google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Performance: Modo de avaliar e/ou mensurar a eficiência de determinado item para o qual ele foi projetado.

E a melhor referência para o termo é o lendário BMW M3, o ícone do carro esportivo moderno com base em modelo de produção regular, desde seu lançamento em 1986. O M3 é o carro projetado para ser a melhor combinação de eficiência dinâmica e harmonia com o seu condutor. Poucos carros no mundo conseguiram o carisma e o peso do nome que este modelo BMW conseguiu, e por isso, ainda é o benchmark da concorrência.

Atualmente na sua quarta geração (modelo E90), o M3 é a opção para quem quer um carro feito para um entusiasta. Com filosofia diferente dos rivais Audi e Mercedes-Benz, a BMW sempre deixou bem claro qual o propósito do M3, ou seja, ser um carro para ser dirigido e apreciado nos mínimos detalhes. A expressão inglesa "just drive" é perfeitamente aplicável ao carro, pois é isso que se espera fazer com um M3, apenas dirigir, por puro prazer.

O modelo em questão é a geração anterior à atual, conhecida como E46, que foi produzida de 2000 a 2006. É uma opção muito boa para quem procura um carro esportivo de nome e quer gastar algo perto dos R$ 150.000,00. Nada mau para ter um dos melhores motores de todos os tempos, eleito por diversas revistas internacionais. O motor de seis cilindros em linha de 3.246 cm³ pede para ser maltratado, sempre querendo alcançar mais e mais rotações, até chegar ao limitador eletrônico de 8.000 rpm, e logo antes disto, entrega de volta nada menos que 348 cv. Nada mal para um motor aspirado, que conta com um moderno sistema de variação de comando, denominado VANOS, e um corpo de borboleta individual por cilindro. Mas, como é preciso de elevada eficiência volumétrica em altas rotações, e não se pode ter tudo, o torque em baixas rotações é um pouco prejudicado. O motor acorda para a vida a partir dos 3.500 rpm, e a partir dos 6.000 rpm parece ser turboalimentado, comportamento semelhante ao Civic VTi antigo.


O carro das fotos é o modelo com a transmissão sequencial SMG (sequential manual gearbox) da Getrag, que é um dos destaques do carro. Trata-se da mesma transmissão aplicada ao modelo de trocas manuais, mas com atuadores que comandam os engates e a embreagem. As trocas de marcha, feitas por "borboletas" atrás do volante ou pela alavanca seletora no console central, são bem rápidas. A velocidade das trocas pode ser regulada por um botão no console, permitindo ao motorista dosar a ferocidade dos engates. Aliás, um ponto que deixa bem claro qual o propósito do carro, pois no trânsito, principalmente para sair da inércia, a transmissão não é suave e dá um tranco no carro, que com o tempo começa a perturbar. A transmissão SMG é o ponto fraco do conjunto mecânico, que costuma dar um pouco de manutenção. Muitos afirmam que o subchassi dianteiro também apresenta alguns problemas com o tempo, principalmente se o carro for muito usado em pistas. Com a transmissão SMG, o M3 acelera até os 100 km/h em 4,6 segundos, e atinge 250 km/h limitados eletronicamente. Há um botão Sport no painel, que quando ativado, deixa o acelerador mais sensível, bom para uma tocada rápida em um trecho de serra.

A suspensão e a direção do M3 reforçam ainda mais o fato de se ter nas mãos um carro acertado para a máxima performance. Bem firme, os amortecedores passam para o carro boa parte do relevo do piso, e pode-se sentir na direção precisa todas as ações e reações do carro. Sem dúvida, a escolha certa para uma serra ou um dia no autódromo, o melhor lugar para se explorar todo o potencial do carro, pois ele é claramente um carro para ser arremessado sem dó em curvas e retas, justamente o que fez toda a fama do M3.



Viajando por quase 300 km a bordo do E46, a posição de dirigir é excepcional e não cansa, com todos os comando ao alcance. O espaço no banco traseiro é reduzido, e se os ocupantes dos bancos da frente forem altos, a viagem é apertada. Se comparada ao E30, o E46 é um luxo, pois há muitos recursos de conforto e entretenimento, até alguns desnecessários ao meu ver. Assim como os rivais, o M3 foi ficando mais pesado (1.549 kgf) e mais "comum" com o tempo. Não digo que perdeu o carisma, mas que poderia ser menos cheio de frescuras, poderia, e consequentemente mais leve. O E46 não possui o complicado sistema iDrive dos irmãos maiores M5 e M6, o que é bem mais prático, pois não se perde tempo mexendo em uma infinidade de regulagens eletrônicas do gerenciamento do motor e suspensão. Basta entrar no carro, ligar e sair andando.

