E após levar pra passear as loirinhas mais bonitas de
Pirassununga e com elas ralar o Opala preto 6-cilindros invocadão da cidade,
meu XK120 queria novos desafios. Só que para tanto era necessário pecar,
mentir. Confesso, caro leitor, confesso que menti a meus pais. Por diversas
vezes lhes disse que iria à noite para Pirassununga para pegar o “dancing” de
sábado no clube, aqueles bailinhos que juntavam toda a moçada da cidade e
tocava Tim Maia, “Você é algo assim, é tudo pra mim, é mais que eu sonhava, baby...”,
e nessas músicas lentas é que era bom dançar devagarinho e colado e com o
coração aos pulos...
Bom, mas Pirassununga era muito perto e o XK, como um
autêntico roadster, um estradeiro, tinha mais é que rodar bastante. Então,
saindo da fazenda pela estrada de terra, ao desembocar no asfalto, em vez de
virar à direita e ir para Pirassununga, os fachos dos faróis altos viravam à
esquerda e eu me mandava para Poços de Caldas.




