A AUTOLATINA VISTA POR UM ENGENHEIRO




Este post aborda a Autolatina pela visão de um engenheiro, no caso eu, que participou de grande parte desta história.

Lembro-me como se fosse hoje, nos idos de 1986, quando ouvíamos pela "rádio peão" que a Ford estava para ser vendida à Volkswagen. O pessoal achava engraçado o boato e ninguém acreditava nele, até que no dia 25 de novembro de 1986 soubemos do acordo de cooperação mútua firmado entre a Ford e a VW no Brasil, dando origem à Autolatina.

Nosso pessoal da engenharia, a maioria formada de "Fordeanos de corpo e alma", ficou perplexo com o fato e um clima de ansiedade tomou conta do ambiente. Cultura alemã com cultura americana nunca vai dar certo, falávamos... até que soubemos que a VW seria majoritária com 51% das ações da Autolatina.

Incrédulos, fomos comunicados que toda a nossa engenharia iria para as instalações da VW em São Bernardo do Campo e o nosso Centro de Pesquisas seria desativado... desativado?!  E dito e feito, aos poucos toda a nossa engenharia, incluindo a oficina experimental, a construção de protótipos, laboratórios e banco de provas foi sendo transferida para a fábrica da VW.



O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPq) da Ford em São Bernardo do Campo (foto arquivo pessoal)

Todo este processo foi muito doloroso, pois muitos foram despedidos, muitos se demitiram e a maioria da gerência ficou praticamente sem função. Em resumo, a Engenharia Ford foi totalmente  pulverizada.

Quando chegamos ao Centro de Engenharia VW, na chamada Ala 17, fomos muito bem recebidos tanto pela gerência quanto pelo pessoal  working level, que nos abriram as portas, literalmente. Fomos conhecer todas as instalações do CEVW, os escritórios, a oficina experimental, os laboratórios químico e de estruturas, a barreira de impacto, os bancos de testes de motores, enfim, toda a megaestrutura germânica que particularmente me pareceu muito bem organizada.

Enquanto que a engenharia de carros da Autolatina estava sediada na VW, a engenharia de caminhões se manteve na fábrica do Ipiranga, reduto Ford.  No meu ponto de vista, o motivo principal foi a pouca experiência da VW em caminhões e também o reduzido número de pessoas na área. Conclusão, o time Autolatina de caminhões ficou todo concentrado na fábrica da Ford no Ipiranga.

O que me chamou a atenção logo nos primeiros dias de trabalho foi a maneira mais prática do pessoal VW. Tudo era feito de uma maneira mais empírica e sem muita burocracia, ao contrário da Ford, que tinha seu método de trabalho calcado mais em procedimentos e regras básicas geradas por lições aprendidas, método que era herança da Ford dos Estados Unidos. O fato é que os trabalhos na Autolatina em sua maioria fluíam mais rapidamente.

Outro fato é que enquanto na Ford a língua inglesa era praticamente regra no dia a dia de trabalho, na VW não se falava a língua alemã corriqueiramente. Tudo era feito em português, desde os relatórios até as reuniões, inclusive com o top management.

Outra característica marcante dos engenheiros da VW era o foco na parte técnica. Ninguém se importava muito com os custos envolvidos, o que interessava era a excelência técnica do produto.

Nunca me esquecerei de quando entrei na oficina experimental da Autolatina e presenciei meus colegas da Ford todos de jaleco branco com o logo VW grandão no lado esquerdo do peito. Demorou algum tempo para que fosse adotado o logo Autolatina para todo o time.




Eu com meus amigos na oficina experimental e também em almoço
comemorativo  com o time Autolatina (fotos de meu acervo particular)

Como a VW não tinha campo de provas no Brasil, os testes de durabilidade eram feitos externamente nas ruas e estradas. As rodagens eram complementadas com investimentos maciços em testes estruturais e laboratoriais de todos os sistemas do veículo, em um complexo enorme dentro da fábrica VW em São Bernardo do Campo.

Já a Ford fazia todos os seus testes dentro do Campo de Provas em Tatuí, no interior de São Paulo.

Campo de Provas de Tatuí, foto de meu acervo particular

Aos poucos todos os testes veiculares da Autolatina seriam feitos em Tatuí. Eu achava engraçado os veículos VW sendo testados em durabilidade no Campo de Provas da Ford.

Creio eu que a parte mais interessante desta história foi a fusão dos dois departamentos de estilo, Ford e VW. Os designers, cada um com estilo próprio, variando do espartano ao luxuoso, pensando em conjunto nos novos produtos da Autolatina.

E deu nisso...

O modelos híbridos

Durante todo o período Autolatina a VW ofereceu à Ford os seus motores AP-1600, AP-1800 e AP-2000, além da plataforma do Santana.

Em contrapartida, a Ford ofereceu à VW os motores CHT AE-1000 e AE-1600, além da plataforma do Escort.

E surgiram os híbridos:

- Ford Versailles
- Ford Royale
- Ford Verona
- Ford XR3 1,8
- Ford Del Rey 1,8
- VW Apollo
- VW Logus
- VW Pointer
- VW Gol/Parati AE-1000
- VW Gol AE-1600

Para ser sincero, eu nunca gostei dos produtos surgidos na AL. Não tinham a identidade própria que identificava  a marca.

No meu ponto de vista, de todos os produtos surgidos na AL o mais significante foi o Escort XR3 1,8 lançado em 1989.  Suspensão firme, interior luxuoso, linhas esportivas e "andava como gente grande". O motor AP 1,8 empurrava bem o carrinho. Marcou época e ainda hoje é objeto de desejo dos restauradores.

Outro produto que me agradou foi o Ford Versailles idealizado na plataforma do Santana.  Na realidade, o Versailles era um Santana mais luxuoso.


Fusca "Itamar"

Por que focar no Fusca "Itamar", vai perguntar o leitor...

A resposta é que fiz parte da equipe que trabalhou na revitalização do chassi do Fusca.

Nunca pensei que teríamos tantas dificuldades. A maioria das  peças do chassi conforme desenho não se ajustavam perfeitamente. Depois descobri, faltavam algumas operações de ajustes manuais de manufatura, pequenos detalhes operacionais que foram esquecidos desde o encerramento de sua produção em 1986.

Foi em 1993 que o Presidente Itamar Franco reinaugurou a linha de montagem do Fusca

Presidente Itamar com cara  feliz dentro do Fusca n° 001 (crédito da foto vrum.com.br)


O Gol "Bolinha"

O que poucos sabem é que os designers da Ford tiveram participação ativa no Gol "Bolinha", inclusive em uma versão Ford que infelizmente não saiu em produção.

O Gol "Bolinha" versão Ford, era no meu ponto de vista, até mais bonito que a versão VW, principalmente a sua traseira.




