google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Não faço parte de grupos de admiradores de carros antigos e tampouco sou um aficionado por eles. Não sei explicar por que e simplifico minha posição como atração pelo mais novo. No entanto, sou obrigado a reconhecer que essa preferência me limita os conhecimentos, tirando-me oportunidades imensas.

Tampouco sou um completo desconhecedor. Sou profissional do setor automobilístico há 20 anos e acompanho a história da indústria nacional desde minha adolescência, assim como se desenvolveu o nosso mercado. Julgo insuficiente.

Analogamente, "sofro do mesmo mal com aviões". Após viagem recente à Alemanha, visitei o Museu da Luftwaffe, de onde saí com inúmeras fotos. Ao mostrar a um amigo "entusiasta" por aviões, ele imediatamente iniciava o reconhecimento e descrevia: "esse é um Mig 15, o outro é o 17, com modificação X, da época Y, este um Fiat (alguém sabia que fabricaram caças, na década de 60?). Enfim, invejável.

Voltando aos automóveis, vi numa rua de Erfurt um modelo totalmente desconhecido para mim, que me chamou a atenção pela beleza e simplicidade das linhas. O emblema acima da grade frontal dizia Wartburg. Após rápida pesquisa no Google, Wikipedia e outros sites, veio então uma história interessante para dividir neste espaço.

Começa na virada do século 20, na Alemanha, com a Fahrzeugfabrik Eisenach AG (Companhia Fabricante de Veículos Eisenach S.A.), quando o segundo maior produtor de canhões da Alemanha (Krupp era a primeira), Heinrich Ehrhardt, decidiu se aventurar no negócio. Associou-se à fábrica francesa Décauville e, sob sua licença, começou a fabricar veículos, nascendo a empresa Wartburg. Mais tarde, como as vendas não decolavam, Ehrhardt se desinteressou em seguir financiando o empreendimento, retirou-se do negócio e este seguiu com outro proprietário, com nome Dixi. Pouco depois a BMW adquiriu a Dixi e trouxe os seus modelos para serem fabricados nessa empresa.

Saltamos algumas décadas, para o pós-segunda guerra, quando houve nova mudança de destino. As instalações, na parte oriental da Alemanha, passaram para as mãos dos soviéticos. A BMW tentou, sem sucesso no início, recuperar os direitos de marca, já que ainda fabricavam seus derivados dos modelos pré-guerra 321, 326/7. Até que conseguiu, quando os russos deixaram a fábrica em 1952. Deu-se aí o nascimento da família 311, completamente dissociada de tudo o que a antecedera. O modelo que me chamara a atenção, numa rua de Erfurt, era um de seus derivados, o 313 sport. Pude notar que o exemplar da foto não está 100% original. Suas maçanetas acusam algum deslize ao longo de sua existência...

Quanto ao produto, este automóvel reservou outras surpresas e coincidências. Foi baseado na plataforma F9, que nada mais é que a dos DKW que foram fabricados aqui entre 1958 e 1967. A plataforma do 311 foi "espichada" e desenhada pelo alemão Hans Fleischer. Seu motor era um três-cilindros de 993 cm³, dois tempos, praticamente o mesmo dos DKW daqui. Os sites que contam a história do modelo são unânimes em reportar a alta qualidade de manufatura e dos materiais, arriscando dizer que a mão-de-obra tinha linhagem e treinamento BMW, mesmo passados tantos anos da participação bávara. Outro aspecto bastante interessante é que esses automóveis chegaram a ser exportados para alguns países europeus, ou seja, partiam da Alemanha Oriental e competiam em mercados com produtos do Ocidente.

Fazendo curta associação com o momento político que se passou na Alemanha, a família 311, nasceu no pós-guerra, anos duros de recursos e de poder aquisitivo da classe média e, mesmo assim, teve modelos de luxo, peruas familiares e esportivos. Assim que o regime comunista assumiu o poder, notamos nova guinada técnica, fruto de interferência política na fábrica e na sua política de produtos. A família de automóveis que sucedeu a 311 foi a 353, que era derivado do polonês Warszawa 210. Basta bater o olho para concluir que mataram todo o encanto das linhas da geração anterior, provável resultado da mentalidade "carro do povo deve ser sem luxos, sem sofisticação etc." Anos depois, com a reunificação da Alemanha, esta empresa deixou de existir e a fábrica e instalações foi então absorvida pela Opel. Seus trabalhadores, em sua grande parte, também seguiram o mesmo destino, tinham novo empregador.