Ao final, o M3 mostra porque ainda tem o título de "referência" entre os esportivos, pois basta acelerar e ouvir o ronco do seis-cilindros para esquecer os pequenos problemas de uso e praticidade do carro, pois ele nasceu para outra coisa, colocar um sorriso no rosto de quem o dirige.
Nesse período de séria turbulência para os fabricantes norte-americanos, resolvi reler um grande livro que todo apaixonado por carros e também por negócios deve ler.
“Meus anos com a General Motors”, de autoria de Alfred P. Sloan Jr. (1876-1966), o principal executivo de 1923 a 1946 da General Motors, a Great Mother, ou ainda a Grande Mãe, conta nessa obra, publicada em 1964, o nascimento e o crescimento daquela que foi por muito tempo a maior empresa da indústria automobilística no mundo. Vale a leitura. Justamente para entender o que é a GM e o que representa, para o mundo automobilístico e econômico, sua bancarrota. Esse livro, se não justifica, explica muita coisa.
Sloan conta como a General Motors se estruturou desde os primeiros dias, a política de crescimento utilizada pelos seus administradores, os princípios da empresa, os objetivos, como enfrentaram a crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial, a política de remuneração dos empregados, entre outras informações muito interessantes e inspiradoras.
O melhor é que esse livro é facilmente encontrado na internet. Em uma busca rápida, se acha a edição para compra.

Após mais uma marca de batida em uma porta de meu carro, novamente tive saudades do antigo e verdadeiro Vectra que tive. Esse carro, espetacular em todos os sentidos, é exemplo de projeto e aplicação das molduras de proteção nas portas, que as tinha na posição ideal e protegiam de verdade nos cada vez mais apertados estacionamentos:


Já alguns anos antes do nosso Vectra ano 1997 ser lançado por aqui, a Saturn, divisão da GM americana cujo futuro é absolutamente incerto hoje, tinha painéis externos das portas em plástico, resistentes às pequenas batidas que marcam o metal. Por isso, as molduras eram dispensáveis. Vejam, por exemplo, parte de um press-release do modelo L de 2001, baseado no mesmo Vectra que tivemos aqui:

The L-Series sedan and wagon feature dent- and corrosion-resistant polymer body side panels, including polymer front fenders and door panels, as well as polymer bumpers that wrap around the front and rear for additional protection. A Saturn innovation, the panels are made of a recyclable polymer. They bend and bounce back on minor impact (such as being struck by a shopping cart), and won’t rust or oxidize. That helps keep Saturns looking new for a longer period of time, contributing to strong resale values. The polymer panels used on the L-Series are manufactured by Saturn team members in Spring Hill and shipped to the Wilmington Assembly Center.

Essa variante do Vectra feito pela Saturn foi mais um dos modelos da combalida divisão GM que jamais vendeu bem, talvez por ter chegado alguns anos antes da necessidade do americano médio em economizar gasolina.

De uns poucos anos para cá, surgiu a moda estilística (imbecil) de eliminar as molduras, muito provavelmente com o apoio irrestrito dos financistas, que não conseguem entender por que o carro precisa daquele pedaço de plástico tão caro colado na lateral. Um dos primeiros modelos que me recordo, é o BMW Série 7 de 2002:


E assim, com a moda disseminada como uma epidemia, muitos modelos vão frequentando locais não-amigáveis a automóveis, e vão tendo suas portas marcadas por batidinhas que as danificam com afundados e vincos.

É certeza de ter essas marcas provocadas por pessoas descuidadas e que não são entusiastas de carros e nem das boas aparências em qualquer visita que se faça a estacionamentos, que cada vez mais amontoam carros em espaços exíguos, com o objetivo de ganhar mais dinheiro.

E nós, que gostamos de cuidar bem de nossos carros, ficamos reféns dos designers malucos, e dos bean-counters sanguinários que não querem as molduras, só restando apelar para acessórios originais ou do mercado paralelo, para manter a integridade de nossos amigos de quatro rodas.

JJ

Da marca britânica de propriedade 100% britânica, uma raridade nos tempos atuais, a mais nova criação, o cataclísmico Aston Martin One-77.
Escutem bem alto.