google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)



E após levar pra passear as loirinhas mais bonitas de Pirassununga e com elas ralar o Opala preto 6-cilindros invocadão da cidade, meu XK120 queria novos desafios. Só que para tanto era necessário pecar, mentir. Confesso, caro leitor, confesso que menti a meus pais. Por diversas vezes lhes disse que iria à noite para Pirassununga para pegar o “dancing” de sábado no clube, aqueles bailinhos que juntavam toda a moçada da cidade e tocava Tim Maia, “Você é algo assim, é tudo pra mim, é mais que eu sonhava, baby...”, e nessas músicas lentas é que era bom dançar devagarinho e colado e com o coração aos pulos... 

Bom, mas Pirassununga era muito perto e o XK, como um autêntico roadster, um estradeiro, tinha mais é que rodar bastante. Então, saindo da fazenda pela estrada de terra, ao desembocar no asfalto, em vez de virar à direita e ir para Pirassununga, os fachos dos faróis altos viravam à esquerda e eu me mandava para Poços de Caldas. 



Não era esse aí da foto, mas era o mesmo modelo, só que preto. Mercury  Monterey 1957.

Um dia parou um caminhão-baú de mudança defronte da casa vizinha à nossa, na rua Piratininga, na Gávea. Era 1957, mais ou menos meio do ano. Nós, meu irmão e eu, 17 e 15 anos quase completos, só olhando o movimento, caixas e mais caixas, geladeiras enormes, mobília boa. Mudança grande. Uma mulher, algo gordota, comandava a operação. Ao nos ver disse "Hi". Um de nós respondeu, "Hi". Tentou falar e logo vimos, americana, tentando falar português. Começou um papo, ali mesmo, na rua, enquanto ela não tirava o olho das coisas saindo do caminhão e sendo levadas para dentro. O papo logo passou para o inglês.

Pai, mãe e quatro filhos, um homem, três moças. Catorze, dezessete, treze e nove anos tinham o Tommy (Thomas), Sally, Melinda e Mary. A mãe se chamava Eula e o pai, Harold. Tinham vindo de Aruba, no Caribe (o Tommy nasceu lá), onde Harold dirigia um refinaria da Esso, para assumir uma diretoria na filial brasileira. Não demorou mais que algumas horas para todos se conhecerem. Tínhamos novos vizinhos. E, rapidamente, novos amigos.


Fotos: Paulo Keller



O capítulo anterior terminou quando o XK120, o meu pai e eu havíamos chegado à fazenda e minha mãe e meus irmãos chegaram logo depois no Opala branco dela. Este é o quarto capítulo.

Como já disse, meu pai não entendia bulhufas de carro, mas sabia muito bem quando algo estava errado e logo sacou que os freios estavam ruins; puxavam um pouco para um lado quando acionados. Então combinamos que naquela mesma tarde eu levaria o carro ao mecânico da cidade, um senhor especializado em tratores e em quem meu pai tinha total confiança. Mal almocei e passei na casa do Carlão – o mesmo Carlão que já apareceu aqui em posts anteriores com os Alfa Romeo Giulia e 145, meu amigo do peito e de aventuras desde nossos 6 ou 7 anos, vulgo Pé de Ferro devido à sua atuação mais que decidida no futebol – bom, passei na casa do Carlão e, brucutu, ele pra dentro do XK, e era nóis na estrada sem capota e rindo como tínhamos mais é que rir.


Foto: semradar.com.br

"Faturamento" à mão, mas tem também leitores de placa: alta tecnologia para tungar o bolso do cidadão


Um comentário de ontem me levou a estender esse assunto do rodízio. Escreveu o leitor, anônimo, que o Supremo Tribunal Federal nunca enfrentou o rodízio quanto à sua legalidade porque não há, neste caso, ofensa à Constituição Federal, conseqüentemente o STF não tem competência para julgar qualquer ação sobre o tema. E que o Tribunal de Justiça de São Paulo em inúmeras oportunidades considerou legal o rodízio partindo do pressuposto que o município pode, sim, regulamentar a circulação de veículos restringindo-a em determinados locais e horários, não apenas através do rodízio. 

Dá como exemplo a criação de faixas exclusivas para ônibus, ruas proibidas para carros de passeio dizendo que já foi assim no Centro, onde só circulavam táxis e ônibus, horários em que caminhões não circulam etc. Finaliza dizendo que concordar com o rodízio é outra história, ele acha a medida inócua, principalmente depois de tanto tempo em vigor, mas que pelo prisma da legalidade não há chance de revogação.

A impressão nítida que tenho é que até agora quem advogou contra o rodízio não atentou para todos os pontos da controversa questão, deste modo levando argumentos insuficientes para apreciação dos juízes.