 Gol "Bolinha" Ford (créditos das fotos a www.shado.co.uk/)

Segundo "fofocas da rádio peão", este foi o pomo da discórdia e o principal motivo da dissolução da Autolatina.  O que se ouvia nos corredores é que os concessionários VW fizeram muita pressão para que o Gol Ford não fosse para produção, evitando a concorrência direta ao Gol.

Verdade ou não, mesmo estando adiantado em seu desenvolvimento, a versão Ford nunca foi para as linhas de montagem.

O fim e o recomeço

Lembro-me que após a dissolução efetiva da Autolatina em 1995/1996, um grupo de ex-executivos da Ford se reuniu com o propósito de levantar nomes de engenheiros e administradores para reiniciar a nova Engenharia Ford no Brasil, e assim foi feito.


Saudades

Foi durante a AL que completei meus 25 anos de trabalho na Ford, com muito orgulho.

Eu recebendo o diploma de reconhecimento pelos meus 
25 anos de trabalho na Ford(Foto de meu acervo particular)


Até o próximo post!

CM

97 comentários :

  1. Que belo artigo para esse domingo feiozo no ABC. Sempre bom ler sobre essas fusões de empresas tão grandes, eu tendo somente a visão de filho do escalão oposto ao do autor do texto: meu pai era peão de linha na Volks nessa época, e conta diversas historias interessantes e algumas amedrontadoras. Era realmente um ambiente diferente do que se prega hoje para a manufatura.
    Mais legal ainda é a frase que o que importava era a qualidade do produto final, sem a preocupação com os custos, bem diferente da atual imposição dos "bean counters" conforme o Bob Lutz nos conta.

    Mais uma vez obrigado Carlos Meccia por compartilhar uma visão tão particular de alguém diretamente envolvido na industria :) que esses artigos continuem :D

    Abraços,
    Wendel.

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    1. Wendel, obrigado

      Abraço

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    2. Carlos Meccia você é o cara !
      Jorjão

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  2. Excelente post. O breve casamento da Ford e VW foi uma fase que desapontou muito os admiradores das marcas envolvidas. E da qual se soube muito pouco. Inúmeros são os mitos e lendas dessa fusão. Muito bom ter acesso a visão de quem viveu e construiu os produtos dessa fase. Na minha distanciada visão, a Ford do Brasil mesmo marcada pelo hibridismo de seus produtos: Willys, Renault, e VW (época da Autolatina), ou talvez por isso, sempre foi a mais admirada. O fato de ser a primeira a ter produtos nascidos especificamente para o Brasil, mesmo que herdados de outras marcas, caso do Corcel e Aero Willys, é um ponto cativante. Na primeira fase da Indústria automobilística no Brasil, a engenharia da Ford era o que tínhamos de melhor, a marca era quem mais estava associada a desenvolvimento de produtos e controle de qualidade, desde que assumiu a Willys.

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  3. Deste tempo da Autolatina, dos que eram praticamente o mesmo carro vendidos sob duas bandeiras (Versailles/Santana, Royale/Quantum, e Verona/Apolo), sempre gostei mais dos que tinham o logo da Ford. E o motivo era bem este mesmo: eram Volkswagens mais luxuosos, mais refinados, mais caprichados, especialmente seus interiores. A Ford era referência neste aspecto. Saudade desgraçada daquelas versões "Guia"! Davam gosto.

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    1. Pois eu sempre preferi os carros com o logo VW!
      O desenho Ford sempre muito rebuscado e sem graça.
      Os VW mais germânicos , sóbrios e elegantes
      Porém os Ford eram mais bem acabados mesmo e nisso voce tem razão!
      Mas nunca deu certo misturar água e óleo e essa fusão foi uma grande atrapalhada de ambas as empresas....

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    2. Eu preferir os ford porque motor e cãmbio volks eram superiores mas o interior sempre foi tosco, um volks com interior ford era a melhor solução.

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  4. Maravilhoso post! O Meccia conta uma história que eu sempre imaginei, com a VW dando as cartas. Esta Autolatina foi na minha visão um desastre para o autoentusiasta... E tinha quase certeza que o Gol Bolinha tinha um quê de Ford.

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    1. Realmente essa do Gol, foi surpresa para todo mundo !

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    2. Era estranho ver (e dirigir) o Gol ouvindo barulho de Escort / Corcel / Del Rey. Fiz auto-escola nos dois modelos (o primeiro i e o de segunda geração), e dirigi por algum tempo o Plus de segunda geração, e gostava muito deles. Eram até silenciosos, o motor era bem liso em funcionamento e elásticos.

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    3. Esse motor varetado nunca deu certo no Gol.

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  5. Maravilhoso artigo, muito legal saber que a Ford quase teve um GOL. Parabéns pela longa carreira.

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  6. A traseira era tão atual que lembra até os produtos ford de hoje.
    Realmente, ia ser um produto de grande concorrencia, é notavel que um dos grandes problemas da for, ainda hoje, é o custo de manutenção. Esse custo equiparando-se aos VW ficaria muito mais atraente.
    Eu acho que foi positivo, essa aliança chacoalhou as duas empresas de forma significativa, talvez essas alianças/compras, que ocorreram nos anos 80 e 90 são o que hoje motivaram as empresas a melhorarem seus produtos, a tal ponto que agora todos são a mesma coisa: ganharam em qualidade, perderam em personalidade.
    Só pra ver as grandes 4, as percas que tiveram em uma de suas personalidades (olhando somente produtos "nacionais", que só vendem aqui):

    - Fiat perdeu seu design espartano, a mistura com os norte-americanos não fez bem, nem ao design, nem aos motores que deixaram de ser giradores, agora a palavra de regra deles é "torq".

    - VW, a palavra de ordem num VW sempre foi funcionalidade, como o autor descreveu, a excelência técnica. Hoje um VW é tão redondo, e ruim de visão quanto qualquer outro carro atual.
    A suspensão não é mais tão firme... o motor não é mais tão confiável como antigamente (vi, EA-111 fazendo motor com menos de 100 mil!!!)... bom, pelo menos a transmissão ainda é boa em alguns casos, isso é o pouco que não mudou.

    - GM foi referencia em luxo, refinamento tecnológico, e as vezes até em design. A entrada dos importados, e mesmo o caso da autolatina onde duas empresas jogaram seus pontos fracos de lado e pegaram os pontos fortes um do outro (exceto VW com motor CHT ou verona e logus) eles perderam bastante mercado. Correram atras do prejuizo, passaram uma época vendendo produtos requentados, depenados e até defasados... tudo aquilo que um dia foi critica a VW. Hoje melhoraram bem no design e refinamento mas nos motores, eu não sei... bom, talvez seja melhor assim.

