google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
OS FRUTOS TROPICAIS

Por José Mahar Rezende

Os inícios da indústria brasileira de automóveis foram em cima de projetos e desenhos meio ultrapassados ou fora do padrão da época, verdadeiros enteados da produção desse tempo. Exemplos fortes dessa teoria foram o Volkswagen, o Aero, o Simca e o DKW-Vemag.

Por partes:

Volkswagen

Nos anos 50 o Fusca tinha já um discreto sucesso nos mercados europeus e mesmo por aqui, montados por um grupo brasileiro, mas nada que se comparasse ao furor de vendas que aconteceu nos anos 60 e principalmente nos anos 70.


No dia 26 de agosto o Mini completou 50 anos!

Em 1956 a BMC (British Motor Corporation) incumbiu o projetista Alec Issigonis de fazer um carro atendendo aos seguintes requisitos: tamanho reduzido, acomodar quatro passageiros, excelente dirigibilidade e baixo consumo de combustível.

Desse desafio nasceu o brilhante Mini, que se manteve fiel ao seu projeto original até 2000 ,quando sua produção foi encerrada com mais de 5,4 milhões de unidades produzidas. Em 2001 o Mini retornou como MINI, feito pela BMW, detentora da marca.

O Mini original foi o responsável por popularizar a disposição de motor dianteiro transversal com tração dianteira adotada na grande maioria dos carros compactos até hoje devido à sua eficiência na utilização do espaço na dianteira.
Na verdade, o Mini merecia um post mais longo e detalhado. Mas não quis deixar passar a importante data.

No desenho abaixo de 1958, do próprio Alec Issigonis, podemos ver o radiador montado no para-lama direito para ganhar espaço no comprimento total do carro.



Já no modelo de produção o motor foi invertido de lado juntamente com o radiador, agora no para-lama esquerdo.



O Mini e o MINI no Autoentusiastas:
Mini bits and pieces part one (Bill Egan)
Mini bits and pieces part two (Bill Egan)
MINI Cooper S (Bob Sharp, Arnaldo Keller, Juvenal Jorge e Paulo Kelller)
Reencontrando um velho amigo (Gino Brasil)


No post do JLV alguns leitores perguntaram sobre o Koizyztraña. Para os que não sabem, o Koizystraña (homofonia de "coisa estranha") foi um projeto de veículo off-road, ou semi-off-road como definido pelo próprio JLV, feito sobre chassis e mecânica do Landau para o Salão do Automóvel de 1981.
A matéria abaixo, do JLV na Motor 3, nos conta uma parte da história. Mas continuamos sem saber que fim levou o "Koiza". Vamos ver se o JLV nos conta o que aconteceu.

CARRO É CARETA

Por Jason Vogel

Pense rápido: qual o carro favorito da garotada de hoje? O sonho de consumo adolescente? Quando minha mulher me fez esta pergunta, matutei, matutei e não encontrei resposta. Há 20 anos, seria fácil: XR3... GTI... Voltando ainda mais no tempo, chegaríamos à geração que passou no vestibular só por causa do Fusca prometido pelo pai abonado. Mas e em 2009? Alguém pode citar um Civic Si, vá lá, mas é algo muito diluído. A verdade é essa: os meninos de hoje (com honrosas exceções) já não amam os automóveis.

E o tuning? É o anti-automóvel. O auto-imovel. Rodas gigantes, som de trio elétrico, telões de DVD, mas nada que represente prazer ao dirigir. Essa substituição da mecânica pelos gadgets, percebida no meu achômetro daqui, já foi rescenseada e tabelada no Japão. Um estudo mostrou que a imensa maioria da juventude de lá já não vê qualquer graça em carro. Perdeu a aura. Virou coisa careta. Bacana mesmo é o celular que canta e sapateia. O iPod que mais pode.

Junte-se a isso a transformação do automóvel em vilão de todos os males. A percepção dos fabricantes de tudo o que importa agora é provar que seus carros são mais verdes, seja lá como for (quem vai gerar tanta energia para carregar as baterias? Pensamos depois...). Estamos acompanhando o começo da caça às bruxas da combustão interna. O nascimento do senso comum de que o futuro está em versões para o século XXI do Detroit Electric 1907.

Daqui pra frente, o que vai contar é a bateria com maior autonomia, no carro mais limpo, que emitir menos ruído e trouxer engenhocas extras para facilitar a vida do dono. Aquele que acelera e freia sozinho, mantendo distância segura dos outros automóveis e formando um trenzinho automático no trânsito. Tudo, claro, vigiado por chip e satélite, evitando certos arroubos.

Alguém há de lembrar que, passada a marolinha da economia, vendem-se carros como nunca no Brasil. Mas que carros são estes? Cada vez mais homogêneos, assistidos e anestesiados, vêm perdendo seu componente lúdico para se tornarem meros utensílios práticos, como máquina de lavar ou geladeira. O máximo de fetiche que carregam são o estepe à mostra e uns penduricalhos pretos de plástico, nostalgia de aventuras não vividas. Acreditem, leitores deste blog: há gente que sabe não sabe qual o fabricante do próprio automóvel. Sou testemunha e dou fé.

Lamento informar que estamos no fim da era dos Autoentusiastas. Aos poucos seremos marginalizados, como já ocorre com os fumantes. Haverá clichês do tipo: eu bebo mas não faço pipi no seu pé, mas você dirige e joga fumaça na minha cara. Nossos queridos carros serão vistos como bestas perigosas, a serem controladas.

Consciente disso, vou curtindo tudo enquanto posso – mesmo que sejam os seis quilômetros do trabalho até a garagem de casa. Nesse breve trecho, posso dirigir com o ouvido, deixando subir a rotação do motorzinho 1300 do meu Volks 1969. Atrasar a troca de marcha um tiquinho, para, então, em dois breves movimentos, cléc-cléc (ahhhh...), engrenar a quarta. Sentir o liso do baquelite escorregando na palma das mãos. Frear, reduzir e depois dar gás milimetricamente no curvão de 360 graus que termina sob o viaduto. Uma volúpia de sons, cheiros e vibrações. Momentos de uma relação íntima de homem e máquina, em que vou agradecendo cada minuto ao Professor Porsche e a seus colegas, que nos legaram tantos projetos geniais.

E pensar que tem gente que não entende um prazer assim. Pobrezinhos...



Jason Vogel, 39 anos, dirige carro velho por amor e carro novo por obrigação profissional. É editor dos cadernos de automóveis dos jornais O Globo, Extra, Diário de SP e Expresso. De vez em quando se descobre apaixonado por algum lançamento, como o Fusion V6 AWD.