google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Quem gosta de café sabe que um dos bons prazeres de saborear essa bebida é fazê-lo acompanhado de algo que gostemos muito, como carros, por exemplo.
Unindo automóveis e café, surgiu a empresa de Joe Bank, o camarada que aparece de gorro na foto abaixo, como ele mesmo diz " tentando explicar aos amigos que o café de nossa empresa não aumenta a octanagem da gasolina".


A Redline coffee é uma empresa americana, e patrocina a Flying Lizard Motorsports, equipe da American Le Mans Series, que correrá este ano na 24 Horas de Le Mans, com Porsche GT3 RSR.

Os tipos de café comercializados têm nomes bem automotivos:

Rallye, Apex, Downshift (descafeinado), Open Throttle e Double Clutch.
Mais uma novidade desse atrativo mundo automotivo.
Agora, alguém se lembra que a equipe Copersucar já chegou a ter patrocínio também do Café do Brasil, empresa estatal do tempo dos governos militares? Ou estarei enganado? Alguém tem alguma foto ?

JJ


No dia 28 de junho teremos mais uma edição do Oktane Track Day.

Excelente oportunidade de acelerar seu carro de rua em um ambiente absolutamente seguro e controlado.

Mais informações no site oficial
foto www.infoesp.net

Um dos grandes mistérios para mim é por que, quando chove, o trânsito piora ou engarrafa, como na foto acima. Lembrei do tema por estar agora em Guarujá para a apresentação da linha Volkswagen 2010 e uma frente fria trouxe uma chuva típica de inverno, de pouca intensidade mas constante e que por isso mesmo não causa alagamentos (escrevo este post da sala de imprensa que os fabricantes sempre providenciam nessas ocasiões).
Para entender melhor, nosso trânsito não é dos mais rápidos, seja pelos limites geralmente baixos, seja pela boa parte dos motoristas que costuma trafegar abaixo do limite, a quem chamo de "trombos viários". Já vi muito carro a 60 km/h numa via de trânsito rápido de 90 km/h de limite, com piso seco, sem motivo aparente.
Desde que não haja alagamento na pista, não há razão para a coluna de tráfego diminuir velocidade, pelas condições apontadas. Ao contrário de, por exemplo, se começasse a nevar ou se a temperatura caísse para abaixo de 5 °C com piso molhado, formando-se gelo, o que não é o nosso caso.
Qual a causa, então, dos engarrafamentos associados a chuva? Despreparo do motorista. Nada mais do que isso. A maioria não recebeu treinamento de como dirigir no molhado e tem medo de derrapar. Diminui, e bastante, a (já baixa) velocidade por conta disso. Começam a aparecer os trombos aqui e ali e os resultados todos conhecemos.
Não é preciso dirigir mais lentamente que o normal, sendo bastante manter o ritmo de sempre sob chuva leve. Mas com um carro "filmado" pode ficar difícil guiar na chuva, tanto pela menor luminosidade mesmo de dia, quanto pelas gotículas d'água nas superfícies transparentes escurecidas, que sempre atrapalham.
Uma coisa é certa: chuva fina por si só não pode ser causa de engarrafamentos
BS

O dia está chegando! AJUDE! PARTICIPE! Nos vemos lá!
Voltava hoje de moto para casa, quando parei em um sinal e fui abordado por uma moça numa Honda Biz, que me perguntou como chegar a uma praça próxima. Estávamos numa avenida onde um riacho separa as pistas de sentidos contrários. Falei para ela que pegasse a pista do outro lado, e estávamos justamente num ponto onde havia como passar para o outro lado, só que era contramão. A manobra era perfeitamente possível naquele momento, já que não vinha carro nenhum, mas ela me perguntou onde era o retorno. Disse que era bem mais à frente, o sinal abriu, lá foi ela com sua moto entre os carros, eu atrás, já que iria mesmo pra aqueles lados.

No primeiro cruzamento que dava mão para ela passar para o outro lado, ela não teve dúvida, entrou e fez o retorno. Só que ali, bem visíveis, tinham duas placas penduradas, proibindo virar à esqueda e/ou fazer o retorno. Fiquei pensando, será que ela desrespeitou as placas convicta do que fazia? Então porque ela não fez o retorno lá atrás, onde estava fácil de fazer?

No caso da tal motociclista, penso que seja um caso de analfabetismo funcional. Se ela vê as letras P-A-R-E, ela lê pare. Mas muitas vezes não processa e não para, ainda que uma placa PARE não contenha uma frase completa. Olha as placas com símbolos mundialmente conhecidos, mas processa como se fosse um simples desenho. É amplamente divulgado que o analfabetismo funcional é um problema real de nosso país, muita gente lê, mas não entende o que lê. Atualmente, boa parte dos compradores de motos até 150 cm³ tem baixa escolaridade, e provavelmente tem dificuldade em processar as informações que recebem o tempo todo do trânsito em sua volta. No meu entendimento, é a única explicação para um motociclista passar sem parar em um cruzamento onde a via transversal à sua é a preferencial e na via em que ele trafega uma placa PARE está colocada logo antes do cruzamento.

Ou será que é somente uma perigosa mistura de desrespeito às leis de trânsito com absoluta falta de noção do perigo?



Para contrastar com o Camaro Black do post abaixo, alguns Ford Falcon australianos, em cores coloridas de verdade.
Pela ordem:
O azul é o F6 FPV Turbo;
O laranja XR8 5.4;
E o roxo-beliscão, XR6 4.0 Turbo.
Que falta faz esse tipo de transporte por aqui, nessas cinzentas e negras ruas.
JJ
Em uma semana decisiva para o futuro da General Motors Corporation, algumas fotos daquele que é o maior símbolo dos bons tempos dessa empresa, traduzido para os dias atuais, o Camaro.
Essa versão se chama apenas Black, e foi apresentada no NAIAS (North American International Auto Show) de 2009, ou simplesmente Salão de Detroit, em janeiro.
Os Autoentusiastas torcem para que o destino da GM não seja negro como esse estupendo automóvel.