    Ford: Deixei por ultimo, foi a que mais mudou... passou dos carros antigos, dos carros luxuosos, e dos cambios longos, e toda uma cultura americana, para algo mais proximo hoje do que sempre foi a "Ford UK", a ford europeia sempre teve uma cultura propria, nada de carros grandes, moles, motores V8... A brasileira ainda estava perdida entre aquilo que veio da frança (renault 12), dos EUA (Galaxie, maverick) e até da ford inglesa (Escort)... Deixou os carros moles de lado, mas em compensação o refinamento, o luxo tambem foi um pouco. Pelo menos, a transmissão me parece melhor escalonada agora, mais em sintonia. O motor nem se fala, deixemos os franceses com os vinhos e os queijos, como diria Jeremy Clarkson... hehehehe

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  7. "Outra característica marcante dos engenheiros da VW era o foco na parte técnica. Ninguém se importava muito com os custos envolvidos, o que interessava era a excelência técnica do produto"
    Nao querendo desmerecer ... mas nesse peíodo da fusão ...dizem que os engenheiros da Ford ficaram perplexos com a qualidade e superioridade da engenharia da VW.
    Eu acho que a Ford ganhou muito mais nessa junção que a VW.
    Também nunca gostei dos produtos Autolatina.
    Tive um Logus e foi o pior carro em minha vida toda!
    Deus do céu !

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    1. Alberto Campos01/06/14 18:06

      Ah, o "achismo"...
      Um anônimo sem nome quer saber mais que o engenheiro que narra a história e trabalhou lá. Meus parabéns!!

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    2. Meu tio na epoca de lançamento do Logus comprou um, modelo CL com motor 1.8. Na epoca era um carro muito bonito, com bom porta malas e o painel com aquelas formas redondas chamava bastante atenção ( comparado com o voyage que meu tio tinha antes, o Logus era um carrão). Mas era um ponto fora da curva, um estranho no ninho e não lembrava em nada os volks, tanto é que o Polo Classic e o Golf importados tinham mais a ver com os santanas e gols. Relatos de antigos proprietários falam em falhas no acabamento e mec^çanica, não sei ao certo se é verdade. Quando ao fim da vida, a VW lançou aquele logus wolfsburg edition era uma coisa linda de se ver na rua, um espetaculo.

      DPSF

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    3. Anônimo01/06/14 14:12 "Tive um Logus e foi o pior carro em minha vida toda"
      Disse que nunca gostou mas comprou , disse também que foi o pior carro mas não disse quais foram os problemas,ou seja, não tem argumentos ,só sabe falar mal.

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    4. Tenho 66 anos e em 1969 comprei meu 1o. carro, um Fusca 1200cc 1964. Assim, falo com o conhecimento de quem já possuiu dezenas dos mais diversos modelos, tanto fabricados no Brasil quanto alguns importados e, entre tantos, guardo ótimas lembranças do Logus 1.8 GLi 1994, comprado em 1996, com 37.500 km rodados. Acrescentei 281.000 kms.no hodometro através de dezenas de viagens do Rio para BH,SP, Vitória e Salvador. Em todos esses anos de uso, nunca fiz absolutamente nenhum reparo sério de mecânica ou na parte elétrica, apenas as manutenções periódicas e aquelas preventivas que qualquer autoentusiasta sabe que devem ser feitas. Ótimo carro, completo, confortável e confiavel! Lamentavelmente a carroceria não resistiu tão bem (ferrugem) quanto a mecânica e o interior, ambos ainda em perfeito estado até janeiro deste ano, data da sua venda com aprox. 319.000 Km. rodados (Tirei várias fotos para lembranças futuras). Acreditem, não é só questão de sorte, o bom trato é fundamental e com cuidados criteriosos o Logus foi ,sim, um ótimo produto da Autolatina, considerando-se, naturalmente, a sua época de fabricação!

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  8. Seria impressão minha, ou não?
    Vendo as fotos do "Gol Ford" visualizei semelhanças na traseira com o Escort Zetec, não propriamente nas linhas em si, mas na fluidez do desenho, que a meu ver sugerem velocidade. Na dinateira, até a coluna C, lembra muito o Escort "Sapão".

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    1. ArkAngel. Este Gol da Ford lembra um Escort Sapão sem o meio volume da traseira. Pelo modelo em argila, muito bonito.
      JMT

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    2. A traseira é sim parecida com a do escort zetec.

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  9. Interessante lembrar prós e contras dos sistemas Ford e VW, como percebidos pelo ponto de vista de fornecedores de conjuntos e componentes, naquela época.

    O jeito "Robert McNamara" fordeano de procedimentos e regras evitava muitos erros, mas, por outro lado, burocratizava decisões e alterações técnicas em excesso além de criar muitos custos adicionais, desnecessários.
    Já a liberdade estilo VW simplificava as coisas, mas permitia a criação de pequenos "reinados" entre alguns departamentos da fábrica, o gerava uma competição interna que às vezes travava a aprovação de soluções simples para problemas do dia a dia.

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  10. Carlos, excelente post, obrigado! Leonardo.

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  11. Meu era peão na Ford, na época ele comentou, pela "rádio peão" que a Ford seria comprada pela VW. Por parte da Ford não entrou na Autolatina a FIC e a Ford Tratores onde meu pai continuou até aposentar. Sei que a Ford Tratores ocupava dois prédios da planta de São Bernardo, prédio 06 e prédio 102. A Ford Tratores mudou de nome para Ford New Holland e depois para New Holland e depois mudou, se não em engano, para Curitiba.
    JMT

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  12. O Meccia foi muito "elegante" no texto, mas as coisas não foram tranquilas... a partir de certo nível hierárquico, só alemães falando alemão; compra de carros com "desconto de funcionário" (15%) muito mais seletiva que na Ford; horas-extras "obrigatórias", fazendo aqueles que entravam às 7 da manhã chegarem quase à meia-noite no Parque D. Pedro, único fretado da Kuba com destino à capital naquele horário; e por aí vai...

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  13. Eu particularmente acho o máximo essa fusão de dois mundos: a mecânica VW e o acabamento e conforto dos Ford. Quanto à questão da identidade, acho isso muito vago e impreciso. Sou suspeito pra falar. Tive um Verona (que agora está com meu pai) e estou no 2º Versailles, agora um Ghia. Um carro maravilhoso que até pelo baixo valor de mercado (vai entender isso), nem penso em passar pra frente.

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    1. Amigo já conhece o versailles clube? Nos procure Facebook é só digitar Versailles Clube no campo de busca. Grande abraço.

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    2. Carlos Meccia foi um prazer ler esse seu post. Nós do versailles clube somos fanáticos por conhecer essas histórias da época da auto latina. Que teve seus problemas mas também teve suas virtudes. E para nós a virtude do versailles era justamente unir a mecânica germânica com o design e o acabamento americanos da Ford, que criou um produto muito bom. A maioria de nós era criança na época da auto latina e tivemos nossas vidas marcadas por um versailles ou royale na família. Meu pai comprou uma royale justamente para substituir uma bolinha, ou seja, apesar da mecânica Volks na minha concepção o versailles conseguiu sim cativar o cliente Ford. Caso tenha histórias da concepção do versailles da royale e puder compartilhar, seria um prazer poder ler algo a respeito. O convido também a conhecer nosso clube, basta procurar por Versailles Clube no Facebook. Um grande abraço.

