem sucedidos na América e Europa (cash-for-clunkers recente foi um deles) e, combinado com o novo diesel e o programa Euro5, mais biodiesel, as projeções saltam para 25% de redução de MP no final de 2015.

O mundo caminha para Euro6/EPA 2010, ambos níveis convergem nos valores mais importantes, mas o investimento da indústria para atingi-los, ainda é muito elevado e o custo dos produtos, hoje mostra-se o dobro dos atuais Euro3, ou seja, é inevitável que esse custo seja repassado a sociedade, diluído no custo dos produtos transportados. Inflação causada por emissões...
Outro ponto interessante, foi um quadro apontando onde há oportunidades a explorar, para diminuir o consumo de combustível em transporte de longa distância e, boa parte dela está na aerodinâmica e no Kers... mundos ainda distantes para nós...


CZ


Figuras: fonte Anfavea, AEA, Renault e Torotrak

Fim de semana muito especial para os autoentusiastas. Feriado prolongado com Dia das Bruxas, Finados, post número 1000 dos autoentusiastas, coroado pelo teste do Audi A8 a 10 mãos, feito pelo BS, AK, PK, MAO e JJ. Mas não terminara aí.

No sábado, embarco logo cedo de avião rumo à Porto Alegre, na companhia do entusiasta Carlos Mauricio Farjoun. Chegando lá, encontramos um velho amigo dos entusiastas, o Márcio Campos.
Nosso objetivo era visitar o 18o Encontro de Veículos Antigos, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul.

Alugamos um Celta básico, e este carro nos surpreendeu em desempenho e estabilidade nas estradinhas sinuosas que nos levaram até Nova Petrópolis. E mesmo bastante solicitado, ainda foi muito econômico.

Nem bem chegamos à cidade, e os paralelos com Águas de Lindóia já aparecem. A estrada estreita e sinuosa denuncia o relevo acidentado da cidade, em muito semelhante à sua correspondente paulista.

Mal nos instalamos no hotel, e já corremos para a exposição. A proximidade do local do evento foi decisivo para irmos à pé, mesmo sob sol forte. Valeu a pena. A caminhada foi recheada de boas surpresas ao longo do caminho.



O local da exposição é pequeno, um armazém adaptado. Os carros ficavam dispostos lado a lado muito juntos, difucultando boas fotos das laterais, e quase sem possibilidades de fotos das traseiras, o que é uma pena. Detalhe para a organização rever para a próxima edição.

Se por um lado não havia quantidade, se esbanjava qualidade, com veículos representativos da história do automóvel em impecável estado de conservação. Ver carros diferentes dos habituais das mostras paulistas já fazem valer a viagem toda.

Como sempre, excelentes representantes da indústria nacional e importados.




Não sou um especilista ne história dos modelos de automóveis, como o MAO, mas reparo muito em detalhes tecnológicos que escapam da maioria dos especialistas. É a troca de informações com amigos e outros visitantes que tornam o passeio memorável.

Um exemplo disto é esta caixa, montada ao lado do motor de um Ford T. O que seria ela?


Esta estranha caixa é, nada mais, nada menos que a bobina de ignição!!!


Este é um dos exemplos do que podemos aprender sobre a evolução tecnológica indo a estas exposições.

Outra curiosidade é o "meio" V8 do Pontiac Tempest LeMans.

"Meio" V8 porque o motor de projeto original V8 teve eliminado o banco esquerdo de cilindros para montar um 4 em linha aproveitando ao máximo as peças à disposição. Esta é uma história que o MAO já contou aqui.

Já este carro é para os dogeiros de plantão fazerem referência. É um Dodge Brothers 1920, da primeira fase da Dodge. Sem ele, não haveiram outros ícones mais modernos hoje tão cultuados.


Há muitas outras referências, como a bicicleta motorizada da NSU, à caminho para a criação da verdadeira motocicleta, do coupê Fiat que recentemente foi foco de um artigo do colega FB, a foto de um sinal de "PARE" junto a uma placa de rotatória como a que destacou recentemente o colega BS, os Porsches a ar tão amados do MAO, da cultura automobilística que se respira no mercado das pulgas. Mas fica difícil descrever tudo e colocar aqui tudo.

Mas, para uma apreciação das melhores fotos que tirei do evento, criei dois álbuns de fotos online.
Eles estão aqui:



Espero que apreciem.