Boa sorte!

JJ





No último final de semana realizou-se a prova 24 Horas de Nürburgring. A corrida, vencida pelos Porsches GT3 RSR da equipe Manthey , talvez seja a última grande prova romântica do mundo.
Na edição desse ano havia 4 Audis R8 LMS oficiais da fábrica, um sem-número de Porsches GT3 RSR de última geração, cinco equipes oficiais Volkswagen a bordo do novo Scirocco, além dos cinco Aston Martin Vantage em sua versão preparada exclusivamente para essa prova, batizado de Vantage N24.

Até aí tudo igual a qualquer prova importante do mundo. Acontece que na 24 Horas de Nürburgring tem muito mais coisa legal do que os últimos lançamentos da indústria. Exemplares de carros fundamentais na história do automobilismo mundial, como o Mercedes 190 2.5 Evo e o Opel Manta participaram da prova desse ano! Carros com 20 anos de história nas costas dividindo curva com carros oficiais de fábrica ultramodernos.

O Mercedes terminou a prova em 60º lugar, com 124 voltas, ficando a 31 voltas do líder e a frente de alguns carros de fábrica. O Opel abandonou a prova.


Foi a bordo de um Mercedes bastante parecido com esse (uma versão 2,3-litros) que Ayrton Senna, então um novato na Fórmula 1, ganhou a prova promocional da inauguração do traçado moderno do autódromo de Nürburgring. Desbancando todos os pilotos de ponta de Fórmula 1 da época e antecipando o embate com Prost que seria tão frequente em sua carreira. Isso foi no ano de 1984. Bom demais saber que esses carros, que povoaram os sonhos de quem tem um pouco mais de 30 anos, ainda dão um bom caldo.

As fotos são da corrida desse ano.

Essa carroceria não tivemos aqui. Dart sedã 2-portas. Amo o visual desse carro, portas com colunas, claustrofóbico, sério, não-esportivo. Diferente, bem diferente dos nossos cupês, tão elegantes e simpáticos com os vidros abaixados e sem colunas nas laterais ou quadros nas portas. Achei essas fotos em um site de Darts dedicado exclusivamente a preparação mecânica. Espero terminar o meu em um futuro próximo.

A parte mais grosseira do serviço, fiz em casa, aproveitando um sedã 70 que recebi como parte de pagamento de peças e bagunçado demais para ser restaurado ao original. E como já tenho outro sedã 4-portas, 78 e por acaso com um motor 383 bloco grande, achei que poderia fazer um sedã 2-portas nele. Ainda mais tendo em vista que tinha as peças necessárias para tal na garagem, e de quebra ainda arrumar um usuário para outro motor bloco grande que tenho aqui sobrando. Me pareceu a coisa certa e sensata a fazer.

Essa foi a última foto dele antes de ir para a oficina de pintura para término do serviço de funilaria e para a mudança de cor. Espero que ele volte como o Dart abaixo, também sedã 2- portas, pintado na clássica cor plum crazy, original do final dos anos 60. Coincidentemente exatamente igual ao azul Lorrain usado pela GM do Brasil no ano de 1997 em carros de passeio.

Eu evito o máximo que posso, passo o mais longe possível, mas as vezes eu me rendo e vou bisbilhotar peças usadas no Ebay Motors. Como eu gosto de carro velho, nada melhor que peças velhas, ou para parecer mais bacana e sofisticado, vintage parts, para adornar meus antiguinhos. Abaixo o resultado da última investida.
As tampas de válvulas Mickey Thompson de alumínio aletadas bem como suas gêmeas com marca Holley são impossíveis de resistir. Admissões antigas, de marcas obsoletas podem até nem ser tão boas ou eficinetes quanto as mais modernas, but how cool can it get? Você abre o capô de um carro 1968 e vê peças da mesma época dele novo.


Os dois coletores são um para o meu Chevelle 67, que vai ser montado carburado, e o outro é para me ajudar a realizar um sonho antigo, montar um Maverick com motor 351C.



Gasolina, álcool, flex, GNV, híbridos, elétricos... A discussão sobre as diversas fontes de energia nos automóveis é um assunto bastante aquecido, porém está vivo não é de hoje.

Há 65 anos, o mundo achava-se dividido e em choque sob uma guerra de alcance global. Petróleo era a fonte de energia que impulsionava as então modernas máquinas de combate na terra, no mar e no ar. Logo, as reservas deste precioso mineral eram alvo estratégico para ambos os lados, restando muito pouco para o resto do mundo.

Nesta época, o Brasil se achava sob uma situação difícil. Afastado das principais fontes, o país contava com poucos petroleiros que se arriscavam a atravessar a barreira dos furtivos submarinos alemães.


Antes de mais nada, meu background automobilístico precisa ser esclarecido. Sou fã do automobilismo clássico e esportivo. Muito do que gosto hoje é resultado do que vi e vivi na infância. Meus sonhos automobilísticos sempre estiveram ligados de certa forma ao passado. A pista que eu sonhava andar, o carro que eu sonhava ter... A história tem um peso fundamental nas minhas escolhas.

Gosto de carros de rua que têm história. Por isso sou apaixonado pelos automóveis de tração traseira e motores aspirados e giradores. Eu costumava dizer: “Turbo pode ser mais rápido, mas a tocada não tem a mesma finesse” - “As rodas que tracionam não podem ser as mesmas que dão direção” - “4x4 é para jipe”.

