google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
De Brescia, no norte, a Roma e volta pela costa do Adriático (imagem grandprixhistory.org)

O Fangio disse que trocaria um de seus cinco títulos da Fórmula 1 em troca de uma só vitória na Mille Miglia. O máximo que ele conseguiu na MM foi um segundo lugar, o que não é nada mau para um mortal, mas o Fangio era o Fangio, indiscutivelmente o melhor piloto, o mais completo, de sua época. Com essa confissão tem-se uma idéia do quanto essa corrida de estrada foi importante. 

Começou em 1927 e foi até 1957, quando, após um terrível acidente, onde o piloto espanhol Alfonso de Portago, com Ferrari 335 S, o co-piloto Edmund Nelson, americano, e nove espectadores morreram, veio uma grita geral — até o papa deu tremenda bronca —, e aí ela foi proibida.

Essa corrida, sim, foi de lascar. De uns anos para cá vem ocorrendo o que eles chamam de “revival”, onde somente modelos que participaram da original podem participar. Virou um evento social politicamente correto, rali de regularidade, light, com direito a champanhe gelado regando buchos de novos-ricos e nobres quebrados. Os carros continuam espetaculares, felizmente.


Mas não é bem sobre isso que estamos aqui. É sobre os Flechas Vermelhas — como eram chamados os Ferrari que competiram na MM durante a década de 1950 — que aqui trataremos, já que de 1948 a 1957 a marca venceu oito provas. Portanto, em 10 provas a Ferrari venceu oito. Das que não venceu, chegou quase lá. Em 1954, quando Alberto Ascari venceu com um Lancia D24, um Ferrari chegou em 2º. Em 1955, quando Stirling Moss venceu com um Mercedes 300 SLR e o Juan Manuel Fangio — também com um 300 SLR — chegou em 2º, um Ferrari chegou em 3º.   

Uma vitória na MM, devido à repercussão nacional, trazia mais prestígio, ao menos junto ao povo italiano, que uma vitória em Le Mans. Foi na MM que a Ferrari se consagrou. Nela, sim, a marca foi imbatível, o maior orgulho do Comendador Enzo Ferrari. 

Vamos aos Ferrari da Mille Miglia, ano a ano, um a um, ficha técnica por ficha técnica, segundo o livro "Red Arrows" escrito por Giannino Marzotto, vencedor de duas MM, um gentleman driver que pouco se aventurou em outras provas, pois para ele essa era “a” corrida.

Vale notar que as velocidades máximas eram realmente suas velocidades máximas possíveis, pois a transmissão era acertada para isso, já que havia vários trechos com longas retas, bem longas. Numas delas o Moss disse que, estando a toda em seu Mercedes 300 SLR, por ele passou um Ferrari 121 LM. E não foi à toa, já que a potência do seu 300 SLR 3-litros de 8 cilindros em linha não passava dos 310 cv, enquanto que a do Ferrari 121 LM era de 330 cv.

Os tempos de prova variam principalmente devido às condições de clima, se chovia ou não. O Moss ficou com o recorde de todas as provas principalmente porque não pegou chuva alguma, e chuva era muito comum nessa prova, especialmente no veloz trecho entre Pescara e Ravenna, na costa Adriática.

Vale notar também que a Ferrari tinha o bom costume de nomear seus modelos com a cilindrada unitária, de cada cilindro. Por exemplo, um 250, tendo motor V-12, tinha 3.000 cm³ redondos (250 x 12 = 3.000). Não sei por que mudaram isso. Também não sei por que não continuaram a fazer carros tão lindos e tão viscerais.

1948 - Ferrari 166 S (1949) 
Venceu, Clemente Biondetti, em 15h05’44”

(www.listal.com)

Fotos: José Madeira e ABCVA



Consta nos registros da maternidade que cheguei do lado de cá da existência às 10h40 de uma manhã de setembro de 1970. Não está registrado porém, mas sei que lá fora, na saída, pronto para me levar para casa, estava esperando um Volkswagen Sedã verde Folha ano-modelo 1970, retirado 0-km pelo meu pai em abril daquele ano. Caso eu fosse competente o suficiente para guardar as memórias dos primeiros dias de vida, lembraria do cheiro do curvin preto que revestia os bancos e do som cadenciado do seu ainda pouco rodado motor 1300.