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  14. Graças ao fato de não ter saído o "Gol Ford", tivemos logo a seguir o Fiesta 1.4 Zetec 16V, que foi um carro muito acertado, Escort Zetec 1.8 16V (surrava qualquer 2.0 e tinha consumo de 1.6, palavra de quem dirigiu um por quase 7 anos) e o Mondeo. Todos esses foram muito melhores do que qualquer híbrido da Autolatrina e do que qualquer concorrente da época, mas não obtiveram o sucesso merecido porque a imagem da Ford estava arranhada e eram mecanicamente muito sofisticados.
    A Ford sempre teve um ótimo corpo de engenharia. O problema foi a falta de visão estratégica da matriz: vivíamos um tempo de inflação alta e mercado bem menor do que o atual, mas as margens eram maiores e quem investiu um pouco mais sempre teve um bom retorno, como a GM com o Monza, a Volks com o Santana e a própria Ford com o Escort quadrado.
    Antônio do Sul

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    1. Anônimo, foi o real inicio da ford européia (exceção ao primeiro eco) que trouxe carros de primeiro mundo para a época com o escort zetec e focus, e nunca entendi o motivo do pouco sucesso destes carros.
      Dirigi um escort zetec na época do lançamento e era bom demais, assim como o focus 1.8 16v, a concorrência não oferecia nada parecido.
      Talvez pelo pouco sucesso destes carros a ford estagnou e por anos não renovou sua linha, depois lançou o fiesta rocam que era um ótimo carro mas com insterior tosco e ruidoso, além de um motor 1.0 insuficiente.
      Por íncrível que pareça o fiesta rocam tem um interior bem melhor agora no final de vida.
      Finalmente a ford resolveu reagir com o lançamento do novo eco que se não tem um ótimo acabamento é um ótimo carro, agora com new fiesta, novo focus e a chegada do ka na minha opinião tem novamente a melhor linha de carros entre as quatro grandes.

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  15. Carlos, parabéns e obrigado por mais um texto incrível que não veríamos em qualquer lugar.

    Lá na lista dos modelos híbridos onde diz "VW Gol/Parati AE-1000" não seria na verdade na linha abaixo, do AE-1600? Até 1993 que me lembre, era o AE-1600 que vinha nas versões CL de Gol, Parati, Saveiro e Voyage, e depois retornou o AP-1600.

    Eu sempre achei muito curioso esse "Gol Ford", principalmente como conseguiram fazer um carro com frente e traseira com jeitão de Ford, e a porta de um Gol. O contrário do Logus(porta de Escort num carro com feição de VW).

    E a respeito do Logus e Pointer, quem desenvolveu o design foi a equipe meio a meio, ou veio principalmente de alguma das equipes anteriores? Pelo menos em visual eles foram muito longe dos outros projetos da época, pareciam contemporâneos com outros projetos bem mais recentes.

    Abraços
    Fernando

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    1. PS: Porta pois ficou aparente, pois creio que tenham feito o clay em cima de um Gol pronto, ou quase pronto.

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  16. Lorenzo Frigerio01/06/14 17:59

    Em minha opinião, o melhor carro a sair da Autolatina foi o Logus. Ele conseguia ter cara de VW, e o transeixo de Golf o deixou mais moderno que o Santana. Apesar disso, tem gente que não gosta dele, aparentemente o carro era frágil. O Pointer foi um sucesso com os taxistas. O Versailles e o Apollo eram ridículos. Agora, o Gol "bolinha" tinha um excelente design, até melhor que o Golf III. Era um salto quântico em relação ao Gol "caixinha". Mas acho que não ter havido versão Ford foi uma boa decisão.
    Após o fim da Autolatrina, a Ford, arruinada, foi enfim obrigada a tomar uma decisão... se ficava no Brasil ou pedia para sair. Então, preferiu ficar, com uma linha renovada, mas sempre como lanterninha. Acho que só com os últimos modelos do Fusion/Focus/Fiesta é que ela finalmente entrou no séc. XXI, e pode afirmar que está aqui para valer.

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    1. Acho o Pointer dos VW mais bonitos de seu tempo na VW. Paralelo com o Vectra 97 para a GM.

      Realmente, a Ford foi a grande perdedora, tendo seu setor criativo desmontado nesse período. A fatura está sendo paga até hoje.

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    2. Pergunte pros donos de Versailles e Apollo antes de falar que são ridículos.

      João Paulo

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    3. Ridículos, realmente não eram, tanto que muitos rodam por aí até hoje. Ambos tinham um bom conjunto mecânico, mas lhes faltou personalidade. O Versailles era excessivamente rebuscado, com aquele conjunto de lanternas traseiras mal resolvido e aqueles apliques de plástico preto por cima das colunas traseiras, mas ficou muito bonito após a reestilização sofrida no início de 95, que resolveu aqueles problemas.
      Ridícula foi a falta de aprovação da matriz para que a Ford lançasse o projeto Omega, que estava quase pronto e faria muito mais sucesso do que o clone do Santana, que não fidelizou os clientes que compravam o Del Rey e nem tirou vendas do irmão VW.
      Antônio do Sul

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    4. Lorenzo Frigerio,

      Concordo com você, a Ford esta aqui para valer com seus produtos renovados com a filosofia de carros mundiais. A Ford passou por maus bocados porem achou o seu caminho

      Abraço

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    5. Acho que a ford reagiu muito bem com o escort zetec e focus, que eram carros muito bons para a época, na minha opinião os melhores das suas categorias no pais, mas o consumidor não deu muita bola, e acho que com isso a ford estagnou por anos.
      O focus quando chegou parecia um carro de outro mundo, não apenas visual mas por conta do excelente motor zetec 1.8 e o comportamento dinãmico primoroso, nenhum carro do mercosul chegava perto daquele acerto refinado de suspensão e direção, e ainda havia o acabamento interior o design interno e externo, nunca entendo o motivo do carro vender pouco.
      Hoje novamente a ford terá a melhor linha de carros do pais entre as suas concorrentes se o ka corresponder ao que todos estamos esperando.

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  17. Carlos,

    Conte-nos como foi a reconstrução da engenharia da Ford após a Autolatina.

    O acervo técnico da Ford foi preservado nessas idas e vindas? E os protótipos, como o Corcel Gamma e outros tantos que devem ter sido produzidos nesses anos todos - forma destruídos?

    Abraços!

