
Mas hoje - na realidade óntem - tive problemas com a internet e não consegui publicar esse post - foi revelado o novo McLaren MP4-12C e isso não é qualquer notícia. Então resolvi fazer um apanhado geral e alguns comentários sobre esse carro.
O 12C é o terceiro carro a ser fabricado pela McLaren. Os outros dois foram o icônico F1 e o fantástico Mercedes SLR. Para quem não sabe, a Mercedes (Daimler) é dona de 40% da McLaren, outros 30% são de investidores do Barém (no Golfo Pérsico), 15% da Grupo TAG (Saudita) e 15% do Ron Denis.
Fazer um carro sucessor desses dois modelos é uma responsabilidade e tanto. Mas antes de falar do 12C é necessário entender onde ele se posicionará. Assim as expectativas podem se ajustar à realidade.
O F1, the king of all supercars, foi um carro exótico (tinha revestimento do cofre do motor com folhas de ouro) posicionado no topo da cadeia alimentar num espaço reservado a uma minoria: Bugatti EB110, Jaguar XJ220, Ferrari F40 e mais recentemente Porsche Carrera GT, Ferrari Enzo, Maserati MC-12, Bugatti Veyron, Pagani, Koenigsegg e Aston ONE-77. O McLaren F1 teve apenas 107 unidades produzidas, das quais apenas 79 foram road cars; o resto foi de versões para pista, incluindo as 5 unidades LM.
O SLR também faz parte dessa liga, mas com um volume mais alto. Até agora foram produzidos mais de 2.100 unidades. Ele continua em produção até completar as 75 unidades da série limitada Stirling Moss - ainda não falamos sobre esse carro no blog.
Num sub-segmento mais abaixo, ou menos lá em cima, estão GTs como os Ferraris 599 GTB e 612, Lamborghini Murciélago e Aston Martin DBS - deve ter outros. E no segmento "de entrada" estão o novíssimo Ferrari 458 (aquela que o Juvenal não gosta dos donos), 911 Turbo, Audi R8, Aston Martin DB9 e alguns outros. É nesse segmento de entrada em que o 12C vai brigar.
Segundo a McLaren, esse segmento cresceu de 8.000 unidades em 2000 para 28.000 em 2007 - após a crise atual ninguém sabe como vai ficar. O segmento cresceu grande parte pelo aumento da oferta de modelos. A McLaren espera vender 1.000 unidades do novo carro em 2011 - isso mesmo, estão mostrando o carro agora para vender toda a produção de 2011 antecipadamente - a um preço ao redor de 160.000 libras, algo próximo dos 500.000 reais (lá na Inglaterra). O primeiro F1 a ser entregue foi vendido em 1994 por 634.500 libras. Dá para entender a diferença.

O 12C tem um layout básico: motor central-traseiro com tração traseira, suspensão duplo A nas extremidades e dois lugares lado a lado. O motor é uma nova unidade projetada especificamente para esse carro, um V-8 3,8-litros a 90 graus com quase 600 cv e mais de 60 kgfm obtidos com a ajuda de dois turbos. Um canhão que manda toda essa potência para as rodas através de uma, também nova, transmissão de 7 marchas e dupla embreagem (como as DSG da VW). Deve passar dos 320 km/h e fazer de 0-100 km/h em torno de 3 segundos.
Apenas relembrando, o F1 era equipado com um motor BMW V-12 6,1- litros a 60 graus com 619 cv e 66,3 kgfm e com uma transmissão manual de 6 marchas. Pesava 1.140 kg, graças à estrutura e carroceria em fibra de carbono - o F1 foi o primeiro carro de rua a ser constrído dessa maneira. Mas acho que o que torna o F1 mais especial é a posição central do motorista que visava um perfeito equilíbrio de massas e a melhor visibilidade para atacar curvas para ambos os lados. Isso já revela a estirpe do modelo e o por quê de sua existência. O F1 atingiu a velocidade recorde de 231 milhas por hora, quase 370 km/h, em 1993. Ele foi idealizado, projetado e desenvolvido pelo Gordon Murray, o "gênio da camisa florida", que não participou do novo modelo MP4-12C.
Mas o que esse novo McLaren tem de novidades? Selecionei o que realmente achei interessante. Vamos aos principais pontos.
Como não poderia ser diferente, ainda mais agora com restrições fortíssimas a emissões de CO2, o baixo peso foi o foco central do novo projeto. Apesar de que por aqui todos os leitores já saberem, não custa falar de novo: baixo peso melhora a performance dinâmica em tudo - aceleração, retomada, dirigibilidade, frenagem, consumo de combustível e emissões. Então não há por que adicionar peso que não seja realmente necessário. Já dizia o Colin Chapman: "to add speed, add lightness" - para aumentar a velocidade, adicione leveza.
Então a McLaren resolveu inovar e fazer o que algum marqueteiro deu o nome de MonoCell. É uma estrutura central, célula de sobrevivência, feita em peça única - única - de fibra de carbono, como num Fórmula 1. Todo o carro é montado ao redor dessa peça que pesa apenas 80 kg e leva apenas 4 horas para ser feita - a estrutura do F1 levava dias. Nas extremidades dianteira e traseira são fixadas estruturas de alumínio projetadas para absorver impactos e de fácil substituição. A McLaren não informou o material dos paineis da carroceria.