As placas amarelas traziam um emblemático (ao menos para mim) AB-0556. Na época em que elas saíram, substituindo as anteriores laranjas que não tinham letras, só números, o amigo despachante comentou com o meu pai que era melhor esperar um pouco para já pegar os documentos do carro com as placas novas, por isso elas indicavam os primeiros números da segunda seqüência possível, apenas depois dos AA.

Existe também um outro registro deste saudoso Fusca, desta vez como passageiro do navio Eugenio C, embarcando em julho de 1974 para uma viagem transatlântica até Lisboa. O navio de bandeira italiana teve ainda o privilégio de ver o Fusquinha rodando a bordo, pois o encarregado do embarque de veículos “autorizou” meu velho a conduzir o verdinho até seu local de estacionamento no convés, onde onde ficou apreciando a brisa do mar por sete dias, sendo apenas visitado de vez em quando para uma girada no motor, pois meu pai não queria pagar o mico de estar sem carga na bateria ao chegar em seu país natal.

Fotos: Divulgação Alfa Romeo


Os 240 cv do Alfa Romeo 4C só têm que carregar 895 kg. Isso dá uma relação peso-potência de 3,7 kg/cv. O motor turbo central-traseiro vai instalado transversalmente e a tração é traseira, óbvio, com 60% do peso atrás. Isso te lembra os Lotus Exige e Elise? Tem mais é que lembrar. Agora imagine o conceito que originou esses magníficos Lotus sendo interpretado pelos engenheiros e designers italianos da Alfa e Ferrari. Da estrutura do carro, troque por compósito de fibra de carbono o que houver de alumínio. Dessa imagem brotará um Alfa Romeo 4C.  Deu água na boca? Pois é, nem me fale.

O 4C foi revelado no Salão de Genebra de 2011 e finalmente entrou em produção, que não será muita, apenas 3.500 carros por ano. As vendas começaram em setembro na Europa e em novembro o carro chega ao mercado americano, o principal alvo da Alfa Romeo e para o qual destinará 2.500 carros daquele total. Na Europa seu preço parte de € 53.436, equivalente a R$ 160.000. Resta torcer para que um facho de luz ilumine a Fiat brasileira e esta, visando demonstrar sua capacidade tecnológica, nos traga alguns, já que a Alfa Romeo pertence ao conglomerado turinês.

O 4C é compacto, com 3.989 mm de comprimento e 2.380 mm entre eixos; largura, 1.864 mm e altura, 1.183 mm, bem baixo. O porta-malas, na dianteira, é tímido, apenas 110 litros.

Rápido de curva, pregado no chão

Fernando Haddad fala no Fórum da Mobilidade Urbana, seminário do jornal Folha de S. Paulo, (foto Eduardo Kannp/Folhapress)

Desde quando falei pela primeira vez sobre o tumulto que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, vem fazendo, perturbando a vida da cidade, no post Faixas da alienação de dois meses atrás, notei, e acho que os leitores também, uma escalada nessa questão toda, com o automóvel sendo demonizado de uma maneira como nunca se viu. A coisa chegou a um ponto tal que realmente não sei onde irá parar.

O jornal Folha de S. Paulo realizou esta semana o seminário Fórum da Mobilidade Urbana, colocando mais combustível na histérica pilha (é por essas e outras que risquei este jornal da minha lista de leitura faz tempo). Histérica a ponto de ter sido publicada uma coluna no caderno Cultura do Globo online que é um libelo contra o automóvel. O autor, Mário Sérgio Conti (ex-apresentador do programa "Roda Viva" da TV Cultura, mas não me lembro dele), se baseia num livro lançado no último dia 9 de maio nos Estados Unidos intitulado "The People's Car: a Global History of the Volkswagen Beetle" (O Carro do Povo: Uma História Global do Volkswagen Besouro)", de Temer Bernhard Rieger, para atacar o automóvel, de maneira geral, com uma virulência assustadora. Vale a pena ler, clique no link acima, para avaliar o que está acontecendo com a cabeça das pessoas em relação à máquina que mudou o mundo e que representa a expressão máxima de liberdade individual. Eu soube dessa coluna graças ao comentário de um leitor dentro do post "Distração, o perigo à espreita".