google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Durante muitos anos, circuitos de corrida sinuosos e de curvas desafiadoras estiveram longe do target de desempenho dos carros americanos. Mas pelo que podemos ver, atualmente esta situação está mudando.

Diversos fabricantes de automóveis utilizam pistas especiais de testes para desenvolver seus veículos, mas uma delas vem sendo uma atração à parte. A seção norte (Nordschleife) do circuito alemão de Nürburgring, ou "The Ring" para os íntimos, cada vez mais é utlizado como pista de desenvolvimento e calibração para carros de produção. Com seus 20,8 km de extensão e todos os tipos de curvas, em subida acelerando, descida freiando e longas retas, representa um excelente terreno para acerto de chassi.

Como era de se imaginar, por muitos anos o domínio dos melhores tempos de volta foram dos carros europeus, esportivos feitos para trafegar velozmente nas estradas sinuosas do Velho Continente, mas os americanos estão se mostrando mais eficientes em acertos.

Quem dizia que carro americano só anda em linha reta, pode começar a rever seus conceitos, pois o recorde da pista é de um Dodge. Ok, ok, é um Viper ACR, que não deixa de ser um carro de corrida levemente amansado para andar na rua, mas é street legal mesmo assim, e está na lista oficial. Se não quiser aceitar esse tempo como recorde de carros de produção e legalizados para andar nas ruas, vejamos o próximo carro. Quem diria, um Corvette, com seus feixes de mola e motor com pushrods... São carros esporte de alto desempenho, foram feitos para serem rápidos em autódromos também. Mas um outro golpe dos americanos deixou todos surpresos, com um Cadillac (sim, um Cadillac, aquelas barcas de 16 m de comprimento de antigamente) sendo o sedã mais rápido ao redor do circuito, desbancando os tão aclamados sedãs esportivos alemães como os Mercedes AMG e os BMW M-Series.

Podemos nos questionar se esses tempos são realmente verdadeiros, coisa que vem sendo colocada em dúvida nas recentes discussões sobre os carros que marcam esses tempos, se eles não são carros de produção preparados especificamente para registrar excelentes voltas, como vem sendo questionado o Nissan GT-R (antigo Skyline), mas isso é conteúdo para outro dia.

Numa passagem rápida pelo Museu do Automóvel do Nasser, em Brasília, me deparei com um carro totalmente inédito para mim. Uma picape Tempra.

Sabemos que não é de hoje que a Fiat ensaia entrar nesse mercado. Mas a data mais antiga que eu tinha na cabeça era 2000. Nessa ano, após a junção da GM com a Fiat cheguei a ver um mock-up da S10 com "cara" de Fiat, algo como um "badge engineering". Mas o projeto não vingou.

No ano passado a Fiat anunciou a parceria com a Tata para fazer uma versão Fiat da picape Tata TL. Veja que interessante esse trecho do press release: "O acordo é o resultado dos estudos de viabilidade iniciados em julho de 2006 e compreende o licenciamento da Tata para a produção de uma pick-up com a marca Fiat na planta industrial do Fiat Group Automobiles em Córdoba, Argentina. Os primeiros veículos sairão da linha de montagem de Córdoba em 2008. A produção anual plena é estimada em 20.000 unidades. Os investimentos planejados totalizam cerca de US$ 80 milhões."
Ao que tudo indica esse projeto também não vingou.

Agora existem novos rumores sobre uma versão picape Fiat para o Iveco Massif, produzido na Espanha. O Massif é derivado do Santana PS10, sendo que este já é uma versão autorizada do Land Rover Defender. O Jalapão, que seria produzido aqui, também era um derivado do Santana.

Voltando à picape Tempra, ela é um protótipo feito pela Fiat em 1994 usando um misto das plataformas do Tempra Coupé e da Tempra SW. A picape, ou Tempra Pick-up, usaria um motor Diesel e teria capacidade de carga de 1 tonelada (condição necessária para o uso do motor Diesel, de acordo com a legislação brasileira). Em 1994 ainda não tínhamos picapes médias a diesel com essa capacidade de carga.

Naquela época a Fiat dormiu no ponto. Agora com as japonesas Hilux, Triton e Frontier, mais as novas S10 e Ranger chegando em 2009/2010* e a novata Robust da VW debutando em 2010, o desafio da Fiat seria muito mais difícil.