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  18. Engº. Carlos, mais um artigo espetacular!
    Meu pai trabalhou na Ford/Autolatina de 1969 à 1997, sempre na fábrica do Taboão, lá no recebimento de materiais, que ficava no fundão da fábrica, perto daquela pequena pista de testes. Lembro bem do lindo prédio do CPQ, que inclusive tinha no jardim frontal uma fonte que nos velhos tempos, ficava sempre jorrando e dos carros de testes no estacionamento ao lado, sempre cobertos por capas pretas. Vi lá inclusive uma perua Escort Mk4 que infelizmente nunca chegou a ser lançada.
    Lembro que fiquei muito chateado quando meu pai também fez 25 anos de serviços e recebeu um broche de ouro com o logotipo da Autolatina, pois o que eu queria mesmo que ele tivesse recebido era o lindo oval da Ford de ouro, que desde criança me fascinava. O mesmo aconteceu com o lançamento dos Escort AP. Claro que era um ótimo carro, mas eu nunca engoli aquele motor VW nas entranhas do Escort. Na minha cabeça oca de adolescente, o motor CHT era um Ford legítimo, que só mais tarde descobri ser um Renault, mas não tinha importância, era o melhor motor a álcool que já foi fabricado no Brasil.
    Me desculpe o monte de palavras, mas acho que seus textos são os melhores que já apareceram por aqui.Fiz até uma pasta e estou imprimindo tudo para mostrar ao meu velho e relembramos os bons anos de Ford Brasil S/A.
    Continuo no aguardo das memórias com o Escort Mk3, dos Escort de exportação para a escandinávia e tudo mais que o Sr. puder narrar. Essas histórias são um resgate que muitos ex-funcionários da Ford almejavam ler.
    Muito obrigado e um grande abraço!

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    1. Anônimo,

      Abraço no seu pai

      Obrigado

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  19. Tive a infelicidade de ser o proprietário ( ou próprio-OTÁRIO) de um Verona Guia 2.0. Carlos, vc saberia dizer que diabos de cambio 5 marchas era aquele? Simplesmente anulou o motor 2.0 da volks que era bastante bom na época. O carro tinha boa carroceria, portas malas amplo, 4 portas, acabamento razoável e espetacular conjunto de freios.Sua dirigibilidade era razoável e posição de dirigir idem.

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  20. Não lembro de algum produto da Ford ter recebido o AP 1.6 como foi descrito no texto. Teria sido a Pampa? Lembro do Logus com motor AP 1.6, mas esse saia com o logo da VW, apesar de ser um Ford de corpo e alma.. Sempre achei que o AP fosse dado à Ford com motor 1.8 para cima. Abração..

    H

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    1. A Pampa, nos seus últimos anos, recebeu o motor AP 1.600. O Escort "europeu" (a 2ª geração que nos foi vendida) também usou este motor na linha 95.
      Antônio do Sul.

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    2. Bem lembrado. O Logus saiu na versão básica CL com o AE-1600 e só depois de um bom tempo(acho que em 1995) que os 1.6L passaram aos AP.

      Ford com o AP 1.6 tenho certeza do Escort MK5, também após o uso do AE-1600.

      Se não me engano, isso foi por alta demanda dos motores AE, época de Gol 1000 e Escort Hobby. É algo que ouvi na época e que agora ninguém melhor que o Eng. Carlos para me confirmar se foi verdade.

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  21. de todos os produtos surgidos na AL o mais significante foi o Escort XR3 1,8

    Assino embaixo, e digo mais: foi graças a Autolatina que o XR3 virou esportivo de verdade.

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  22. Acho que houveram produtos "autolatina" que, se não eram nem Ford, nem VW, pelo menos atendiam bem às necessidades da época, como o Del Rey (tenho certeza que a Belina também)1,8 e, principalmente o Gol (Voyage e Parati também, se não me engano...) CHT: Eram práticos, silenciosos, econômicos e duráveis para os padrões da época. E o desempenho, se compararmos com a linha "á ar" , que ainda era uma lembrança recente, era soberbo!
    Consta que a Autolatina foi minada de vários lados: A ABRADIF queria, e provou que seria possível a entrada da Ford no segmento dos populares, coisa à qual a VW resistia; Também não queria nem ceder a plataforma do Gol, nem permitir que a Ford trouxesse o Fiesta sem compartilhar a plataforma. E, convenhamos, os motores AP e CHT são muito bons, mas já era hora de cada fábrica buscar soluções próprias mais avançadas.
    Os problemas que surgiram depois também são, no mínimo interessantes: A Ford renovou a linha com produtos muito interessantes: Escort Zetec, Fiesta "espanhol", Mondeo, e até alguns Mustang. Mas, por algum motivo, a manutenção ficou cara e as peças, mais difíceis de encontrar que de modelos importados por independentes.
    É bom lembrar que a base desenvolvida naquela época chegou até 2014, no Gol Power. Talvez, se esse "divórcio" não tivesse ocorrido, a Ford estaria hoje com produtos tão desatualizados quanto tinha naquela época.
    Outra coisa curiosa: O Verona era um "híbrido"? Sempre pensei que fosse um produto 100% Ford, derivado do Escort, e que o Apolo é que fosse o "clone"...

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    1. Após a ruptura da Autolatina, parece que a Ford foi mais rápida p/ renovar a sua linha. A Volks reagiu muito tarde, trazendo a 4ª geração do Passat alemão em 98, o Golf IV em 99 e o motor 1.0 turbo em 2.000, enquanto a Ford entrou em 97 com a linha quase que completamente renovada.
      Antônio do Sul

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    2. Anônimo 01/06/14 22:23, a Ford acabou sendo obrigada a renovar sua linha com mais rapidez justamente porque foi quem mais perdeu com o fim da Autolatina. Ela era mais dependente dos motores da VW do que a VW era dependente de motores da Ford, como pudemos comprovar com o lançamento do EA-111 já em 1997, habitando o cofre do Gol AB9.
      Como o fim da união foi feito em um espaço de apenas um ano (rumores já em 1995 e o encerramento de fato no fim de 1996), a marca oval acabou tendo de fazer as coisas com muita rapidez e por vezes sem aproveitar o que já tinha.

      Exemplo simples disso está no Fiesta Mk4 aqui fabricado e que inicialmente vinha com o motor Endura importado da Europa, motor esse varetado e tecnicamente inferior ao CHT que conhecemos bem. Como a engenharia da Ford brasileira estava capada, imagino que não tenha havido alguém com a capacidade de montar o conjunto motriz em questão no Fiesta.
      Imagino eu que um hipotético Fiesta CHT usando injeção monoponto (ou mesmo multiponto) teria deixado as coisas mais tranquilas para a inevitável sucessão para o Rocam, que quem sabe não tivesse alguns problemas crônicos conhecidos pelos mecânicos (como cabos de vela que duram menos de 20 mil km).

