google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Lord Vader, your car is ready.

Deveria ser o slogan de propaganda do novo Brabus E V-12 Black Baron. Novamente, a preparadora alemã Brabus partiu para a ignorância em um modelo Mercedes, agora no novo Classe E reestilizado.


Com um upgrade no motor V-12 de 6,3-litros sobrealimentado que a Brabus vem utilizando nos seus modelos topo de linha, o feliz proprietário de uma das dez unidades que serão fabricadas poderá tentar virar o mundo ao contrário com 810 cv e nada menos que 110 m.kgf de torque. Para que tudo isso? Para acelerar de zero a 100 km/h em 3,7 segundos e a 300 km/h em 24 segundos. Se isso ainda for pouco, a máxima é de 350 km/h. Limitados eletronicamente. Sem o limitador, a Brabus afirma ser possível atingir mais de 370 km/h.


Sempre fui um grande fã dessa preparadora, pois grandes sedãs de alta performance sempre me atraíram. O Black Baron pode ter saído um pouco exagerado no visual, com a cobertura de fibra de carbono nas rodas traseiras, semelhantes às tampas usadas em muitos carros dos ano 30 a 50, mas não chega a ser um pênalti. Faz parte do visual (exagerado) que a Brabus adotou para o Barão. O preço começa em US$ 875.000,00.

No dia do Juízo Final, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse não estarão montados em cavalos negros com olhos de fogo, mas em sedãs pretos com um B estampado na grade dianteira e fogo saindo pelos escapes.
Dia desses, após ler matéria sobre comparativo de picapes médias, num jornal de domingo, notara que a Chevrolet S10 2010 2.4 Flexpower foi comparada com a Ford Ranger 2010 2.3 a gasolina. Até aí, nada demais, além da Ford ainda relutar a lançar motorizações flex em vários de seus modelos, seja por carência de recursos, prioridades ou até por discussões internas.
Mas, o que pulou na minha frente é que o comparativo colocou as versões topo de linha de cada fabricante com seus respectivos modelos de motor mais fracos, o 2.4-L flexível em combustível da Chevrolet, versus o 2.3-L a gasolina da Ford.

Fui aos meus livros, anotações e alfarrábios e também busquei uma conexão com minha memória automobilística, bem como o histórico recente desses dois fabricantes, enfim, fui checar se não havia nada destoante.

Explico. A versão Executive da Chevrolet nasceu em 1997, com a Blazer. Couro, V-6 de 195 cv, automática, airbags e vários mimos, conjunto que depois migrou para a S10, mas sem o câmbio automático, que nunca equipou a picape. Mais tarde, a mesma Blazer Executive recebeu a opção do diesel MWM Sprint 4.07, 2.8-L de 132 cv, que apesar de 63 cv a menos, tinha mais torque e praticamente mantinha o mesmo desempenho, com menor consumo de combustível, vantagem ampliada pelo menor preço por litro do diesel em relação à gasolina. Como desvantagem, menos maciez, menor faixa útil de giros e o clé-clé-clé característico dos motores com ignição por compressão, principalmente quando em marcha-lenta.

Mas daí até hoje a Executive seguiu sendo o topo de linha da Chevrolet S10, com o motor mais potente que havia, o V-6. Quatro cilindros em linha a gasolina, só para as versões de entrada.


Ranger? Iniciou sua produção na Argentina, também em 1997, sua versão topo de linha era a XLT, que oferecia o V-6 4,0-L de 162 cv gasolina e o turbodiesel 2,5-L 115 cv. Apesar da grande diferença de potência entre o V-6 e o turbodiesel, esses motores tinham torque máximo próximos e a diferença de desempenho não era tão gritante. O quatro-cilindros a gasolina 2,5-L, menos potente, equipava somente a versão "pé de boi", a XL.

Em 2001/2002 veio nova safra de motores: 2,3-L 16V a gasolina substitui a 2,5-L nas versões XL; o V-6 4,0-L de 210 cv gasolina substitui o mesmo V-6 de 162 cv e o 2,8-L PowerStroke turbodiesel TGV 136 cv substitui 2,5-L turbodiesel de 115 cv. O gap de potência entre o V-6 a gasolina e o PowerStroke diesel passou a 74 cv, mas o maior torque do diesel mais que compensava essa diferença. De lá para cá, veio a versão Limited, passando a ocupar o topo da linha com o motor diesel PowerStroke TGV como opção apenas.

Por um breve período houve duas versões de potência no motor diesel, com turbo wastegate de 132 cv nos modelos XL, XLS e XLT e com turbo TGV de 136 cv, exclusivo para a Limited . E em 2005 a Ford substituiu o motor PowerStroke 2,8-L por um 3,0L 16V de injeção comon-rail e 163 cv para todas versões de acabamento.



Em curto resumo, ao longo do tempo notamos que Ford e GM "disputavam" a supremacia de potência em suas picapes médias aqui, repetindo o que suas matrizes faziam nos Estados Unidos, nas picapes de porte grande F250 e Silverado, ou seja. havia nítida corrida de potência entre elas, a cada lançamento, a cada nova versão, uma com alguma potência a mais que sua concorrente direto.

