google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Foto: quatrorodas.abril.com.br


Voltando ao tema dos "recém-nascidos", ocorreu um fato inacreditável ligado a Passat. Há pouco foi bastante comentado na mídia o problema de pedal de freio do JAC J3 que estava em teste pela revista Autoesporte, que entortou após uma aplicação forte dos freios, lembrando-me algo que aconteceu com um Passat.

A minha concessionária VW foi das primeiras que viu no Passat a mudança de direção (sem querer parodiar o mote da Renault, "Mude a direção"...) na filosofia de produto que impulsionaria a marca nos anos seguintes. Isso nos fez vender uma quantidade apreciável de Passats logo que foi lançado. Inclusive, com o Passat iniciamos a sistemática de clientes experimentarem o novo VW, sempre comigo ou um sócio junto. Era o cliente andar no carro e fechar negócio, algo que nos impressionou.
Foto: antigoverdeamarelo.blogspot.com


A família foi uma das primeiras do Rio a ter Fusca, no começo de 1953, que foi trocado por  um 1955.  Ambos foram comprados zero-quilômetro na concessionária Auto Industrial, que pertencia  ao presidente  da VW, Schultz-Wenk A Auto Industrial só vendia, a assistência técnica era na Rio Motor, que não vendia  carros. Também pertencia ao n° 1 da VW do Brasil, recém-fundada. 

O motor do 55 já era o 1200 de 30 cv, bem melhor que o anterior 1100 de 25 cv. Adolescentes, eu e meu irmão curtíamos o Fusca, fazíamos a maior lenha com ele e posso dizer que foi uma grande escola, dadas as características digamos não muito saudáveis de um carro de motor traseiro com suspensão por semieixo oscilante atrás, combinado com os pneus diagonais 5,60-15, que em nada ajudavam.

Verão 1958/1959, estávamos em Teresópolis, como fazia alguns anos. A nossa diversão predileta era andar com o Fusca na estrada Teresópolis-Itaipava, cerca de 30 quilômetros de um magnífico piso de concreto que serpenteava na serra, com subida e descida.

Um dia, subindo a serra, meu irmão, ao volante, me diz para olhar para trás. Um DKW-Vemag cinza-chumbo se aproximava. Acelera aí, disse-lhe. Não adiantou, o DKW tirou, emparelhou, ultrapassou e pouco depois havia sumido. "Esse é o carro", disse para o mano. Foi amor à primeira "jantada", o que nos levou a desejar aquele carro.

Foto: saiudelinha.com.br


O Passat chegou ao Brasil em 1974 com várias inovações, entre elas o radiador ao lado do motor, como pode ser visto na foto acima, e não mais à sua frente. Nessa posição, foi essencial o ventilador ser acionado por motor elétrico e não mais mecanicamente a partir do virabrequim por meio de uma correia trapezoidal, a solução universal até então.

O funcionamento do ventilador era automático e dependia da temperatura da água. Para isso havia um interruptor térmico na caixa d'água inferior, logo apelidado de "cebolão", que liberava um sinal elétrico para um relê, este responsável por conectar o motor do ventilador ao sistema elétrico.

O relê do sistema de arrefecimento do Passat (soeletrica.com.br)
A solução resolvia um problema dos sistemas convencionais, que era não prover fluxo de ar suficiente pelo radiador com carro parado ou trafegando lentamente, devido à rotação ínfima do motor nessas condições, e fluxo de ar desnecessário justamente quando não era preciso, pois o vento relativo que passava pelo veículo era mais do que necessário para que o radiador cumprisse seu papel. Tinha-se, assim, um roubo de potência resultado do trabalho exercido pelo ventilador.

Foto: culturaaeronautica.blogspot.com
A capa do pitot com o aviso "Remova antes do voo")

"Manicacada" é jargão aeronáutico para fazer alguma besteira na pilotagem. Também, há um ditado que diz "Só há dois tipos de piloto, os que nunca pousaram com o trem em cima e os que já". O mesmo ditado pode ser aplicado para a capa do tubo pitot, trocando as palavras de acordo. Pois eu já fiz uma manicacada de decolar com o pitot estando com a capa, que serve para evitar a entrada de insetos, que poderia afetar a leitura do indicador de velocidade do ar (air speed indicator).

O tubo de pitot é um dispositivo que faz parte do sistema de informação de velocidade aerodinâmica de uma aeronave.Ele capta o ar que passa pelo avião e a pressão resultante é usada para, por meio de uma membrana, aciomar o ponteiro do instrumento na cabine.

Cedo se aprende a fazer a inspeção pré-voo como passo esssencial antes de decolar. Um dos itens é justamtente certificar-se de que o pitot está sem a capa.

Nos anos 1960 eu costumava voar no Aeroclube de Nova Iguaçu, uma vez que mais próximo, o Aeroclube do Brasil, em Manguinhos, próximo a refinaria de petróleo de mesmo nome, tudo na avenida Brasil, no Rio de Janeiro, havia sido fechado por ordem do presidente Jânio Quadros depois que o Vickers Viscount presidencial e um North American T-6 da Força Aérea Brasileira quase colidiram ali perto. Só que os T-6 não operavam no aeroclube, mas em alguma base aérea, do Galeão ou Afonsos. Mas o Aeroclube do Brasil foi fechado e ponto final, num dos mais absurdos atos do Executivo que se tem notícia.