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| Interlagos Berlinette com motor Simca Tufão V-8 de Ricardo Achcar (Ilustração de Maurício Moraes/forum-Simca.2308807.n4.nabble.com) |
“Vá atrás
de toda informação sobre carros antigos. Em 99% das iniciativas você
apenas fará novos conhecimentos e amigos. Em 1%, mais amigos – e achará o
automóvel.”
Conversa com Roberto Lee, 1969.
Parece
maluquice ou despropósito, pois todos sabemos e vivenciamos ouvir enorme
quantidade de histórias que, espremidas, não produzem o sumo da verdade.
Usualmente, dão em pouca objetividade, reduzida veracidade e, pior, porque às
vezes verdadeiras, enormes erros em datas e prazos – uma vez fui atrás de
um Alfa 2500 no Rio de Janeiro, indicação de amigo comum, especializado, com
autorização de usar seu nome com o proprietário. Tudo certo, exceto pelo fato
de, descortês, precipitado, o alfista ter morrido quase 20 anos antes da informação,
a viúva idem, a casa se tornara um edifício, ninguém sabia de nada...Mas faz
parte da Arqueologia Antigomobilística, e tenho seguido a orientação
absorvida do Lee, um dos pais do antigomobilismo nacional.
Entre 1971 e 1972,
para constatar a existência do meu futuro primeiro antigo, um Ford Modelo T de
1926, mal descrito em inventário de 1928, fiz 52 – cinqüenta e duas! – viagens
em estrada de terra, para desespero do meu negro JK – a uma cidade do interior,
em poeirenta estrada de terra até ver, negociar e comprar. Idem, searas longas,
ouvindo desincentivos, a pecha de maluco simpático e articulado, nos anos 1990
para localizar o FNM Onça – com fundamental ajuda do Mingo Jr –; descobrir o
IBAP Democrata, empreendedor, história, resgatar a essência desta lenda; e,
neste século, para desencavar a documentação do Capeta para, junto com outros
Willys exumá-los em estado de abandono e saque no pilhado Museu do citado Lee,
dar base a um projeto de resgate e impedir sumiço certo.
Energia
Curiosidade e interesse sem fim, o ânimo antigomobilista é uma pilha bem carregada. Por isto, conto a mais recente história, como o fiz à minha mulher, quando avisei voaria a São Paulo para tentar fazer resgate de automóvel perdido na bruma do tempo. “Ok," – comentou ela, com insuportável prática feminina – que seja, pelo menos exemplar único para valer seu tempo em meio à sua única semana de férias.“ Era o caso.
Curiosidade e interesse sem fim, o ânimo antigomobilista é uma pilha bem carregada. Por isto, conto a mais recente história, como o fiz à minha mulher, quando avisei voaria a São Paulo para tentar fazer resgate de automóvel perdido na bruma do tempo. “Ok," – comentou ela, com insuportável prática feminina – que seja, pelo menos exemplar único para valer seu tempo em meio à sua única semana de férias.“ Era o caso.





