google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Renault Fluence

Tem muita gente que gosta do programa de fazer churrasco. Eu não; do programa, não. Esse lance de ficar debruçado sobre uma chapa pelando não é comigo.

Chapa quente perto da cara é algo que instintivamente repilo.

Porém muitos designers atuais parecem não ter a mesma reação, pois eles vêm bolando painéis de carros cada vez maiores e quentes. Parecem atraídos por eles, acham-nos lindos.

A primeira vez em que fiquei incomodado com isso foi ao sair pela primeira vez com um recém-adquirido Volkswagen Santana 1993. Estava na cidade de São Paulo, o sol batia bravo lá de cima e aquele enorme e plano painel plástico absorvia todas as ondas provindas de suas explosões nucleares. Parecia especialmente projetado para isso, e aquele treco foi esquentando e esquentando. Logo comecei a sentir que algo me abrasava o rosto. Aquele painel enorme irradava um calor miserável.

“Tudo bem”, pensei. “Ligarei o ar-condicionado e tudo se resolve. Fico na fresca”.

VW  New Beetle

 Foto: autoworld.wordpress.com
Mercedes-Bena CLS Brabus (autoworld.wordpress.com)


Depois de ter publicar o post Arma de Guerra, falando do novo Ford Police Interceptor para a polícia americana, o assunto veio à baila nos comentários e um leitor lembrou uma Parati da policia pela qual fui responsável por sua preparação. Fiquei de escrever a respeito e aproveito para falar de mais dois carros de polícia. Foram três as ocasiões na minha vida em que me envolvi com esse assunto.

A Parati da Polícia Civil

A primeira foi em 1987 ou 1988, quando eu trabalhava na Volkswagen comandando o esquema de competições da fábrica. Um dia meu chefe (Ronaldo Berg, atual gerente da Peugeot Sport no Brasil) me chamou à oficina na Ala Zero, onde estava com um policial civil de nome Fábio e uma Parati 1,6 já bem acabada. Depois da apresentação, o Ronaldo me pediu “para dar um trato” na Parati, em caráter de total cortesia e colaboração não oficial da VW com a polícia. “Claro, pode deixar, vou providenciar isso logo”, disse ao chefe, mas sem dizer a ele o que pensei naquele momento: fazer uma Parati especial para o trabalho policial. Eu tinha uma ótima equipe de mecânicos que trabalhava na preparação dos carros de rali da equipe de fábrica e, nas provas, dando o essencial apoio, tanto no Brasil quanto no Uruguai, Argentina e Chile. Era um pessoal treinado e bem-preparado.

Só ilustração; a Parati da história era bem mais antiga. Mas o esquema de pintura era o mesmo

Com a Parati no elevador, tudo o que não era carroceria na parte de baixo foi simplesmente jogado fora. Mandei buscar um motor AP 2000 na produção e levá-lo para a engenharia na Ala 17, no alto do morro, onde o engenheiro Luiz Antônio da Silva, que trabalhava exclusivamente para Competições, aplicou ao motor o material que tínhamos, como os cabeçotes trabalhados, tuchos (que não “cuspiam” pastilhas) e molas de válvulas especiais. Não usamos o comando de competição tipo Schrick 288 porque era essencial arrancadas imediatas no trabalho de polícia. O comando foi o do Golf GTI/Gol GT, que já era bem nervoso. E, claro, a carburação Brosol 2E  foi calibrada para potência, deixando-se consumo de lado. Na época quase não se falava em emissões, mas se já houvesse limites estes teriam sido solenemente ignorados.

A taxa de compressão foi aumentada para 12,5:1 (era a etanol, taxa original 12:1). O motor rodou no dinamômetro para assentar bem e a potência era, salvo engano, 130 cv líquidos.

Que dúvida!
Os que me conhecem há mais tempo sabem que eu sempre tive um dilema, Camaro ou Mustang. Acredito que eu não deva ser o único! Mas recentemente decidi sair de cima do muro e se fosse o caso de escolher entre um ou outro concluí que optaria pelo Mustang.

O Camaro é um Chevy, que sempre foi minha preferência sobre a Ford. Coisa que vem principalmente do pai. O primeiro carro da família que tenho na minha memória é um Opala 1974 azul, de quando eu tinha 4 anos. Depois dele foram vários outros. E uma série de Chevettes para minha mãe. Mais tarde veio um Monza, no qual eu iniciei minha vida na direção. Depois mudamos para a VW. Nunca houve um Ford em casa. Até Uno já teve! Mas o fato é que o Mustang sempre me encantou. Não tanto como os Corvettes Stingray (como o da tasteira do blog), é verdade.

Fiquei alguns dias pensando em qual seria a minha primeira memória de um Mustang. Cheguei a um Mach 1 1971/1972 que devo ter visto com sete ou oito anos. Esse Mach 1 tem um capô enorme! Tenho certeza que o emblema com o mustang galopante deve ter alguma influência também, no inconsciente. Somos bombardeados com informações que nem sempre percebemos como são processadas lá dentro da cachola. Eu sempre gostei de liberdade e esse espírito que o emblema evoca me atrai muito. Pena que nem sempre consiga vivê-lo.


Espírito Mustang

*Por Célio Pezza, autor de livros e colunista de diversos jornais. Em suas obras, o autor deixa claro sua predileção pelos mistérios que circundam a humanidade, numa agradável mistura entre romance e acontecimentos ficcionais. Ele nos fez chegar uma crônica, com o título acima, que consideramos pertinente e sintonizada com o tema combustíveis tantas vezes abordado no AE. Achamos por bem publicá-la.

Bob Sharp
Editor


A FÁBULA DO PAÍS DO ÁLCOOL E DA GASOLINA

Era uma vez, um país que disse ter conquistado a independência energética com o uso do álcool feito a partir da cana de açúcar. Seu presidente falou ao mundo todo sobre a sua conquista e foi muito aplaudido por todos. Na época, este país lendário começou a exportar álcool até para outros países mais desenvolvidos. 

Alguns anos se passaram e este mesmo país assombrou novamente o mundo quando anunciou que tinha tanto petróleo que seria um dos maiores produtores do mundo e seu futuro como exportador estava garantido. A cada discurso de seu presidente, os aplausos eram tantos que confundiram a capacidade de pensar de seu povo. O tempo foi passando e o mundo colocou algumas barreiras para evitar que o grande produtor invadisse seu mercado.