Não vou aqui dar uma de que andei muito de ônibus escolar, não. Graças a Deus tínhamos carro em casa. Quando moleque, pra ir pra escola funcionava, e muito bem, o esquema de rodízio. Cada dia um pai ou mãe se encarregava de lotar seu carro com a molecada. Era ótimo, na ida todo mundo dormindo uns por cima dos outros e na volta uma algazarra maluca e todos esfomeados raspando as lancheiras dos outros e tomando restos de groselha quente e melada difícil de engolir devido às cotoveladas na boca do estômago. O rodízio rolava porque meus pais não confiavam nem nos ônibus escolares nem nas vans da época, que invariavelmente eram Kombis 1200, e com razão.
Essas Kombi eram instáveis e se não bem dirigidas capotavam com facilidade. Minha mulher, quando criança, capotou numa dessas Kombis escolares e seus olhos, os olhos mais lindos do mundo, se encheram de cacos de vidro. Tudo bem, por sorte sem sequelas.