Com o lançamento quase simultâneo das versões topo de linha menos potentes, tive a impressão que ambas inverteram o sentido da corrida. Existe "supremacia" por menor potência? Quem delas irá ganhar? Estará havendo uma inversão de lógica?

Outra impressão foi de que esses dois fabricantes passaram anos, décadas, olhando-se um ao outro, copiando os melhores movimentos, alternando as iniciativas, mudanças de produto, não deixando um escapar à frente por período demasiado longo. Exemplos, muitos. No segmento de picapes médias, objeto desta análise, tivemos o primeiro turbodiesel de 95 cv na S10, mas sem intercooler. Aí vem a Ranger com intercooler e 115 cv, cabine dupla, 4x4 com seletor no painel, airbags, 2,8-L versus 2,5-L com TGV, comon-rail...

Isso fazia muito sentido, quando eles disputavam a liderança do segmento. Hoje, com Toyota e Mitsubishi na frente em vendas, não faz absolutamente nenhum sentido seguirem olhando-se somente a si e se copiando, parecendo ignorar as demais.
Mais curioso ainda é que as líderes de vendas seguem "na lógica anterior" e também disputam a preferência do comprador de picapes mais endinheirado, com modelos mais caros e equipados, a caixa automática já chega a 60% de participação na Hilux e L200 e a GM e aFord seguem sem ela.

Essa lógica de versão topo com top power, aliás, está presente no mundo automobilístico, guardadas as devidas proporções. Uma Range Rover Sport não tem opção de motor 2,5 TDi. Não se leva para casa um Cayenne V-6, com os itens de acabamento, da suspensão adaptativa do turbo, nem que se implore com milhares de euros na mão.

Pior, se eu estiver totalmente enganado, e Ford e GM estiverem criando tendência de "downpower", o que podemos esperar de movimentos da Toyota? Dá para imaginar a Hilux SR-V com quatro cilindros a gasolina e GNV? E a Mitsubishi L200 Triton com o motor quatro cilindros flex do TR4? Nissan Frontier com quatro-cilindros flex 2,0 do Sentra?

Bom notar, não nos deixemos enganar pelos números da Chevrolet S10, engordados pelas vendas a frotistas (há inúmeros frotistas com a frota de uma só picape), governo, empresas, de versões básicas flex. Quem dá as cartas hoje no segmento são a Toyota e a Mitsubishi.

CZ

Fiquei oito dias sem postar no AUTOentusiastas, tanto por estar absorvido por um trabalho descomunalmente grande, quanto por ter viajado à Polônia quarta-feira última, chegando em casa ontem (14/9). Sem querer dar uma de TV Globo, não posso revelar o objetivo da viagem por zelo profissional, mas foi a convite de uma fábrica daqui, junto com nove jornalistas.

A cidade visitada foi Cracóvia, medieval, linda, como tantas outras espalhadas pela Europa. Mas foi minha primeira incursão no Leste europeu, para o quê tinha bastante curiosidade. Cracóvia é a cidade natal de Karol Voitila, o Papa João Paulo II (18.05.1920-02.04.2005).

Na área central da cidade a atividade turística é enorme, com dezenas de igrejas e o Rio Vístula cortando-a bucolicamente, uma área de lazer como deveria ser o Rio Tietê, de São Paulo. Há um sistema de modernos bondes de fazer inveja a quem mora em cidades cortadas por corredores de ônibus, a "brilhante" solução dos nossos burrocratas (com dois "r" de propósito) para o transporte de massa de São Paulo e outras cidades.

Como cidade voltada o turismo, há inúmeras carruagens puxadas por uma parelha de cavalos. Minha curiosidade mecânica me fez atentar para o freio de todas elas, ilustrado na foto: a disco! Com cilindros-mestres acionados cada um pelo seu pedal. Duplo-circuito dianteiro-traseiro. Surpreendente mesmo e que revela a simplicidade do freio a disco quando comparado ao freio a tambor.

Fora o trabalho, foram dois dias muito agradáveis, sem os solavancos das lombadas, com semáforos que dão amarelo antes do verde (incompreensível não haver aqui desde 1966, quando entrou em vigor com o Código Brasileiro de Trânsito, continuado pelo Código de Trânsito Brasileiro, de 1997).

Tivemos tempo de visitar o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, onde minorias, 90% composta de judeus, foram sacrificadas em nome da pureza da raça ariana. Quanta estupidez! Como isso pôde acontecer é que não dá para entender.

Foi para evitar que se repita é que a democracia alemã, após a Segunda Guerra Mundial, criou rigorosas leis de proteção das minorias.

E por falar em minorias, em Cracóvia não existe a perseguição a fumantes (uma minoria de 25%!) que se vê em outros lugares, notadamente no Estado de São Paulo desde 7 de agosto. Todos se respeitam por meio de ambientes separados. Maiorias e minorias vivendo em harmonia.

BS
Qual entusiasta não esperou ansioso pelos 10 anos de idade, para conquistar definitivamente o banco dianteiro do automóvel, vendo melhor o mundo lá fora e ficando mais perto do paizão herói?

Fotos: AutoGespot/ThljsOverdeVest/Richard Zuurveld




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