Foto: bradleystokejournal.co.uk
Sonhei que só se vendia gasolina nos postos para veículos com motores de ciclo Otto e óleo diesel para motores de ignição por compressão. Gasolina, sem etanol ou com no máximo 5%, como aliás é hoje a gasolina da Fórmula 1, que tem precisamente 5,75% de etanol na gasolina, isso desde a temporada de 2008.
Sonhei que poderia viajar pelo países vizinhos a dentro e reabastecer sem nenhuma dificuldade e com a certeza de estar usando a gasolina especificada para o meu carro -- e sem a menor inveja dos brasileiros que têm carros a diesel e não têm o problema em reabastecer seus carros fora dos nossos limites territoriais.
Sonhei que carros importados poderiam sair rodando dos navios ou de dentro dos contêineres e receberem carga de gasolina encontrável nos postos -- eles devem ser transportados praticamente secos, por questão de segurança -- e depois encostarem num posto e terem seus tanques abastecidos. Sem necessidade alguma de recalibração das centrais eletrônicas que gerenciam a mistura ar-combustível para ficarem aptos a rodar no país.
Sonhei que os apaixonados por carros antigos não tinham nenhum tipo de problema de funcionamento dos motores desenhados para gasolina sem etanol, que hoje enfrentam problemas sérios com o material emborrachado de diafragmas de carburadores e bombas de gasolina devido ao ataque químico do etanol, e que funcionam mal devido à mistura ar-combustível pobre em função de um quarto da gasolina ser etanol (um quinto, deste fevereiro até maio).
Sonhei as octanagens das nossas gasolinas eram as mesmas do resto do mundo desenvolvido sem o recurso da quarta parte de etanol, resultando em níveis de consumo mundiais e não os que vemos por aqui e que tanto apreciamos -- e nos surpreendemos -- quando dirigimos no exterior.
Sonhei que os preços dos derivados de petróleo obedeciam aos ditames dos mercados internacionais do petróleo e do câmbio e não também ao humor de fazendeiros e usineiros, que sobem preço ao bel-prazer, na maior cara de pau, isso consequentemente influenciando o preço da gasolina.
Sonhei que o comércio varejista de combustível era 100% honesto, que o produto que se comprava nos postos era aquele especificado, sem nenhum tipo de adulteração. Que não era preciso jamais desconfiar de um posto de bandeira branca -- embora posto com bandeira conhecida não seja garantia de honestidade faz tempo.
Sonhei que o nosso interior era verdejante mas não de cana-de-açúcar e que por isso odor no ar era o dos campos americanos e sul-americanos, notadamente argentinos e uruguaios, não o enjoativo doce desta planta. E que nunca havia fuligem no ar empesteando tudo e todos, por vezes enfraquecendo a luz do sol, resultado das queimadas. E que se viam por aqui, em grande quantidade, as paisagens bucólicas do gado vacum nos pastos.
Sonhei que quem quisesse poderia ter seu carro a diesel, numa escolha absolutamente natural, sem a ridícula proibição brasileira de automóveis com motor Diesel -- caso único no mundo.
Mas acordei.
BS



