google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


A dúvida acima foi motivo de acaloradas discussões esta semana entre alguns integrantes deste blog. Tudo porque Peter Egan, venerando ativo fixo da revista Road & Track, escreveu um artigo sobre o tema, onde acabava por deixar a decisão de fazer ou não a eutanásia nas mãos de sua esposa.

O carro em questão é (era?) um Jeep Grand Cherokee verde escuro, comprado novo pelo casal em 1995, com o V-8 de 5,2 litros. Aqui no magnífico país em que vivemos, uma rápida pesquisa indica que algo assim vale vinte e um mil reais, mas nos EUA... Numa amostra clara de como vivem os americanos, o carro valia praticamente nada.

Egan conta em sua coluna que em 2006, pensaram em vender, mas ninguém apareceu para pagar 2.500 dólares; desistiram. Ano seguinte, tentaram de novo por 1.500, sem sucesso. Em 2008, foram a uma concessionária Subaru interessados em um Forrester, ofereceram 500 dólares na troca.

Aí, este ano, apareceu o tal programa Cash for Clunkers, oferecendo 4.500 dólares para qualquer carro na troca por um novo. Exatamente NOVE vezes o que valia a Cherokee dos Egan, mas com um porém: o carro seria assassinado, e com requintes de crueldade. Drena-se o óleo e a água e acelera-se o motor até ele parar; o resto do carro é picado em pedacinhos. Morte violenta e dolorosa, sem volta. Egan achou isso um absurdo, e pensou muito no assunto, mas acabou lavando as mãos e deixando a decisão para a esposa, que afinal de contas, era a dona do carro.

Alguns companheiros de blog acharam que ele é um frouxo; outros um fraco, vendido e sem princípios. Outros poucos entenderam. Eu vejo da seguinte forma:

Se um carro meu, de uma hora para outra, valesse 9 vezes mais, sem negociação na loja, sem ter que ficar aturando idiotas achando amassadinhos, sem ter que anunciar, barganhar, conversar, explicar nada... Ah, eu matava ele bem matadinho.

Possivelmente matava até eu mesmo, se fosse tal coisa parte do programa (possivelmente para o poluidor expurgar o mal num ato de imolação automotiva, sei lá a lógica destes programas...), sem problema algum. Só o faria de forma mais gloriosa, colocando ele em primeira com um tijolo no acelerador, e ateando fogo no treco. O carro morreria, mas numa enorme bola de fogo visível da mesosfera, inesquecível. Eu sempre fui a favor de partir com um estrondo, sabem como é...

E não só carro de uso diário, coisa reles e irrelevante, mas qualquer carro. Para mim, basta pagarem nove vezes o seu valor, eu estou dentro. Se tivesse pago cem mil dólares em um 911 antigo, e ele de repente, por decreto governamental temporário, valesse 900 mil assassinado, eu seria o primeiro da fila do matadouro.

A gente gosta muito de carro, e por causa disso tende a esquecer um fato básico: carro é uma coisa, um objeto inanimado, algo que se pode comprar. É só um carro, pelamordedeus. Como diz o velho ditado popular, é como ônibus circular: perdeu esse, logo vem outro.

Sei que tem gente aqui que ainda tem o seu primeiro carro (o AG), gente que tem o carro do avô, que tem carro que foi reformado pelas suas próprias mãos, ou mesmo carros do qual existam apenas um exemplar vivo, coisas que não tem preço, e para estas pessoas tal coisa soa como um crime. Mas não é o meu caso.

E você? Na pele de Egan, o que faria?

Eu não tenho dúvidas: se o governo assim quiser, terei o maior prazer de trocar meu Maxima poluente, barulhento e grande demais por um reluzente carro novo e ecologicamente correto, reduzindo sobremaneira minhas pegadas carbônicas (seja lá o que signifique isso). Imagino assim, um Ford Focus novo, por exemplo... E pela módica quantia de 72 mil reais!

O tijolo, a lata de gasolina e o fósforo estão na mão...

