google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Fotos: autor


Como o Marco Aurélio Strassen já escreveu aqui, muitos dos nossos fabricantes acham que quinta longa é erro. Um troço que me incomoda é andar com o motor em giro acima do necessário numa estrada em que sou obrigado a andar numa velocidade mais baixa.

No Bravo, o que não faz tchkloink, encontrei a quinta 0,945:1 (37/35 dentes) que, junto com o diferencial 3,555:1,  me oferecia 105 km/h a 3.000 rpm. Ficava bem claro que podia estar girando menos para andar o mesmo. No geral as quatro primeiras marchas são bem adequadas, mas a quinta era curta, irritantemente curta.

Outro carro que uso aqui é um Marea 2,4, que tem um diferencial mais longo que o do Bravo, no caso 3,353:1 com uma quinta 0,919 (37/34), não chegava a 40 km/h por 1000 rpm, ainda que tendo muito mais torque disponivel que o Bravo, por conta do maior curso do virabrequim, acabava ficando mais longo, mas ainda sim aquém do que poderia ou deveria ser no meu ponto de vista. Ou seja, repetia, guardadas as devidas proporções, o Bravo. As quatro primeiras, ótimas, talvez até um pouquinho de nada mais longas que o ideal, mas quinta curta. Menos irritante do que a do Bravo, mas definitivamente mais curta que precisava.





Coluna 1414    2.abril.2014                          rnasser@autoentusiastas.com.br          

Atualização. O novo motor dos Volkswagen

Outro passo evolutivo nos motores Volkswagen no Brasil, o novo 1,6 dito MSI, da família EA211. É a mesma do carismático 1,0, equipamento do recém-lançado up!, e sua caracterização maior é adequar-se aos novos tempos de menores peso — no caso 15 kg, uns 15%, adelgaçado de 105 para 90 kg —, consumo e emissões.

Se rotulado mix tecnológico entre o 1,6 da família EA111, bloco de ferro fundido, e as conquistas praticadas no tricilíndrico EA211 do up!, com toda a unidade em alumínio, impõe-se resumir a similaridade ao volume, 1.598 cm³, e às medidas de diâmetro e curso — 76,5 x 88,9 mm. E só. É outro bicho mecânico.

Mais
Motores são construídos em famílias para padronizar e resumir ao mínimo a variedade de máquinas aplicadas em seu fabrico. Assim, a filosofia mecânica do 3-cilindros foi replicada no quadricilíndrico: mesma distância entre centros dos cilindros, virabrequim com metade dos contrapesos, mancais de apoio mais finos para reduzir material, bielas mais leves, duplo comando, 4 válvulas por cilindro, válvulas com diâmetro idêntico.  Curiosidade, epicurismo termodinâmico, duas temperaturas no motor: uma para o bloco, maior, para afinar o óleo lubrificante e reduzir o arrasto das peças móveis, outra para o cabeçote.



Uma chaleira com apito a vapor. Indica que a água está fervendo. Minha mulher comprou-a para mim há cerca de um ano e meio. Por quê? E por que para mim? Simples: habitualmente faço café, bebida que adoro — e filtrado, nada de expresso (quando viajo ao exterior, a primeira coisa que faço ao chegar em casa é fazer o nosso café, do Brasil).

Como sou eu a fazer o café mais do que ninguém, normalmente coloco a água para ferver e volto para o computador. Dou um tempo e faço o café — água fervendo na térmica primeiro (aprendi isso com o copeiro que nos servia na Embraer), depois voltar a aquecer mais a água (ela sempre perde calor na garrafa térmica) antes de finalmente colocá-la sobre o pó no filtro dentro do funil.

Dou um tempo, não: é freqüente eu, absorvido no trabalho, esquecer da água e a leiteira secar, vindo o cheiro de plástico queimando, o da alça...

(foto: www.sodthenet.com)


Gosto de viajar à noite, sozinho no carro e estrada vazia. O mundo e eu. Ninguém falando, o som desligado; nada para me tirar da imersão em meus pensamentos, ninguém me solicitando, nada para atrapalhar a conclusão a que quero chegar comigo, só eu e eu. E o carro é bom pra isso; um aconchegante casulo móvel. Pra mim, ao menos, é. Momentos assim, noite, carro e a solidão da estrada vazia também são bons para chegarmos aos benditos momentos em que conseguimos ficar sem pensar em nada, que é quando nem nós mesmos nos solicitamos pra nada, uma delícia nirvanesca.

Atualmente temos o telefone celular, que tocando pode vir a quebrar esse raro estado de coisas, porém, não muito tempo atrás nem celular tínhamos e a coisa seguia assim, as pessoas sem saber onde estávamos e nós sem saber onde estavam as pessoas; o que, se por um lado é ruim, por outro é bem bom. 

Prefiro as luzes do painel desligadas, coisa que infelizmente os carros atuais não permitem. Os mais antigos, sim, muitos permitiam. Hoje, no mínimo fica uma chata luzinha —, oras, como se eu precisasse olhar para o velocímetro para saber a que velocidade estou. Com elas desligadas, basta volta e meia clarear os mostradores e dar uma checada geral. Tudo em ordem, velocidade do carro, rotação do motor, temperatura da água, nível de combustível, e o carro me sossega em meu sossego, me dizendo que está tudo bem com ele e que é para eu seguir tocando, que se pintar algo estranho ele me advertirá acendendo uma luz correspondente. Agradeço-lhe e sigo na boa.