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    3. P/ você ver que capacidade eles tinham, faltando só visão p/ tomarem a decisão correta. A Ford ficou dependente da Volks porque a matriz não queria investir no Brasil em razão de o cenário econômico estar complicado. Realmente, a década de 80 foi muito difícil, mas o foi também p/ a Fiat, a Volks e GM, que investiram um pouco mais e colheram, também, merecidamente, muito mais frutos.
      Naquela mesma época, na Argentina, que vivia uma situação econômica igual ou pior do que a nossa e era e ainda é um mercado muito menor do que o brasileiro, a Ford investiu muito mais: eles tiveram o Sierra, picape linha F mais atualizada do que a nossa F-1000 e o Escort. Ainda se fabricava o jurássico Falcon, mas como um produto de nicho.
      A chave da questão é essa: a filial argentina tinha uma diretoria mais capaz do que a da filial brasileira.
      Antônio do Sul

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    4. Mas já era hora de um substituto para o "CHT", infelizmente tudo chega a um fim. Injeção eletrônica não era o problema, pois o AE-1000 saiu com uma no Gol 1000i, se fosse interessante certamente teriam colocado no AE-1600.

      Mas era a hora de andar para a frente, a Ford aperfeiçoou muito este motor mas já era hora dos próximos, apesar do Endura dos Fiesta e Ka, veio o Zetec-SE e depois o Rocam.

      Aliás a Ford se saiu bem com o Ka, foi algo inédito para o nosso mercado. A VW se deu bem com o lançamento do motor AT também, foi bem elogiado logo em seu começo.

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    5. Braliostafora,

      O Verona nada mais era que a plataforma Ford + o motor AP VW, por isso um híbrido

      Obrigado

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  23. O Escort XR3 1.8 álcool , dois deles, ganharam e 1-2 uma prova de arrancada 1/4 de milha para carros originais por aqui no finzinho dos anos 90. Superaram os Gols 1.8, Passats 1.8 , Gols 1.6 AP, Monza 2.0, Maverick V8 (q foi quarto...) Opala Diplomata 6 álcool manual, Uno 1.5 R ( que arrancava na frente de todos em primeira marcha) O terceiro colocado foi um surpreendente Santana CL 1989, motor 2.000 álcool, talvez pelo carburador 3E ser muito bom.

    O Dono de um Gol GTI 2000 -do ano-" escondeu o carro " , pois era primo do dono de um dos Escorts e já sabia que perderia do XR3 1.8 nesse tipo de prova..

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  24. Achei o desenho desse Gol Ford pouco interessante. Parece um Hyundai da década de 90. E felizmente não foi lançado. Com isso a Ford se esforçou e trouxe um Fiesta muito bom em 2002. Talvez se o Gol Ford tivesae sido lançado estaria sendo enjabrado até hoje.

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  25. Olá Carlos, fiquei curioso se você também tem mais sobre o desenrolar pelo lado dos caminhões.
    No caso sempre achei que todo o conhecimento adquirido com a Autolatina caminhões, foi um ponto mais que fundamental para a Volks (MAN) caminhar rumo à liderança e desbancar décadas de hegemonia da Mercedes.
    No final das contas acho que essa foi a maior das vantagens da Autolatina.

    Abração
    Márcio Santos.

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    1. Marcio Santos,

      No meu ponto de vista quem mais ganhou com a Autolatina foi a VW com a linha de caminhões. A Ford tinha muita tecnologia nos pesados ........
      Obrigado

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    2. Aliás, era comum conversa "à boca pequena" nos corredores de ambas as empresas que esse seria o objetivo da VW e o legado da Ford.

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    3. Antes da Autolatina, a Ford já tinha a linha Cargo, em dia com o que se fabricava na Europa e exportado daqui p/ os Estados Unidos. A VW, por outro lado, tinha um MAN porcamente nacionalizado, com chassi e cabine originais, mas motores, eixos e transmissão fornecidos por fabricantes independentes aqui estabelecidos, como MWM, Cummins, Clark e Eaton, por exemplo, que só vendiam em virtude do preço inferior ao da concorrência.
      Caminhão Volks só começou a prestar quando começaram a pôr cabine VW em Cargo na fábrica do Ipiranga.
      Antônio do Sul.

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    4. Carlos na verdade nós, leitores, que temos que lhe agradecer por tanta coisa bacana publicada com o seu acervo particular. A nossa participação em comentários nada mais é do que o fruto.
      Obrigado e um abraço.
      Márcio Santos.

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    5. Obrigado Marcio Santos

      Abraço

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  26. Ford Aspire... não seria esse o gol "bolinha" da ford? E está a venda no Brasil. Detalhe, apenas vi o anuncio, nada sei sobre o carro ou proprietário:
    http://rs.bomnegocio.com/regioes-de-porto-alegre-torres-e-santa-cruz-do-sul/veiculos/carros/ford-aspire-35185084

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    1. Desde os tempos de criança até a adolescência, eu era fanático pela marca Ford, mas só consegui ter uma Belina II da marca. Isso foi no ano de 86 quando comprei uma Belina L II ano 84.
      Sempre que eu ia até a concessionária da marca, os vendedores nunca aceitavam vender o carro que eu queria e sempre insistiam em outro modelo.
      No mínimo eles deixaram de me vender uns quatro carros.
      Depois então, eu simplesmente desisti da Ford.

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  27. Curioso e embaraçoso, foi uma reportagem na 4 patas, que mostrava 10 motivos pra comprar um Logus e não comprar um Fusca...

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  28. Muito legal esses registros! Só o AUTOentusiastas para nos mostrar esse rico material de quem estava lá participando da história.

    Perfeita a traseira desse "Gol" da Ford, das mais harmoniosas. Totalmente compreensível a revolta dos revendedores VW.

    Carlos, qual Parati teve o AE-1000?

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    1. Carros do Portuga,

      A Parati mais basicona utilizava o motor AE1000

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  29. Artur Sentieiro ex ger.de produção da area 1 S.B.C 03/05/14 adorei o artigo do amigoe ex-colega Carlos Meccia sobre os acontecimentos relativos a Auto Latina realmente era opinião geral da fabrica entre o grupo de gerencia que essa união não podia dar certo dado a flagrante filosofia de trabalho Americana versus Germanica e eu tive a oportunidade de verificar pessoalmente durante 15 dias que passei junto a ger.da WW e vi que existiam diferenças enormes na maneira de gerenciar especialmente nos controles de tempos e financeiros e senti que tanto nós da Ford como os colegas da WW não acreditavam muito que essa uniao desse certo e realmente não deu

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  30. Depois da Autolatina a VW aprendeu com a Ford a desenhar os carros com mais curvas... e finalmente abandonou os quase caixotes que desenhava até então. Esse foi um grande legado da al.

