google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Escaneado para vocês do último teste de um 356 publicado pela Revista Road&Track, em 1964.

OK, a pedidos, explico.

Houve um tempo em que a AMG era uma casa de preparação especializada em Mercedes-Benz. O que ela fazia, e bem, era preparar motores. Preparar de verdade. Lembram? Aquela arte esquecida, arcana, quase uma alquimia, uma mágica.

Aquela em que um sujeito igualava pacientemente volumes de câmara de combustão, ajustava sede de válvulas, descobria por testes e experiência aquele perfil de comando ideal, abria diâmetro de blocos usando pistões especiais sobremedida, balanceava tudo, tratava com carinho, ajustava tudo em dinamômetro e acabava em algo que, não importando quão humilde sua origem, era maravilhoso.

Motores feitos assim são algo que nunca será atingido com produção em massa. Como tudo feito com carinho, prazer e dedicação, transcende o puro objeto para ser algo que leva impressa a marca, e muitas vezes a alma, de seu criador.

Agora, se algo humilde já fica maravilhoso se tratado desta forma, o que tem uma origem, digamos assim, mais nobre, se tornava algo realmente extraordinário.Assim eram os motores da AMG.

Nos anos 1980, a empresa chegou a fazer cabeçotes DOHC para os V-8 Mercedes, muito antes da própria Mercedes fazê-lo. E montaram um desses no classe E, coisa que a empresa de Stuttgart dizia ser impossível, criando o famoso "Hammer". A Mercedes, posteriormente, acabou fazendo o mesmo em casa, com os 420E e 500E (este último, na verdade produzido na Porsche).

Nesta mesma época, os anos 1980, a AMG começou a fazer rodas, que ficaram famosíssimas, e também criou o AMG-look, moda que começou com as rodas e a retirada de todos os detalhes cromados dos Mercedes, e foi degringolada a um ponto em que Los Angeles ficou infestada de Mercedes cor de rosa por inteiro, até na roda.

Daí em diante todo mundo sabe o que aconteceu. A Mercedes a comprou, e aos poucos os motores deixaram de ser preparados para ser "desenvolvidos junto com os novos Mercedes-Benz" como dizia a linha oficial da empresa. Na verdade, eram versões mais quentes dos motores, mas produzidos em série.

E a última fase é a atual. Como se já não bastasse a Mercedes-Benz querendo ser BMW, agora a AMG virou M-Power também. Motores "próprios".

O que temos hoje é algo que, por mais interessante que seja (e é, o novo V-8 de 6,3 litros é fantástico), não é mais AMG. É outra coisa.

E que ela descanse em paz.



MAO

Eu acredito que a AMG começou a morrer quando foi incorporada à Daimler-Benz (ou DaimlerChrysler, Daimler-something, ou qualquer outro nome que a empresa tenha hoje). Morreu de vez quando deixou de pegar motores Mercedes e prepará-los, passando a fazer motores próprios recentemente, com o V8 de 6,3 litros.
Ela agora quer ser M-Power. Ninguém mais se contenta em ser o que é hoje em dia? Meu Deus...


E imagino se os pedantes donos de AMG's modernos sabem que no fundo são iguais aos donos desse Galant velhinho...


(fotos tiradas do blog Jalopnik.com)


MAO
Há algum tempo escrevi umas linhas para uma colega jornalista, resultado de bate-papo durante o jantar num lançamento. A conversa versava sobre os repetidos e inadmissíveis erros dos jornalistas brasileiros quanto a alguns termos e conceitos. que informavam mal e, pior, deseducavam. A essas linhas dei o nome de "Os quatro cavaleiros do apocalipse editorial brasileiro". Vamos a eles:

Cilindradas


Nunca se deve escrever ou dizer "1.600 cilindradas", pois cilindrada não é unidade de volume, mas uma medida, uma grandeza. Cilindrada é o volume total deslocado pelos pistões e as unidades de volume no nosso sistema de medidas são o centímetro cúbico (cm³) e o litro (l ou L).

No exemplo acima só se pode escrever "1.600 cm³". Como 1.000 cm³ é igual a 1 litro, quem não quiser usar centímetro cúbico pode usar litro. No caso, 1,6 litro. Mas nunca 1.6 litro: a parte inteira da fracionária se separa por vírgula, não por ponto.