De registro, vale citar quantas gerações se encantaram pela família 311 e a legião de fãs espalhados pelo mundo.
Referências:

A Vizualtech, especializada em design e computação gráfica, criou uma versão especial do Challenger para as pistas (que lembra um pouco os Nissan Skyline R35 de Grã-Turismo). Nos resta torcer para que a Chrysler supere a crise e faça um Challenger como esse para desafiar os Camaros e Mustangs em corridas sensacionais.

Vi a notícia em outro site e resolvi visitar a Vizualtech. Encontrei imagens incríveis geradas por computador, um deleite para os meus olhos e imaginação. Vale a pena dar uma olhada no link abaixo.
http://newsblogg.viztech.se/




Na faxina de final de ano encontrei uma folha de papel, um rascunho, que escrevi em 2002 para um debate em que participei sobre o automóvel do futuro. Juntei algumas ideias sobre tudo que havia lido até então e também algumas opiniões minhas. Acho realmente que vai ocorrer a "eletrodomesticalização" do automóvel.

Nesse primeiro pouco mais de um século de existência, o automóvel ajudou o homem a desbravar o mundo e a aumentar o senso de liberdade do ser humano. Também teve um grande papel sócio-econômico, representando o bem de maior valor depois da casa própria, além de ser o cartão de visitas do sucesso do proprietário.

O mundo já está desbravado e podemos visitar qualquer parte dele através da internet. É claro que nada substitui o sensação de estar no local. Mas internet e outras tecnologias (home theaters de última geração com imagens e som mais bacanas que a própria realidade) nos tiram a pré-disposição para a aventura.

A sensação de liberdade está se tornando o oposto. Basta ver o movimento nas estradas neste final de ano. Já estive no Japão e lá ninguém depende do automóvel. Os carros são comprados por catálogos de acordo com a necessidade do comprador. Ou seja, se o cara vive só com a esposa, não precisa de um SUV (utilitário esporte) e compra um carro pequeno, bem simples. Pode ser que ainda não seja completamente assim, mas o caminho é este.

Aos pontos que levantei no anexo acrescentei verbalmente algo sobre os entusiastas, que adoram o prazer de dirigir, motores V8 e cheiro de gasolina: só poderemos nos satisfazer através de simuladores (games).

Pode ser que tudo isso não aconteça, mas com certeza as coisas vão mudar.


Continuando o assunto levantado pelo André Dantas, semana passada peguei carona com um colega que tem um Honda Civic. Fomos para o estacionamento debaixo de temperaturas de -3 °C e o carro pegou instantaneamente, como manda o figurino.

Os vidros estavam um pouco embaçados devido à umidade e imediatamente após sairmos do estacionamento ele direcionou o fluxo de ar interno para o parabrisa, ainda com o carro bem frio. Para qualquer não-entusiasta, isso seria um ato qualquer e a expectativa seria de que o vidro desembaçasse instantaneamente, o que realmente aconteceu

Um entusiasta como o que vos escreve não aceita as coisas assim. Imediatamente após ele direcionar o ar para o parabrisa, escutei o "cleq" da embreagem do ar-condicionado e uma leve oscilação da marcha-lenta. Pensei comigo, o ar-condicionado deve ter ligado... Porém, ao observar a luz indicadora do A/C, notei esta apagada.

Para tirar a dúvida, girei o controle de volta para outra posição e, dito e feito, o A/C parou. Comentei isso com meu colega que não é nada entusiasta e ele me respondeu: "E dai? O que espero é que o carro desembace..."

Eu não sou fã deste tipo de automação. Gosto de eu controlar quando o A/C deve ou não funcionar e quando eu vou ou não gastar mais combustível. Porém, para a enorme massa de consumidores, o que eles querem é que o vidro desembace rapidamente... mesmo que isso signifique rodar o tempo todo com o A/C ligado gastando muito mais combustível e não ter que pensar em "complicadas" seleções de temperatura, velocidade do ar e direcionamento do fluxo de ar para atingir o mesmo objetivo.

E assim caminha a evolução dos carros... pouco a pouco em direção aos eletrodomésticos.