Terminamos com um passeio por Gramado e Canela, onde desfrutamos da deliciosa cozinha e hospitalidade gaúchas. Cidades belíssimas, que valem a pena conhecer.

Se compararmos este evento com Águas de Lindóia, ele ficaria francamente em desvantagem pelo volume de carros apresentados. No entanto, o espírito do evento de antigos, que se perdeu em Águas de Lindóia quando o evento se popularizou e o fluxo de dinheiro cresceu, permanece intocado em Nova Petrópolis.
Evento movimentado, mas não tumultuado pela multidão como em Águas de Lindóia. Alí o público era mais seleto, interessado no assunto. Felicito os organizadores e desejo longevidade ao evento, sem que ele se descaracterize.

Agradecimentos especiais a nossos amigos de Porto Alegre, Carlos Alberto Marcon Júnior, Henrique Masson Vidal e suas respectivas noivas Naizé e Grasiella, pela hospitalidade e companhia nesses dias de viagem.

AAD

Quase todo mundo já sabia, mas agora é oficial: depois de 8 temporadas sem resultados expressivos a Toyota anunciou hoje a sua saída do circo da Fórmula 1, seguindo os passos da Honda e BMW.

A declaração oficial é a de que a empresa precisa cortar custos diante da "severa realidade econômica atual". Com certeza os japoneses sentiram o impacto do prejuízo sofrido em 2009 e tudo indica que a situação não vai ser diferente em 2010.

Renault, Mercedes e Ferrari permanecem, mas ninguém sabe até quando. Há rumores de que a Bridgestone também quer pular fora desse barco ao final da temporada 2010, o que é no mínimo interessante, considerando que nem a Goodyear nem a Michelin pretendem retornar ao esporte.

É o começo de uma nova era na F1? Pode até ser. Seria muito bom ver a era atual sete palmos debaixo do chão, com uma boa pá de cal em cima.

FB
Há mais ou menos um mês o MAO percebeu que estávamos nos aproximando do nosso 1.000º post. Desde então estávamos pensando em fazer um post especial. Não tivemos dúvida de que uma avaliação do Audi R8 mereceria ser o tema do milésimo post do blog.

Então resolvemos fazer mais um daqueles posts a oito mãos, com participação do Arnaldo, MAO, Paulo Keller, além da minha. Mas no final acabou saindo a dez, pois o Juvenal se juntou ao grupo.



Bob Sharp

Audi R8, um belo carro esporte. Tive a grata satisfação de receber um da Audi para avaliação e nada melhor do que falar dele usando este espaço, o AUTOentusisastas.

O mais curioso, e notável, é dirigir um carro cuja disposição do trem motriz é a mesma do Auto Union P-Wagen de 1934, o primeiro carro de corrida a ter o motor localizado na traseira logo atrás do piloto. Como Auto Union, o P-Wagen V16 com compressor, que foi projetado pelo Prof. Ferdinand Porsche e sua equipe, já ostentava o emblema dos quatro anéis entrelaçados que se vê no R8 e outros Audis. A Auto Union foi constituída em 1932 e reuniu quatro fábricas: Audi, DKW, Horch e Wanderer.

Com a Segunda Guerra Mundial a produção foi interrompida, para só voltar em 1949, com a nova Auto Union, produzindo apenas a marca DKW. Mas a nova empresa nunca gozou de boa saúde financeira e em 1958 passou para as mãos da Daimler-Benz, que por sua vez passou-a em 1965 para a Volkswagen. A firma foi renomeada Audi AG, o DKW parou de ser fabricado e a marca Audi voltou a existir.

Do primeiro Audi do pós-guerra, o 60, a expansão da Audi não parou mais, ao mesmo tempo em que a excelência tecnológica fazia fama pelo mundo todo. Exemplo disso foi a tração integral surgida com o Audi quattro em 1978, o que revolucionou o rali internacional. O mesmo conceito quattro está aplicado no R8, com repartição traseira-dianteira básica 85-15%, mas variando conforme necessidade.

O Audi R8 surgiu em 2006, no Salão de Paris daquele ano. Curiosamente, tinha o mesmo nome dos esporte-protótipos vencedores de várias 24 Horas de Le Mans e destinava-se a impulsionar ainda mais o prestígio da marca, para isso entrando em terreno dominado por Porsche e Ferrari. Aproveitando a tecnologia de construção multitubular de alumínio do Lamborghini Gallardo — a marca pertence à Audi desde 1998 — apresentou a sua versão de carro esporte de alto desempenho.