google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Notícia publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo mostrou o resultado resumido de um trabalho do urbanista Valério Medeiros, da Universidade de Brasília. Valério usou um programa de computador para criar uma medida que se chama "grau de integração".
Essa grandeza adimensional mostra o quanto as cidades são mais ou menos difíceis no quesito circulação de veículos, o quanto as diversas rotas e regiões estão conectadas.
É fácil entender isso quando se conhece vários bairros ou cidades diferentes. Há lugares em São Paulo em que só há um ou dois caminhos lógicos, descontadas as rotas absurdas.
Pois bem, São Paulo é a quinta pior do Brasil, a campeã nessa infelicidade é Florianópolis. Quem já passou um final de ano por lá sabe o que estou falando.
As melhores cidades são Nova York, Los Angeles e Cidade do México. Das 164 pesquisadas, São Paulo é a 156ª do ranking.
Complementando esse excepcional trabalho, a urbanista Silvana Zioni, especialista na cidade paulista, afirma que o pior aqui é a falta de avenidas perimetrais, ou anéis viários.
Tudo muito bom, e muito bem trabalhado.
Mas o Juvenal Jorge, tendo visitado Los Angeles em 1997, época que nosso trânsito local era até que bonzinho, já havia notado a quase inacreditável malha de avenidas expressas por lá, as freeways existentes há décadas. Há uma interligação enorme entre todas as estradas que servem Los Angeles, com essas freeways cortando a cidade em todas as direções e se interligando. Uma autêntica malha viária, em forma de trama cruzada, como um tecido.
Vejam a imagem do Google Maps. São todas as avenidas amarelas em tom mais forte. Veja quantas, o quão abrangente são e a escala do mapa. Imagine tudo isso sem semáforos. E imagine que há parte delas suspensa e parte ao nível do solo.
É possível assim, chegar pelo sul, atravessar a cidade sem parar em nenhum semáforo ou cruzamento, e sair no leste, por exemplo.
Óbvio que isso poderia ser feito por aqui, bastaria que os impostos que todos pagamos (e não estou falando só de São Paulo, vale para qualquer cidade) fosse decentemente destinado à circulação de todos. Democraticamente.
Para os que dizem que quero priorizar os carros pois sou entusiasta, respondo que ambulância não anda na linha do trem nem do metrô. Basta precisar de socorro uma vez na vida para se perceber o quanto é politicagem barata e popularesca dizer que só o transporte coletivo interessa.
Bastava ter ido à Califórnia há algumas décadas atrás, ser humilde para copiar e honesto para usar o dinheiro público.


JJ
Esse post na verdade é um adendo ao post do André Dantas PRIMEIRO FÓRUM DE AUTOMOBILISMO – FEI
A palestra do Bird Clemente foi fantástica. Ele me pareceu ser muito bacana e bem-humorado. Contou a história dos primórdios das corridas no Brasil com sinceridade, romantismo e sempre tirando uma lasquinha dos superpilotos de hoje em que os carros andam em verdadeiros trilhos (grudados no chão), não andam de lado e quase não fazem ultrapassagens.
Depois da palestra fiquei com muita vontade de comprar o livro Entre Ases e Reis de Interlagos, que conta a história do próprio Bird redigida pelo Bob Sharp. Esse livro já foi indicado pelo Bob em um post anterior.
Ainda aproveito para indicar o site do Museu do Automobilismo Brasileiro, em Passo Fundo, RS. Lá o Paulo Trevisan fez uma coleção de muitos carros históricos de nosso automobilismo. No site tem muitas fotos e textos muito ricos.
O Carcará exibido no Fórum pertence ao museu e na realidade é uma recriação feita pelo Toni Bianco para comemoração aos 40 anos do recorde brasileiro e sul-americando de velocidade (212,903 km/h) estabelecido em 29 de junho de 1966. Vale a visita tanto ao museu como ao site.
Esse fim de semana, na corrida de rua na França do World Touring Car Championship (WTCC), o piloto da BMW Franz Engstler teve um infeliz encontro com o safety car na saída do box.