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  31. Em 93 só não comprei um Logus, porque a concessionária pedia ágio.
    Comprei então uma Parati CL na cor prata.
    Essa "coisa" foi tão ruim, mas tão ruim, que foi o meu último VW e também o último carro nessa cor.

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    1. Mas vc nao se acertou com a Ford e desistiu dessa marca, depois teve problema com a VW ?!
      Qual marca de carro vc tem agora?

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  32. Os críticos da Autolatina são muito mais, torcedores apaixonados do que consumidores no sentido literal do termo. Traçando uma analogia, é como se Corinthians e Palmeiras se associassem para trocar seus jogadores num mesmo campeonato: O resultado poderia ser até positivo e benéfico para ambos os clubes, mas a torcida não reconheceria seus times do coração. Teve muito choro de barriga cheia de ambos os lados. Dizem, por exemplo, que a associação prejudicou os americanos, mas o que a Ford nos oferecia até 1989? Escort, F1000 e moribunda família Corcel (Belina/Del Rey/Pampa). E a VW, o onde estava sua eficiência técnica? Era só a Família BX e Santana/Quantum. Fiat e GM estavam passos à frente com a Família Uno e o Kadett. Logo surgiria o fenômeno Mille e concorrência dos importados. Naquela época de vacas magras, empréstimos compulsórios e financiamentos impossíveis, a Autolatina era a solução. Não entendo tanta reclamação da Ford, pois ela ganhou um motor mais adequado, moderno, com melhor desempenho e bom consumo... O XR3 finalmente tornou-se um carro à altura de sua imagem, deixando para trás até mesmo o Gol GTS, que lhe doava o AP 1.8 S. Proeza de sua aerodinâmica e da potência melhor aproveitada devido ao arranjo transversal do trem de força. Se não superava o GTI, com alguns cavalos a mais, botava pressão e de quebra, deixava o super-aerodinâmico Kadett GS para trás, pois a GM tinha feito o favor de errar feio no calculo das relações de marcha de seu esportivo. Graças também a Autolatina, a Ford teve seu primeiro carro com injeção eletrônica, o Versalhes 2.0i Guia de 1991. Por outro lado, os fãs da VW reclamaram muito do CHT no Gol. Não souberam reconhecer, porém que sem ele, o anti-Mille, o fraquíssimo, porém necessário, Gol 1000 não seria possível de forma tão rápida e barata, já que o motorzinho da Ford tem a facilidade das camisas úmidas. O gol 1000 podia ser ruim do jeito que era, mas era barato, e sem ele, a VW seria massacrada no mercado, pela Fiat e pela GM. O Apollo, taxado de alienígena em 1990, tem duas primazias que ninguém reconhece: Foi o primeiro VW a ter a uma aerodinâmica respeitável, pois a familia BX com suas linhas anos 70, repletas de quinas vivas, calhas e quebra-ventos, era um verdadeiro um desastre aerodinâmico. Aliás, penso que Apollo/Verona tem cx melhor que o 0,36 do Escort, pois além de não ter calhas, tem o terceiro volume mais elevado. O Apollo também foi o primeiro VW a adotar a posição tranversal do motor. Os fãs podem me detonar, mas digo e comprovo: O Apollo é muito mais carro do que o Voyage 1.8 da mesma época. Logus e Pointer... Esse é um capitulo a parte, e que me entristece. Não pelo carro, que era excelente e sim pelas críticas, descabidas, desproporcionais, tanto dos fãs, quanto da imprensa especializada. Eu já tive dois Logus, Num deles, cheguei a 200.000 Km sem traumas. Seus únicos problemas: As bandejas da suspensão, que não duravam muito (mal herdado do Escort, mas eram baratas) e o acabamento do painel, que se desfazia, como em todo VW (Quem já teve um Gol G3 sabe bem o que isso). Não era motivo suficiente para detoná-lo no mercado: havia carros de outras marcas, com problemas muito mais sérios e nem por isso, tiveram a mesma má fama. O Logus era um carrão. Meu GLI 1.8 1994, com injeção mono e apenas 86cv andava muito, ultrapassava com vontade, e sempre com médias de consumo acima de 14Km/l, espaçoso, bonito, não tinha o que reclamar, deixou saudades.

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    1. Comentário irretocável!

      João Paulo

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  33. Como falaram acima, tudo isso serviu bem para a VW adiquirir "macetes" para fazer caminhões....o resto é história.
    Afinal, para a VW poder "desfrutar" dos CHT e plataforma de Escort....presente de grego!!!

    Minha mãe teve vários XR-3. O pior, de longe, foi o ultimo....2.0 e plataforma " de cristal". trocou em um Kadett GSI, que foi o melhor carro dela....de longe.

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    1. Sem fanatismo, menos. O XR3 2.0 não tinham e não tem problemas de estrutura. Se voce encontrar algum com o tal problema, faz um grande favor em mostrá-lo no Escort Clube, pois não há NENHUM caso conhecido.
      O XR3 foi de longe o esportivo nacional mais vendido nos 80's e metade inicial dos 90's. Some todos os concorrentes e não chegará aos números de venda do modelo. O GSi é um bom carro e tinha problemas como todos os outros daquela época. Ou você esqueceu os freios traseiros que travavam antes dos dianteiros e a injeção análogica problemática dos primeiros modelos?

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    2. Anônimo02/06/14 22:00 - Eu gosto muito dos Ford, por sinal tenho um (Fiesta Street), mas tenho de discordar de você no que se refere ao GSi, tive um 90 (carburado portanto), é a meu ver um esportivo magnífico, potente, estável e confortável (excelente suspensão com regulagem a ar), um câmbio bem escalonado (sem buracos mas com uma 5.a decente - ao contrário dos XRs). Seu "defeito"era o pouco espaço pros passageiros do banco traseiro que ficavam "ralando as cabeças", e no meu caso nunca tive nenhum problema com seus freios.

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  34. Graças, entre outros, à confusão gerada na mente dos brasileiros pela criação da Autolatina (não entendíamos "qualé que é" da fusão e desconfiávamos de tudo, inclusive da qualidade) que a GM virou o "padrão de facto" de carro no Brasil na década de 90. Ocupando os sonhos das cabeças, desde o simples Corsa que revolucionou o mercado em 93 quanto o grande Omega que até hoje é referência. Engraçado que esse mesmo erro ela incorreu na década seguinte com a degradação dos seus produtos e perda de clientela para os asiáticos.

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  35. Tenho 33 anos e sou do ABC. Realmente ler algo relacionado às montadoras nos anos 80 é uma volta ao tempo. Meu falecido Pai que trabalhou na engenharia da Mercedes e da Volkswagen entre os anos 60 a 80 sempre trouxe causos deste período. Abs.