MAO
Não dá mesmo mais para aguentar o bombardeio da propaganda enganosa da Caoa de que a Hyundai é a melhor do mundo. Uma chegada ao site da JD Power mostra que em Qualidade Geral a classificação mais alta está com Cadillac, Lexus e Porsche. A Hyundai está junto com a Honda, uma posição atrás. Veja:

Quality Ratings by Brand
Overall Quality

1. Lexus

2. Porsche

3. Cadillac

4. Hyundai

5. Honda


Não existe isso de "a melhor do mundo", está para quem quiser ver no link acima. Mesmo porque o estudo é restrito ao mercado americano e feito por uma consultoria de qualidade. Mesmo que abrangesse todos os mercados, a firma não é órgão mundial oficial.
Fale com seus amigos, dê-lhes o url (endereço na internet) do nosso blog.
Nada contra a marca sul-coreana, pelo contrário, são produtos agradáveis, eficientes e de qualidade, desejo-lhes todo o êxito. Mas é extremamente irritante ficar vendo essa mentira se repetir sem cessar, como se fôssemos todos uns bobos.
BS






Rageous: gíria para outrageous, muito ofensivo, imoral, chocante, inconvencional.
Poucas vezes um nome de carro foi tão forte. E poucas vezes um carro conceito ficou tão perfeito ao traduzir o seu nome em linhas de estilo, por dentro e por fora.
O carro assusta. Coisa de tirar Hummer da frente só de aparecer no retrovisor.
Essa criação do SVE da General Motors (Special Vehicle Engineering), departamento devidamente extinto pelas crises da outrora maior empresa do mundo, foi finalizado em 1997, e surpreendeu positivamente aqueles que viam a Pontiac como a marca de maior ousadia da GM.
A mecânica era convencional, e já provada pela organização. Motor V-8 de 350 polegadas cúbicas (5,7 litros), o LT1, com 315 cv a 5.400 rpm, câmbio manual de 6 marchas, suspensão dianteira do Firebird e  traseira do Corvette, freios a disco nas 4 rodas também do Corvette.
Esse pacote mecânico foi vestido por uma das mais belas carrocerias já vistas em carros que não chegaram ao estágio de produção, com a interessante versatilidade da traseira se abrindo como uma tampa de caçamba de pick-up, fechada por uma porta como de um carro hatch. O alvo seria os jovens ou nem tanto, praticantes de esportes que necessitam de equipamentos grandes, ou até mesmo pessoas que gostam do estilo esportivo mas precisam de um carro com espaço para bagagem de fácil acesso. Acima das saídas dos escapamentos, duas luzes para auxiliar na carga e descarga no escuro.

Idéia ótima, estilo ousado, mecânica pronta.
O que fez a Pontiac não o aprovar como carro a ser desenvolvido e vendido?
Difícil imaginar melhor oportunidade para chacoalhar o mercado, mostrar que a marca estava viva, forte e criativa. Vender e faturar.
Mas não deu certo, e o resultado 12 anos depois, foi o fim da divisão de performance da General Motors.
Uma pena.
JJ


Lendo o primeiro parágrafo do último post do MAO, não pude deixar de lembrar do filme "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange), de Stanley Kubrick, talvez um dos primeiros filmes a relatar com maestria um futuro pessimista, já no longínquo ano de 1971.

Ambientado numa futura Inglaterra sombria e decadente, o filme é protagonizado pelo jovem Alexander DeLarge (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de arruaceiros, fanático por Beethoven e ultraviolência. Após uma cena memorável, Alex e sua gangue fogem da polícia a bordo do Durango 95, uma espécie de superesportivo futurista capaz de chamar a atenção de qualquer entusiasta.

Pesquisando sobre o carro, descobri que trata-se do Probe 16, obra dos irmãos Dennis e Peter Adams, antigos empregados do fabricante inglês Marcos. O Saloma falou sobre ele uma vez, de modo que há pouco a acrescentar sobre a história do carro: apenas três unidades foram construídas, das quais apenas o segundo exemplar apresenta condições de rodar (o do colecionador canadense Phillip Karam).

Tudo indica que o primeiro exemplar (que supostamente havia sido destruído num incêndio) foi encontrado pelo blog Jalopnik e o terceiro apareceu no programa Top Gear há cerca de 5 anos, mas ninguém mais teve notícias desses carros. Realmente uma pena, considerando a importância histórica de um carro que causou frisson suficiente para conquistar o prêmio de melhor exercício de estilo no Salão de Londres de 1969.



Para quem aprecia a obra de Kubrick, vale a pena curtir o relato do delinquente Alex:

"O Durango 95 ronronava bem horrorshow, mandando uma vibração gostosa pras nossas entranhas. Logo havia só árvores e escuridão, irmãos, a escuridão do campo. Nós nos divertimos com outros viajantes noturnos, brincando de donos da estrada. Aí fomos para o oeste. O que queríamos, agora, era fazer a velha visita-surpresa. Era muito legal, bom pra rir e liberar a velha ultraviolência."

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