google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Procurando por um de meus livros acabei encontrando um outro que li em 2007, "Cadê os Líderes" do Lee Iacoca. Para quem não sabe, ele já foi presidente da Ford e da Chrysler. Na Ford foi um dos responsáveis pelo lançamento do Mustang e na Chrysler, por um conceito nada entusiasta mas também de muito sucesso, a minivan.

Folheando o livro reli algumas partes marcadas por mim mesmo que mostram alguns pontos interessantes da indústria automobilística americana:

"O modelo de Sloan de um carro para cada nível de renda motivou pessoas a fazerem trocas melhores à medida que progrediam na vida. Em outras palavras, começava-se com um Chevrolet e acabava-se enterrado com um carro fúnebre Cadillac. O conceito de marca de Sloan fez da GM uma força, e a Ford e a Chrysler seguiram o exemplo. Mas o modelo de Sloan não funciona mais. As empresas estão sendo sufocadas por um bando de marcas e modelos dentro de marca."
Basta ver o que está acontecendo nos EUA com Saturn, Hummer, Saab e Pontiac; todas semi-mortas.

"Os erros recentes da Ford custaram muito e sua crise de identidade tem sido desmoralizante. Nunca entendi porque a Ford precisava adquirir marcas como Jaguar, Volvo, Aston Martin e Land Rover. Às vezes olho pra Ford e sinto vontade de perguntar: o que você quer ser quando crescer? A Ford achou que podia comprar o acesso ao mercado carros de luxo. Não deu certo."
Das marcas citadas apenas a Volvo continua com a Ford; sabe-se lá por quanto tempo mair.

"Durante grande parte da história, a indústria automobilística americana teve uma abordagem burra e invertida ao mercado. A premissa básica era: vamos decidir que carros devemos fabricar e depois vamos tentar convencer as pessoas de que elas desejam e precisam desses carros. Então apareceu alguém com uma ideia brilhante: "Por que não descobrimos que tipo de carro os clientes desejam e precisam e daí os fabricamos? Ainda é uma ideia brilhante."
Fazer como os americanos faziam era algo muito mais entusiasmante para quem o fazia. Em alguns casos até deu certo, mas essa postura, muito arrogante, não se sustentou. Um caso de sucesso em que se descobriu que tipo de carro os clientes querem é o do EcoSport no Brasil. Gostemos uo não de SUVs, o EcoSport é um caso de sucesso comercial. E sucessos comerciais garantem a longevidade das empresas.

"As questões são: por que o utilitário (SUV) tem tanto sucesso? Qual é seu propósito de vida? Pouquíssimas pessoas realmente saem da estrada; portanto não se trata da necessidade de um veículo parrudo que ande em todos os tipos de terreno. O utilitário não tem capacidade de passageiros ou bagagem de uma minivan ou a dirigibilidade de um carro. Portanto qual é a motivação para se comprar um utilitário? Motores maiores (geralmente V-8) não são conhecidos pela economia de combustível e por baixas emissões. Acho que o utilitário supre um forte desejo de segurança e controle na estrada. Nos dias de hoje, as pessoas querem cercar-se do máximo de aço e ferro possível. Equiparam peso a segurança. É um fator, mas não se compara de forma alguma ao projeto estrutural sólido e ao uso de airbags. Acho que as pessoas estão procurando uma vantagem competitiva nas rodovias e gostam de dirigir do alto, na posição de comando, atrás do volante. Com milhares de outros utilitários passando por eles, sem falar nos caminhões, os motoristas se sentem mais seguros. É uma percepção, promovida por Detroit. Uma marca de utilitários era vendida com o seguinte slogan: "Veja-o como um cobertor de segurança de quase duas toneladas."

Pelo visto nós não somos muito diferentes dos americanos. Já falamos um pouco sobre esse assunto no post do Bob sobre visão de comando da estrada. Uma evolução mais apropriada dos SUVs são os crossover, derivado de carros de passeio, mais leves, mais econômicos e bem versáteis.

"Um líder na industria automobilística precisa ser apaixonado por carros e entusiasmado pela inovação."

Com certeza! Mas isso vale partindo-se da premissa que esse apaixonado tenha uma grande visão de negócios. Um líder tem que gerar muito lucro. Lucro suficiente para agradar aos acionistas e manter a empresa. E uma certa sobra para fazer os modelos mais apaixonantes sem quebrar a empresa.

"O imperativo do mercado é tão claro que é preciso ser cego para não enxergar. Temos que fabricar mais carros pequenos. Atualmente, nenhum dos carros menores é fabricado em Detroit."

Depois dos novos limites de consumo de combustível impostos pelo Obama não há mais escapatória para os americanos. Os pequenos serão feitos nos EUA também.

"Pregamos o modo capitalista como se fosse uma religião, mas é preciso indagar se não está nos deixando na mão. Quando os slogans de propaganda são mais conhecidos do que os dez mandamentos ou a declaração dos direitos, quando os shoppings são nossos templos, quando o mau comportamento é justificado desde que leve ao lucro, quando a dívida é justificada desde que resulte em uma televisão de plasma e quando alguém é avaliado pelo tipo de carro que dirige, talvez esteja na hora de perguntar se corrompemos a própria noção de capitalismo."
Já sabemos onde isso está terminando.