Pois bem. A vida era assim até que uns seis meses atrás embarquei numa escolha que, desconfio, vai mudar para sempre minha concepção sobre automóveis. Comprei um Subaru Impreza WRX.

Queria um carro forte e usável sob qualquer circunstância e minha escolha caiu sobre o japonês.

O carro é forte, em sua configuração original são 225 cv e pouco mais de 30 kgfm de torque. Mas não se trata disso. Trata-se de dar motor tão cedo que exige uma recalibração do cérebro. Trata-se de readequar o estilo de tocada.

Ao chegar à curva, obviamente se freia o carro e se entra na curva, logo após o turn-in e bem antes de apex é possível dar motor de forma gradativa, a frente começa a esfregar, mas não é preciso tirar o pé. A frente escapa, mas a traseira empurra o carro pra frente. Um comportamento completamente novo para quem nunca andou de carro integral. Se o subesterço continuar muito pronunciado, tirando o carro da trajetória, basta levantar um pouco o pé que a traseira se pronuncia ainda mais e traz o carro de volta. Uma leve tirada de pé em saída de curva seguido de pé no fundo faz a traseira entrar em powerslide de forma absolutamente controlável. É possível brincar com o acelerador e direção e com isso ter mudanças de trajetória impensáveis em outros tipos de carros esportivos. Ao contrário dos carros aspirados, é possível usar o torque ao seu favor.

A marcha ideal para se entrar numa curva é sempre uma marcha acima da que seria usada em um carro aspirado. Meu carro hoje conta um pouco mais de potência e o torque, fui preciso uma reeducação para entrar forte em curva a 3.000 rpm usando o torque a favor.

Certa vez sai de casa debaixo de um temporal para ir a Petrópolis, uma serra apertada de piso irregular e muitas curvas fechadas. Setei minha cabeça para ir devagar, sem forçar nada. A velocidade com que subi a serra foi a mesma que em um carro com tração dianteira no seco, qualquer um que tentasse acompanhar, certamente bateria. E eu não estava correndo.

Por tudo isso, acho que a escolha do WRX vai me fazer rever toda minha concepção sobre automóveis. Existe uma finesse na tocada de turbo, sim, 4X4 não é para jipe e as rodas que dão direção, também podem tracionar.


Apresentado em 1998 na Europa, o Ford Focus veio com um pacote técnico bastante bom para a categoria. Precisamos lembrar que na Inglaterra, o país mãe para esse carro, a Ford liderava por anos a fio, e justamente com carros médios. Mas o Focus original é mais do que o sucessor do Escort, que durou 30 anos. É o resultado da lição aprendida mais dura pela qual a Ford Europa passou, após o lançamento do Escort de 1990, o CE14.


Em 29 de agosto de 1990, a revista Autocar, a de maior influência na Ilha, publicou uma matéria de capa que foi uma bomba dentro da Ford GB. Dizia a manchete: Ford's new Escort meets its rivals....and loses. (Novo Escort enfrenta seus rivais...e perde).
Vários pontos foram mostrados como muito ruins no carro novo, que custou 1 bilhão de libras. Motor de respostas fracas, qualidade da troca de marchas, bancos, painel de instrumentos, estabilidade. Este ponto era bem visível, pois a rolagem de carroceria era demais para um carro pequeno e razoavelmente leve. O resultado foi tão forte dentro da Ford, que após o lançamento para a Imprensa, foi adicionada barra estabilizadora na dianteira.
Essa prática é um terror para qualquer fabricante. Ao se marcar um lançamento com a Imprensa, seja especializada ou não, é inadmissível precisar alterar algo no carro depois que as matérias começam a ser publicadas, mas foi o que aconteceu ao Escort inglês. Em três meses, o preço havia caído, os pacotes de opções haviam se enriquecido, e o marketing de vendas e a propaganda trabalhavam para manter o Escort como o mais vendido. As séries especiais e opcionais grátis eram adicionados. Em poucos anos, mudanças leves e outras mais profundas foram sendo apresentadas, e o carro melhorou muito.
Isso mostra o quanto a Imprensa séria e com base e formação técnica pode influenciar fabricantes também sérios. Na Inglaterra, país que deve ter a maior quantidade de autoentusiastas por metro quadrado no mundo, a Autocar é sempre muito bem vista, dada a tradição de ter sido fundada em 1895, e não testar carros por press-release, Internet ou telepatia. A equipe é grande e os carros são utilizados de verdade, muitos deles em testes de longa duração. Informação confiável, portanto.
O ponto em que a Ford chegou com esse Escort foi o pior na história da marca na Inglaterra, e o que se seguiu foi o início do conceito do carro que viria a ser seu sucessor, o Focus.
Já estávamos na fase em que os carros ficaram maiores e mais pesados, visando principalmente atender normas de segurança bastante restritivas, e mais conteúdo nessa área deveria ser adicionado. Em paralelo, o consumidor já demonstrava mais exigências quanto a espaço, conforto e a própria segurança. Partiu-se então para um novo projeto, já que melhorar o Escort seria mais caro do que fazer um carro novo.
Entra aqui uma figura conhecida pelos entusiastas mais radicais, apreciadores da moderna engenharia automotiva, Richard Parry-Jones, o RPJ. Esse engenheiro mecânico trabalhou 30 anos na Ford, e se declarou sempre um apaixonado por carros. Na Ford desde 1969, em 82 se tornou o principal responsável pelo Escort. Os Focus, Ka, Fiesta, Puma e Mondeo nasceram sob sua batuta. Percebemos que o Escort tão criticado, foi fruto do trabalho dele e de sua equipe.A evolução do homem trouxe a evolução do produto, e o que se seguiu foi o Focus, aclamado na Europa e nos outros mercados em que foi lançado, como um novo padrão de dirigibilidade, encontrado apenas em carros muito mais caros. O Focus foi tão melhor nesse quesito, tanto na Europa quanto nos EUA, que encontramos uma declaração de um executivo de Planejamento de Produto da Honda USA, que disse:
"The reason we notched up the '02 Civic Si's chassis dynamics is partly because of how damned good the Ford Focus ZX3 is. And the reason we believe the Focus, Escape, (Mazda) Tribute and the new Mondeo are so good -- and why Ford has surprised us with these vehicles -- is because of Richard Parry-Jones."
A característica principal, a nosso ver, é uma suspensão traseira independente com multi-braços, que permite estabilidade e conforto ao mesmo tempo, e funciona muito bem.


