google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

O ano de 2008, até agora o melhor da nossa indústria automobilística, teve 12 lançamentos de novos automóveis nacionais. Este número não leva em conta novas versões, motorizações flex ou reestilizações light. Alguns desses lançamentos podem ser considerados "face-lifts" incrementados, caso do Peugeot 207; outros, "new body-skin", como o New Toyota Corolla; ou até os completamente novos, caso do New Honda Fit, Fiat Linea, Novos VW Gol e VW Voyage. Citei apenas alguns exemplos para ilustrar e não perder o tema.

Times de projetos dos fabricantes dedicaram-se meses a fio, ao longo de suas etapas até o lançamento, sempre com expectativas de serem bem-sucedidos no mercado.

Passado o período pós-lançamento, notamos que as vendas para uns não aconteceram e para outros, parecem estar acima da própria crise. Micos e sucessos. Novo Ford Focus? Mico; Fiat Linea? Mico; Peugeot 207 hatch? Mico; Novo VW Gol? Sucesso absoluto. Voyage? Idem; Fiat Palio Weekend Adventure? Sucesso. New Corolla? Sucesso.

Seguramente há excelentes carros entre os micos. Porém, é sabido que sucesso não é por acaso. Fracasso, tampouco. Que somente o fator produto não é suficiente. O que deu certo e por que deu certo? O que deu errado e por quê?

Fácil seria subestimar o mercado e transferir a responsabilidade das baixas vendas aos compradores que não souberam entender o carro, aos concessionários, que não entendem os compradores ou não sabem vender etc. Mas cada projeto custou dezenas de milhões de reais, ou até centenas aos fabricantes e essa ótica simplória pouco ou nada ajudará para reverter as coisas, menos ainda para torná-los bem-sucedidos na próxima empreitada.

Não cabe a esta coluna tentar diagnosticar cada um dos micos, nem relacioná-los de alguma forma aos fabricantes, modelos, segmentos, mercado etc. Mesmo porque carecemos de elementos que nos permitam ir mais fundo na análise. Porém, se nos permitirmos pensar que há empresas que vêm construindo sucesso de forma perene e que por trás dele deve haver fatores-chave, é aqui onde eu queria entrar com uma analogia.

O jogo de xadrez é tido como um dos exercícios de estratégia mais antigos que existe. Estudando os fabricantes que estão hoje ganhando mercado e volume de produção acima da média com pouco mais de profundidade, conseguimos entender que o planejamento estratégico deles é um diferencial. Que discussões sobre estratégias a serem adotadas, nas fases que antecedem os projetos e nas que o acompanham, têm participação da alta administração, com direito a vários "loops" e, mais que isso, a estrutura definida para os projetos, só permite que sigam adiante quando as questões básicas estão devidamente encaminhadas. Como se fossem os fatores considerados, antes da próxima mexida de um peão, torre, cavalo ou rainha, mas com várias cabeças ajudando o jogador principal.

E o jogo corporativo? Existe em todas empresas, mas também noto que, quanto pior este, pior vão os projetos. A próxima jogada é mais relevante.


Vinha pensando nisso há algumas semanas, preocupado com a quantidade de micos de 2007-2008, não só no Brasil, mas em vários mercados e segmentos e como eles têm afetado as empresas e seus parceiros neste momento de crise.

O post do Milton, na semana passada, mostrava a resposta da BMW a uma provocação da rival, em um outdoor que continha uma menção ao jogo de xadrez. Não por acaso! Sei também que se o sucesso viesse para 100% dos projetos de todos os fabricantes, não haveria alternância de posição no mercado, mas sigo questionando se em todos os micos não faltaram discussões estratégicas de maneira suficiente.

Se todos eles foram adiante, com suas questões-chave bem resolvidas e, por último, antes de entrarem os próximos projetos, com a missão de recuperar fracassos, se haverá análises maduras e desprendidas em torno dos principais processos atuais.

Estamos precisando de mais jogadas de mestre!