O Lee Iacocca ainda fala no livro sobre guerra, petróleo, políticos, corporativismo, livre comércio e mais. Sempre de uma maneira direta e fácil de entender.

Sem dúvida é uma ótima leitura.

PK

"Nunca tomei tanto vento na vida. O pequeno para-brisa tipo Brooklands é ineficiente nesse carro. Parece que a aerodinâmica do Kougar, apesar de fluida, é estudada para que todo o ar se concentre na cara do motorista. Meus óculos Ray-Ban encravavam fundo na pele. Ao redor dos 120 km/h mal se distingue o som do motor, de tanto que o vento borbulha nas orelhas - que, a essas alturas, batem feito asas de borboletas no cio."

Leia a matéria completa do Arnaldo Keller com fotos do Paulo Keller na Car and Driver número 18 que acaba de chegar as bancas.

Novidade: o álcool dos nossos carros passou a ser chamar, oficialmente, etanol. Assim definiu recentemente a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O produto é o mesmo, só muda o nome, e assim alinha-se o Brasil com os demais países nesse ponto.
O álcool que conhecemos tinha o longo nome álcool etílico hidratado combustível (AEHC). A Petrobrás já iniciou a troca do nome nas bombas dos postos de sua bandeira e em breve será comum a imagem da foto acima -- sem o "H", obviamente. As demais distribuidoras deverão acompanhar.
Ethanol, por definição, é ethyl alcohol, álcool etílico. Só não sei, ou não lembro de Química, por que o "an" no acrônimo, tanto em língua inglesa quanto em português.
O etanol vendido nos Estados Unidos e em outros países é anidro, sem água, mas com 15% de gasolina. Por isso chama-se E-85 (85% de etanol e 15% de gasolina). Pode-se ler o número 85 na bomba da foto.
O motivo de colocarem gasolina no álcool é possibilitar a partida a frio na baixas temperaturas do inverno nas altas latitudes, sem precisar recorrer a sistemas auxiliares como o famoso "tanquinho" de gasolina e bomba ou soluções mais sofisticadas (e caras) como a do Polo E-Flex.
Anidro aqui só o álcool (etanol) que é adicionado a todas as gasolinas na porcentagem de 25%, por força de lei federal. O etanol que é vendido ao consumidor é hidratado, contém 7% de água.
BS
(Texto atualizado em 8/06/09)












Muito bom participar na Carreata da Solidariedade, no último domingo, 31 de maio.
Bonito ver como as pessoas ajudam e limpam mesmo os armários, se livrando do que não é mais indispensável.
O bairro de Moema, em São Paulo, é um prato cheio para esse tipo de ação. Uma área não muito grande, com ruas de desenho bastante regular, formando um xadrez no mapa, e ocupado por centenas de edifícios residenciais.
Quem mora em apartamento está sempre precisando organizar a casa para ter menos bagunça e menos itens que são pouco ou nunca usados. Aliás, carros e apartamentos pertencem à mesma raça de objetos que precisam de atenção constante para não se transformar em uma tranqueira. Um imóvel e outro móvel. Quanto mais coisas se coloca neles, mais problemas se tem.
Voltando à carreata, a iniciativa é louvável, e passear com seu antigo é sempre engrandecedor. Seja pela simples curiosidade das pessoas com o evento, que abre espaço para novas conversas e ideias, seja pelo trabalho voluntário mais com aspecto de passeio, mas também pelo lado que aqui nos une: os carros. Já se diz há um certo tempo que carro que nunca sai da garagem deveria pagar IPTU, e essa carreata une o útil de ajudar a quem precisa, com o agradável de girar aqueles rolamentos e molhar aqueles retentores que ficam semanas, às vezes meses, parados.
Claro que incidentes acontecem, como já é de se esperar quando se dirige um carro com várias décadas de uso. Bobinas muito quentes, vazamentos de água, carburadores que engasgam, coisas normais no hobby antigomobilista. Ao final, reunir as doações e ver a alegria do pessoal da Igreja, lá em Moema mesmo, onde fica o centro das operações, é espetacular. Mas melhor ainda é ter a certeza de que as doações estão nas mãos de pessoas responsáveis, que já organizam essa ação há 8 anos, utilizando a boa vontade de todos que participam, seja os donos dos carros, seja o pessoal do apoio, em grande número e com muita disposição.
Uma organização elogiável, com muitas pessoas pelo caminho, a pé e de moto, orientando de forma a separar a carreata para abranger o maior número possível de ruas do bairro, e depois unindo todos novamente em um ponto mais a frente. Ajuda também da Polícia Militar, com algumas viaturas junto com a carreata.
Foi muito bom, e ano próximo estaremos lá.

JJ
Nota: a maioria das fotos são do Rafael L., amigo do Milton Belli. Obrigado a ambos.