google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Foto: pumaclassic.com.br


Abaixo do vidro traseiro, externa, estava a tampa do bocal do radiador

Como eu falei no post do novo Twingo, a arquitetura de motor e tração traseiros havia começado com o Renault 4CV. Achei, então, que valia a pena falar sobre esse carro que tanta influência teve no mundo automobilístico.

O Renault 4CV é um daqueles carros emblemáticos da indústria automobilística. Antes de continuar, é bom saber que "4CV" não é a potência do motor, mas o que se chama na França de potência fiscal, para fins de taxa de licenciamento. A potência fiscal é calculada tomando alguns parâmetros do motor.

O pequeno carro foi concebido e projetado secretamente por engenheiros da Renault durante a Segunda Guerra Mundial, com a França sob ocupação alemã, quando a fabricante se encontrava obrigada a cumprir ordens estritas de só produzir veículos comerciais e militares. Entre 1941 e 1944 a Renault foi colocada sob uma ditadura técnica de um engenheiro alemão chamado Wilhelm von Urach, que havia trabalhado na Daimler-Benz entre 1927 e 1940 e, por admirar a França, cuidou para que o projeto do pequeno carro não fosse revelado.

Uma equipe de projeto comandada pelo diretor técnico da fabricante, Fernando Picard, antes na divisão de motores aeronáuticos e agora nos automóveis, e por Charles-Edmond Serre, que trabalhava na Renault há mais tempo do que qualquer outra pessoa, pensou num carro pequeno e econômico para o período de austeridade.que deveria se seguir ao fim da guerra. Não era a opinião de Louis Renault, fundador e presidente da empresa, que achava que após o conflito a Renault deveria se concentrar nos seus tradicionais carros médios.

Jean-Auguste Riolfo, chefe do departamento de testes, soube do projeto ainda nos estágios iniciais, como outros chefes de departamento da fábrica. Em maio de 1941 entrou numa sala onde estavam Serre e Picard estudando uma maquete do motor do carro. Ao final de uma reunião improvisada e desagradável, o projeto foi aprovado e recebeu o código106E. Todavia, devido aos alemães terem proibido qualquer trabalho em novos carros de passageiros, o desenvolvimento do 4CV foi disfarçado como parte de um projeto de novo motor para o retorno, terminada a guerra, de carro pequeno da década de 1930, o Juvaquatre. Os chefes colocados na fábrica pelos alemães não deveriam ter conhecimento do "Projeto 106E", enquanto Ulrach, seu superior, sempre fez vista grossa para a toda a atividade.

Solução de teto solar déjà vu...(commons.wikimedia.org)





Começa tudo outra vez, incluindo novidades





Albert Park, Melbourne: aqui começa o Mundial de F-1 (foto Renault Sport)

Temporada da F-1 começa no fim de semana com a disputa do GP da Austrália. Regulamento novo sugere que final da corrida será mais emocionante que a largada e desenvolvimento será controlado por uma tabela de pontos.
 
Em 1950 os principais automóveis clubes europeus decidiram adotar uma nomenclatura única para os carros que disputavam os grandes prêmios da época: Fórmula 1. Desde então várias derivações amistosas e outras nem tanto surgiram mas nenhuma logrou desbancar a que hoje é um dos maiores eventos esportivos e comerciais do mundo e, sem sombra de dúvida, o mais importante no esporte a motor. Como tudo que cresce e é geneticamente modificado com o enxerto de valores corporativos/empresariais, o show tem que se reinventar com a freqüência necessária para agregar valor aos seus investidores ou, trocando em miúdos, não se tornar um espetáculo chato e repetitivo. 

Como a F-1 2014 recupera, armazena e usa energia (Ilustração Renault Sport)

Fotos: autor
Enquanto o motor Opala era preparado, o Chevette recebia um trato visual

O Chevetinho hatch 1982 que veio de Minas para virar Chepala não teve recepção muito calorosa da família. Minha mulher achou-o um horror, um “carro de pobre”. Disse que nunca ir andar “naquilo”. Pensei até em colocar um adesivo “Foi Deus quem me deu” no Cheva. Quem chegou agora nesta história, é melhor ler antes a primeira parte. Meu filho mais novo, 28 anos, usualmente um aliado, também não foi gentil: “Caramba, pai, você exagerou na ratoeira!” Da bronca da minha mulher acabou surgindo uma luz: “Você pode comprar qualquer coisa, desde que seja um minicarro” (ela adora “nosso” Subaru Vivio). Claro, aproveitei a brecha e comprei novamente um Daihatsu Cuore, mas isto é assunto para outro post. 

Primeiro vamos terminar o Chepalinha (a transformação e a história para vocês acompanharem). Já o Rica (Dilser), que me ajudou a resgatar o carrinho em Belô, ainda queria comprar o Chevette, pois lembrou que tinha um motor mexido (acho que de Vectra), encostado na garagem. Depois de algum tempo, e da esposa andando de Chevette com cara amarrada, surgiu causa e solução. O estofamento original era digno de museu: o tecido do banco parecia aqueles panos de enrolar múmia. A gente saía do carro com pedaços da espuma grudados na bunda. Mulher odeia isso, sujeira em poltrona, banco... qualquer lugar. Já homem senta em porta suja de oficina para jogar conversa fora. 

Tomando um caldo de cana numa encruzilhada de estrada, ao lado do garapeiro havia uma Kombi velha, cheia daquelas poltronas-saco horrorosas, recheadas de bolinhas de isopor. Um cidadão gordo saiu da Kombi e pergunta se “podia olhar o Chevette”. Claro. Ele olhou, olhou e veio a sentença: "O carrinho tá uma graça, mas este estofamento tá uma m%&$a. Resolvo isso por R$ 100."

Suécia, primeiro dia útil após mudança da mão de direção


Há praticamente um ano publicamos o post Se o Brasil mudasse a mão de direção, no qual falamos da mudança de mão esquerda para direita (a nossa) feita na Suécia, disparada na madrugada (5h00) de domingo 3 de setembro de 1967. Vale a pena reler como foi feita a mudança, os preparativos dos suecos.

Mas esta semana um leitor me mandou a foto acima, que abre este post, feita na segunda-feira imediatamente seguinte à mudança. Como se vê, mudar a mão de direção é mesmo uma operação para lá de complicada, uma experiência que acho que ninguém gostaria de passar.

A outra foto é de uma placa de sinalização. O leitor esteve na Ilha da Madeira, viu a placa e imediatamente pensou naquilo que vimos falando aqui no Ae, a necessidade de se trafegar o mais rapidamente possível dentro dos limites de velocidade, com o objetivo único de promover a maior vazão do tráfego possível. É mesmo incrível alguém num lugar tão pequeno, uma ilha de apenas 750 km² no Oceano Atlântico, 980 quilômetros a sudoeste de Lisboa, haja uma placa recomendando algo tão elementar.

Que sirva de exemplo para quem cuida de trânsito no Brasil.

"Circule com rapidez cumprindo os limites de velocidade"

Meu avô materno, Antônio de Souza Amaral, nunca dirigiu, mas me lembro, ainda adolescente, por volta de 1957, de suas sábias palavras: "O que atrapalha o trânsito é a morosidade".

Bob Sharp
Editor-chefe
AUTOentusiastas