google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
autor do post: Arnaldo Keller

Não adianta dizer que não ou que não é bem assim, pois tenho certeza que piloto que é piloto é bicho burro, mesmo. Ajoelhado e de braços abertos, com o rosto voltado para o céu, confesso, sou piloto e bicho burro. Vou dar um exemplo recente para provar o que afirmo.
Como estou organizando os carros antigos que estão expostos no Quatro Rodas Experience -- que são 15, distribuídos em 3 boxes --, fico por lá meio-período, e nessas um amigo, o Zique, foi me visitar. Chegando lá ele ficou na fissura de guiar em Interlagos, coisa que nunca havia feito, e tratou de ir atrás de comprar uma guiada, fosse lá em qualquer carro.
Para nossa surpresa, nos informaram que para comprar o raio da guiada ele teria que ir até o Portão 7, isso mesmo, o portão lá de fora na beira da rua, o que seria uma boa caminhada ou ele teria que ir até o estacionamento, pegar seu carro, ir até o portão etc, etc, uma trabalheira e perda de tempo estúpida. Por sorte um rapaz da organização, meu chapa, logo se prontificou a levar o Zique num jipinho do evento que estava ali do lado, e lá foram eles... tuc...tuc...tuc no sacolejante jipinho.
O Zique voltou dizendo que as reservas estavam encerradas não sei por que raios, fulo da vida. Falei que dava um jeito. Fomos lá para o pit-lane e o pessoal legal arrumou um Mégane Hatch turbo pro Zique e um Mégane Gran Tour pra mim. Falei pro Zique que aquele carro dele ao ser freado no talo -- tipo a freada para a Curva do Lago ou para o S do Senna --, ciscava com a traseira pra lá e pra cá, pois no ano anterior eu pegara aquele mesmo carro meio amarelinho e ele fazia isso.
E era verdade. No ano passado eu senti isso quando tirava um racha com outro amigo, o Diego, cada um num Hatch turbo. Depois do racha, o Diego disse que o dele não rebolava na freada, e eu tinha visto que ele esteve freando forte. Mesmo assim, escrevi confirmando minhas impressões quanto à freada, deduzindo que era devido a muita transferência de peso para a dianteira e alívio da traseira -- poderia ser molas dianteiras fracas --, e má dosagem da distribuição de forças nos freios.

Um pouco antes do Zique e eu entrarmos nos carros, um piloto amigo confirmou minha impressão e disse que aquele que o Zique guiaria, anos atrás tomara uma forte cacetada na traseira e, mesmo com tudo consertado como se deve, nunca mais ficou bom de freada. Taí. A gente precisa acreditar no nosso taco. Eu estava certo.

O Zique se mandou com o turbo dele lá de uns 200 cv e lá fui eu brincar com o Gran Tour de 2 litros, 16 válvulas e 6 marchas. Belo dum carro. Ergonomia perfeita, o volante regula altura e distância, bancos que nos agarram justinho, motor elástico e bom de giro alto, e ótima estabilidade, apesar de eu achar que as 35 libras dos pneus eram pouco. Acho que pra pista devemos colocar ao redor de 30% a mais do que usamos na rua, ou seja, esses pneus que usamos 30 na rua deveriam estar com 40 na pista, daí que os dianteiros dobravam muito cedo.

Ao meu lado, como instrutor, um ex-piloto da Indy, o Thiago, que veio de volta pro Brasil para correr de Stock e agora está dando um tempo. Muito simpático, muito legal o Thiago, e evidentemente um baita dum piloto, porque na Indy não entra um mais ou menos, é tudo fera da brava. Falei pra ele não esquentar e me controlar. Ele falou que tudo bem e que só era pra não passar os outros nas curvas, só nas retas. Fiquei assim, nas retas eu aliviava e deixava o pessoal distanciar, e nas curvas eu sentava a bota.

Na 2a ou 3a volta, ainda passeando, no momento me distanciando e prestes a acelerar forte para brincar no Laranjinha, pelo retrovisor vejo um lampejo de farol e em seguida escuto uma buzinadinha. Fiquei quieto na minha porque esse carro vinha lascado por fora, pela esquerda, e nessas me passa um Ferrari 430 que entra forte no Laranjinha com aquele V-8 roncando com uma saúde que era uma beleza. Seu traçado estava perfeito, fazendo as duas tangências da curva.