Passados menos de um ano do lançamento na Europa, vimos em São Paulo um Focus cinza-nublado-britânico com placa de fabricante, e tivemos a mesma sensação de irrealidade que se tem ao final de um filme espetacular no cinema. Seria possível que esse campeão já esteja sendo aprontado para ser vendido aqui ?

A resposta veio rápida, e no final de 1999 já tínhamos o Focus feito na Argentina, entre nós. De lá para cá, todo novo carro no mercado pode ser medido a partir do Focus, modelo original, que agora só possui o motor 1,6 litros e 8 válvulas. Basta andar com o novo modelo que se tem interesse, anotar o preço e equipamentos, e depois dirigir para valer o Focus velhinho, ver suas características e preço. Se o orçamento disponível for para um modelo usado, a covardia é mais marcante ainda, dada a qualidade de construção de carroceria, interior inclusive, do Ford. Difícil encontrar um exemplar usado que não tenha uma boa condição, passando a sensação de carro sólido.

Ainda não encontrei nada melhor em nosso mercado.

JJ



P.S. 1 - O modelo novo, apresentado no Brasil no Salão do Automóvel de 2008 é outro bicho. Ainda um pouco caro, já mais parelho com os concorrentes. Fontes desse blog nos afirmam que a dinâmica foi um pouco prejudicada devido ao maior peso, e que o modelo antigo é mais divertido de dirigir. Avaliarei em breve.

P.S. 2 - O Gino Brasil considera o Golf ainda melhor que o Focus, e combinamos dele contrapor o meu texto com um outro, sobre esse carro da VW.



E ele conseguiu de novo. Helinho Castroneves entrou para a história hoje com a terceira vitória na 500 Milhas de Indianápolis, feito alcançado até então por apenas cinco pilotos, todos americanos.

A corrida foi o marco final do drama pessoal que o piloto passou, com os processos e acusações de irregularidades fiscais nos Estados Unidos. Helio não se conteve, assim como todos que estavam ao seu redor, e caiu de joelhos em meio a lágrimas de alegria. Foi mesmo a sua consagração de superação pessoal.

Faltando pouco menos de 40 voltas, os dois carros da Penske que lideravam a prova precisariam parar mais uma vez para reabastecer, mas foi com uma bela pancada entre os brasileiros Vitor Meira e Raphael Matos que a bandeira amarela veio e foi o suficiente para economizar o combustível necessário para cruzar a linha de chegada em primeiro após 200 voltas.

Após a volta da vitória, Helinho parou seu carro no meio da reta principal, e a contragosto dos fiscais que o empurravam pra ficar no carro e levá-lo até o Círculo da Vitória, jogou o volante longe e correu para o alambrado, junto com boa parte da equipe Penske, para mostrar que o Spider Man continua vivo.

Parabéns Helinho, essa é sua e ninguém tira!



O polêmico post de 20/5 sobre o trágico acidente em Curitiba acabou levantando a questão dos vidros escurecidos.
Muitos leitores deste blog e de outras publicações sabem da minha cruzada contra essa mania nacional de mandar aplicar películas escurecedoras nos vidros do automóvel deixando-os com transparência muito inferior à mínima regulamentar.
Sempre me pergunto o por quê desse hábito tão difundido que reduz drasticamente a visibilidade do motorista, que seus defensores garantem não trazer problema algum, mas que na realidade traz.
A transparência dos vidros é especificada por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), começando com uma de novembro de 1998 (n° 73) que determinava 75% para o para-brisa, 70% para os laterais do motorista e 50% para os demais. Mas foi substituída pela de outubro de 2007 (n° 254), que baixou a porcentagem do para-brisa para 70%, manteve inalterados os laterais do motorista e reduziu a dos restantes para 28%.
Mas isso raramente é fiscalizado e o Contran alega que só será possível quando estiver homologado um aparelho fabricado no Paraná que mede a transmitância luminosa do conjunto vidro mais película. Só que esse processo de homologação se arrasta incompreensivelmente há um ano e meio no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), como se não houvesse o menor interesse em fiscalizar o abuso.
A rigor, tal aparelho é desnecessário. Basta o agente fiscalizador ler a transparência impressa no vidro. Se for 75% (praticamente todos hoje), a película só pode ser de 94%, resultando na combinação vidro mais película de 70%. Qualquer outra porcentagem da chancela da película instalada significa irregularidade.
Não é preciso ser oftalmologista para afirmar que olhar através de um vidro de 70% alternando com outro bem menos transparente é totalmente impróprio, especialmente dirigindo. Algo como colocar óculos de sol ao olhar para os lados e tirá-los para olhar à frente.
Carece de toda lógica e bom senso o motorista não ter a melhor visibilidade possível. Por que, então, tanta gente manda "filmar" o carro? Acho que deve ser por uma ou mais das razões abaixo:
  • Moda
  • Busca por privacidade
  • Proteção contra assalto (embora seja possível olhar dentro do veículo pelo para-brisa)
  • Evitar estilhaçamento dos vidros laterais temperados
  • Embelezar o carro
  • Evitar multas por uso do celular ou não-uso do cinto de segurança
  • Não constranger o vendedor que, delicadamente, ofereceu as películas grátis
  • Proteger a pele dos raios solares
  • Manter o interior mais fresco quando estacionado sob sol
  • Conservar o interior

O fato é que nenhum dos pontos acima justifica um motorista se privar de boa visibilidade no seu posto de comando, fora que é irregular.