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  36. Da Autolatina compraria o Logus e o Versailles ,inclusive tenho um Logus ,o problema dele está na dificuldade de achar peças de reposição originais ,porque as paralelas não duram nada,todo mundo reclama da suspensão ,mas a suspensão é parecida com a dos Nissan Versa e March agora .

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  37. CM, a VW utilizava o prédio e o terren oda Vemag, no Ipiranga/Vila Prudente para testes também, antes da fusão. A Autolatina foi desfeita em parte porque nem todos os produtos seriam dispon´veis para a Ford, houve uma guerrilha dos revendedores VW, dizendo que com acabamento melhor o Ford mataria o Gol, mas a Ford também pagava o sesenvolvimento do carro. Dizem que houve um diálogo que foi mais ou menos assim , entre o controller amrecicano e o brasileiro da Ford : - Viu só,? recebemos USD 40 M de dividendos. E o brasileiro respondeu : por que ficar com 49% do lucro, se você pode ficar com ele todo ? o gringo coçou a cabeça, e dizem que foi aí que a separação comoçou a tomar corpo. A Ford tiveram uma opepração Autoplatina em Portugal , que fazia uma van ,( VW Turan/Sharan - Ford Galaxy ). dissolveu-se nos anos 2.000 . ABS Vitão

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  38. Acho o Logus muito bonito e bem resolvido, principalmente na versão Wolfsburg. Um amigo possui um exemplar e a utiliza ainda hoje.

    Salvo engano, um desses foi levado a Alemanha e impressionou bastante os engenheiros alemães.

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    1. Guiei um 2.0 (mas ainda um carburado), e com exceção da dificuldade dele passar por lombadas sem "ralar o assoalho" era sem dúvida um carro magnífico (e na minha opinião, muito bonito...)

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    2. Nilton, no lado Ford da Força o que deu para notar é que se concentraram bastante em tornar os carros puro-sangue pós-Autolatina o mais usáveis possíveis nas situações comuns para os brasileiros. Sempre me lembro que o Fiesta Mk4, mesmo tendo altura livre do solo baixa para padrões brasileiros e tendo sua engenharia local feita meio às pressas, dificilmente raspava o assoalho em lombadas, coisa que era comum não só nos Fords da época da Autolatina como naqueles de antes disso (em que pese terem sido pensados para um Brasil que à época tinha um piso médio melhor e sem esses calombos, que se multiplicaram dos anos 1990 em diante).

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  39. Mais um ótimo artigo! A Autolatina para a Ford foi um desastre, o Verona não vendia como o Logus, a Royalle nunca chegou perto das vendas da Quantum, o Versailles também não consegui agradar (usava até botões idênticos aos primeiros Escort). Concordo que possivelmente a linha legítima Ford (89/92) com motorização VW eram bastante interessantes... A Ford ainda parece ressentida da experiência, abandonaram recentemente até os consumidores da (finada, desatualizada e mesmo assim considerada) Currier, assim não dá, né?

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  40. Carlos,

    O VW Pointer é um dos carros mais interessantes e belos da minha lista.

    Como foi esse projeto?

    Rafael Aun

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    1. Pelo que sei seu design foi inclusive elogiado na matriz da VW (pelo menos, é o que se divulgou na época), concordo com você realmente é um carro bonito (e nasceu - em termos de Brasil - a frente de seu tempo, ao ser um hatch exclusivamente 4 portas. Na versão GTi sofreu do mesmo mal do XR3, com um câmbio excessivamente curto (minha honesta impressão: erro de projeto), tanqo que os 2 eram engolidos em velocidade máxima pelo Logus (e com sobra) sem que tivessem uma arrancada tão superior assim...

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  41. Interessante história! Que venham outras.
    O "Gol bolinha da Ford" é claramente inspirado no Ford Aspire.
    A dupla Logus e Pointer, na minha opinião, foi a maior aberração surgida dessa associação.

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  42. Tenho um pointer gli 2.0 ano 95 completo há 2 anos e estou contente com o carro, é economico, confortavel, e o melhor: moro há 300 m da praia e o carro está impecável... sendo que tive varios carros comidos pela ferrugem aqui... o tratamento antiferrugem original dele foi perfeito mesmo.
    Não tenho intenção de trocar, motor ap resistente, faz 11 km/l de média, anda bem... trocar pra q? por um popular duro e pelado? to fora...

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  43. Carlos,

    Em algum momento no tempo a FORD chegou a testar os CVH aqui pro Escort Xr3? Digo até mesmo antes da AutoLatina.

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  44. Se um Alemão e um Francês se encontrassem em algum lugar da Europa com um Audi 80 e um Renault 12 nos anos 70...imaginariam eles que 20 anos dps aquele Renault 12 estaria com o conjunto motor/transmissão do Audi 80 e estava sendo vendida como pick-up e com emblema da Ford?


    Coisas da autolatina.

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    1. Ao menos nesse ponto é uma daquelas jabuticabas no bom sentido da coisa. É mais ou menos como um americano ver que no Brasil se tira do seis cilindros em linha da Chevrolet potências iguais ou superiores às que se consegue tirar por lá no smallblock V8. Mais ainda esse americano irá se surpreender quando ouvir dos preparadores brasileiros com experiência tanto no seis em linha quanto no smallblock que os mesmos consideram mais fácil tirar um mesmo tanto de potência da unidade com dois cilindros a menos.

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  45. Roberto V. Falcão04/06/14 11:00

    Grande Meccia,

    independentente da oringem do pessoal da engenharia, o que eu sei é que nós nos divertimos muito nessa época, e foi uma troca de experiencia muito gratificante.

    Grande Abraço

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    Respostas
    1. Querido amigo Falcão,

      Excelente receber notícias suas. Concordo que foi uma boa troca de experiencias !

      Abração amigão

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  46. Meccia,

    trabalhar na Autolatina foi uma oportunidade de grandes trocas de conhecimento para nós, engenheiros de ambas as fábricas. Foi para mim muito gratificante trabalhar na parte da carroçaria tendo você como colega na parte do chassi.

    Fiquei muito contente em ler seu comentário sobre a Autolatina. Gostei da sobriedade do artigo.

    Abraços,
    Bertocchi ( Pai )
    VW 1967 - 2000

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    Respostas
    1. Querido amigo Bertocchi, que satisfação receber noticias suas ! Bons colegas e amigos forever !!!!!

      Abração

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  47. Olá Carlos,

    bem interessante essa matéria, que a meu ver foi mais benéfica a VW, visto o mercado de caminhões, onde a VW com seu antiquado projeto Chrysler da década de 60, herdou todo o DNA do Cargo, e o desenvolveu mais, porém a Ford parece que parou no tempo, abandonando mercados como o de ônibus e ainda hoje cheia de conservadorismo, enquanto a VW continua líder no setor. Vai entender...

    Abraço

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    Respostas
    1. Lucas,

      Eu nunca vou entender.......espero que alguém entenda

      Obrigado

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