Atualização em fevevereiro de 2009: o lançamento das novas S10 e Ranger é incerto.

A vasta maioria dos críticos costuma declarar o Jaguar E-type como o carro mais bonito já criado. Também acho o Jaguar maravilhoso, mas, como estilo tem muita subjetividade envolvida (apesar de não ser apenas subjetivo), não concordo. O veículo mais bonito já criado é sem dúvida nenhuma o Lamborghini Miura.
O fato de esse carro ser absolutamente brutal em seu desempenho e interface com o motorista não tem nada a ver com essa avaliação, eu juro. Nem muito menos o V12 de 4 litros transversal traseiro, instalado a apenas alguns milímetros do crânio do motorista, amplificando sua diversão (e o seu cansaço na direção; nada é perfeito...)

Não é à toa, então, que três dos maiores estilistas italianos que existem reivindicam a criação do Miura para si: Nuccio Bertone, Marcello Gandini e Giorgetto Giugiaro.

Giugiaro deixou a Bertone para o estúdio Ghia em novembro de 1965, cinco meses antes da aparição do Miura. No seu lugar ficou Gandini, então com 27 anos. Bertone era o dono do estúdio. Todos os três, quando perguntados, dizem que o Miura é sua criação. Estes, amigos, são os fatos conhecidos. O resto é especulação.

Podemos apenas, então, especular qual é a verdade. Na minha opinião, Giugiaro desenhou o Miura e Gandini o finalizou em metal. Explico: é só observarmos o que os designers fizeram após o Miura. Gandini criou sua obra-prima, o Lamborghini Countach, tão popular em paredes de adolescentes quanto Pamela Anderson Lee.

Mas, depois disso, seu estilo diferenciado de linhas retas nunca mais funcionou. É só dar uma olhada em uma de suas últimas criações, o confuso Qvale (antes DeTomaso) Mangusta. Já nosso amigo Giugiaro aperfeiçoou a pureza de linhas que já havia mostrado no Miura e partiu para ser cada vez mais perfeito em seu tratamento de superfícies externas. E montou um estúdio seu, a Ital Design, de imenso sucesso.

Apesar do fato de que este é mais um daqueles mistérios insolúveis da história do automóvel, acredito que o carro mais bonito já criado em todos os tempos é dele, e os outros apenas tentam refletir um pouco de seu brilho.

Mas, é interessante terminar com as palavras do próprio Giugiaro: "O que é realmente importante não é quem o desenhou, mas o fato que o veículo existe."

Amém!!!
Uma rápida comparação da 'fotografia' das vendas de carros e picapes nos EUA nos mostra a transformação pela qual estão passando os fabricantes de lá. Comparei os 20 mais vendidos até agosto de 2003, com os 20 mais até Junho de 2008.

Procurei limitar os primeiros seis meses, pois iniciou-se período de grande instabilidade no 2º semestre, de posições e de volume de vendas mensal e o comparativo perderia valor. Com o ano completo e posições mais definidas, a análise melhora de qualidade.

É incrível. Em 2003, 11 dos mais vendidos eram 'trucks' e agora, são somente 7, porém 3 são 'car derived', como CRV, Escape e Odyssey. Ford Explorer, 6° mais vendido em '03, mesmo após problemas de recall, despencou posições e, em 2008, não figura mais entre os 20. TrailBlazer, Tahoe, Sierra, Ranger Expedition, Grand Cherokee, tampouco. Novos figurantes nos top20 são Cobalt, Malibu, Pontiac G6 e os coreanos Hyndai Sonata e Elantra. Em 2008, Civic e Corolla já pontearam as vendas, em alguns meses.

Produtos nipônicos já estavam bem no ranking de 2003. Entre os 10 mais vendidos, 4 eram japoneses, Camry, Accord, Civic e Corolla. Nissan Altima vinha em 16°, completando 5 japoneses nos top20. Em 2008 são 5 japoneses entre os 10 mais, 7 entre os 20 mais, com dois Hyundai fechando os 20.

O empréstimo bilionário ($25 bilhões) e camarada está saindo. Mas, se os 3 grandes não remodelarem sua maneira de fazer carros, trazendo transformações internas também, daqui a 5 anos o panorama estará bem mais difícil para eles. Isto, se todos sobreviverem até lá.