
A dúvida acima foi motivo de acaloradas discussões esta semana entre alguns integrantes deste blog. Tudo porque Peter Egan, venerando ativo fixo da revista Road & Track, escreveu um artigo sobre o tema, onde acabava por deixar a decisão de fazer ou não a eutanásia nas mãos de sua esposa.
O carro em questão é (era?) um Jeep Grand Cherokee verde escuro, comprado novo pelo casal em 1995, com o V-8 de 5,2 litros. Aqui no magnífico país em que vivemos, uma rápida pesquisa indica que algo assim vale vinte e um mil reais, mas nos EUA... Numa amostra clara de como vivem os americanos, o carro valia praticamente nada.
Egan conta em sua coluna que em 2006, pensaram em vender, mas ninguém apareceu para pagar 2.500 dólares; desistiram. Ano seguinte, tentaram de novo por 1.500, sem sucesso. Em 2008, foram a uma concessionária Subaru interessados em um Forrester, ofereceram 500 dólares na troca.
Aí, este ano, apareceu o tal programa Cash for Clunkers, oferecendo 4.500 dólares para qualquer carro na troca por um novo. Exatamente NOVE vezes o que valia a Cherokee dos Egan, mas com um porém: o carro seria assassinado, e com requintes de crueldade. Drena-se o óleo e a água e acelera-se o motor até ele parar; o resto do carro é picado em pedacinhos. Morte violenta e dolorosa, sem volta. Egan achou isso um absurdo, e pensou muito no assunto, mas acabou lavando as mãos e deixando a decisão para a esposa, que afinal de contas, era a dona do carro.
Alguns companheiros de blog acharam que ele é um frouxo; outros um fraco, vendido e sem princípios. Outros poucos entenderam. Eu vejo da seguinte forma:
Se um carro meu, de uma hora para outra, valesse 9 vezes mais, sem negociação na loja, sem ter que ficar aturando idiotas achando amassadinhos, sem ter que anunciar, barganhar, conversar, explicar nada... Ah, eu matava ele bem matadinho.
Possivelmente matava até eu mesmo, se fosse tal coisa parte do programa (possivelmente para o poluidor expurgar o mal num ato de imolação automotiva, sei lá a lógica destes programas...), sem problema algum. Só o faria de forma mais gloriosa, colocando ele em primeira com um tijolo no acelerador, e ateando fogo no treco. O carro morreria, mas numa enorme bola de fogo visível da mesosfera, inesquecível. Eu sempre fui a favor de partir com um estrondo, sabem como é...
E não só carro de uso diário, coisa reles e irrelevante, mas qualquer carro. Para mim, basta pagarem nove vezes o seu valor, eu estou dentro. Se tivesse pago cem mil dólares em um 911 antigo, e ele de repente, por decreto governamental temporário, valesse 900 mil assassinado, eu seria o primeiro da fila do matadouro.
A gente gosta muito de carro, e por causa disso tende a esquecer um fato básico: carro é uma coisa, um objeto inanimado, algo que se pode comprar. É só um carro, pelamordedeus. Como diz o velho ditado popular, é como ônibus circular: perdeu esse, logo vem outro.
Sei que tem gente aqui que ainda tem o seu primeiro carro (o AG), gente que tem o carro do avô, que tem carro que foi reformado pelas suas próprias mãos, ou mesmo carros do qual existam apenas um exemplar vivo, coisas que não tem preço, e para estas pessoas tal coisa soa como um crime. Mas não é o meu caso.
E você? Na pele de Egan, o que faria?
Eu não tenho dúvidas: se o governo assim quiser, terei o maior prazer de trocar meu Maxima poluente, barulhento e grande demais por um reluzente carro novo e ecologicamente correto, reduzindo sobremaneira minhas pegadas carbônicas (seja lá o que signifique isso). Imagino assim, um Ford Focus novo, por exemplo... E pela módica quantia de 72 mil reais!
O tijolo, a lata de gasolina e o fósforo estão na mão...
MAO



Idéia ótima, estilo ousado, mecânica pronta. 