Agora, a pergunta que não quer calar, de quem foi a culpa? Oras, dos dois. O piloto do safety car simplesmente sai do box e vai para o meio da pista, sem olhar, e o piloto do BMW vem acelerando na reta com bandeira amarela e ainda tenta passar do lado do carro de serviço. Será que ninguém passou um alerta pelo rádio??

Relembrando, no Grande Prêmio do Brasil de 2002, Nick Heidfeld levou a porta do carro médico no "S" do Senna.

Cada uma...


Foi realizado nos dias 13 e 14 deste mês o I Fórum de Automobilismo, promovido pela FEI (Fundação Educacional Inaciana), em seu campus de São Bernardo do Campo.

Lá estiveram expostos alguns dos mais importantes carros da história do automobilismo nacional, além da maravilhosa palestra proferida pelo ex-piloto Bird Clemente (Equipe Vemag e Equipe Willys) seguida de um bate-papo com comentários pelos convidados jornalistas Lito Cavalcanti (Rede Globo) e Flávio Gomes (ESPN). O mediador foi o Prof. Eng° Ricardo Bock, da instituição.

Bird Clemente na sua palestra na FEI

Entre os carros, oito estiveram expostos.

O primeiro foi a carretera 18 do piloto Camillo Christófaro (também conhecido como “Lobo do Canindé”).

As carreteras vem de uma longa história originada na Argentina, nas décadas de 30 e 40, onde provas eram disputadas em estrada aberta, muitas vezes de terra, recebendo carros sem grandes refinamentos técnicos, mas com motores de grande cilindrada e potência.



A carreteira 18 participou de provas durante muitos anos, recebendo aprimoramentos ao longo desse tempo. Ela conta com motor e suspensão dianteira de Corvette e suspensão traseira De Dion retirada de um Ferrari Testarossa que se acidentou em Interlagos.

Reparem no detalhe do freio a disco deste carro. Há um espaçador que afasta a roda do cubo, mantendo o disco descoberto. Pinça e disco são avantajados, porém não possuem qualquer refinamento de refrigeração. O disco é sólido. Não é ventilado, não possui furos ou ranhuras, tornando-se bastante sensível à temperatura.


O segundo carro é uma réplica da carretera DKW-Vemag, derivada do Belcar, participante da Mil Milhas de 1961.

Reparem que este carro teve o teto rebaixado, e a traseira modificada, eliminando-se as portas traseiras para aliviar peso.


O próximo carro é o Willys Interlagos berlineta.

Derivado do Alpine Renault A-108 (importante carro de rali e pista da época, na Europa), foi o primeiro carro esportivo de linha a ser fabricado no Brasil e o primeiro de carroceria de compósito plástico-fibra de vidro.



Os protótipos Mark I e Mark II (Bino), também presentes, foram evoluções da berlineta que serviram à Equipe Willys.




O Carcará, com motor central-traseiro de 1.089 cm³ e transeixo DKW-Vemag, foi um protótipo feito especificamente para bater o recorde nacional e sul-americano de velocidade. Este é uma recriação feita por Toni Bianco sob encomenda de Paulo Trevisan, que tem um museu de carros de corrida em Passo Fundo, RS.

A marca estabelecida por este carro, de 212,903 km/h, ainda está de pé para carros com motor de até 1,1 litro.

Nosso colega Bob Sharp é testemunha ocular da história deste carro.


Já este Maverick dos anos 70 recebeu preparação de Oreste Berta (tradicional oficina de preparação argentina) para enfrentar os Opalas.



O Copersucar Fittipaldi FD01 foi o primeiro carro projetado no Brasil para a Fórmula Um.

O projeto é do engenheiro Ricardo Divila, ex-aluno da FEI. Foi um carro inovador em muitos aspectos na categoria, numa época em que a corrida tecnológica e a disparada de custos da categoria ainda não haviam ocorrido.