O Juvenal Jorge citou em seu último post a sina dos carros molestados, ridicularizados e ao meu ver, estragados. É realmente triste ver a que ponto chega a ignorância. Principalmente aqui no Brasil.
O jornalista Jon Mikelonis escreveu um artigo sobre os Fords brasileiros para a revista Ford Muscle, citando o controverso estilo de vida do brasileiro, que descarta tudo o que é velho, dando grande importância só ao que é novo.
Infelizmente essa é a mentalidade do brasileiro: carros com alguns anos de uso logo são chamados de "pau velho" e literalmente descartados. O que importa para o brasileiro é ter carro novo, com plástico nos bancos, para fazer inveja ao vizinho. Ou o que é mais comum, fazer inveja ao cunhado: para alguns, não há nada melhor do que exibir o carro novo naquele almoço familiar dominical.

O coitado do carro antigo, que foi dado como pagamento de entrada do novo, foi tratado apenas como um "pau velho". Em muitos casos o "pau velho" era um carro melhor em tudo, mas tinha que ir embora, pois carro velho não faz mais inveja a ninguém.
Um dos "pau velho" mais legais do mercado é o Chevrolet Omega nacional, fabricado de 1992 a 1998. Para quem não procura alto desempenho as versões de 4 cilindros (com motores de 2 e 2,2 litros) atendem bem as necessidades de quem procura um carro grande e espaçoso, o bastante para 5 adultos e toda sua bagagem.

Quem fizer questão de desempenho ficará feliz com as versões de seis cilindros (3 e 4,1 litros) com torque e potência na medida certa para aproveitar o que o carro tem de melhor: aerodinâmica e suspensão.
Trata-se de um carro concebido para andar nas autobahnen alemãs, sem limite de velocidade. O baixo coeficiente aerodinâmico permite que o Omega sustente altas velocidades com grande facilidade, mas se você for do tipo que anda devagar essa aerodinâmica resulta em ótimo consumo, por trabalhar em conjunto com uma transmissão bem escalonada.
A suspensão combina o sistema McPherson na dianteira com braços semi-arrastados na traseira, resultando em ótimo funcionamento mesmo para os padrões atuais: ainda que o Omega tenha sido projetado para estradas perfeitas, é nas piores estradas que ele se destaca, permitindo trafegar em altas velocidades onde carros comuns normalmente transmitiriam insegurança.
É aqui que eu volto a falar da sina brasileira: por ter se tornado um "pau velho" bem barato, o Omega acaba caindo nas mãos de pessoas sem um mínimo de cultura automobilística, que não sabem sequer a maravilha de automóvel que possuem.
Muitos deles caem na mão da "molecada" (que ainda era pirralha na década de 90) que sem dó nem piedade molestam este grandioso automóvel alemão, começando o estrago justamente pelo que ele tem de melhor: a suspensão.
E tome "suspensão a ar", "suspensão de rosca", "suspensão rebaixada" e outras sandices do tipo, tudo para deixar o carro "mais estiloso". Estes pobres coitados nem fazem idéia da enorme bobagem que fizeram em um excelente carro.

Praticamente 100% dos Omegas molestados (estragados) estão "socados", maneira como a molecada se refere a essa barbaridade. Também existem aqueles que estragam outro grande atributo do Omega, a aerodinâmica, instalando calhas de chuva e "body kits" tão populares nos carros "tunados".
O Omega "A" deixou a linha de produção da General Motors em 1998, ou seja, já são 11 anos sem o Omega nacional. Nesses 11 anos eu pensei que já havia visto tudo em matéria de Omegas molestados, até a tarde desta terça-feira.
O que vocês estão para ver é o cúmulo da ignorância automobilística: um Omega equipado com um motor Toyota 2JZ GTE, original do Toyota Supra.

Realmente não dá pra entender como alguém se orgulha disso. Nem mesmo o desempenho justifica, uma vez que um Chevrolet V8 small block teria um rendimento superior em tudo (e o melhor de tudo, caberia embaixo do capô, deixando a aerodinâmica do carro intacta).É a sina brasileira, estragar os carros bons que viram "pau velho". Não acontece só com o Omega, acontece com vários outros carros, mas me toca o coração especialmente quando fazem isso com o grande carro da GM, que na minha singela opinião ainda é o melhor carro que já foi fabricado no Brasil.



