


A categoria Trans-Am colocava nas pistas americanas os pony cars, que eram os muscle cars pequenos para alguns, ou apenas pony, sem serem considerados muscle.
JJ

Então, minha atual viatura. Outro daqueles acasos que eu não consigo acreditar que tenha sido assim tão fácil quanto pareceu. Teve alguma ajuda de alguém em algum lugar. Em 1994 eu estava viajando em férias didáticas aos Estados Unidos para aprender um pouco mais com os caras lá de cima e por acaso entrei em uma concessionária Dodge e vi pela primeira vez ao vivo uma Dodge Ram das mais modernas.
Mas é uma picape, e picapes às vezes, especialmente as grandes, são algo incômodas, difíceis de estacionar em centros urbanos, shoppings centers, e só carregam eu e mais 2 pessoas, tendo em vista que tenho mulher e um casal de filhos, complica usar ela. Precisava de um carro normal para usar com a família. Especialmente para passear pelos bons e aprazíveis pontos de lazer e turismo que temos aqui no Planalto Central. Claro, eu queria um carro tão legal, que me motivasse e me alegrasse tanto quanto o velho Dart, mas sabia que isso não existia mais.
O carro, ainda que muito legal e em excelente estado, não se presta mais a uso normal até pela dificuldade de conseguir sempre peças necessárias à sua boa manutenção, e das inerentes limitações de um projeto de praticamente 40 anos. Algo tinha que ser feito, eu precisava mesmo de um carro novo. Tá, mas o que comprar? Ah, sim, tem que caber no bolso e o 300C Hemi não passava nesse quesito. Vamos pular esse. Mas qual? O quê? E em que estado, já que seria obrigatoriamente um veículo usado, e veículos malconservados costumam ser uma dor de cabeça eterna? O que fazer? E como evitar um carro prata, que tanto desgosto? Então, eis que do nada um amigo me oferece um carro que eu olhava até com uma boa dose de simpatia, mas nunca imaginava realmente ter.
E mais eu queria em algum sonho distante uma com motor 5.9, o maior disponível e não o tão mais comum 5.2. Tive que tomar uma decisão dificílima, a cor era um verde escuro maravilhoso, que, além de eu gostar muito, combinava com o patriot blue da Ram e era verde como o Dart. Inacreditavelmente não tinha as rodas e os filetes dourados comuns a quase todas, era nova, impecável, pouquíssimo uso e, o melhor, ainda cabia no meu bolso. Bom, nessa altura, por mais que eu quisesse e, claro que eu não queria nem um pouco resistir, catei o jipão. Peguei um avião, fui para São Paulo buscar ela, na confiança, sem nunca sequer ter dirigido uma antes, e de lá fui direto a Pindamonhangaba num bom encontro de velhos amigos e de lá iria ao Rio, e depois voltaria para o remanso do lar.
Tudo me pareceria possível, menos que o mesmo entusiasmo, o mesmo ronco e a mesma disposição de andar e de agradar o dono que eu via no velho Dart, vi de novo nessa Grand Cherokee. Evidentemente saber que basicamente o mesmo motor de tanto tempo estava ali na minha frente, me levando onde queria, era uma sensação fantástica. Claro, melhor, mais liso, muito mais confiável e econômico.
Nesse ponto, fico obrigado a comentar algo que me entristece, mas ao mesmo tempo não me soa como o fim de uma era. Essa semana sabemos sobre o estado real da Chrysler, concordatária e evidentemente em risco de ter viabilidade econômica futura para poder continuar operando e fazendo seus carros, sempre tão legais e tão emocionantes, e que sempre me foram tão caros e bem vistos.
Me lembro sempre do nosso grito de guerra, Mopar Rules! que sempre me soa tão real e tão pertinente pela minha grande ligação afetiva com seus carros. Hoje, vejo de novo um Challenger novo em produção, vejo que os 300 letter series voltaram a ser o que eram e, mesmo com 4 portas, posso ter um Charger novo com 425 hp e isso vindo de um motor chamado com uma palavra de quatro letras outra vez.
Por isso tudo e por muito mais, com participação da Fiat ou não, falida ou não, morta ou viva, Mopar Rules, Man! E como os gringos dizem, Thanks Ma Mopar!
O Juvenal Jorge citou em seu último post a sina dos carros molestados, ridicularizados e ao meu ver, estragados. É realmente triste ver a que ponto chega a ignorância. Principalmente aqui no Brasil.
O jornalista Jon Mikelonis escreveu um artigo sobre os Fords brasileiros para a revista Ford Muscle, citando o controverso estilo de vida do brasileiro, que descarta tudo o que é velho, dando grande importância só ao que é novo.
Infelizmente essa é a mentalidade do brasileiro: carros com alguns anos de uso logo são chamados de "pau velho" e literalmente descartados. O que importa para o brasileiro é ter carro novo, com plástico nos bancos, para fazer inveja ao vizinho. Ou o que é mais comum, fazer inveja ao cunhado: para alguns, não há nada melhor do que exibir o carro novo naquele almoço familiar dominical.