BS


O Paulo Keller perguntou a todos qual foi o carro que irremediavelmente comprometeu nossos cérebros ao ponto da mania por automóveis não ter mais cura. Isso é bem típico do Paulo, eu me recordo de uma vez em que ele pediu a todos nós aqui do blog para que fizéssemos uma retrospectiva dos carros e experiências automotivas que mais nos marcaram.

Assim como o Paulo, cresci rodeado de Matchbox, daqueles antigos mesmo, que você podia pisar em cima ou atirar na cabeça do irmão mais novo sem que ele se quebrasse (esses Matchbox novos são um desgosto para mim). Isso no meu mundinho pequeno de quintais e playgrounds. No mundo de gente grande eu curtia os VW Passat: meu pai tinha um LS azul metálico e meu tio Luís tinha um TS amarelo, morria de paixão pelos dois carros. Mas não foi o Passat que me tornou um entusiasta.

Não me lembro ao certo em qual dos Passats isso ocorreu, mas foi pela janela traseira de um deles que eu vi o carro que persegue meus sonhos até hoje. O carro que realmente tocou meu coração, que virou meu cérebro do avesso: o Mercedes W116 (1972 - 1980).

Eu lembro muito bem que eu ficava doido quando via um deles na rua. Não podia nem ver a estrela de 3 pontas em cima do capô que já ficava louco. Meu pai logo percebeu o meu alvoroço por Mercedes e já foi tentando me desanimar: "Esquece isso filho, isso é carro de embaixada. Além de ser caro, muito caro."


Mas de nada adiantava meu pai falar, os anos passavam e eu cada vez mais doido em Mercedes. Era difícil achar miniaturas do W116 e eu tinha que me contentar com miniaturas dos Mercedes R107 (a SL/SLC de 1971 a 1989). Um vizinho do condomínio percebeu o fascínio que eu tinha pelos Mercedes e comentou: "Todo ano eu vou visitar minha família no Líbano, em Beirute Mercedes é igual Fusca aqui no Brasil."

Não demorou muito e encontrei uma oficina em São Bernardo do Campo que só trabalhava com Mercedes. Pra mim era como se fosse um paraíso: Mercedes de todos os anos, todos os modelos, todos os motores e todos os tipos de acabamento imagináveis.

Em pouco tempo fiz amizade com o pessoal da oficina e pude conhecer aquela atmosfera típica dos Mercedes mais antigos: o rádio Becker, o cheiro do interior, o volante enorme, detalhes íntimos dos motores, transmissões, suspensões, freios... Até detalhezinhos bestas me encantavam, como o "Made in West Germany" gravado em todas as pecinhas.

O dono da oficina, Marcos, já me dava as dicas: "Os mais fáceis de se manter são os 280 de seis cilindros, pois vieram em grandes quantidades para cá, existe até desmanche especializado em Mercedes. E a maioria usa carburador, é difícil trabalhar com as injeções Bosch Jetronic dos motores V8."


Marcos falava por experiência própria: era o feliz proprietário de um 350 SEL com câmbio automático e rodas BBS RS de aro 16, uma coisa de maluco naquela época. O ronco do V8 nos kickdowns era indescritível, mesmo sendo o menor motor V8 da linha. Eu sonhava mesmo era com o 450 SEL 6.9, de preferência em uma autobahn alemã, para explorar todo o potencial dos 282 hp.

Em meados dos anos 90 o Marcos ficou sabendo de um leilão da Receita Federal, com vários Mercedes apreendidos. Os carros estavam em exposição em um galpão em São Paulo e lá fomos nós dar uma olhada no que estava sendo oferecido. Tinha Mercedes de tudo quanto é jeito, mas eu gamei mesmo foi num 350 SE azul, com câmbio manual de 4 marchas.

Infelizmente o Mercedes foi arrematado por um lance muito acima do que eu poderia bancar. O Marcos fechou a oficina há alguns anos e já faz um bom tempo que os W116 não são vistos pelas ruas com frequência. Vez ou outra vejo um rodando por aí, momento em que faço questão de parar ao lado no primeiro farol fechado, só para cumprimentar o proprietário.

O Mercedes W116 apareceu em diversos filmes, mas creio que sua aparição mais memorável foi em Ronin, de 1998. Jean Reno aparece no filme usando e abusando da suspensão hidropneumática do 450 SEL 6.9 e dos pneus 215/70 HR 14 (estamos falando dos anos 70!).



Essa atmosfera dos Mercedes antigos é uma coisa que não existe mais em Mercedes nenhum. O Mercedes W126 (sucessor do W116, fabricado até 1991) conseguiu manter boa parte da aura do W116, mas acabou ali. Há exatamente 18 anos Mercedes não tem mais cheiro de Mercedes , tem é um cheiro esquisito de plástico e coisas menos refinadas.

Acabou-se aquele pedaço setentista de Sindelfingen que vinha como equipamento de série em todos os W116, tão bom quanto ouvir Bert Kaempfert no velho rádio Becker. Os Mercedes mais novos se parecem mais com Kraftwerk tocando em um Ipod: continuam bons, mas jamais serão o que foram nos anos 70.
Carro de verdade tem motor com comando de válvulas acionado por corrente.
Foto abaixo, BMW V-8 do M3.

