A foto da viatura acima está rodando pela internet há alguns dias, mostrando uma VW Parati G4 da Polícia Militar do Paraná, "personalizada" com filme G5 nos vidros, suspensão rebaixada e rodas de liga leve Giovanna de aro 18, calçadas em pneus de perfil 35.
Perguntas que não querem calar:
- Quem financiou a personalização? Essas rodas (e pneus) não custam pouco. É dinheiro do contribuinte? Se não for, de onde veio?
- A polícia está acima da lei? Pode modificar/descaracterizar o carro da maneira que bem entende?
- E a conservação do patrimônio público, como fica? É sabido que essas rodas enormes costumam sacrificar bastante as suspensões, ainda mais em um carro cujo projeto prevê o uso de uma roda de aro 13, no máximo aro 15.
Curioso isso, mesmo sabendo que no Brasil existe uma cultura favorável à personalização de viaturas policiais. Quem é que banca essas viaturas "tunadas"?
O colega André Antônio Dantas me fez lembrar o ano de 1990, quando vi pela primeira vez na revista Quatro Rodas uma reportagem sobre o Volkswagen Futura.
Aproximadamente dois anos depois a VW apresentou um conceito muito mais próximo da realidade da época, o Volkswagen Chico. Foi o segundo carro urbano da VW com motor refrigerado a água.
Digo segundo pois o primeiro VW refrigerado a água com a mesma proposta foi o Volkswagen Polo de 1975, nada mais que um clone do Audi 50 de Ludwig Kraus, apresentado um ano antes.
Ao contrário do Futura, o Chico chegou às ruas seis anos depois, materializado na forma do Volkswagen Lupo. O Lupo surgiu para ocupar o lugar do Polo de terceira geração, que por sua vez já passava a ocupar o lugar do Volkswagen Golf em tamanho e peso.
Curiosamente, o Lupo teve uma versão GTI (foto acima), com motor 1.,6 16V de 125 cv, câmbio manual de 6 marchas e peso contido de apenas 975 kg. Era uma resposta da Volkswagen a todos aqueles que diziam que o espírito do Golf GTI de 1976 havia se perdido nas novas gerações, cada vez maiores e mais pesadas.
Era o ressurgimento do hot hatch, a ressureição do GTI de 1976: acelerava de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos, com um comportamento dinâmico dos melhores, verdadeiro carro de entusiasta. A idéia deu tão certo que a VW chegou a criar a Lupo Cup, nos mesmos moldes da década de 70, quando se utilizava dessas competições para promover o Golf GTI.
A produção do Lupo foi encerrada em 2005, sendo substituído pelo insosso Volkswagen Fox, que, até agora, não teve uma versão GTI sequer cogitada. E acredito eu que nem deve, pois de hot hatch o Fox não tem nada. É o primeiro (e Deus queira que seja o último) carrinho da VW sem um pingo de pretensão esportiva.
O futuro do Chico já é passado, mas para aqueles que ficaram curiosos em saber como era a performance do Lupo GTI, segue o vídeo abaixo. Com certeza foi uma das melhores concretizações de um carro conceito da Volkswagen:
Prezados Leitores,
Não tenho escrito tanto quanto gostaria recentemente e no meio de toda essa onda pessimista que temos, falências, concordatas etc, me lembrei de algo que sinto falta em carros modernos. E por conta disso resolvi tratar de um carro que fiz aqui na brincadeira para um amigo que me faz ver como fazer um troço simples e divertido, gastando pouco, em um carro velho que não se faz do mesmo modo que em um carro novo.
Todos que acompanham o AE ha algum tempo lembram dos Chevettes V-6.
O Chevette é um daqueles carros que originalmente são meio safadinhos, mancos, mas que por uma série de fatores podem acabar se tornando além de muito engraçados, muito rápidos e divertidos também, com pouco gasto e relativa facilidade.
Essa adaptação , exceção feita aos escapes, pode ser feita em casa tal a simplicidade.
O motor usado é o 4,3-litros, igual ao da Blazer. Que já se encontra por aí em diversos ferros-velhos com preços atrativos.
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É uma situação constrangedora. Um brinquedo modular de criança (mesmo que crescida), feito para criar e programar brinquedos sofisticados mas acessível a qualquer um, é capaz de fazer, mesmo que de forma um pouco atrapalhada, o que praticamente todos os carros que nos são acessíveis não são capazes.
Mas não são capazes não porque não possuam o equipamento para isso, mas porque falta um software que integre aquilo que o carro já tem, além de um simples motor elétrico para virar o volante automaticamente.
Do painel, passa-se por mais uma situação pouco confortável. Hoje temos uma profusão enorme de telas LCD, de pequenos e baratos aparelhos de MP3 portáteis feitos na China e displays de celulares, a até TV’s de alta definição de 50 polegadas. Todas com grande exuberância de cores e com custo já bastante reduzido.
Os internautas também estão acostumados a transformar completamente os aspectos de seus softwares prediletos por meio de “skins”.
Com as modernas telas de LCD, o “skin” do painel do Futura seria apenas uma das infinitas possibilidades que cada motorista poderia experimentar e até mesmo criar para seu carro.
Mas a realidade automotiva atual não é tão maravilhosa assim. Painéis de instrumentos coloridos e customizáveis são artigo de luxo nos carros de alto padrão. Painéis de LCD monocromáticos e com design fixo existem em alguns carros, mas a grande maioria continua mesmo com os velhos ponteiros sólidos sobre uma escala pintada.
Hoje, o aficcionado por vídeos pode aproveitar a ambiência criada pelos sistemas de home theartre. Sistemas HT mais sofisticados reprocessam em alta velocidade os sinais dos múltiplos canais de áudio de um filme para compensar o ambiente da sala e criar um espaço sonoro fidedigno. O espectador realmente se sente dentro do filme.
Muito desta sofisticada tecnologia deriva de uma muito mais simples, a partir da qual foi criado o sistema de anti-som do Futura. Para os padrões de hoje, é uma tecnologia simples e barata.
Porém, onde estão os carros com anti-som original de fábrica ou equipamentos aftermarket com esta função?
O potencial do Futura está todo aí, bem na nossa frente, mas este carro conceito é uma promessa de futuro nunca realizada apenas pela falta de interesse todos os fabricantes.
Como disse nosso colega Felipe Bitu, "No final das contas sabe o que realmente o Futura deixou de concreto para nós? As rodas modelo “Orbital”, usadas depois pelo Santana e pelo Gol."