Fui hoje a Águas de Lindóia, com o Arnaldo Keller, visitar o 14° Encontro de Carros Antigos; de carona, com dois amigos. Utilizamos o roteiro São Paulo-Atibaia-Bragança Paulista-Amparo, na ida e na volta.
A quantidade de lombadas que enfrentamos no caminho, exceto na BR-381 Rodovia Fernão Dias, ultrapassa as raias do absurdo. Só mesmo mentes doentias podem conceber aplicar tais objetos numa rua, avenida ou estrada.
Estamos caminhado a passos longos para a total e irreversível idiotização do motorista brasileiro, que em pouco tempo perderá -- se já não perdeu -- toda e qualquer noção de responsabilidade na condução de um veículo a motor, daí o título deste post.
As lombadas têm o demérito de deseducar. O motorista só entende que precisa trafegar em velocidade compatível com a segurança ao se deparar com uma. Não haver lombada passou a significar pista livre para acelerar, o que é péssimo.
A SP-39, próximo a Mogi das Cruzes, corta um vilarejo com várias edificações chamado Vila do Barroso. Antes de entrar nele, uma placa diz "Atenção com os pedestres". Mais alguns metros e outra placa indica 40 km/h de velocidade máxima. Vem, então, a surpresa: não existe lombada em toda a extensão do trecho ao longo da Vila do Barroso. Não precisa, assim como em nenhum outro. Menos para algumas mentes doentias.
A lombada é um despropósito tão grande que os carros nacionais e muitos importados têm altura de rodagem maior para poderem rodar aqui sem raspar o assoalho ou componentes mecânicos nas lombadas, que prefiro chamar de dejetos viários.
Por serem mais altos, a área frontal dos veículos é maior e com isso o arrasto aerodinâmico também é. Com isso, aumenta o consumo de combustível. Ainda vou fazer o cálculo, mas nos quase 30 anos de lombadas no Brasil pode-se afirmar que o consumo de combustível a mais supera o bilhão de litros. Só por conta das qualidades aerodinâmicas dos veículos tornadas piores. E isso sem contar o combustível desperdiçado ao se disspar a energia cinética freando antes de uma lombada
Dados da Volkswagen do Brasil para o Polo BlueMotion dão conta que o pacote aerodinâmico -- menor altura de rodagem, grade com abertura menor, defletores de para-choque dianteiros e traseiros, defletor na porta grande traseira e minissaias -- é responsável por 2% na redução do consumo. Podemos estimar 0,5% somente na altura de rodagem 1,5 cm menor.
Se hoje estamos consumindo 51 bilhões de litros por ano de gasolina e álcool nos motores ciclo Otto, estamos gastando 25,5 milhões adicionais só pelo fato de nossos carros serem mais altos -- por causa das lombadas.
Sem contar, é claro, o desconforto que é transpor uma e o desprazer de dirigir ao se ir topando com lombadas pelo caminho, como aconteceu hoje na viagem a Águas de Lindóia.
Como já tenho 66 anos e quando as lombadas começaram a aparecer, no início da década de 80, eu já era habilitado desde 1960, isso significa que durante vinte anos dirigi bastante pelo país afora sem lombadas. Não havia problema algum relacionado a "ameaça" aos pedestres.

Acho que há uma maneira de acabar com essa verdadeira mazela nacional: apelar para a Justiça por meio de uma ação civil pública.
Conclamo o autoentusiasta, membro deste blog e advogado Gino Brasil a mover tal ação.
BS
Fotografado em St. Petersburg, Flórida, em outubro de 2007, um protótipo da Ford.
A explicação está na foto da placa que acompanhava o carro exposto. "Bird of prey" significa ave de rapina.
Um bom assunto para se gastar um tempinho na internet.
Nosso amigo Hans, lá na Suécia, trocou o radiador de seu Saab 900 Turbo de 1989, carro de uso diário. Em casa, lógico.

Reparem no TVR 350 na garagem, o "carro de brinquedo" dele. Há também um Saab mais antigo, e uma moto Ducati.

Nada como ter garagem bem equipada, conhecimento e bom gosto.
Abaixo, o Turbo com pneus de inverno, que ficam permanentemente montados em rodas de aço estampado, usadas apenas quando há gelo nas ruas.

Belo carro!