Não deu outra. Aí é que entrou o burro na parada. Falei pro Thiago: “Filha da mãe! Vou dar um suador nesse cara!”, e reduzi para 3a marcha e acelerei no talo. Que cara idiota, eu, achar que ia colar naquele Ferrari bem pilotado. Que cara idiota! E outra, o Thiago nem falou nada e de rabo de olho só o vi se ajeitando no banco, se preparando pra encrenca, sem falar nada e tudo bem com ele, porque me pareceu que já confiava na minha tocada e estava a fim do pega.


Estão vendo porque é que a gente é burro? Tem cabimento?
E pior. Logo antes do Pinheirinho já colei num carro lento, cujo qual não me era permitido passar – e pela lei local o Ferrari podia, já que estava sendo pilotado por um piloto profissional contratado. Se eu passasse o lento no miolo o Thiago teria que responder perante o organizador porque é que me deixara fazer aquilo. E então, até agora, este burro aqui ainda tem algumas dúvidas se teria dado um suador no Ferrari ou não.

E agora, escrevendo de sangue frio, raciocino: vai ser burro assim lá adiante!

AK

O post do Bob sobre o dia em que atravessou a cidade sem sinal vermelho pode ter dado esperanças ao amigo, mas no meu caso, continuo pessimista.
Domingão passado, finzinho de feriado prolongado, o meu mais novo teve a pachorra de me acordar às 7h30 da manhã, exigindo que fizesse algo com ele porque o sol já havia nascido. Frio desgraçado, cobertores quentinhos, mas resolvi levantar e fazer a vontade do moleque, visto que esse ano tenho passado menos tempo que o normal com ele devido a compromissos profissionais. Por um lado foi até bom, porque lá fora o sol brilhava gostoso, e o céu estava extremamente azul como só acontece no inverno.
Botei ele no carro e saímos em direção a uma padaria que, por ser localizada relativamente longe, não frequento muito, mas que tem uns pãezinhos de queijo que o Joãozinho adora.
A caminho de lá, passo por uma larga avenida de 3 pistas, que aquela hora no domingo estava completamente deserta, às moscas. Andando devagar, conversando com o Joãozinho que já tagarelava um monte de coisas aboletado em sua cadeirinha (onde essas crianças arrumam tanta energia?), eis que noto, já tarde, que haviam montado um radar fotográfico móvel na via. Uma olhada no velocímetro e outra no retrovisor bem na hora do flash confirmam: tomei mais uma multa.
Estava a 90 km/h na maior tranquilidade e segurança possível. O limite ali é 60. Talvez seja uma daquelas que por si só já se perde a CNH.
Não é de se revoltar? Em meu bairro, não há UM DIA que não se saiba de alguma casa que foi invadida e assaltada. Vivo sempre com medo de bandidos, porque sei que a impunidade reina para eles no ponto br.
Mas ai de quem se atrever a andar acima dos limites de velocidade ridículamente baixos que vigoram em nossas vias! Para esses criminosos e assassinos em potencial, não há perdão nem escapatória!!!
E se tomar uma cerveja no almoço e voltar dirigindo para casa então, é xilindró na certa!
As vezes, me canso de ser brasileiro...

MAO
Como a notícia do dia é sobre a Saab, aí vai um wallpaper apropriado.




O Felipe Bitu já informou no post abaixo, mas não posso me furtar de escrever sobre essa ótima notícia sobre uma de minhas marcas favoritas.
Em nota divulgada no dia de hoje, a GM Europa informou que a Saab e a Koenigsegg firmaram um acordo, sacramentado através de uma carta de intenções, onde a empresa menor assumirá o controle da Saab. Esses negócios são complicados, cheios de advogados para entender as partes e redigir contratos, assuntos que jamais me apetecerão, mas a decisão é que importa. A negociação deve estar finalizada até o final do terceiro trimestre deste ano.
A Saab passará a ser controlada por mentes suecas, só por isso, mais fácil de ser entendida pelos administradores, e livre para criar produtos com linhagem 100 % Saab, retornando ao que foi até 1990.
Tudo tende a melhorar para quem lá trabalha, para os entusiastas da marca e os entusiastas em geral. Basta lembrarmos que foi a fábrica que primeiro fez funcionar decentemente um turbocompressor em um carro de produção quase "popular". Outras inovações foram comentadas nesse texto que escrevi há uns meses.
O site Autoblog, que não perde tempo, publicou algumas fotos belíssimas do CCX e do Aero X, que reproduzo aqui.
Hoje é um dia importante para pensarmos que ainda há esperança para quem gosta de carros, que nem todas as marcas são fabricantes de utilidades de transporte, que não precisamos ter medo do futuro, já que nem todo mundo está disposto a ganhar dinheiro fabricando apenas carros sem personalidade.
Foi o melhor que poderia ter acontecido.
JJ