JJ


Hoje fiz o test-drive do Audi A3 com transmissão DSG, de dupla embreagem.

É incrível. Definitivamente o melhor de dois mundos. Automático quando precisa, manual quando se deseja. A sensação de caixa manual é tão grande que mais de uma vez procurei a embreagem para parar ou para reduzir. A Audi sabiamente fez o pedal de freio apenas um pouco maior que o pedal de um carro com câmbio manual convencional, caso contrário teríamos batido a testa no para-brisa. Os power downshifts que a caixa faz são uma diversão à parte. Em modo esporte a caixa obedece o que você quer, vai a quase 7 mil rpm e só troca se o piloto demandar a mudança, reduz na hora em que recebe o comando, não importa em que condição.

Foi o primeiro carro com dois pedais que eu gostei. É realmente sensacional.

Recomendo a todos o test drive. Esse é o futuro sem dúvida.

VR
A ideia de alguns posts começa pelo texto. Algo que leio, uma notícia, uma propaganda, uma matéria ou até posts dos colegas colunistas que me fazem pensar e refletir, se transformam em um texto. Sempre tento anexar alguma imagem para ilustrar esse texto.
Em outros casos a ideia vem a partir de uma imagem. Ao visualizar uma foto penso num texto para transmitir o que vejo.
Essa foto aí de baixo estava na pasta de fotos para o blog já faz um bom tempo, à espera de que um texto sobre ela saísse da minha cabeça. Não saiu nada!

Talvez alguns dos leitores consigam adicionar palavras a ela.
No post do Milton Belli sobre o Monteverdi ele menciona que o Lamborghini Miura tinha uma disposição do motor diferente, transversal.
Ao olhar a foto do Monteverdi tenho a impressão da sua estrutura não ser muito resistente a torção. Já a do Miura me parece muito rígida. Seria legal descobrir um comparativo entre os dois.
Reparem abaixo as disposições do motor e a estrutura dos dois carros.

Lamborghini Miura
Monteverdi Hai
A Suíça hoje é conhecida pela forte exigência ambiental, rigorosas normas de emissões e leis de trânsito que podem colocar o infrator na cadeia. Não exatamente o lugar mais lógico para se criar um dos esportivos mais raros e refinados dos anos 70.

Peter Monteverdi, um suíço de ascendência italiana, criara em 1967 o modelo 375, seu primeiro carro na fábrica que levava seu nome, e posteriormente diversas variações do modelo, com conversíveis, Grand Turismos e o sedã de luxo, todos equipados com motores americanos de elevado deslocamento volumétrico. Mas o grande lançamento ainda estaria por vir, em menos de três anos após a inauguração da fábrica. No Salão do Automóvel de Genebra de 1970, Monteverdi mostrou ao mundo sua obra prima, o HAI 450 SS.


Peter era uma pessoa curiosa, pois além de engenheiro, era artista e um bom negociante. Criou um chassi tubular para acomodar um motor central na posição longitudinal, diferente da posição adotada no Miura dois anos antes. Em 1969, Peter foi aos Estados Unidos para uma reunião com a engenharia da Chrysler, empresa que lhe fornecia os motores para o modelo 375. Enquanto a engenharia apresentava o 440 pol³ Magnum "F Series", Peter estava mesmo de olho no motor da bancada ao lado, o HEMI de 426 pol³ que empurrava os Dodges e Plymouths para vitórias nas corridas da NASCAR.


Com as medidas do 426 em mãos, voltou para a Suíça e projetou o chassi tubular do novo carro, já pensando na transmissão ZF de cinco marchas que usaria. Por conta da carcaça da transmissão, Peter criou uma ponte De Dion sobre a transmissão com interligação por um sistema Watts e braços de controle laterais. Os freios traseiros eram montados na saída do diferencial, o famosos sistema in-board utilizado nos carros de corrida. A dianteira era composta de braços sobrepostos. Peter também sempre projetou seus carros para ter a melhor distribuição de peso possível, sempre perto dos 50/50, e a disposição do motor reduz o momento polar de inércia, que faz o carro ser mais rápido em transiente e mudanças de direção.



Com o chassi pronto, a carroceria de aço foi feita na Fissore, com elementos de design que remetem novamente ao Miura. Baixo perfil da carroceria, frente em cunha, motor potente e chassi bem estruturado permitiam ao novo carro atingir 280 km/h de velocidade máxima, respeitável até para os padrões de hoje.

Faltava um nome para sua criação, logo Peter o nomeou de HAI 450 SS. HAI significa tubarão em alemão, em alusão à carroceria, e 450 remete aos 450 hp que o V-8 da Chrysler produzia, ou pelo menos divulgavam, pois com os dois carburadores quádruplos, é provável que fosse mais forte. O primeiro protótipo foi pintado de roxo metálico (Purple Smoke como era chamado), e era claramente um carro de performance. O próprio Monteverdi afirmava que o carro não era fácil de ser dirigido esportivamente e era esse mesmo o intuito, ser rápido e bruto, uma experiência única de relação homem-máquina. Quem quisesse um carro mais tranquilo, optasse por um modelo da série 375. Mas isso não significava que o HAI era um carro espartano com péssimo acabamento, muito pelo contrário, era altamente refinado, com ar condicionado, vidros elétricos, vidro traseiro aquecido, bancos revestidos com couro Connolly e espaço revestido no bagageiro.


No ano seguinte, mais um carro foi produzido com o nome HAI 450 GTS, com o entre-eixos um pouco aumentado (de 2.548 mm para 2.610 mm), motor Chrysler 440, melhor posição de dirigir, além de detalhes de carroceria como a maçaneta da porta mais alta para facilitar a abertura. Apenas estes dois carros foram fabricados, seu preço elevado era proibitivo. Posteriormente, mais duas reproduções foram feitas.