Outro ponto que eu ainda estou tentando entender melhor mas me interessou é uma função chamada Brake Steer, ou tentando traduzir, esterçamento pelo freio. O sistema detecta quando o carro entra forte demais numa curva e provavelmente sairia pela tangente e automaticamente aplica pressão no freio da roda interna traseira. Esse efeito evita a tendência do carro em sair de frente e o coloca de novo nos trilhos. Praticamente é o que qualquer sistema ESP - controle eletrônico de estabilidade - faz. Talvez a diferença do novo sistema esteja em antecipar a saída de frente, enquanto nos ESPs o sistema atue apenas depois que o carro já está saindo. Um ponto a ser checado. Ainda com relação aos freios, o 12C usa discos de alumíno forjado que pesam 8 kg menos que os discos de carbono, estes opcionais.
Mais um gadget - dispositivo - tecnológico está ligado à transmissão. A seleção das marchas é feita por borboletas na coluna de direção com acionamento tanto puxando quanto empurrando - lado direito sobe marcha e lado esquerdo desce.
Agora falando um pouco do design.
É muito óbvia a semelhança com o F1. A McLaren diz que tudo nesse carro foi definido pela função. Como o F1 também foi feito assim o atual diretor de design da McLaren, ex-Ferrari, justifica a semelhança como sendo uma consequência natural. Embora as dimensões do 12C não tenham sido divulgadas, elas deven ser muito parecidas com as do F1. O F1 tem 4.288 mm de comprimento com um entre-eixos de 2.718 mm. Para dar uma nocão do que isso representa, o F1 é menor que um Civic mas tem um entre-eixos maior. Com isso as rodas ficam nas extremidades o que melhora o comportamento dinâmico. O 12C tem praticamente o mesmo perfil do F1.

Mas para mim, olhando as primeiras fotos, falta personalidade. Imagino que quem compra um carro assim quer algo mais extravagante, mais original, mais look at me!. Tentando justificar essa sensação, a McLaren diz que designs mais exóticos tendem a cansar mais rápido. Acho que isso depende. Esse 12C me lembra alguns carros como o Lotus Exige, o Audi R8, e o Ferrari 458. Aprendi que design não se avalia por foto. E que também não se deve formar opinião no primeiro contato. Existem tantos carros que quando lançados são rotulados como feios e depois acabamos nos acostumando e até gostando.

O interior me pareceu muito bem-resolvido. Ultrafuncional, simples e bem feito e sem exageros. O cockpit abraça o piloto deixando todos os comandos à mão. O para-brisa com a base bem baixa, também como no F1, e os vidros laterais devem proporcionar uma boa visão. A tela no console central foi colocada na vertical para ocupar menos espaço e deixar os ocupantes mais juntos. O marqueteiro de McLaren justifica a posição como sendo mais intuitiva, como nos telefone celulares. Como esses marqueteiros me irritam!!!!















