google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Diversão de entusiastas em dia de chuva!




Outro dia tive a oportunidade de fotografar um Porsche 911S 1970. É o Porsche que o Steve McQueen dirige no comecinho do filme Le Mans. Motivado por este fato, resolvi assistir novamente o filme. Logo no início reparei nas tomadas incríveis e fiquei imaginando como seria legal poder fotografar o Porsche 917K e o Ferrari 512S. Então peguei minha câmera e fotografei a TV com a intenção de dividir as imagens com vocês e motivá-los a assistir o filme (mesmo que já tenham assistido).


Perua AMG 300 TE 6.0 “Hammer”.

Hoje parece coisa corriqueira uma perua média com um V8 DOHC de seis litros e mais de 300 cv.

Mas em 1986...Eu realmente gostaria que os leitores mais jovens soubessem quão exótico era isso. V8 DOHC era coisa de Ferrari e Lamborghini, e os Mercedes Classe E tinham no máximo um seis em linha de 3 litros.

MAO


A Itália tem imposto maior para carros acima de dois litros, e os fabricantes sempre se aproveitaram disso. Exatamente como a VW no Brasil, por exemplo, com o Gol/Parati Turbo, que aqui muitos acharam "muito caro para um Gol 1-litro", ao invés de pensar "Gol GTI com descontão", que seria o lógico.

Sempre me lembrava do carro acima quando me falavam algo desse tipo. Sim, meninos e meninas, até a Ferrari, quando ainda era um fabricante de automóveis (hoje se convenceu que produz objetos sagrados e intocáveis por ninguém a não ser milionários que não conhecem nada de carro), fez sua versão "Tax-break special".

E que carro... Lançado junto com o mais famoso 308, o 208 GTB/GTS tinha a cilindrada do V8 reduzida para 1991 cm³, por meio de um curso menor, de 71 mm (era 81 mm no 308), taxa de compressão aumentada para 9:1 e, sendo uma versão exclusiva para a Itália, a injeção substituída por um glorioso quarteto de Webers 34 DCNF. Produzia 155 cv a 6.800 rpm.

Mas em meados de 1982 a coisa ficou muito, muito melhor. Aparecia o 208 GTB Turbo. Substituindo os Webers (may them rest in peace) por injeção eletrônica e pendurando um singelo turbocompressor KKK, que soprava 0,6 bar em cilindros com taxa de compressão reduzida para 7:1, a Ferrari conseguiu mais potência que a versão de 3 litros do mesmo carro: 220 cv a 7.000 rpm (215 no 308). E. logicamente, era mais barato na Itália do que o seu irmão “maior”. Aparecia também a característica visual que sempre diferencia os GTB turbinados: a tomada NACA inferior, bem à frente da abertura das rodas traseiras.



Em 1986, a Ferrari reformulava o 308 transformando-o em 328, e as mesmas alterações estéticas eram estendidas para a versão de 2 litros. Agora chamado apenas de GTB ou GTS Turbo, sem a designação 208, ganhava intercooler (da Behr alemã) e mais pressão debitada pelo turbocompressor (agora uma unidade japonesa IHI). Chegava a impressionantes 254 cv a 6.400 rpm e a uma velocidade final de 249 km/h. Foi produzido de 1986 a 1989, junto com o 328.

Até hoje, quando penso qual Ferrari gostaria ter, minha mente vai direto para o 208 GTB Turbo. Para um cara esquisito como eu, nada melhor que um obscuro, raríssimo e desconhecido modelo vendido apenas na Itália, e no meio dos esquisitos anos 80...


MAO