Peter Monteverdi não era mais um maluco fabricantes de carros com sonhos utópicos. Ele mesmo afirmava "eu sempre quis construir carros", mas tinha a consciência de que "se eu não construísse carros, provavelmente seria infinitamente mais rico e mais saudável, mas com certeza não seria mais feliz".
Aconteceu há 15 minutos.

Sexta-feira.

Semana inteira com gripe. Corpo cansado. Um monte de trabalhos inacabados. Chego em casa e dou de cara com a minha Automobile na porta, sobre o capacho. Fresquinha, no plástico.

Ninguém em casa. Sossego absoluto. Tiro a revista do plástico e dou aquela primeira folheada. Descubro que tem uma matéria sobre o Camaro, entre outras muito legais.

Pequenas coisas assim dão um grande prazer.

Agora a dica.

Automobile, Car and Driver, Road & Track e Motor Trend, todas americanas e com assinaturas da edição em papel a preços bem convidativos. De fato até mais barato que as nacionais.

Vejam as importadas:

Automobile: 1 ano por US$ 34,00 (ao redor de R$ 71,00)
Car and Driver: 1 ano por US$ 34,00 (ao redor de R$ 71,00)
Road & Track: 1 ano por US$ 38,00 (ao redor de R$ 80,00)
Motor Trend: 1 ano por US$ 38,00 (ao redor de R$ 80,00)

Por isso não vale a pena comprar nehuma dessas importadas na banca, onde custam quase R$ 40,00 cada exemplar. Já faz alguns anos que alterno assinaturas das importadas. Tive apenas um caso em que atrasou muito. Eu reclamei e adicionaram um mês a mais na assinatura.

Vejam as nacionais:

Quatro Rodas: 1 ano e seis meses por R$ 120,00
Autoesporte: 1 ano e dois meses por R$119,40
Carro: 1 ano e dois meses por R$ 96,90
Car and Driver Brasil: 1 ano por R$117,60

As nacionais sempre filo de alguém ou compro na banca dependendo do conteúdo. Talvez eu fizesse isso com as importadas se elas fossem mais baratas nas bancas.
Fotos: Divulgação Nissan


Sabe esses carros que achamos simpáticos assim que somos apresentados, mas que não são nenhum expoente em estilo, mas quando andamos com eles ficam com beleza de miss? O Nissan Livina é um deles. Lançado há três anos na Europa e há dois meses no Brasil, só agora tive oportunidade de rodar com um no meu habitat, a cidade de São Paulo e redondezas. A versão era a SL (há a normal também) 1,6-litro duplo-comando de 16-válvulas, que só vem com câmbio manual de cinco marchas.

Custa R$ 46.690, mas com a pintura metálica que tinha, o preço sobe R$ 950. É produzido em São José dos Pinhais, na região da Grande Curitiba, em parte do complexo industrial da Renault, por conta da bem-sucedida aliança dos dois fabricantes de peso que já dura dez anos.

O Livina é um misto, na medida certa, de monovolume e perua. Com entre-eixos de 2.600 mm e 4.180 mm de comprimento, mais o compartimento de bagagem de 449 litros (com o estepe dentro, horizontal), é o veículo familiar por excelência, sem ser exageradamente alto com seus 1.570 mm de altura. Os espaço para os passageiros do banco traseiro é amplo e acomoda bem três adultos Para as nossas "fantásticas" vias, o vão livre do solo de 150 mm o torno imune às lombadas e às valetas graças aos balanços contidos.
Estou meio sem tempo pra escrever, então aproveitei que o inverno começa a dar as caras e tomei emprestado um relato da amiga Flavinha, de uma viagem recente à Suécia. No inverno. A experiência de dirigir na neve ainda é inédita pra mim, então acompanhem comigo:


"Ontem tive a oportunidade de passear de carro pelas belas e brancas estradas da Suécia.

Estou aqui em Gävle (a pronuncia é "iavila"), a 150 km da capital Estocolmo, visitando parentes que se mudaram recentemente pra este gelado país.

Aluguei por um dia um A4 2.0 Turbodiesel (por sorte me deram um cinza chumbo, já que adoro carros escuros e para fazer um belo contraste com a neve). Queria experimentar como são as estradas suecas e a experiência de dirigir na neve. Optei por um carro maior e que tivesse todos os controles necessários para evitar possíveis acidentes, nunca se sabe...

Sobre o carro: bem divertido, adorei!! Câmbio manual, 6 marchas, embreagem bem gostosa, não muito leve, mas também não pesada a ponto de cansar. O painel informa de tudo um pouco, principalmente o quão econômico esse carro é. Fiz com ele uma média de 5,6 L por 100 km (é assim que ele mostra), ou seja, 17,8 km/l. Além disso, passei o dia reparando na temperaruta externa, e esta se manteve entre os 0° e -3 ºC. O carro também possui piloto automático e eu usei em alguns momentos da estrada.

O motor diesel é bacana e, depois de se acostumar, é gostoso e responde muito bem. Infelizmente não pude testá-lo como gostaria, já que após muitos dias de neve a estrada fica com uma fina camada de gelo em alguns pontos, muito difícil de perceber, e extremamente escorregadia.

O controle de tração funciona e muito para as estradas escorregadias. Quando andei na neve pude brincar um pouco com isso. Para sair, é nítida a atuação, além, obviamente, da luz no painel piscando alucinadamente. Forcei algumas saídas mais fortes e percebi a traseira do carro querendo sair... muito gostoso!! E, é claro, um cavalinho de pau na neve não poderia faltar!! Desliguei o controle e no final de uma rua dentro da cidade de Fallberg, aproveitei pra fazer o retorno em grande estilo.