O coitado do carro antigo, que foi dado como pagamento de entrada do novo, foi tratado apenas como um "pau velho". Em muitos casos o "pau velho" era um carro melhor em tudo, mas tinha que ir embora, pois carro velho não faz mais inveja a ninguém.
Um dos "pau velho" mais legais do mercado é o Chevrolet Omega nacional, fabricado de 1992 a 1998. Para quem não procura alto desempenho as versões de 4 cilindros (com motores de 2 e 2,2 litros) atendem bem as necessidades de quem procura um carro grande e espaçoso, o bastante para 5 adultos e toda sua bagagem.

Quem fizer questão de desempenho ficará feliz com as versões de seis cilindros (3 e 4,1 litros) com torque e potência na medida certa para aproveitar o que o carro tem de melhor: aerodinâmica e suspensão.
Trata-se de um carro concebido para andar nas autobahnen alemãs, sem limite de velocidade. O baixo coeficiente aerodinâmico permite que o Omega sustente altas velocidades com grande facilidade, mas se você for do tipo que anda devagar essa aerodinâmica resulta em ótimo consumo, por trabalhar em conjunto com uma transmissão bem escalonada.
A suspensão combina o sistema McPherson na dianteira com braços semi-arrastados na traseira, resultando em ótimo funcionamento mesmo para os padrões atuais: ainda que o Omega tenha sido projetado para estradas perfeitas, é nas piores estradas que ele se destaca, permitindo trafegar em altas velocidades onde carros comuns normalmente transmitiriam insegurança.
É aqui que eu volto a falar da sina brasileira: por ter se tornado um "pau velho" bem barato, o Omega acaba caindo nas mãos de pessoas sem um mínimo de cultura automobilística, que não sabem sequer a maravilha de automóvel que possuem.
Muitos deles caem na mão da "molecada" (que ainda era pirralha na década de 90) que sem dó nem piedade molestam este grandioso automóvel alemão, começando o estrago justamente pelo que ele tem de melhor: a suspensão.
E tome "suspensão a ar", "suspensão de rosca", "suspensão rebaixada" e outras sandices do tipo, tudo para deixar o carro "mais estiloso". Estes pobres coitados nem fazem idéia da enorme bobagem que fizeram em um excelente carro.

Praticamente 100% dos Omegas molestados (estragados) estão "socados", maneira como a molecada se refere a essa barbaridade. Também existem aqueles que estragam outro grande atributo do Omega, a aerodinâmica, instalando calhas de chuva e "body kits" tão populares nos carros "tunados".
O Omega "A" deixou a linha de produção da General Motors em 1998, ou seja, já são 11 anos sem o Omega nacional. Nesses 11 anos eu pensei que já havia visto tudo em matéria de Omegas molestados, até a tarde desta terça-feira.
O que vocês estão para ver é o cúmulo da ignorância automobilística: um Omega equipado com um motor Toyota 2JZ GTE, original do Toyota Supra.

Realmente não dá pra entender como alguém se orgulha disso. Nem mesmo o desempenho justifica, uma vez que um Chevrolet V8 small block teria um rendimento superior em tudo (e o melhor de tudo, caberia embaixo do capô, deixando a aerodinâmica do carro intacta).É a sina brasileira, estragar os carros bons que viram "pau velho". Não acontece só com o Omega, acontece com vários outros carros, mas me toca o coração especialmente quando fazem isso com o grande carro da GM, que na minha singela opinião ainda é o melhor carro que já foi fabricado no Brasil.