Sobre as estradas: fica difícil dizer, já está praticamente tudo coberto de neve, mas elas são bem retas, com curvas muito suaves. Na rodovia que dirigi (chamada de 80), diversos trechos ela muda de faixa simples para faixa dupla (só assim é possível ultrapassar), revezando com o outro lado da rodovia, separando as pistas por guard rail e, em outros momentos ela fica mão-dupla, sem nenhuma separação além de faixas no chão. O que mais gostei foi quando entrei nas cidadezinhas e pude andar na neve mesmo... é fantástico!! A paisagem é maravilhosa, apesar do branco insistente. Lagos congelados, árvores com a folhagem coberta de neve, grandes pedras na beira da estrada, lindas!

Resumo da brincadeira, dirigi 343,5 km com menos de 1/4 de tanque de diesel. Visitei o Lake Siljan, as cidades de Tällberg, Leksand, Falun. Em Falun, fui ao Gruvmusset (The Mining Museum) e pude ver uma bela paisagem (novamente coberta de neve) sobre uma cratera onde, no passado fora uma mina. Infelizmente não tive tempo de fazer o tour pela mina, mas a paisagem valeu a pena. E tem mais um detalhe, como nessa época do ano o Sol aparece só as 9h30 e se põe as 15h30, não pude estender mais a viagem... além disso, no final do dia, baixou um fog absurdo e estava bem difícil de enxergar. Essa é outra característica local. Todos estão muito acostumados a isso e eu me sentia completamente deslocada no trânsito. Os caminhões andavam a 100 km/h como se estivéssemos em uma tarde ensolarada no Brasil.

Os pneus (nota do blogueiro: ela entende MUITO de pneu, trabalhou no Campo de Provas da Pirelli em Sumaré) eram especiais pra neve, uma experiência diferente pra mim. Apesar de nunca ter dirigido um carro na neve antes, a experiência foi incrível. Em alguns momentos, lembrei-me dos testes feitos na pista molhada do Campo. A sensação ao andar nas pistas cobertas de gelo é bem diferente. O ruído que se ouve em baixas velocidades se assemelha muito a quando passamos por uma poça d’água. Os pneus do Audi possuíam algumas “tachinhas”, o que ajuda e muito. Quando dirigi nas autopistas, elas estava cobertas por uma fina camada de gelo. A neve é diariamente retirada por caminhões e o que sobra é o gelo, que além de não ser perfeitamente visível, faz com que o asfalto se assemelhe ao sabão. A sensação é que não há contato entre pneu e solo, parece que o carro está flutuando, muito parecido com os testes de aquaplanagem feitos na pista...

Dirigir na neve é muito bacana, além do rumor peculiar, apesar de escorregadio, ainda é possível sentir-se seguro e brincar um pouquinho! Já na pista coberta de gelo a impressão não é tão agradável. Por vezes, você se torna passageiro (em altas velocidades) e a insegurança é inevitável. Piora ainda mais porque os caminhões circulam como se nada estivesse acontecendo, em altas velocidades, mesmo com a visibilidade prejudicada pela longa noite ou nevoeiros.

Ainda assim, recomendo a todos!! Além de paisagens lindas cobertas pela neve branquinha, é possível “brincar” (e muito!) nas estradinhas vicinais. O modo mais divertido de se fazer um retorno é sempre com um cavalo de pau... não requer prática, talvez um pouco de habilidade.
Flavinha"

MM
O artigo do Juvenal Jorge recentemente públicado e esta manhã, pilotando minha moto para o trabalho, me inspiraram a escrever este artigo: o quanto o trânsito nas cidades e estradas está relacionado a fatores que muitas vezes nunca imaginávamos.

Vamos aos fatos: normalmente o trajeto da minha casa ao trabalho pelas ruas de Toronto, ON (Canadá) leva aproximadamente 20-25 minutos. Entretanto, essa média aumenta um pouco nos meses de verão e principalmente nas quinta-feiras para cerca de 35 minutos. Já nas sexta-feiras esse tempo volta a cair para valores abaixo da média.

Se me lembro de quando morava em São Paulo, normalmente as sexta-feiras eram terríveis, com inúmeros quilômetros de congestionamento e uma perda de tempo sem tamanho. Véspera de feriado, então, uma loucura! Aqui, acontece justamente o contrário. Em feriados que caem na segunda-feira, na quinta-feira o trânsito é um pouco mais pesado e na sexta-feira, tranquilo. Nesse momento, o leitor deve estar se perguntando: por que?

Tudo isso se deve a uma pequena diferença na legislação trabalhista canadense: aqui as férias podem e normalmente são tiradas de forma picada. O cidadão aqui não é obrigado, como na legilslação brasileira, a tirar suas férias de uma única vez. Isso faz uma diferença enorme no trânsito pelo simples fato de que a grande maioria das pessoas aproveita os meses de verão e tira os seus dias de férias nas sexta-feiras.

As férias aqui são proporcionais ao tempo de trbalho na mesma empresa. Portanto, pessoas com longo tempo de casa conseguem fazer que todo o final de semana de verão seja um fim de semana prolongado.

Posso observar isso na empresa que trabalho, onde as sextas-feiras são tranquilas, com muitas pessoas de férias. Já quem vem ao trabalho neste dia sente que este rende muito mais devido ao menor stress para chegar ao trabalho e menores interrupções.

Portanto, uma simples alteração da legislação trabalhista brasileira em relação aos requisitos das férias poderia trazer certos benefícios que muitas vezes nunca teríamos como relacionar. Tenho certeza que muitos brasileiros fariam como os canadenses e não ficariam presos em congestionamentos se tivessem essa opção!